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	<title>Amálgama &#187; Dilma Rousseff</title>
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	<description>Revista digital de atualidade e cultura</description>
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		<title>O estilo Dilma</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 16:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Villaverde</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[aeroportos brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
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		<description><![CDATA[Seja lidando com aeroportos ou com a previdência, a presidente mostra mais pragmatismo  que Lula]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-8418" title="Dilma e Mantega" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/02/dilma_mantega.jpg" alt="" width="500" height="414" /></p>
<p>Fernando Collor era autocrático, Itamar Franco adorava um confronto com integrantes de seu governo, Fernando Henrique Cardoso era cordial e afável com todos, mas definia os caminhos do governo por detrás dos holofotes. Luiz Inácio Lula da Silva era populista, elogiando todos em igual medida, e definindo o rumo por meio da disputa interna em seu governo (entre Banco Central e Fazenda, entre correntes do PT, entre centrais sindicais, entre partidos da base, etc.).</p>
<p>Dilma Rousseff é pragmática e irredutível.</p>
<p>Tal como Collor, Dilma é centralizadora, uma vez que concentra em si todas as principais decisões de governo. Cobra que os ministros e principais secretários perguntem a ela se podem conceder entrevistas &#8212; negadas, via de regra. É por isso que nomes fortes do governo Lula estão mais discretos sob Dilma (caso de José Sérgio Gabrielli, na Petrobras, Luciano Coutinho, no BNDES, e dos ministros Edison Lobão, Paulo Bernardo e outros). Dilma, no entanto, não é autocrática. Exige muito dos ministros e ouve atentamente ao que cada um tem a dizer. Mas perde a paciência com facilidade &#8212; no primeiro sinal de enrolação ou de desconhecimento, a presidente logo começa a desviar o olhar e perder a calma. Detalhista e <em>workaholic</em>, Dilma lê muito e cobra muito de si &#8212; e, por extensão, de seu grupo de ministros.</p>
<p>A presidente não entra em conflito público com ninguém, como fazia Itamar, e também não permite que os ministros e secretários tenham a falsa ideia de que a convenceram &#8212; o que a distancia do estilo FHC. Ela também não permite distúrbios na comunicação, como gostava de ver Lula, que agia como maestro de Brasília. Dilma gosta de sintonia, de governo unido, com discurso único. O pulso de Dilma mantém o mesmo ritmo.</p>
<p>É uma mulher pragmática, e detesta política partidária. Ainda na Casa Civil de Lula, em 2007, Dilma percebeu que os aeroportos brasileiros eram uma zona: a CPI do Caos Aéreo, naquele ano, elencara uma série de problemas estruturais. A demanda aumentara muito e continuaria aumentando, e a péssima gestão da Infraero não seria capaz de reverter o quadro de aeroportos de quarto mundo. Pragmática, Dilma entendeu, naquele momento, que era preciso passar a gestão dos aeroportos à gestão privada: não a privatização, mas a concessão de longo prazo dos aeroportos. Lula barrou os planos. Não queria nada que associasse privatização ao PT ou a seu governo. Quem me relatou isso foi um confidente privilegiado de Lula e Dilma, que já estava no Palácio do Planalto em 2007 e que continua em 2012.</p>
<p>Tão logo tomou posse, em janeiro de 2011, Dilma mandou que os técnicos de seu governo estudassem a concessão dos aeroportos. Numa decisão corajosa (goste ou não da medida, não há dúvida quanto à coragem da presidente em enfrentar <a href="http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=62341" target="_blank">o PT</a>, <a href="http://www.sidneyrezende.com/noticia/161398+cut+critica+leilao+de+aeroportos+isso+e+privatizacao+e+nao+concessao" target="_blank">a CUT</a> e outros movimentos da esquerda anti-privatização), a presidente <a href="http://www.dci.com.br/Dilma-diz-que-o-proximo-passo-e-garantir-eficiencia-em-aeroportos-5-409452.html" target="_blank">levou a cabo</a> a concessão de três aeroportos, na última segunda-feira.</p>
<p>Três grupos arrebataram os aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas-SP) e JK (Brasília), ao preço total de R$ 24,5 bilhões. Eles tem a obrigação de melhorar a gestão e ampliar a capacidade dos aeroportos, e as primeiras metas devem ser cumpridas em até 18 meses. Os grupos terão polpuda ajuda do BNDES, algo que turva o capitalismo brasileiro, e que a presidente ainda não conseguiu solucionar. Mas ela quer, e provavelmente vai, reduzir a participação do BNDES no total de crédito na economia. Já cobrou isso do presidente do banco, Luciano Coutinho, na reunião com oito ministros da área econômica que realizou no sábado 20 de janeiro no Palácio do Planalto. O BNDES recebeu do Tesouro Nacional o equivalente a R$ 100 bilhões em títulos públicos em 2009, R$ 80 bilhões em 2010, e R$ 55 bilhões em 2011. Deve ser menor neste ano, e menor ainda em 2013, por determinação de Dilma.</p>
<p>O BNDES é importante, mas mesmo antes de se tornar presidente, durante a campanha no segundo semestre de 2010, Dilma já sugeria à equipe econômica que encontrasse formas de estimular o mercado de crédito privado a ocupar o espaço do BNDES. Uma vez eleita, passou a exigir. Ainda em dezembro de 2010 o Ministério da Fazenda esquematizou o projeto que viabilizaria as debêntures para projetos de infraestrutura e também o crédito privado de longo prazo. Isso está saindo do papel agora, no primeiro trimestre de 2012, já que a regulamentação só veio no Diário Oficial da União (DOU) um ano depois do projeto, em dezembro do ano passado.</p>
<p>Outra briga que a pragmática ocupante do terceiro andar do Palácio do Planalto comprou é a reforma da previdência do setor público federal. Dilma deu prioridade, em 2011, ao <a href="http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=366851" target="_blank">Projeto de Lei (PL) 1.992/07</a>, que altera o regime de previdência pública. O projeto foi todo modelado sob Lula, que, tal qual com os aeroportos, recuou na hora da negociação no Congresso. Lula não quis se indispor com a CUT e o sindicalismo de servidores, categoria que o presidente ampliou muito, e também muito aumentou os salários.</p>
