Universo Eterno
28–07–2010
» por Otávio Dias «
Ouvi, não poucas vezes, e, confesso, reproduzi também, que a ciência não tem por objetivo fundamentar ou refutar quaisquer correntes filosófico-religiosas. Esse discurso, embora não irreal, raramente é exposto ao público leigo como sendo ideal – afinal, quem faz a ciência continua sendo humano, demasiado humano. Esse tópico é discutido no novo livro do físico brasileiro Mário Novello, Do Big Bang ao Universo Eterno. Mais
Meu ateísmo radical: Sagan, Dawkins, Woody
15–07–2010
por Bruno Cava – Nunca acreditei em entidade sobrenatural. Desde as lembranças mais remotas, com cinco ou seis anos, recordo-me de um menino absolutamente cético diante do sobrenatural. O sobrenatural não existe. O menino jamais teve medo de espíritos, demônios, assombrações, monstros, mulas-sem-cabeça. Nunca anteviu um pós-vida: quando o homem morre, é como antes de nascer, um nada. Já intuía que o temor embutido nessas crenças fundamentava a submissão a arautos da verdade, e a renúncia a pensar e experimentar por si mesmo. Criança, tinha orgulho de proclamar-se ateu, menos por autoafirmação do que por uma incompreensão do que levava as pessoas a prostrar-se, humilhadas, diante dos deuses da tribo. Um Deus pessoal, imagem e semelhança do homem, não me convenceu em qualquer instante da vida. Passei incólume por catequismos e proselitismos. Nem a leitura dos livros sagrados nem ninguém conseguiu tirar lasca que fosse do firme ateísmo. Nenhuma situação vivida pôs em dúvida a ausência de fé no transcendente, ausência que traduzo como crença conseqüente na realidade concreta. Mais
Dez anos de genoma humano
25–06–2010
por Otávio Dias – Num período como este em que as referências temporais se encontram tão embaralhadas, nada mais natural que desejar abraçar o futuro com pés plantados no passado. Um passado como aquele em que, quando o bom selvagem – troque por grego, se prefere ser politicamente correto – ficava doente, o sábio, curandeiro, bruxo da vila era convocado a fazer uso de conhecimentos milenares, livrando o bom selvagem de seus males. Mais
O pós-modernismo é um desserviço às causas emancipatórias
14–06–2010
“É tentador relegar o pós-modernismo ao armário de curiosidades
da história, junto com a teosofia e o idealismo transcendental, mas
ele infiltrou-se no mainstream das ciências sociais e humanas.”
Edward O. Wilson (1998)
por Daniel Lopes – Pense em um tema interessante e de extrema relevância. Pense em um autor com boa escrita. Agora pense em como ele consegue arruinar grande parte de seu livro.
Este texto não é sobre a parte aproveitável de A TV no armário: A identidade gay nos programas e telejornais brasileiros, do jornalista e acadêmico Irineu Ramos Ribeiro, do Centro de Estudos e Pesquisa em Comportamento e Sexualidade. É, antes, sobre a parte inteiramente dispensável desta obra. Mais
Jonathan, o Frankenstein
3–06–2010
por Kentaro Mori * - Em meio a relâmpagos e trovoadas de uma tempestade, o cientista maluco, o doutor Frankenstein, comemora descontroladamente. “Está vivo! Está vivo!”, grita enquanto a criação monstruosa que acabará por matá-lo adquire vida. É a imagem gravada fundo na consciência coletiva do complexo de Frankenstein, dos perigos da ciência descontrolada. O anúncio recente de mais um passo na direção de vida sintética provocou medo, enquanto o principal responsável foi imediatamente comparado ao doutor que gritava “está vivo!”. Uma busca por “Craig Venter Frankenstein” retorna mais de 30.000 resultados, muitos dos quais de veículos importantes de mídia. Mais
Máquinas do tempo
27–05–2010
por Otávio Dias – São José do Rio Preto, 2002. Estávamos, Regina e eu, entediados à cata de algum bom filme para assistir. Procura daqui, procura de lá, como fã de ficção científica, me decidira: “Ah, veremos A máquina do tempo, que tal?” Num golpe de muito azar (?) a sessão estava lotada e assistimos a um filme pequeno, francês: O fabuloso destino de Amélie Poulain. Pronto, foi estabelecida uma viagem no tempo, como tantas outras que já experimentamos em nosso cotidiano, quer seja numa notícia impressa no jornal de ontem, quer seja num filme como De volta para o futuro ou revisitando seus antepassados através de um álbum de família. Viajamos pelo tempo sempre, e sempre rumo ao futuro um instantinho presente por vez. Mais
Detector de mentiras
23–04–2010
por Otávio Dias – Um amigo mágico me fez uma série de perguntas, quase afirmativas. Sem muito dedo, a curiosidade transmitida por seus olhos pediam por respostas inteligentes, que fugissem à negação pura e simples; nenhuma resposta que não a mais sincera me basta, nestes momentos.
(Dilemas…) Somos visitados por vida inteligente extraterrestre? Por que a grande maioria dos cientistas insiste em negar a existência do espírito?
Perguntas como essas podem ser facilmente ligadas a tantas outras discussões que acontecem na internet – que horizontalizou as relações – e, claro, também aqui no Amálgama. Textos sobre ciência para leigos geram controvérsia e freqüentemente apresentam problemas em torno da definição do que é uma teoria científica; não raro, eles giram em torno de ideias que não são científicas e sequer foram abordadas no texto (há quem precise, necessite, falar em moral quando o assunto é Big Bang, mas ainda não encontrei quem falasse em planos divinos quando é discutida a geração de eletricidade em uma hidrelétrica – sempre será possível esconder crenças no desconhecido). Mais
Breve história das pesquisas sobre o câncer
8–04–2010
por Daniel Lopes – Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Câncer. Se em 2007 os diversos tipos de câncer mataram mais de 7 milhões de pessoas, há uma previsão da ONU de que em 2030, 17 milhões de pessoas morram em decorrência do câncer – aumento calculado a partir das estimativas de crescimento populacional e da longevidade. Mais
Você sabe o que é geoengenharia?
7–04–2010
por Daniel Lopes – Geoengenharia é o processo de intervenção humana planejada no clima por meio de tecnologia. Ou como quer a Royal Society britânica: “Manipulação deliberada em larga escala do ambiente planetário”. Mais
Eu viajo, nós viajamos. E eles, viajam?
10–02–2010
por Otávio Dias – Já quis ser piloto, muito. Acho que além do fato de meu pai ter sido um, o desejo surgiu por causa de uma das cenas mais marcantes do cinema moderno: a abertura de Guerra nas Estrelas, em que uma nave espacial despontava na tela e a cruzava por um tempo que parecia infinito – a nave simplesmente não terminava! A então trilogia de Guerra nas Estrelas (porque falo do começo da década de 1980) é inegavelmente uma saga mitológica em que os cavaleiros de outrora foram substituídos por pilotos e os campos de batalha se tornaram o espaço remoto e paisagens as mais diversas – afinal os planetas habitáveis apresentados na saga parecem indiferentes às leis da física. Mais

