Quem fala por você, mulher?
7–03–2010
por Viviane Moreira * – O cinema brasileiro volta e meia nos conta histórias de mulheres e crianças sacrificadas pela pobreza e invisibilidade. O homem vai embora e a subsistência da família recai sobre os ombros da mulher. A angústia da incapacidade de prover toda a família pesa e corrói a alma. A leveza se acanha com os rastros do abandono. A arte nos aproxima do enredo de vidas confinadas na pobreza. Mais
A invenção do ar
21–12–2009
“Estes pensamentos, meu caro amigo, são muitos deles crus e apressados, e se eu estivesse meramente ambicioso de adquirir alguma reputação em filosofia, deveria guardá-los comigo, até que sejam corrigidos e melhorados pelo tempo e pela experiência. Mas como mesmo indicações sucintas e experimentos imperfeitos em qualquer novo ramo da ciência, sendo comunicados, têm freqüentemente um bom efeito, tornando-se a ocasião de discussões mais exatas (como observei antes) e descobertas mais completas, sinta-se livre para comunicar este artigo a quem desejar, sendo de mais importância que o conhecimento cresça do que vir este seu amigo a ser considerado um filósofo preciso.”
- Joseph Priestley, em carta a Peter Collinson
por Otávio Dias – Livros de divulgação científica, em geral, procuram se aferrar aos desenvolvimentos das ideias filosóficas e científicas sobre as quais se propõe falar; as vidas de cientistas e pesquisadores são temas tangenciais neste tipo de literatura, meras curiosidades. Os personagens, causadores, são expostos meramente por suas contribuições científicas. Em A invenção do ar, Steven Berlin Johnson enfatiza as circunstâncias em que ocorreram tantas das ideias e descobertas de um pouco conhecido – pra nós, especialmente, brasileiros – Joseph Priestley. Mais
Em 2012, o fim do mundo (novamente)
2–12–2009
por Otávio Dias – Em uma das cenas mais emblemáticas do cinema, somos expostos a um fictício passado da Terra, quando criávamos e melhorávamos nossas primeiras ferramentas, e levados diretamente a uma enorme estação espacial, tudo ao som de Strauss. O filme é 2001: Uma odisséia no espaço (1968), e esta cena é uma das mais icônicas da história cinematográfica. Mais
O fascismo de Jonah
27–10–2009
Scott Horton, na Harper’s Magazine / 17 de fevereiro de 2008
[ resenha de Liberal fascism (Doubleday, 2008), publicado agora no Brasil com o título Fascismo de esquerda (Record, 2009) ]
(…) O livro de Jonah Goldberg certamente não é o pior dos piores. Mas é incrivelmente ruim. O fato de ter sido publicado por uma editora de ponta e ser oferecido como assunto para debate em programas de tevê diz algo bastante profundo acerca de nossa cultura – algo não positivo, temo. Mais
Elisa Lynch resgatada
15–10–2009
por Daniel Lopes – O que nós temos aqui é uma clássica obra de reabilitação. Os autores são os irlandeses Michael Lillis e Ronan Fanning, e a personagem histórica a ser reabilitada é Elisa Lynch (1834-1886). Também irlandesa, bela e culta, conheceu em Paris o paraguaio Solano López, futuro presidente. Com ele, veio para a América do Sul, como companheira, e não casada formalmente. Pode-se imaginar a colher de chá que tal condição apresentou para a elite (principalmente sua parte feminina) invejosa do Paraguai classificá-la de “cortesã”, mera aproveitadora dos bens que Solano podia lhe comprar. Mais
Woodstock por ele mesmo
15–08–2009
por Daniel Lopes – Não poderia ser diferente. No ano em que Woodstock fica quarentão, saiu uma montanha de livros explorando o tema. Alguns: The road to Woodstock de Michael Lang, Woodstock vision: The spirit of a generation de Elliott Landy, Woodstock revisited de Susan Reynolds, Taking Woodstock de Elliot Tiber e Tom Monte (nova versão da obra lançada há dois anos), e Back to the garden de Pete Fornatale. Os dois últimos saíram no Brasil, com os respectivos títulos Aconteceu em Woodstock (editora Best Seller) e Woodstock (Agir). Mais
Houve uma vez um verão: 40 anos de Woodstock
3–08–2009
por Marco Lacerda * – Em 1968 o Brasil entrava no período mais duro do regime militar. Foi imposta a censura à imprensa e as liberdades individuais foram suspensas. A mim não afetou muito, pois a liberdade que eu buscava – como um garoto recém saído da adolescência – nada tinha a ver com política. Era uma liberdade que eu mesmo não entendia, embora soubesse que regime político nenhum poderia tirar, muito menos conceder. Mais
Os demônios da Igreja Universal
8–07–2009
por Daniel Lopes – Onde a minha rua começa, lá na avenida, há um templo da Igreja Universal do Reino de Deus. Foi aberto não faz muito. No local funcionava um lava-rápido, antes da igreja de Edir Macedo adquirir a área, erguer quatro imensos muros, um teto de metal em forma de A e buracos nas laterais para auxiliar os ventiladores no arejamento. Na verdade, não fosse o enorme letreiro da IURD na frente, você poderia tomar o estabelecimento como um grande depósito – de material de construção, por exemplo. Do outro lado das duas faixas da avenida, há uma igreja católica. Histórica. De fato, o meu bairro e os vizinhos nasceram em parte em função das atividades dessa paróquia. Mais
A primeira metade da Segunda Guerra
7–05–2009
por Daniel Lopes – Resenhando Human smoke no Estadão, Roberto DaMatta confidenciou o que um amigo lhe dissera: “No dia em que a verdadeira história da Europa e dos Estados Unidos for escrita, vai sair faísca.”
É provável que ele se referisse à história dos Aliados na Segunda Grande Guerra Mundial. O jornalista Nicholson Baker, autor de Human smoke, é um corajoso escritor de não-ficção (além de ficcionista). Esse seu livro mais recente é feito de recortes: trechos de reportagens de jornais e revistas, excertos de discursos e de documentos (alguns originalmente ultrasecretos) de todos os cantos do mundo, cobrem um período que vai do final da Primeira Grande Guerra até 31 de dezembro de 1941, quando, conforme lembra o autor no posfácio, a maioria das pessoas que morreram na Segunda Guerra ainda estavam vivas. Mais
In Nação: Dia do Índio
19–04–2009
por Suelen Viana * – Dizem por aí, as famintas e curiosas línguas ávidas de saber, que nação é uma palavra derivada do latim natio, de natus (nascido). Muito bem, o que quero dizer hoje está (pelo menos desta vez) ao alcance da língua que por ventura aprendi a falar e tomar como minha: a tal língua luso-brasileira. Nascer no Brasil é tornar-se imediatamente um brasileiro. Mais