<p>Hoje, o equivalente a 953 mil servidores federais aposentados e pensionistas consomem um déficit de R$ 56 bilhões &#8212; já os 28,1 milhões de aposentados pelo setor privado (INSS), consomem déficit de R$ 36,5 bilhões. Esta bisonha diferença começará a mudar quando o PL 1.992 for aprovado no Congresso. O projeto prevê a criação de um fundo de previdência complementar para os servidores. A aposentadoria daqueles que ingressarem no serviço público estará limitada pelo teto do INSS, hoje em R$ 3.691,00 por mês, como ocorre com todos os demais trabalhadores brasileiros. Se quiserem ganhar mais na aposentadoria, os servidores deverão contribuir para o fundo de pensão que será criado &#8212; e ainda terão o aporte do Tesouro Nacional, que vai entrar com até 8,5% do que o servidor contribuir com seu salário que superar o teto do INSS. O projeto tem regime de emergência constitucional e trava a pauta de votações na Câmara dos Deputados, onde o governo já costurou acordo pela aprovação. Dali vai ao Senado, onde terá 45 dias para ser votado. Dilma segurou as contratações de servidores públicos em 2011 e neste começo de 2012 justamente para evitar um rombo maior das contas públicas na Previdência &#8212; os concursos só serão retomados quando entrar em vigor o novo regime previdenciário.</p>
<p>Dilma é pragmática, e exige um crescimento mínimo de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB). Sabe que a economia não deve ter crescido isso em 2011 e sabe que será muito difícil bater em 4,5% ou 5% em 2012, como gostaria. Mas não aceita que 2012 seja mais fraco que 2011, e por isso cobra da equipe econômica medidas de estímulos. Ao mesmo tempo, não aceita negociar sobre o aperto nas despesas, e quer fazer um superávit primário forte em 2012 &#8212; como fez em 2011. Promete poupar R$ 139,8 bilhões neste ano para pagar os juros devidos por sua dívida &#8212; ela provavelmente vai entregar.</p>
<p>O que a equipe econômica ainda não sabe como fazer é compatibilizar mais estímulos à economia, para fazer o PIB crescer forte em 2012, com a exigência de poupar quase R$ 140 bilhões em gastos. Mas isso é problema dos economistas, pensa Dilma, que diz a pessoas próximas a ela que sim, é possível. Hoje, a Junta Orçamentária (criada pela presidente e formada pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e da Casa Civil) discute duas possibilidades para amarrar as contas: um corte de R$ 61 bilhões em despesas do orçamento deste ano, de forma a guardar recursos para o superávit primário; ou um corte próximo a R$ 40 bilhões, inferior aos R$ 50,6 bilhões retidos do orçamento de 2011 em fevereiro do ano passado, que abririam caminho para mais investimentos públicos. A decisão sai na semana que vem, e será toda de Dilma.</p>
<p>Os juros vão cair. Dilma vê os juros brasileiros como uma anomalia, e sente que a sintonia recente do Ministério da Fazenda com o Banco Central é crucial para abrir espaço para novas reduções nos juros. Hoje, a taxa básica de juros é de 10,5% ao ano, mas o BC deve cortar os juros em mais 0,5 ponto percentual nas duas próximas reuniões, de março e abril, deixando o juro em 9,5% ao ano em maio. Deve chegar a 9% ou até menos, no final do ano. A mínima histórica foi 8,75% ao ano, entre o fim de 2009 e abril de 2010, quando a economia brasileira se recuperou fortemente da crise econômica mundial desencadeada pela falência do Lehman Brothers em 15 de setembro de 2008.</p>
<p>Aí está, pensa Dilma, um dos principais caminhos para estimular a economia. Com juros menores, os recursos disponíveis para aplicações mais arriscadas, como ações, são maiores, o que vai estimular o caixa das empresas. Ao mesmo tempo, os bancos estarão mais dispostos a emprestar e as empresas, por verem juros menores, a investir.</p>
<p>Se os juros chegarem em 8,5% ao ano, algo que Dilma deseja, a caderneta de poupança terá de mudar. Ela sabe disso, e já cobrou o Ministério da Fazenda por uma reforma que torne a poupança menos rígida (desde 1940, quando foi criada, a caderneta de poupança, a mais popular modalidade de aplicação financeira dos brasileiros, paga 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial). A Fazenda estuda uma medida que extinguiria o rendimento de 0,5% ao mês (6,2% ao ano), substituindo pela Selic com um redutor de 20%.</p>
<p>Quando foi colocado diante dessa encruzilhada &#8212; da Selic em 8,75%, próximo ao limite &#8212; o então presidente Lula estudou introduzir o Imposto de Renda (IR) sobre as aplicações mais altas, mas não foi à frente porque não queria comprar uma briga impopular &#8212; mexer na caderneta de poupança, onde estão 106 milhões de brasileiros, é sempre sensível. Dilma já descartou o IR, mas vai reformar a poupança. Sabe que é o único jeito de abrir espaço para novas reduções da Selic.</p>
<p>O segundo semestre será melhor que o primeiro, fala-se muito aqui em Brasília. E 2013 será melhor que 2012, por sua vez superior a 2011. A única política a que se dá direito é esta: o Brasil precisa entregar uma boa Copa do Mundo em 2014 e, assim, abrir espaço para uma reeleição. Dilma é pragmática e sabe que quatro anos é muito pouco.</p>
<br>-- <em>Para saber mais sobre o(a) autor(a) do post, <a href="http://www.amalgama.blog.br/02/2012/o-estilo-dilma/">acesse o Amálgama</a></em> --

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		<title>Perspectivas para o PT no pós-Lula</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/11/2010/pt-pos-lula/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2010 21:02:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Egg</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[ANDRÉ EGG - O presidente cumpriu sua missão e já vai tarde]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3719" class="wp-caption alignnone" style="width: 360px"><img class="size-full wp-image-3719" title="Dutra e Dilma" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2010/11/dilmadutra.jpg" alt="" width="350" height="234" /><p class="wp-caption-text">-- José Eduardo Dutra e Dilma Rousseff --</p></div>
