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	<title>Amálgama &#187; Literatura</title>
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	<description>Coletivo de atualidade, comportamento e cultura</description>
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		<title>Martelou a mãe e escreveu um livro</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 00:05:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[escritoras brasileiras]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Young]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[por Juliana Dacoregio &#8211; Tudo que você não soube (2007) foi o sétimo romance de Fernanda Young, escritora, apresentadora de TV e polêmica em tudo que faz ou fala. Diz-se de Fernanda que ou você a ama ou a odeia. Discordo. A importância dessa mulher-polêmica é justamente o fato de não caber em simplificações do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21206003/tudo+que+voce+nao+soube/?franq=265122"><img class="alignleft" src="http://amalgama.blog.br/imagens/102/fernanda1.jpg" alt="" width="180" height="261" /></a><em><strong>por Juliana Dacoregio</strong></em> &#8211; <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21206003/tudo+que+voce+nao+soube/?franq=265122" target="_blank">Tudo que você não soube</a> (2007) foi o sétimo romance de Fernanda Young, escritora, apresentadora de TV e polêmica em tudo que faz ou fala. Diz-se de Fernanda que ou você a ama ou a odeia. Discordo. A importância dessa mulher-polêmica é justamente o fato de não caber em simplificações do tipo &#8220;ame ou odeie&#8221;. Eu, por exemplo, às vezes a considero chatíssima, mas mesmo assim não deixo de admirá-la, de concordar com muitas de suas posturas e me identificar com o que ela escreve. Enfim, na minha opinião, esse negócio de &#8220;ame ou odeie&#8221; é para os fracos. Emocionalmente e intelectualmente falando.<span id="more-2632"></span></p>
<p>Narrado em primeira pessoa, <em>Tudo que você não soube</em> traz logo de início o aviso de que todos os fatos e personagens apresentados são um exercício de ficção (um doloroso exercício, enfatiza a autora).</p>
<p>Não é um romance convencional, com tramas em ordem cronológica e conflitos a serem solucionados. Os mistérios desvendados ao longo da história são as reflexões da personagem e seu relato sincero a respeito da infância, da vida familiar e das circunstâncias que podem fazer com que &#8220;pessoas normais&#8221; cometam atos altamente reprováveis pela sociedade.</p>
<p>A narradora é uma mulher beirando os 40, classe-média alta, mãe de dois filhos, com um casamento estável, que resolve escrever uma carta ao pai moribundo. Claro que, em se tratando de uma escritora que gosta de revirar tabus, como <a href="http://www.amalgama.blog.br/01/2010/ela-entende-do-assunto/" target="_blank">Fernanda Young</a>, não esperemos que essa narradora tenha doces palavras para dizer ao pai no leito de morte. Ela não escreve para pedir perdão ou perdoá-lo. O desejo é revelar-se, contar sua história e elaborar os motivos que a levaram a cometer um ato de extrema brutalidade: martelar a cabeça da própria mãe! É, exatamente isso. A narradora-personagem, esposa dedicada, mulher que vai ao dentista regularmente, freqüenta academia, leva os filhos ao colégio e comparece às reuniões de pais, fez &#8211; na vida real &#8211; o que só se faria figurativamente (e não sem culpa) no divã do analista: tacou um martelo na cabeça da mãe até vê-la caída em uma poça de sangue.</p>
<blockquote><p>Não existe maior tabu no mundo do que mãe. Confirmo isso mais ainda, agora, sendo uma. Pois eu posso chegar numa festa de criança e falar de tudo: cu, caralho, boceta. Mas se eu disser alguma coisinha mais cabeluda a respeito da maternidade, todos olham chocados. (pag. 46)</p></blockquote>
<p>Não é de se admirar que a personagem não espere perdão. Por outro lado, não demonstra arrependimento. Sabe que seu pecado é intolerável, que o impulso a que deu vazão foi de uma violência insana, mas não se esconde atrás da insanidade como justificativa. Quer apenas relatar e compartilhar suas vivências. Quer contar ao pai &#8220;tudo que ele não soube&#8221;.</p>
<p>Permeando os relatos sobre a infância tediosa, o fascínio adolescente pelas drogas, as conseqüências do crime que cometeu e sua capacidade de transformar-se numa pessoa aparentemente equilibrada, a narradora reflete sobre a condição feminina, a chegada da meia-idade, o relacionamento mãe e filha e divaga sobre o cotidiano.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 271px"><img class=" " title="Fernanda Young" src="http://amalgama.blog.br/imagens/102/Fernanda-Young.jpg" alt="" width="261" height="320" /><p class="wp-caption-text">-- A autora --</p></div>
<p>Assim como muitos de nós, a personagem criada por Fernanda Young vive uma existência dentro dos limites da normalidade e ao mesmo tempo possui consciência do despropósito da vida. Sabe que não está realizando nada de grandioso, mas resigna-se. Conhece o turbilhão de contradições que habitam-na, mas recusa-se a surtar e crer que rebelar-se contra a ordem vigente a faria, de algum modo, especial. Sua face, simultaneamente satisfeita e amargurada, ou a declarada dissimulação em que vive, só é mesmo revelada nessa carta ao pai, que é o próprio livro.</p>
<blockquote><p>Pois ajo, o tempo todo, contrária às minhas tendências naturais, forçando-me ao oposto do que me ocorre fazer. Se eu agisse de acordo com o que me seria lógico, ou instintivo, eu acordaria, tomaria uma Coca Light, fumaria um Marlboro e me deitaria de novo. (pag. 66)</p></blockquote>
<p>Pode ser encontrada certa semelhança entre protagonista e autora nesse sentido. Fernanda Young também é um poço de sarcasmo, rebelião contra o estereótipo feminino. Porém não deixa de ter uma família e uma vida produtiva, como uma &#8220;boa mulher centrada&#8221;. O inconformismo de Young também é mostrado em seus livros, em sua pessoa pública, e ela é bem sucedida em equilibrar dois pólos opostos: a mãe e mulher que cuida dos filhos e da carreira e a escritora que está à léguas de distância de escrever literatura &#8220;mulherzinha&#8221;.</p>
<p><em>Tudo que você não soube</em> é uma pancada na cabeça do leitor. Mas, estranhamente, não é um livro perturbador a ponto de ser não recomendado para ler na cama, antes de dormir. Talvez tire o sono sim, mas pelo fato de ser uma história que pede para ser lida de uma tacada só.</p>
<p>É um romance despretensioso na superfície e extremamente reflexivo em sua essência. Fernanda Young escreve para quem quer pensar, mesmo que ela própria diga qualquer coisa ao contrário.</p>