<p><em><strong>por André Egg</strong></em> &#8211; Votei em Lula nas duas vezes em que ele ganhou. Mas não me considero um lulista. Sou mal-e-mal um petista. Já trabalhei de fiscal do partido na apuração, em 1994 &#8211; tempos de cédula de papel, um horror para fiscalizar. Já votei muito no PT, mas sou um eleitor de centro-esquerda &#8211; já votei no PDT, no PPS (no tempo em que era de esquerda), no PMDB (no Paraná é um partido meio de esquerda ainda), no PSTU.</p>
<p>Tô dizendo isso pra você, leitor, saber com quem está mexendo.</p>
<p>Porque o negócio é que eu considero que o governo Lula foi um bom governo, e por isso fez o sucessor. Isso está longe daquela bobagem de que Dilma foi na popularidade de Lula: a popularidade de Lula é que veio, em grande parte, da competência administrativa de gente como ela &#8211; ou da competência política dele em montar equipe, o que dá na mesma.</p>
<p>Mas tergiverso, para usar um verbo que Dilma usou até gastar no primeiro debate do segundo turno.</p>
<p>O que estou tentando dizer, é que o governo Lula foi bom &#8211; arrisco dizer que foi o melhor que o Brasil teve, o que é uma temeridade pois pretende uma comparação com governantes que responderam a situações totalmente diversas. Não acho que seja possível deixar de reconhecer que Lula aproveitou, e bem, as boas coisas que fez o PSDB nos 8 anos em que esteve no governo (controle da inflação, diminuição do tamanho mastodôntico do Estado, consolidação das instituições democráticas, implementação de políticas sociais eficientes). Também devo lembrar que dizer isso não significa creditar o bom governo de Lula aos méritos de FHC, que isso é bobagem da grossa.</p>
<p>A macroeconomia estava toda lascada, dívida pública estratosférica, déficits comerciais, infra-estrutura de transportes em frangalhos, desindustrialização, desemprego, arrocho salarial, e uma inflação ainda não totalmente controlada (eu não me esqueço dos 34% de 1999, que podiam significar ter metade do disponível no ano anterior para comprar comida, para uma família que gastasse 30% do orçamento em alimentação e não tivesse aumentado proporcionalmente a renda &#8211; um funcionário público, por exemplo, categoria que teve 0% de reajuste salarial nos tempos de FHC).</p>
<p>Pra encurtar a história, o governo Lula <a href="http://www.amalgama.blog.br/10/2010/o-mito-da-continuidade-da-politica-economica/" target="_blank">não foi mera continuação de FHC</a>, como já está amplamente demonstrado.</p>
<p>Mas não é disso que estou falando.</p>
<p>Estou contando tudo isso só pra dizer que acho que o governo Lula foi bom, mas muito pior do que deveria ter sido, ou muito pior do que se esperava de um governo do PT.</p>
<p>Porque o PT tinha toda uma trajetória promissora, que foi em grande medida abortada para eleger o Lula em 2002.</p>
<p>Em primeiro lugar, o PT era um partido que vinha da base do novo sindicalismo brasileiro. O sindicalismo no Brasil era uma coisa muito <em>sui-generis</em>: nascido de movimentos anarquistas, só na década de 1920 o comunismo começou a ter papel importante nos sindicatos brasileiros, e foi muito importante para conquistar toda a legislação trabalhista surgida nos anos 1930-40. Só que o Getulião, esperto que só ele, amarrou a legislação (salário mínimo, jornada, férias, justiça trabalhista &#8211; a tal CLT) a uma estrutura sindical de inspiração fascista, onde os sindicatos passaram a ser instrumentalizados e controlados pelo Estado (o tal do &#8220;peleguismo&#8221;). O PT surgiu da insurreição contra esse estado de coisas, na década de 1970, dentro do movimento contra a carestia, do combate à política de arrocho salarial com a qual o Regime Militar atraiu as multi-nacionais. Era um partido que surgia da rebeldia dos trabalhadores, que não aceitavam mais nem a opressão do capitalismo nem a tutela do populismo. Veio daí o basismo, o assembleísmo, as formas dinâmicas de construir consensos e projetos políticos. Veio daí o próprio Lula.</p>
<p>Mas o PT não era só isso &#8211; era também o partido oriundo das Comunidades Eclesiais de Base, dos católicos e evangélicos filiados à Teologia da Libertação, da opção pelos pobres, da leitura radical do Evangelho sob a ótica da igualdade, da fraternidade, da justiça, da paz &#8211; invertendo uma tradição milenar da Igreja a serviço da opressão, da aristocracia, do Estado.</p>
<p>Também não era só isso: era o herdeiro do PCB, muito mais do que uma versão brasileira do movimento comandado de Moscou. O PCB era, pelo menos desde 1945, um movimento político intimamente ligado à produção do que teve de melhor na cultura brasileira (basta saber que eram militantes do PCB Monteiro Lobato, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Oswald de Andrade, Claudio Santoro, Guerra Peixe, Eunice Catunda &#8211; para ficar apenas na literatura e na música). O PCB tinha diversas revistas culturais, e seu ideário mobilizou a literatura, a música, as artes visuais, o teatro, o cinema e a teledramaturgia nacionais. Essa grande tradição cultural de artistas engajados, idealistas, nacionalistas, revolucionários, mas ao mesmo tempo rebeldes contra a disciplina do partido e os esquemas teóricos rígidos desaguou no PT nos anos 1980.</p>
<p>Isso liga a uma quarta vertente petista: o PT foi desde sempre uma Nova Esquerda &#8211; termo que indica os grupos que continuaram revolucionários e/ou socialistas, rompendo com o marxismo clássico e o comunismo soviético. Esses grupos incluem, e foi o caso do PT no Brasil, intelectuais independentes, artistas, ecologistas/ambientalistas, militantes homossexuais, feministas, movimento negro, entre outros.</p>
<p>Por tudo isso que o PT tinha no seu DNA, existia uma larga expectativa sobre o que poderia representar um governo do partido. Mais ainda, não só por tudo o que o PT representava em termos de uma esquerda democrática, moderna, nacionalista, mas também porque nos anos 1990 o PT demonstrou que não era apenas um partido de oposicionistas porra-loucas, mas sabia governar. Assumindo em 1988 prefeituras importantes como São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza e Vitória, o PT iniciava uma nova e importante fase: demonstrar que era mais que um partido utópico, demonstrar que poderia sobreviver às experiências de gestões complicadas.</p>
<p>E o PT venceu o desafio de governar municípios. Sempre manteve o equilíbrio orçamentário, reduziu endividamento, direcionou recursos prioritariamente para os serviços públicos e o atendimento à população carente, fez ótimas políticas de saúde pública, educação, moradia, cultura, transporte coletivo, coleta de lixo, entre outras coisas. Além de criar mecanismos de participação cidadã, cujo maior exemplo foi o orçamento participativo.</p>
<p>Em governos estaduais o PT ainda não tinha se firmado como uma alternativa eficaz aos partidos tradicionais das oligarquias que comandaram o Brasil durante o Regime Militar. Boas experiências com a gestão de Cristóvam Buarque no DF e Olívio Dutra no RS foram interrompidas por derrotas eleitorais. Outros governos como o de Zeca do PT no MS e Victor Buaiz no ES não tiveram tanto êxito.</p>
<p>Qual seria o caminho natural para o PT? Seguir construindo bancadas fortes, com atuação parlamentar destacada, melhorado o nível político do Congresso, passando ao largo das negociatas, fazendo oposição responsável e colocando o legislativo num novo patamar de qualidade, que havia sido totalmente comprometida pelas práticas autoritárias dos governos militares.</p>
<p>Continuar administrando prefeituras de maneira competente, solucionando alguns dos principais problemas que assolam o país, associados às dificuldades de operacionalizar a vida em metrópoles gigantescas com péssimo planejamento urbano, péssimos serviços públicos e, conseqüentemente &#8211; péssima qualidade de vida.</p>
<p>Além disso, precisava construir uma alternativa viável para governos estaduais, na gestão de projetos de desenvolvimento econômico regionais, solução de problemas de infra-estrutura de transportes e sobre-tudo uma resposta efetiva ao grave problema da segurança pública.</p>
<p>Se pudesse fazer tudo isso e ainda assumir o Governo Federal para desatar o nó górdio da macro-economia de FHC, tanto melhor.</p>
<p>O problema é que eleger Lula custou o sacrifício do PT como partido que se propunha como alternativa real no quadro político brasileiro. Significou o tipo de arrecadação de campanha que levou à morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André: recursos obtidos de forma fraudulenta, para fazer campanhas milionárias, onde a discussão política era substituída pela construção fantasiosa de uma imagem, onde o militante voluntário era substituído pelo serviço pago, onde os ideais e utopias eram sufocados em prol da &#8220;governabilidade&#8221; e de uma ampla aliança capaz de abarcar a escória política que o PT pretendia superar, lavando a direção do partido a coadunar com as práticas antes combatidas.</p>
<p>Eleger um presidente nestas condições, só poderia resultar num governo engessado, de poucas possibilidades de mudança e transformação política. Como líder de uma coalizão que não era nada de esquerda, mas aceitou de bom grado partidos como PL, PP, PTB, além de irregulares PDT, PSB e PV, o PT abriu mão de tudo que representava como renovação do quadro político brasileiro.</p>
<p>Como partido dinâmico que era, seus principais quadros não aceitavam passivamente o processo: muitos saíram, outros foram expulsos. Alguns tentam até hoje refazer uma alternativa no PSOL, coisa que está se mostrando muito difícil. A base social do partido se desmobilizou, à medida em que os avanços do governo Lula na área de emprego e renda melhoravam sensivelmente a vida de uma geração que nunca tinha visto o Brasil crescer.</p>
<p>Mas o governo Lula foi pífio. Posso dizer isso, eu que sou petista por lutar por uma série de transformações que só o PT representava. Mas devo dizer que não vi nada disso no governo Lula: foi um governo preguiçoso, um governo que fez o mínimo, que repetiu (sem precisar enunciar) o bordão de FHC: &#8220;o governo do possível&#8221;.</p>
<p>Ora, para fazer um &#8220;governo do possível&#8221; não precisávamos do PT. Deixássemos os tucanos que estava bom, com alguns ajustes que Serra faria. Para fazer um governo do possível, não precisávamos colocar na presidência o maior líder popular do mundo do pós-segunda guerra. Não precisávamos mobilizar os melhores quadros políticos gerados numa geração que viveu nos porões da repressão do Regime Militar.</p>
<p>O governo Lula não significou nenhuma melhoria em políticas na área de esportes, segurança pública, saúde pública, infra-estrutura de transportes, política de inovação, urbanização, moradia. Fez melhorias na geração de emprego e aumento da renda. Sua política industrial usou recursos públicos para fortalecer ainda mais setores já hipertrofiados &#8211; especialmente na produção de <em>commodities</em>. O servidor público foi recuperado com contratações e pequenos reajustes, a universidade pública foi dinamizada. Mas e a educação básica? As políticas capazes de cruzar educação e cultura, educação e esporte, educação e protagonismo político juvenil, educação de adultos?</p>
<p>Cadê as políticas capazes de tirar o Brasil do abissal atraso tecnológico, por exemplo na indústria eletrônica? Cadê as políticas capazes de fazer o Brasil exportar produtos culturais, uma vocação natural da nossa economia? Cadê a transformação da estrutura fundiária? A reforma política? A reforma tributária?</p>
<p>Essa mediocridade do &#8220;governo do possível&#8221; foi simultânea com o processo de desmonte do protagonismo do PT. Pode-se dizer que o governo Lula foi um governo onde o PT pouco apitou. Esteve atrelado aos interesses da carreira pessoal de Lula e de um grupo de dirigentes: José Genoíno, José Dirceu, Antonio Palocci, Luis Gushiken, Ricardo Berzoini &#8211; não por acaso, todos paulistas. Esse <em>Komintern</em> paulista foi capaz de sacrificar o partido sempre que achasse necessário para seu projeto de poder pelo poder. Foi assim quando obrigou o diretório do Rio de Janeiro a apoiar Garotinho em 1998, só pra ter Brizola de vice na chapa de Lula.</p>
<p>Foi assim de novo este ano, quando obrigou o diretório de Minas Gerais a apoiar Hélio Costa, só pra ter Michel Temer de vice na chapa de Dilma.</p>
<p>Foi assim quando o PT fez coligações espúrias nas eleições proporcionais, para garantir o apoio no Congresso. Por exemplo, nas eleições municipais de 2004, o PT de Curitiba caiu de 6 para 3 vereadores (num total de 33) por se coligar com o PTB, que recebeu o benefício dos votos de legenda petistas. O mesmo PTB que no ano seguinte protagonizou o escândalo do &#8220;mensalão&#8221; na pessoa de Roberto Jeferson.</p>