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<br/><br/>
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						  <p><b><a target="_blank" href="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/plugins/comments-on-feed/comments-template.php?id=2632">Dê sua opinião</a></b> | Ver <a href='http://www.amalgama.blog.br/07/2010/martelou-a-mae/#comments'>todos</a></p><ol>
						  <li><i>rayssa gon:</i>
							<br />
							<small><a rel="nofollow" href="http://www.amalgama.blog.br/07/2010/martelou-a-mae/comment-page-1/#comment-15012">2010-Jul-16</a></small>
							fiquei com raiva da critica. serio.

pq me deu uma puta (PUTA) vontade de ler o livro. 

beijo. :D
						  </li>
					  </ol>
				  </div>
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</ul>

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		<title>Quando a coruja sai de dia</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/07/2010/quando-a-coruja-sai-de-dia/</link>
		<comments>http://www.amalgama.blog.br/07/2010/quando-a-coruja-sai-de-dia/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 03:05:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Sciascia]]></category>
		<category><![CDATA[literatura italiana]]></category>
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		<category><![CDATA[máfia italiana]]></category>

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		<description><![CDATA[por Taize Odelli * &#8211; Diz-se que a melhor hora para cometer um crime é à noite. Nesse momento, o criminoso conta com a proteção das sombras e com a quietude das ruas. Ninguém sai de casa no escuro, pois sabe justamente que estará mais apto a ser vítima. Mas há crimes audaciosos, onde não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21813233/dia+da+coruja,+o/?franq=265122" target="_blank"><img class="alignleft" src="http://amalgama.blog.br/imagens/102/dia-da-coruja.jpg" alt="" width="180" height="281" /></a><em><strong>por Taize Odelli</strong></em> * &#8211; Diz-se que a melhor hora para cometer um crime é à noite. Nesse momento, o criminoso conta com a proteção das sombras e com a quietude das ruas. Ninguém sai de casa no escuro, pois sabe justamente que estará mais apto a ser vítima. Mas há crimes audaciosos, onde não importa se é dia ou noite, e organizados por grupos tão confiantes que sabem que ninguém será culpado por ele. Grupos como a máfia italiana, que monta uma rede de relações e influências que invalida a investigação mais minuciosa. Caso assim é retratado em <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21813233/dia+da+coruja,+o/?franq=265122" target="_blank"><em>O Dia da Coruja</em></a>, um dos clásicos de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_Sciascia" target="_blank">Leonardo Sciascia</a> que está sendo republicado no Brasil.<span id="more-2601"></span></p>
<p>Sciascia é  siciliano e um dos maiores escritores da Itália. Publicado originalmente em 1961, o livro foi um dos primeiros a mostrar a máfia italiana e os modos como ela age. O assassinato de um empreiteiro em plena manhã mobiliza a polícia siciliana. Capitão Bellodi, natural de Palermo, é designado a investigar o caso, que vai além do simples homicídio e traz a morte para qualquer pessoa que possa delatar os criminosos. O relato de um informante infiltrado na máfia da Sicília o leva até grandes nomes importantes da região que, por mais que estejam claramente ligados a atos ilícitos, são livres pela relações influentes que conservam e pelo respeito às suas leis, impostas pelo medo.</p>
<p>Por meio de longos diálogos, Sciascia narra o caso guiado pelas suposições de Bellodi e também pelos encontros entre membros da máfia e outros envolvidos. Contudo, isso não é feito de forma direta, e o leitor deve perceber esses movimentos dando extrema atenção ao que dizem os diálogos. Conhecemos características das personagens nas exposições que o autor faz de seus pensamentos, constantemente inseridos no meio da narrativa pertencentes tanto aos protagonistas quanto aos nomes menores. Essas incursões à mente dizem respeito principalmente à Bellodi, a cabeça por trás das investigações, sempre avaliado pelos colegas por conta de seus métodos.</p>
<p>Bellodi esbarra em pessoas influentes durante sua investigação. Sciascia então mostra ao leitor de forma magistral até onde vão as amizades conservadas pela máfia. <em>O Dia da Coruja</em> demonstra a apreensão de seus membros ao serem ameaçados, usando qualquer ferramenta no empenho em encobrir fatos e eliminar provas. Porque se um membro da máfia é pego, todos os outros são. Ao ser confrontada, ela se une mais ainda para manter as relações relevantes e seus membros fora da prisão.</p>
<p>O livro que mostra o quanto essa rede de amizades, mesmo no caos, se mantém de pé agindo de maneira rigorosa e audaciosa, não poupando a vida de ninguém que lhe ofenda. É um conto policial relevante por escancarar não só o crime, mas o valor que a máfia dá às suas relações e às leis de respeito que regem seus membros.</p>
<p>::: <em><strong>O dia da coruja</strong></em> ::: <strong>Leonardo Sciascia</strong> ::: <strong>Alfaguara</strong>, <strong>2010</strong>, <strong>136 páginas</strong> :::<br />
::: <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21813233/dia+da+coruja,+o/?franq=265122" target="_blank">Compre no Submarino</a> ou <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8579620155" target="_blank">na Livraria Cultura</a> :::</p>
<p>* <em>Taize Odelli, São Leopoldo-RS, é estudante de jornalismo. Blog: <a href="http://rizzenhas.wordpress.com/" target="_blank">rizzenhas.wordpress.com</a></em>.</p>




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						  <li><i>Amálgama: O Dia da Coruja, de Leonardo Sciascia &laquo; r.izze.nhas:</i>
							<br />
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							[...] Finalmente a resenha de O Dia da Coruja está no ar lá no Amálgama! Clássico republicado pela Alfaguara, é um dos primeiros livros a falar da máfia italiana, contando a investigação de um estranho assassinato na Sicília que envolve uma rede perigosa de amizades. Para conferir a resenha completa, é só acessar esse link. [...]
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		<title>A Deus, Saramago!</title>
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		<comments>http://www.amalgama.blog.br/06/2010/a-deus-saramago/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 03:33:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[Para Lillian, que encontra paz na oração. por Luciano Oliveira * &#8211; O título deste artigo é uma evidente brincadeira com o ateísmo militante de Saramago, agora que o grande escritor português morreu. Se seu espírito partiu desta para outra ou, como ele incisivamente acreditava, tudo o que um dia se chamou José Saramago  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Para Lillian, que encontra paz na oração.</em></p>
<p><em><strong>por Luciano Oliveira</strong></em> * &#8211; O título deste artigo é uma evidente brincadeira com o <a href="http://index.opsblog.org/06/2010/jose-saramago/" target="_blank">ateísmo militante de Saramago</a>, agora que o grande escritor português morreu. Se seu espírito partiu desta para outra ou, como ele incisivamente acreditava, tudo o que um dia se chamou José Saramago  carne, fluidos, desejos, ossos, inteligência  agora virou literalmente cinzas, nunca nenhum de nós saberá, porque tudo isso pertence agora ao Grande Mistério. Devo dizer que conheço pouco sua obra. Mas me lembro ainda hoje de um longínquo carnaval em que, refugiando-me já da ruidosa folia que só fez piorar desde então, li, maravilhado, <em>O Evangelho Segundo Jesus Cristo</em>. Era um grande escritor, dono de um estilo todo seu que o leitor identificava assim que lia as primeiras linhas  da mesma maneira que três acordes identificam a música de um Piazzolla, por exemplo. Foi um desses autores que invertem o gesto do leitor que larga o livro quando quer: o texto dele nos agarrava!<span id="more-2500"></span></p>
<p>Isso é  uma coisa. Outra são as idéias desse renitente comunista e ateu português. Sei que de acordo com um velho <em>fair-play</em>  afinal de contas o defunto não está mais aqui para se defender , não se deve falar mal de quem acabou de falecer. Mas, no caso de figuras públicas, suas ideias como que se despregam da boca que as enunciou, passam ao domínio público e, nesse espaço, é legítimo, sim, delas discordar; e, até, reafirmar tal discordância exatamente num momento como esse em que a morte, com o seu poder de beatificação, produz uma espécie de culto ao grande morto, como se tudo o que ele tivesse dito merecesse devoção.</p>
<p>Não é  o caso. É preciso lembrar que Saramago, politicamente, protagonizou, antes de escrevê-lo, seu próprio “ensaio sobre a cegueira”! Apenas em abril de 2003, depois que o regime caquético de Fidel Castro fuzilou três desesperados cubanos que seqüestraram um barco de turistas numa tentativa mambembe de fugir da Ilha  uma operação em que ninguém saiu ferido e deu literalmente com os burros n´água  é que Saramago escreveu um artigo em que declarava seu afastamento do regime cubano com uma frase que ficou famosa: “Até aqui cheguei”. Chegou tarde. O mais surpreendente é que, a despeito disso, continuou proclamando-se um comunista de velha cepa, como se o stalinismo, o maoísmo e todos os milhões de mortos que esses regimes produziram fossem desvios de percurso, e não algo inscrito na lógica mesma da ideia estapafúrdia de produzir um “homem novo” através de um regime político. Como disse certa feita outro grande escritor, Graham Greene, “a inocência é uma forma de insanidade”&#8230;</p>
<p>Voltando ao assunto sugerido pelo título, há algo de primário no ateísmo militante em que o morto parecia se deleitar. Crenças são crenças e é difícil argumentar racionalmente a respeito delas. Descrenças, também. Mas certas provocações de Saramago eram tão ásperas que pareciam ecoar um vetusto anticlericalismo de comunista português que passou boa parte da vida adulta vergado sob a ditadura beata de Salazar, à qual nunca faltou a bênção da Santa Madre Igreja. A ideia de Deus como o “maior absurdo” criado pelo “cérebro humano”  palavras suas  soa gratuita e, metafisicamente falando, é primária, porque nada resolve acerca da questão fundamental do próprio Ser  que já atormentou a cabeça de tantos filósofos: por que existe algo ao invés de nada? Noutros termos, por que o universo existe? Questão intransponível. Despercebida pelo homem comum, ela interpela a certeza do ateu que acha absurda a existência de um Deus incriado, mas não nota que a existência de um mundo sem Deus, por conseqüência também incriado, é igualmente absurda! A questão atormentou Aristóteles, que a resolveu através da hipótese  incorporada, aliás, à teologia cristã por São Tomás de Aquino  do “primeiro motor”, espécie de exigência lógica para o pensamento salvar-se do bloqueio em que a questão o mergulha.</p>
<p>Outra provocação lhe era particularmente cara, a de que as religiões, “sem exceção”  as palavras são igualmente suas  “fizeram à humanidade mais mal do que bem.” Trata-se de uma afirmação, como diria o filósofo Karl Popper, “infalsificável”. De um lado porque não se conhece sociedade humana que não tenha tido religião. Então, como comparar?  como saber se a ausência de religião produziria um mundo em que há mais bem que mal? Europeu e, portanto, inserido na tradição judaico-cristã, Saramago, ao dizer essas coisas, provavelmente tinha em mente instituições como a Santa Inquisição e eventos como as guerras de religião que ensangüentaram a Europa durante muito tempo  aquela e estas, de fato, coisas más e, aliás, muito pouco cristãs! Mas disso pode-se deduzir que o sentimento do sagrado não foi igualmente responsável por coisas boas? A Santa Madre, por exemplo, não gestou apenas a intolerância de Santo Inácio de Loyola, abrigou também o infinito amor por todas as coisas de um São Francisco de Assis. Aliás, saindo da órbita ocidental, o que dizer do Budismo  segundo o qual os homens não têm o direito de fazer mal sequer a uma minhoca?&#8230;</p>
<p>Deixemos tudo isso de lado. O grande escritor está morto e não mais escreverá. A mão que compôs com tanta humanidade o <em>Evangelho Segundo Jesus Cristo</em> não está mais aqui. Mas o livro está! Invertendo o que disse Drummond, “as coisas lindas, muito mais que findas, estas ficarão”.</p>
<p>* <em>L</em><em>uciano Oliveira, Recife, é professor de sociologia da UFPE</em>.</p>