<p>Para eleger o sucessor (Dilma), Lula não hesitou em sacrificar o PT da forma que fosse possível. Hoje o PT tem diante de si um grande desafio: recuperar a rebeldia do militante, capaz de derrubar os acordos de cúpula (como fez Luiziane Lins para ganhar a prefeitura de Fortaleza em 2004) impor utopia à <em>realpolitik</em> dos dirigentes cujos interesses carreiristas passam a sobrepujar outros mais nobres.</p>
<p>Em 2010 esse protagonismo não esteve com o PT: esteve com Marina Silva. O PT pode recuperar essa posição? Pode. E deve.</p>
<p>Porque Marina não tem partido &#8211; está no PV. Não terá como transformar o PV numa coisa que ele nunca foi, e aí está o seu limite para 2014.</p>
<p>Enquanto isso, ao PT se apresenta o desafio: voltar a construir-se como alternativa séria na disputa por prefeituras em 2012, construir candidaturas fortes aos governos estaduais em 2014. Recuperar o horizonte utópico que moveu o partido desde o seu nascimento. Confesso que fiquei muito animado quando vi, no início do segundo turno, que as pesquisas davam algo próximo de um empate técnico. A perspectiva de ter o PT de volta como oposição significaria a recuperação do que o PT tem de melhor: sua face crítica, seu horizonte utópico. Valeria a pena sacrificar o lado burocrata-dirigente-carguista-governista.</p>
<p>Mas a campanha de Serra tomou outros rumos, e a vitória de Dilma significou mesmo a vitória da civilização contra a barbárie. E ao PT resta a difícil missão de continuar equilibrando uma &#8220;governabilidade&#8221; na chefia de uma coalizão ampla demais (com PSB, PDT, PCdoB e também PMDB, PR, PSC, PP) ao mesmo tempo em que tenta restabelecer-se como o partido de algo mais que o famigerado &#8220;governo do possível&#8221;. Nos próximos anos, mais do que à coalizão federal, os olhos dos petistas devem estar atentos às experiências que estarão em curso no Rio Grande do Sul e na Bahia: é daí que nos vem as melhores esperanças de utopia e de um novo horizonte para o PT.</p>
<p>E Lula? Cumpriu, em parte, sua missão. E já vai tarde&#8230;</p>
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		<title>As raízes do sucesso do Brasil</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 22:36:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>- amálgama -</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>

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		<description><![CDATA[Jeffrey W. Rubin, no Huffington Post (tradução)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Jeffrey W. Rubin, <a href="http://www.huffingtonpost.com/jeffrey-w-rubin/the-roots-of-brazils-succ_b_777793.html" target="_blank">no Huffington Post</a> / 2 de novembro</em></p>
<p>A importante e sólida vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais do domingo passado confirmam a exemplar trajetória do Brasil, a partir da ditadura militar dos anos 1970s, até se converter na pujante democracia que é hoje. Exportações em expansão, eleições disputadas com plena transparência, e índices entusiasmantes de redução da pobreza, o Brasil continua a dar passos importantes no caminho de tornar-se potência mundial. E domingo o Brasil elegeu uma mulher, ex-combatente da resistência à ditadura e membro do Partido dos Trabalhadores, de tendências de esquerda. Tudo isso faz do Brasil moderno uma história de desenvolvimento bem sucedido em plena era da globalização, pleno de conteúdo político e de importantes lições históricas.</p>
<p>Um hemisfério com mais países com trajetória semelhante à do Brasil pode alterar todo o mapa geopolítico do mundo. A América Latina está demonstrando que democracia e respeito crescente aos direitos humanos podem conviver em harmonia com crescimento econômico – se houver projeto para incluir os mais pobres e as minorias. Nasce aí um projeto de desenvolvimento com características seculares e de não-violência, que pode ganhar impulso global.</p>
<p>Se esse projeto tiver de nascer e prosperar sem a dominação dos EUA, mas com os EUA como base complementar de poder político e cooperação econômica ao sul do canal do Panamá, então o projeto de modernidade secular pode ser resgatado do controle histórico que EUA e a Europa sempre tiveram sobre ele. De fato, ao promover a União das Nações Latino-americanas (Unasur) e ao oferecer suporte econômico para os vizinhos Bolívia e Paraguai, o presidente Lula, que ainda governa, já deu passos significativos naquela direção, com o que o país já está plenamente qualificado para ocupar lugar no Conselho de Segurança da ONU.</p>
<p>(&#8230;) Vários analistas lembram que é preciso tempo para aprofundar reformas que, afinal, reduzam a desigualdade, melhorem a educação e controlem a destruição do meio ambiente. Mas só o crescimento econômico já ajudou a melhorar os padrões de vida dos mais pobres e liberou o governo propriamente político para, afinal, começar a cuidar dos problemas de raiz. Resultado disso, economistas, políticos e especialistas em política latino-americana e brasileira nos EUA já começam a projetar para o futuro os sucessos que o Brasil já alcançou. Vários têm partido da experiência bem-sucedida no Brasil, para extrair dessa experiência a lição de que a globalização pode ser dirigida – por tecnocratas democraticamente empenhados e comprometidos com governos democráticos – para que produza, ao mesmo tempo, ganhos mensuráveis nos lucros das exportações e estabilidade eleitoral.</p>
<p>Mas seria ingenuidade supor que alguma economia crescerá por muito tempo antes da próxima crise econômica. E tampouco se deve imaginar que algum novo sistema democrático tem décadas de tempo para reduzir a miséria e a violência antes do próximo levante, da próxima onda de violência, ou da próxima intervenção militar suposta necessária para impor a ordem. Por isso é tão importante entender as origens do sucesso do Brasil, para que se construam políticas que permitam que as reformas econômica e política sejam reformas sustentáveis.</p>
<p>O Brasil é hoje uma história de sucesso na América Latina por várias razões que raramente se avaliam adequadamente.</p>