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						  <li><i>Daniel:</i>
							<br />
							<small><a rel="nofollow" href="http://www.amalgama.blog.br/06/2010/a-deus-saramago/comment-page-1/#comment-14344">2010-Jun-23</a></small>
							Caro Luciano,

Quando Saramago disse que a religião fez mais mal do que bem à humanidade, ele quis dizer apenas que os bens em seu nome foram menores que os males. Com o que eu concordo. O mundo sem religião seria melhor, porque boas pessoas religiosas continuariam sendo boas pessoas e eliminaríamos alguns males que só são possíveis em nome da religião -- por exemplo, ataques à educação científica de crianças e oposição por princípio a pesquisas com células-tronco e expressão da homossexualidade. Ah!, não podemos comparar uma sociedade com religião com uma sem religião, mas podemos comparar sociedades de pouca influência religiosa (na Constituição e em escolas, por exemplo) com sociedades com pouca ou nenhuma tradição secular-humanista, em que a religião é a principal força.

As respostas possíveis para a pergunta "por que existe algo ao invés de nada?" são tantas, que escolher uma e dedicar a vida a defendê-la como a única é um procedimento no mínimo curioso -- e a enorme idade da resposta não a deixa menos curiosa. "Deus" é apenas uma das coisas em que o ateu não acredita. Todas as pessoas, sem exceção, não acreditam na maioria das coisas que "podem existir" ou "não podem ser provadas não existir" -- a começar, no caso dos crentes, pelos deuses dos outros, passados e presentes. A hipótese do “primeiro motor” não é uma resposta digna, porque regride infinitamente -- qual o motor do primeiro motor? Se o complexo não pôde ter evoluído do menos complexo e o menos complexo do nada ou seja lá o que tenha sido, quais as chances do complexo ter sido criado por um ser mais complexo ainda que tenha surgido do nada?

O budismo está mais para filosofia do que para religião. O próprio Ratzinger, quando ainda cardeal, observou que o budismo é "uma auto-absorção espiritual" sem "compromissos religiosos concretos". [http://shotofpolitics.blogspot.com/2005/05/this-is-emergency-post.html]

Para resumir, acredito, com Saramago, que viveríamos melhor desconsiderando deus, qualquer deus. No mínimo veríamos líderes religiosos como o que realmente são: autoridades de carne e osso com interesses mundanos.

Mas, pra concordar em alguma coisa, concordo que o "Evangelho" é ótima leitura e que a esquerda é melhor sem o comunismo.