<p>Primeiro, a transição até a democracia, no Brasil, foi acompanhada por inúmeros importantes movimentos de base, em vários casos, movimentos de ativismo radical. Aquele ativismo modelou a Constituição aprovada em 1988, que garante a descentralização de recursos e a participação dos movimentos sociais na construção das políticas. Amplos movimentos feministas, pela preservação do meio ambiente, pela distribuição de terras, pela agricultura familiar, de defesa das minorias homoafetivas, e os movimentos de favelas nos centros urbanos, que se espalharam pelo Brasil nos anos 1980 e 1990 também ajudaram a modelar profundamente o modo como os cidadãos brasileiros se foram democratizando e redemocratizando – como que para mostrar também a eles mesmos que a discussão política se fazia nas ruas, tanto quanto nas instituições formais, e que era preciso agir simultaneamente nas duas frentes.</p>
<p>Segundo, a transição brasileira para a democracia foi “gradual”, iniciada ainda no período em que os militares permaneciam no poder, pela emergência de um novo partido político, o Partido dos Trabalhadores (PT). Muito significativamente, o PT autodefiniu-se como partido de esquerda radical, mas que, já de início, rejeitou o leninismo e o comando político de URSS e de Cuba. Desde o nascimento, o PT deu destaque às práticas democráticas – assembleias, debate e discussão antes de qualquer decisão partidária – na organização interna e nas arenas políticas municipais, estaduais e nacionais.</p>
<p>Terceiro, no plano econômico, a democracia brasileira foi fortalecida pelos governos do presidente Lula, que, ao mesmo tempo em que promoveu o desenvolvimento da infraestrutura, da indústria e da produção agrícola para exportação, também promoveu a produção de etanol e de petróleo, que tornou o país autossuficiente em termos de energia. Os governos centrais sempre tiveram papel crucial no planejamento da economia e dos investimentos desde os anos 1930, quando teve início a industrialização e o país buscou maior autonomia econômica, como resposta à recessão mundial.</p>
<p>Essa presença do Estado na economia várias vezes produziu benefícios de longo prazo, embora com alguns revezes. Durante a ditadura militar, os generais promoveram a infraestrutura e parcerias entre o Estado, o setor privado e investidores estrangeiros. Essas intervenções do Estado brasileiro na economia levou aos anos chamados “do milagre brasileiro”, mas que conheceram também os picos mais baixos da autoestima, da autovisão da “grandeza do Brasil”, quando o país passou a depender de petróleo importado e de empréstimos externos. Na direção oposta à dos governos que os antecederam, o governo Lula respondeu com a autossuficiência energética e com o pagamento de tudo que o país devia ao Fundo Monetário Internacional, FMI.</p>
<p>Todos os democratas devem saber ver que, na bem-sucedida história recente do Brasil, a mobilização dos movimentos sociais e a proeminência de um partido de esquerda, com visão social, tiveram papel de destaque, desde os anos da ditadura, antes da chamada “democratização”, ao longo de quase 30 anos de eleições.</p>
<p>Também merece destaque o ativismo social e o desenvolvimento de um partido que nasceu das ruas para as instituições, e de posições anticapitalistas para a aceitação de mecanismos de mercado, sem exigir que todos os demais partidos fizessem o mesmo. A democracia brasileira ainda é marcada por tensões entre as soluções políticas e como avançar na direção do equilíbrio econômico sustentado sem perder de vista as metas de bem-estar social.</p>
<p>Os democratas também devem saber ver que o planejamento econômico do governo, no qual o Estado tem papel crucial no que tenha a ver com investimento e propriedade, produziu resultados benéficos, tanto no plano econômico quanto no plano político. Planejamento de longo prazo, compromisso e <em>expertise</em> em planificação do Estado assentaram as bases do <em>boom</em> econômico de hoje. Esse processo sofreu uma interrupção nos governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, professor com tendências marxistas que, contudo, nos anos 1990 abraçou teorias de livre mercado e privatizou vários setores da economia brasileira.</p>
<p>O processo pode, agora, sofrer outra inflexão, uma vez que a presidenta eleita Rousseff busca parceiros no setor do petróleo para financiar seus ambiciosos projetos educacionais e ambientais. Como já se viu acontecer com as mobilizações populares e a radicalização de um partido político, que abraçou ideias da esquerda, mas não as velhas soluções da esquerda, os brasileiros têm agora boa chance de prosseguir na construção de um ‘modelo’ que mistura políticas econômicas de diferentes tipos e mantém a tensão entre o setor privado e o setor estatal, que não perde o poder de iniciativa.</p>
<p>Nessa tensão, precisamente, está a força da democracia brasileira. E daí se podem extrair importantes lições para o futuro. A inclusão de cidadãos – pobres, mulheres, indígenas, negros, classe média, setor privado – mediante diferentes modalidades de participação política e produção econômica aprofundou e fortaleceu a democracia brasileira. Esses cidadãos agora integrados, por sua vez, esperam que venham as reformas que lhes dará melhores condições imediatas de vida, mas que de nenhum modo brotariam nem só das eleições nem só dos mercados separadamente.</p>
<p>Para que haja reformas sustentáveis no mundo em desenvolvimento é indispensável que haja ativo movimento social e adesão total aos procedimentos democráticos, planejamento estatal da economia e respeito aos compromissos dos negócios e dos mercados. A presidenta Rousseff muito bem fará se continuar a desafiar as ortodoxias políticas e as ortodoxias econômicas, ao mesmo tempo em que continua a promover cada vez mais igualdade e mais inclusão social, no que pode continuar sendo uma pioneira história de sucesso.</p>
<p>* <em>Jeffrey W. Rubin é Professor de História Latino-americana e Pesquisa, no Instituto de Cultura, Religião e Negócios Globais da Boston University, onde dirige o Projeto “Reformas Sustentáveis”. (tradução do artigo: coletivo Vila Vudu)</em></p>
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		<title>Só uma mulher para o amor vencer o ódio</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 04:32:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Cava</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2010]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno eleição 2010]]></category>

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		<description><![CDATA[BRUNO CAVA - O novo governo reunirá mais e ainda melhores condições para aprofundar a mudança]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>por Bruno Cava</strong></em> &#8211; Mais do que a continuidade de um governo dos muitos &#8212; que nunca-antes-na-história produziu riqueza no processo mesmo em que a difundiu &#8211;, a eleição de Dilma Rousseff exprime a potência de um novo país. Um Brasil que nunca cessa de renascer, na generosidade, na coragem e no amor &#8212; virtudes daqueles que não têm medo de se levantar diante das injustiças e lutar pelo que desejam. Um devir-Brasil que insiste em ressurgir da memória dos vencidos, saindo da Sala 101 para ocupar o Palácio da Alvorada.<span id="more-3672"></span></p>
<p>Sobre os ombros do gigante multitudinário que foi (e ainda é!) o acontecimento-Lula, o novo governo reunirá mais e ainda melhores condições para aprofundar a mudança. Descortina-se uma oportunidade privilegiada para concretizar a democracia no seu sentido pleno, onde todos têm acesso aos direitos, à renda, à diferença, à participação política e cultural.</p>
<p>Esta foi a vitória dos excluídos, das minorias, do povão das periferias e do interior, do litoral e da Amazônia, dos saltimbancos nômades e dos espíritos livres, de todos os que preferem viver a aventura do desejo a sobreviver de esperança e temor. Venceu a militância alegre e desprendida, tão afirmativa nas ruas e praças, sobre a campanha de ódio dos rastaqüeras, fuxiqueiros e madames, tão negativa na grande imprensa. Venceu o &#8220;Dilma é Muitos!&#8221; sobre o &#8220;Deus me livre!&#8221;.</p>
<p>Em suma, perdeu a mais insidiosa máquina montada desde os anos de chumbo. Um organismo peçonhento e conservador, cuja dinâmica emotiva lembra o ritual dos <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Two_Minutes_Hate" target="_blank">Dois Minutos de Ódio</a>. De fato, foram quase trinta dias de ódio, de preconceitos e recalques veiculados pela grande imprensa e pelas rodinhas ressentidas. Teve de tudo: sexismo, racismo, fundamentalismo, regionalismo (sobretudo o franquismo da direita paulista). Com direito à histórica telefraude da bolinha de papel, e à intervenção ultramontana e hipócrita do Papa.</p>
<p>Mas a marcha da liberdade não legitima que falem por nós, que expropriem a voz dos muitos em nome da &#8220;opinião pública&#8221;, forjada por jornalões, revistas e âncoras televisivos. As lutas se potencializaram com as novas mídias e as redes sociais, que vão além da internet e se disseminam na multidão.</p>
<p>Tentaram vender o Céu, mas quem prevaleceu foi o sentido da terra. Às promessas de salvação do &#8220;homem de bem&#8221;, escolheu-se a felicidade terrena, construída aqui-e-agora. Entre os especialistas em moral e os políticos da democracia, preferiram-se os últimos. E tornamo-nos eles: como pontos das redes de mídia e de cultura, como enlaces políticos e politizados de uma experiência viva revigorada pelas urnas.</p>
<p>Esta mulher não cabe em nossas categorias, porque, hoje, Dilma é muitas e todas as mulheres. Como elas, já dizia Neruda, sorri quando quer chorar, ri quando está nervosa, e chora quando está feliz. Escreveu Rayssa Gon <a href="http://bulevoador.haaan.com/2010/11/01/dilma-e-muitas/" target="_blank">no Bule Voador</a>: &#8220;Dilma é a representante da filhas de Eva (&#8230;) é a própria bruxa&#8221;. Tal qual Eva: poder constituinte que liberta o homem da transcendência e arremessa-o à imanência do mundo, no reino dos desejos e da liberdade, pelo qual se luta e se constitui a democracia.</p>
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		<title>Por que vou votar em Dilma</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/10/2010/por-que-vou-votar-em-dilma/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 Oct 2010 18:10:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>- amálgama -</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2010]]></category>
		<category><![CDATA[josé serra]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno eleições 2010]]></category>

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		<description><![CDATA[PAULO NOGUEIRA - Quem é capaz de se emocionar com uma fala de Serra?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-3605" title="Serra" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2010/10/serra.jpg" alt="" width="400" height="236" /></p>
<p><em><strong>por Paulo Nogueira</strong></em> * &#8211; Já disse que, em minha vida, só votei no PT em situações de emergência. Claro que fui de Lula contra Collor. Mas votei duas vezes no soporífero Alckmin contra Lula.<span id="more-3604"></span></p>
<p>Tive uma experiência desagradável com militantes do PT numa eleição para presidente do Sindicato dos Jornalistas em 1980. Papai concorria a presidente, eu era um garoto, não gostei do tom e dos modos de simpatizantes da chapa contrária, do PT.</p>
<p>Papai venceu, mas a marca do desagrado ficou impressa em mim.</p>
<p>Isto posto, assim como declarei meu voto em Marina no primeiro turno, digo agora que minha escolha é Dilma depois de demorada reflexão.</p>
<p>Primeiro, como um eleitor natural do PSDB, entendo que sem uma limpeza profiláxica e a aparição de novas lideranças – ninguém está falando de Aécio, o rosto sem rugas do atraso – o partido minguará sob caciques como Serra. Eleitores de centro como eu ficarão desamparados nas urnas.</p>
<p>Serra tem que sair. Ele já tem idade para isso. Na Inglaterra, o trabalhismo acaba de se reinventar com a saída da geração de Gordon Brown – e ele é mais novo e arejado que Serra – e a chegada de Ed Miliband, 40 anos. Na convenção do partido, vi jovens eleitores trabalhistas – a esquerda inglesa – de lágrimas nos olhos com o pronunciamento humano, solidário, vigoroso de Miliband.</p>
<p>Quem é capaz de se emocionar com uma fala de Serra ou dos demais caciques do PSDB?</p>