Abs.
						  </li>
					  </ol>
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		<title>José Saramago: Literatura e Ideologia</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jun 2010 16:04:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[cuba]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura cubana]]></category>
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		<description><![CDATA[por Fernando da Mota Lima &#8211; José Saramago tornou-se um escritor celebrado pela mídia desde quando recebeu o Nobel de Literatura. É certo que antes disso já conquistara um amplo público, inclusive no Brasil. Aliás, a recepção da sua obra no Brasil é um fenômeno literário inusitado, já que desde o advento do modernismo a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-2479" title="José Saramago [foto: Leo La Valle/EPA]" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2010/06/Jose-Saramago.jpg" alt="" width="290" height="191" /><em><strong>por Fernando da Mota Lima</strong></em> &#8211; José  Saramago tornou-se um escritor celebrado pela mídia desde quando recebeu o Nobel de Literatura. É certo que antes disso já conquistara um amplo público, inclusive no Brasil. Aliás, a recepção da sua obra no Brasil é um fenômeno literário inusitado, já que desde o advento do modernismo a literatura portuguesa ficou reduzida a uma faixa de circulação muito restrita entre nós. Sem dúvida, caberia lembrar o fenômeno Fernando Pessoa, escritor português de maior repercussão no Brasil no decorrer do século 20. Mas o reconhecimento da sua obra, do seu gênio único, foi tardio mesmo em Portugal. Em suma, diferentemente de Saramago, que gozou em vida de prestígio literário único no Brasil e em muitos outros países, Fernando Pessoa  é um gênio de reconhecimento e fama póstumos.<span id="more-2478"></span></p>
<p>A obra de Saramago importa por seu valor intrínseco, pelos valores irredutivelmente literários ou estéticos que são de resto os que asseguram imortalidade a uma obra. E esta, a imortalidade ou permanência no veio da tradição literária, esta é decidida por um juiz supremo e infalível: o tempo. Portanto, somente nossos pósteros poderão avaliar se a obra de Saramago sobreviverá ao juízo do tempo. Isso evidentemente não anula algumas evidências aferíveis no presente. A melhor crítica ainda em atividade aparenta endossar o consenso segundo o qual fração significativa da obra de Saramago sobreviverá à passagem do tempo. Como pouco a conheço, não seria honesto de minha parte propor apreciações que se sustentam na leitura de uma ou duas obras. Aliás, esclareço que foi esse declarado conhecimento restrito da obra de Saramago que me fez relutar em aceitar o convite de <a href="http://www.amalgama.blog.br/colaboradores/daniel-lopes/" target="_blank">Daniel Lopes</a> para registrar num artigo a morte recente do grande romancista português. Diante disso, conviria desdobrar o artigo retendo-o na franja de aspectos externos à obra. De resto, é isso o que a maioria dos artigos e notas correntes na mídia tem feito.</p>
<p>Saramago foi um autor deliberadamente polêmico. Sempre que solicitado a se pronunciar sobre seus pontos de vista, deu ênfase maior, senão quase exclusiva, a temas de natureza política e religiosa. O homem público, investido de um sentido de militância política e ideológica raro na atmosfera cultural em que passamos a viver depois do patente esgotamento dos ideais e utopias gestados pelos movimentos de esquerda, valeu-se sempre de sua fama literária para opinar, por vezes em tom áspero, contra o capitalismo, a religião, as formas correntes de opressão observáveis sob a hegemonia universal do capitalismo. Embora implacável  na sua crítica recorrente ao capitalismo, raramente se pronunciou contra os horrores do chamado socialismo de Estado imposto pela União Soviética a grande parte do mundo. Aliás, leia-se totalitarismo onde escrevi socialismo de Estado. Embora sinceramente votado à causa dos  oprimidos, dos levantados do chão, assim como  daqueles impotentes para levantar-se em face de formas impiedosas de dominação, Saramago praticamente silenciou diante das tiranias impostas em nome dos ideais utópicos que abraçou e sempre defendeu.</p>
<p>Penso que essa é a restrição ideológica e moral mais grave que se deve fazer à militância intelectual de Saramago. Nisso, infelizmente, ele reitera o itinerário de muitos dos maiores intelectuais do Ocidente. Movidos por ideias de justiça e igualdade cuja sinceridade admito, o fato é que findaram sempre na prática silenciando sobre a opressão praticado em nome da ideologia que abraçaram. Falo nestes termos de Saramago assim como poderia falar da maioria dos intelectuais de esquerda que li e noutras circunstâncias inspiraram minhas convicções, assim como as de milhões que através do mundo lhes deram crédito. Falo de Saramago assim como poderia falar de Sartre, Georg Lukács, García Márquez, uma infinidade de comunistas e socialistas democráticos (designação que quase sempre significa comunismo isento de estalinismo) que curiosamente nunca criticaram o estalinismo com a veemência que imprimiram à crítica das ditaduras de direita.</p>
<p>Transpondo esta questão para a realidade ideológica brasileira, ainda hoje intelectuais e artistas  silenciam sobre a ditadura cubana, último baluarte da tirania produzida pela utopia comunista. Intelectuais e artistas que profundamente admiro, como Antonio Candido, Chico Buarque e alguns dos mais importantes intelectuais acadêmicos da Universidade de São Paulo, teimam em silenciar diante da ditadura cubana. Esse silêncio cúmplice é de ordinário justificado em nome de uma noção pragmática da luta pelo poder, isto é, mesmo admitindo a tirania praticada pelo partido que adotam, esses intelectuais acreditam fazer em termos efetivos o jogo do inimigo quando a força da verdade ou o horror em face da injustiça se sobrepõe à parcialidade não raro criminosa da ação pragmática ou estreitamente partidária. Sendo assim, não apenas silenciam diante da opressão imposta pelo partido ou ideologia que abraçam, mas também atacam sem clemência os liberais ou ex-companheiros de militância que ousam denunciar a opressão exercida em nome das utopias de esquerda. Bastaria pensar nos ataques e na intolerância desfechados contra intelectuais corajosamente independentes como George Orwell, Arthur Koestler, Camus, Mario Vargas Llosa, Octavio Paz, José Guilherme Merquior, Paulo Francis, Millôr Fernandes&#8230;</p>
<p>No plano que acima considero, o grande saldo da militância ideológica de Saramago consiste no combate que travou contra a religião no que esta encerra de superstição e intolerância. Não é sem razão que o <em>L&#8217;Osservatore Romano</em>,  jornal oficial do Vaticano, <a href="http://blogdosakamoto.com.br/2010/06/20/tem-gente-em-festa-com-a-morte-de-saramago/" target="_blank">desfecha dura crítica</a> contra a posição que publicamente adotou em matéria de religião. A voz oficial do Vaticano acusa-o por recusar qualquer forma de metafísica e consequentemente pautar sua ação fundado nos valores de uma ética secular e materialista. Este é o Saramago ideólogo com quem simpatizo. Quanto à permanência da sua obra, que é de resto o que importa para a história literária, esta é uma tarefa que devemos humildemente entregar ao juízo infalível do tempo.</p>