<p>Intelectualmente, me sinto impedido, além disso, de votar num candidato que devolveu ao PSDB a desonestidade de promessas obtusas e irrealizéveis . FHC – o maior presidente que o Brasil já teve – rompera com a praga das promessas de ocasião. Que além do mais, não cumpridas, fazem a sociedade descrer ainda mais dos políticos.</p>
<p>Me desagradou profundamente, além disso, a safadeza de Monica Serra ao igualar aborto ao assassinato de criancinhas. É um insulto aos brasileiros porque significa tratar nossa gente simples como débeis mentais. Sem contar que arruína um debate vital para a saúde pública. A notícia de que ela mesma abortara acrescenta abjeção hipócrita à esperteza.</p>
<p>Há um dito mineiro, que Tancredo Neves gostava de citar, segundo o qual a esperteza, quando é demais, morde o esperto. Monica Serra foi mordida pela própria esperteza.</p>
<p>A mim incomoda o egoísmo da classe média brasileira, retrógrada e incapaz de ver nada além de seus pequenos interesses. Tenho visto eleitores da classe média tentarem convencer – sem sucesso felizmente – gente simples a votar contra a administração que lhes deu tamanha atenção.</p>
<p>Tudo isso já seria razão para votar em Dilma, que parece reunir os atributos necessários a fazer uma boa administração. O ponto mais nebuloso é sua saúde. Entendo que uma junta independente de médicos deveria emitir um comunicado aos eleitores. O Brasil teve uma experiência recente mórbida, com um vice que governou – e mal – os brasileiros: Sarney. Não há razão para corrermos o mesmo risco.</p>
<p>O argumento definitivo para meu voto em Dilma veio de um <a href="http://www.youtube.com/watch?v=p2bL4z26CnA&amp;feature=player_embedded" target="_blank">vídeo</a> no qual o centenário Oscar Niemayer diz, com a precariedade física da idade, por que vai votar nela. Porque ela representa o governo de Lula, “que pela primeira vez fez o povo brasileiro sorrir um pouco”.</p>
<p>Não tinha me dado conta dessa coisa tão óbvia.</p>
<p>A gente simples se viu enfim representada e sorriu – não muito, mas mais que antes.</p>
<p>É o argumento definitivo para mim.</p>
<p>* <em>Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Entre outros cargos, foi editor assistente de </em>Veja<em>, diretor de redação da </em>Exame<em> e diretor editorial da Editora Globo. Este post foi publicado inicialmente em seu blog, <a href="http://www.diariodocentrodomundo.com.br/" target="_blank">diariodocentrodomundo.com.br</a>, e reproduzido no Amálgama com sua autorização.</em></p>
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		<title>Por que votarei em Dilma Rousseff</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/08/2010/por-que-votarei-em-dilma-rousseff/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Aug 2010 03:02:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Celso Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[eleição presidencial 2010]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Por que votarei em]]></category>

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		<description><![CDATA[por Celso Barros Os três principais candidatos nessa eleição presidencial são muito bons. A terceira colocada deve ser Marina Silva, e Marina Silva seria melhor presidente que 90% dos presidentes do mundo. Levando em conta só os competitivos, nos últimos dezesseis anos só Garotinho (que a The Economist traduzia como “Little Kid”) avacalhou nosso currículo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>por Celso Barros</strong></em></p>
<div id="attachment_2917" class="wp-caption alignnone" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-2917" title="Dilma Rousseff" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2010/08/dilma-rousseff.jpg" alt="" width="290" height="193" /><p class="wp-caption-text">-- Dilma Vana Rousseff --</p></div>
<p>Os três principais candidatos nessa eleição presidencial são muito bons. A terceira colocada deve ser Marina Silva, e Marina Silva seria melhor presidente que 90% dos presidentes do mundo. Levando em conta só os competitivos, nos últimos dezesseis anos só Garotinho (que a <em>The Economist</em> traduzia como “Little Kid”) avacalhou nosso currículo, onde, na minha modesta opinião, devemos ter orgulho de ostentar Lula e FHC.</p>
<p>Mas é preciso escolher, e, no que se segue, argumentarei que a melhor opção para o Brasil no momento é uma ex-guerrilheira <em>nerd</em>. <a href="http://www.amalgama.blog.br/08/2010/por-que-votarei-em-dilma-rousseff/#more-2916" class="more-link">(mais&#8230;)</a></p>
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		<title>As entrevistas dos presidenciáveis no Jornal Nacional</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 21:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Egg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[eleição presidencial 2010]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2010]]></category>
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		<category><![CDATA[josé serra]]></category>
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		<description><![CDATA[por André Egg * &#8211; Já fiz comentários sobre cada entrevista, e também coloquei os vídeos, no meu blog (Dilma, Marina e Serra). Aqui me proponho a fazer comparações e considerações mais gerais sobre a corrida presidencial, papel da imprensa, desempenho e estratégias dos candidatos. Em primeiro lugar, é preciso comentar sobre a iniciativa da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>por André Egg</strong></em> * &#8211; Já fiz comentários sobre cada entrevista, e também coloquei os vídeos, no meu blog (<a href="http://andreegg.opsblog.org/2010/08/10/a-entrevista-de-dilma-roussef-no-jornal-nacional-9-de-agosto/" target="_blank">Dilma</a>, <a href="http://andreegg.opsblog.org/2010/08/11/a-entrevista-de-marina-silva-no-jornal-nacional-10-de-agosto/" target="_blank">Marina</a> e <a href="http://andreegg.opsblog.org/2010/08/11/a-entrevista-de-jose-serra-no-jornal-nacional-11-de-agosto/" target="_blank">Serra</a>). Aqui me proponho a fazer comparações e considerações mais gerais sobre a corrida presidencial, papel da imprensa, desempenho e estratégias dos candidatos. <a href="http://www.amalgama.blog.br/08/2010/entrevistas-candidatos-jornal-nacional/#more-2914" class="more-link">(mais&#8230;)</a></p>
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