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							Caro Sr. F. Mota Lima
A literatura sem só para nos deleitar de palavras, não serve rigorosamente para nada, a literatura para mim tem de ter um fundamento uma história de de gente, um conto de gente,sobre a vida na terra, seja ela conceito restrito ou no conceito universal de Terra. Por isso acho que Saramago traduziu através da sua capacidade de escrever e dizer, tudo aquilo que muita gente pensa e não oportunidade de dizer, que os poderosos continuam na sua senda de destruir a raça humana, sem que alguém consiga desdidizer ou opôr-se. José Saramago usou e bem a sua e engenho para meter o pauzinho na engrenagem penso que até ao momento o conseguiu, fê-lo premeditadamente digo eu. Um homem de pequeno País e Comunista, conseguiu como soi dizer em Portugal "meter uma lança em àfrica" , ser Nobel da Literatura, as invejas e raiva provocadas na direita e nalgumas "esquerdas" mundiais não lho perdoaram, mas como digo tiveram que o gramar.
Como diz a falta de critica aos chamados ditatoriais do Socilismo real, como diz que ele não fez, como fez ao capitalismo, é natural, este sempre existiu passanfdo várias fazes da humanidade e mantendo a sua matriz opressora e obscurantista e aqui a igreja a tal dos pobres manteve-se com os poderosos e os familias inteligentes, em que eles e só eles tem direito à inteligência, os regimes que diz que ele não criticou era bom que tivesse uma leitura atenta e das suas intervenções e verificaria as discordâncias com algumas atitudes,  
países de duvidosa liberdade como o s EUA, que têm 200 Instituições policiais no activo, num controle exaustivo dos cidadãos, em que os partidos socialista, Social-democrata, de esquerda e  Comunista, pura e simplesmente são marginalizados,em que só sobrevivem os Partidos ligados a empórios financeiros ou a grandes empresas, penso que D. Helder Câmara reflete bem toda uma série de questões e pergunta o que andamos cá a fazer, apesar de já não estar entre nós é um exemplo que a Igreja devia seguir.  Quando fala tirania dos paises do socialismo real, de cuba etc, será que não é tirania em paises ditos democráticos, em que partidos ganham eleições na mentira no uso abusivo e desigual da Comunicação social, para impôr os seus ditames e depois de eleitos alteram tudo quanto disseram, enganando mentindo, usando estado em proveito próprio,usando as policias e os exércitos para fazer cumprir as suas mentiras e desejos.
Finalmente sr. Lima, Saramago foi escritor mas profundamente politico demonstrou à sociedade as injustiças de que são alvo os humilhados e ofendidos, demonstrou a hipócrisia de uma igreja bafienta e lugubre, que espalha pensamentos de há 2000 anos atrás, enquanto nos vêm dizer que os comunistas são retrógados, tenha a santa paciência da honestidade intelectual, que Saramago já triunfou e como o capitalismo se vai afundando na areias lamacentas que criou não virá longe o tempo espero de uma nova sociedade. 
Vou deixar-lhe dos Cadernos de Lanzarote., uma atitude pouco consensual mas que corroboro inteiramente.

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
Já Almada Negreiros no seu Manifesto AntiDantas se pronunciava assim....

E termino com este escrito do Grande Homem Português - José Saramago.

Com os meus Cumprimentos José Pessoa
						  </li>
					  </ol>
				  </div>
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</ul>

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		<title>Um romance com jeito de clássico</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/06/2010/romance-classico/</link>
		<comments>http://www.amalgama.blog.br/06/2010/romance-classico/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 03:03:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[João Almino]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[por Eustáquio Gomes &#8211; Não é sempre que aparece um romance maduro, feito para durar, com atributos de clássico. Se as qualidades de um clássico são determinadas, entre outras coisas, pelo uso da linguagem, pela economia de meios e pela capacidade de espelhar a alma humana ou de reproduzir ou imaginar um construto social convincente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21829390/cidade+livre/?franq=265122" target="_blank"><img class="alignleft" src="http://amalgama.blog.br/imagens/101/cidade-livre.jpg" alt="" width="180" height="278" /></a><em><strong>por Eustáquio Gomes</strong></em> &#8211; Não é sempre que aparece um romance maduro, feito para durar, com atributos de clássico. Se as qualidades de um clássico são determinadas, entre outras coisas, pelo uso da linguagem, pela economia de meios e pela capacidade de espelhar a alma humana ou de reproduzir ou imaginar um construto social convincente, então talvez tenhamos em <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21829390/cidade+livre/?franq=265122" target="_blank">Cidade livre</a>, de João Almino, um clássico no horizonte do possível.<span id="more-2419"></span></p>
<p>João Almino já havia demonstrado essas qualidades em suas obras anteriores, desde <em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/171800/ideias+para+onde+passar+o+fim+do+mundo/?franq=265122" target="_blank">Ideias para onde passar o fim do mundo</a></em> (1987 ) até <em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21365344/livro+das+emocoes,+o/?franq=265122" target="_blank">O livro das emoções</a></em> (2008), todos ambientados em Brasília, que é também o cenário deste seu quinto romance, em que ele alcança o ápice de sua técnica, nada impedindo que a ultrapasse.</p>
<p>Nos romances anteriores, Almino fixou seus personagens &#8211; com os conflitos do nômade ou do homem em transição, o que é próprio de Brasília &#8211; no contexto da cidade em processo. Em <em>Cidade livre</em>, eles se movimentam em pleno leito embrionário da cidade, o bairro provisório com aspecto de “velho oeste” (que depois se transformou no atual Núcleo Bandeirante), feito de tábuas sobre o chão poeirento do Cerrado, onde pululavam candangos, engenheiros, empreiteiros e cavadores de toda ordem. No horizonte, o espectro da cidade que surgia aos poucos, do nada, desafiando até as imaginações mais férteis.</p>
<p>A ação é nucleada em torno de uma “família” sem laços consanguíneos que justifiquem esse nome, um simulacro das multidões desagregadas que afluíam diariamente para a cidade provisória, em busca de trabalho nos canteiros de obras e, quem sabe, de fartura ou mesmo de enriquecimento fácil. Nesse cenário, figuras históricas como o presidente Juscelino e seus tocadores de obra (Israel Pinheiro, Bernardo Sayão), assim como os visitantes ilustres que desfilam pelas esplanadas nuas a convite do governo (Fidel Castro, Foster Dulles, André Malraux e John dos Passos, entre outros), fazem o pano de fundo para os personagens efetivos da história, cujo poder é mínimo ou mesmo nulo.</p>
<p>O narrador, que nessa época ainda era um garoto, usa mais tarde as lembranças do pai adotivo e as suas próprias &#8211; além das sugestões que recebe dos leitores de um blog que mantém sobre o assunto &#8211; para compor um painel que de modo algum é a história oficial dos primórdios de Brasília, mas antes a história da gente simples da cidade provisória. No núcleo familiar onde cai o foco de luz do romance, sobressaem as duas “tias” do futuro narrador, ambas objeto de sua paixão adolescente, o pai de profissão incerta e vida quixotesca, além de Valdivino, um operário de múltiplos talentos que a cidade estrangula em sua teia de interesses e cuja morte presumida passa a ser um enigma.</p>
<p>Ao discurso oficial da cidade futurista como símbolo do progresso material somava-se uma pletora de lendas, origem das muitas seitas salvacionistas que até hoje permeiam a cidade. Valdivino é um nexo entre o pragmatismo do pai e o holismo daqueles que asseguravam (e continuam assegurando) que o projeto da nova Capital Federal era algo escrito nas estrelas, seus executores não passando de instrumentos de um plano superior. O que, nas palavras da profetisa Íris Quelemém, personagem recorrente dos romances de Almino, se traduz da seguinte maneira: “Deus fez os homens como máquinas, definiu como iam funcionar e o que iam fazer, deixando que eles improvisassem somente pequenas variações dentro de um movimento previsível”. Eram ideias que ao próprio JK não eram infensas, muito menos aos devotos de Dom Bosco, o padre italiano que, em sonho, teria calculado as coordenadas da nova Canaã &#8211; “a terra prometida que verterá leite e mel” &#8211; situando-a entre os paralelos 15 e 20, ou seja, o Planalto Central brasileiro. Ao menos, assim diz o mito.</p>
<p>Este mosaico, que em mãos menos experientes poderia se converter em linguagem de epopeia, em João Almino é descrito com palavras cruas e uma contenção que evita toda grandiloquência, inclusive nos diálogos, vivos e abundantes ao longo do livro, mas embutidos no corpo do texto como para combater o excesso de ênfase. Com isso o romance ganha musculatura em vez de gordura, conferindo verossimilhança a um tema profuso e nada fácil.</p>
<p>Ao eleger a Capital Federal como o <em>locus</em> privilegiado de suas ficções, Almino corre o risco permanente de se ver “confirmado a contragosto na posição de romancista de Brasília”, como adverte a ensaísta Walnice Nogueira Galvão na apresentação do livro. De fato, as recensões que tratam de sua obra têm insistido nesse equívoco. Bem vista a coisa, a Brasília dos romances de Almino e os dramas que neles se desenrolam são universais e funcionam como metáforas da condição humana. Não fosse assim, Machado seria meramente um escritor do Rio e Dalton Trevisan um simples contista de Curitiba. E William Faulkner, para cúmulo, seria o romancista do condado de Yoknapathawpha.</p>
<p>::: <em><strong>Cidade livre</strong></em> ::: <strong>João Almino</strong> ::: <strong>Record</strong>, <strong>2010</strong>, <strong>240 páginas</strong> :::<br />
::: <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21829390/cidade+livre/?franq=265122" target="_blank">Compre no Submarino</a> ou <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=850108980x" target="_blank">na Livraria Cultura</a> :::</p>




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						  <li><i>Daniel:</i>
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							Não sei...

"O livro das emoções" é realmente muito bom, mas achei "Cidade livre" com muita história e pouca estória. Não prende.

Mas cada cabeça uma sentença.
						  </li>
					  </ol>
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		<title>Máquinas do tempo</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 03:05:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<category><![CDATA[H. G. Wells]]></category>
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		<description><![CDATA[por Otávio Dias – São José do Rio Preto, 2002. Estávamos, Regina e eu, entediados à cata de algum bom filme para assistir. Procura daqui, procura de lá, como fã de ficção científica, me decidira: “Ah, veremos A máquina do tempo, que tal?” Num golpe de muito azar (?) a sessão estava lotada e assistimos a um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://amalgama.blog.br/imagens/101/teatro.jpg" alt="" width="290" height="195" /><em><strong>por Otávio Dias</strong></em> – São José do Rio Preto, 2002. Estávamos, Regina e eu, entediados à cata de algum bom filme para assistir. Procura daqui, procura de lá, como fã de ficção científica, me decidira: “Ah, veremos <em>A máquina do tempo</em>, que tal?” Num golpe de muito azar (?) a sessão estava lotada e assistimos a um filme pequeno, francês: <em><a href="http://www.amalgama.blog.br/01/2009/o-dia-de-amelie/" target="_blank">O fabuloso destino de Amélie Poulain</a></em>. Pronto, foi estabelecida uma viagem no tempo, como tantas outras que já experimentamos em nosso cotidiano, quer seja numa notícia impressa no jornal de ontem, quer seja num filme como <em>De volta para o futuro</em> ou revisitando seus antepassados através de um álbum de família. Viajamos pelo tempo sempre, e sempre rumo ao futuro um instantinho presente por vez.<span id="more-2291"></span></p>
<p>Apesar de podermos revisitar passados distantes, o tema das viagens no tempo só veio a se tornar famoso como sub-gênero da ficção científica, como empreendimento humano após o lançamento de <em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21796410/maquina+do+tempo,+a/?franq=265122" target="_blank">A máquina do tempo</a></em>, de H. G. Wells. Não é o primeiro escrito a registrar uma viagem do homem pelo tempo, notem: a empresa fora realizada, até então, graças à magia e outros meios sobrenaturais. A contribuição de Wells tem um contexto: cidadão do Reino Unido em plena Era Vitoriana, período de grande valoração dos progressos científicos e tecnológicos, nada mais natural que seu método de viajar no tempo levasse em conta as possibilidades determinadas pelo homem.</p>
<p>Mais do que discutir ciências exatas e biológicas (porque Wells cita ideias sobre evolução e astronomia, ainda que brevemente), <em>A máquina do tempo</em> tem a maviosa qualidade de explorar outras áreas, fugindo da ficção científica óbvia – numa época em que o gênero engatinhava. Dado o primeiro passo, o autor se permite exibir seus conceitos sobre a sociedade e a humanidade, de maneira que poucos autores de ficção cientifica tiveram condições de fazer, como Isaac Asimov (em tantos livros, tantos) e Philip K. Dick (lembro-me com especial carinho de <em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21594388/o+homem+do+castelo+alto/?franq=265122" target="_blank">O Homem do Castelo Alto</a></em>). Wells explicita sua crença no potencial humano e nos progressos científicos por nós alcançado:</p>
<blockquote><p>Tive a impressão de estar encontrando a humanidade na sua fase de lento declínio. Aquele pôr do sol me levou a pensar no crepúsculo da própria espécie humana. Pela primeira vez comecei a perceber uma conseqüência bizarra dos esforços sociais nos quais estamos mergulhados em nossa época. E não obstante, é uma conseqüência bastante lógica. A força é um resultado da necessidade; a segurança conduz ao enfraquecimento. O esforço para melhorar as condições de vida &#8211; o verdadeiro processo civilizatório que torna a vida cada vez mais segura &#8211; tinha avançado até atingir o clímax. Cada triunfo conjunto da humanidade sobre a Natureza tinha sido logo seguido por outro. Coisas que hoje não passam de sonhos tinham se transformado em projetos que alguém levou a cabo. E o resultado era aquele!</p>
<p>Afinal de contas, a saúde e a agricultura de hoje estão ainda num estágio rudimentar. A ciência do nosso tempo conseguiu enfrentar apenas um pequeno número das enfermidades humanas, mas, mesmo assim, expande suas conquistas de maneira firme e continua. Nossa agricultura e nossa horticultura destroem algumas plantas aqui e ali, e cultivam um número elevado de plantas saudáveis, deixando que a maioria das demais encontre o melhor equilíbrio possível. Introduzimos melhoramentos em nossas plantas e animais favoritos (e são muito poucos) gradualmente, por reprodução seletiva; aqui e acolá um pêssego mais saboroso, ou uma uva sem caroço, ou uma flor maior e mais perfumada, ou uma raça de gado que mais nos convém. Nós os melhoramos gradualmente porque nossos ideais são vagos e ainda experimentais, e nosso conhecimento limitado; e porque a Natureza, também ela, é tímida e reage devagar às nossas mãos desajeitadas. Algum dia tudo isso será mais bem-organizado e dará resultados melhores. Esse é o rumo para onde flui a corrente, apesar de refluxos ocasionais. O mundo inteiro será inteligente, educado e cooperativo; as coisas caminharão cada vez mais rápidas em nosso esforço para subjugar a Natureza. No fim, iremos reajustar o equilíbrio da vida animal e vegetal, com sabedoria e cuidado, de uma maneira que satisfaça nossas necessidades humanas.</p></blockquote>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 210px"><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21594388/o+homem+do+castelo+alto/?franq=265122" target="_blank"><img class="  " src="http://amalgama.blog.br/imagens/101/maquina_wells.jpg" alt="" width="200" height="312" /></a><p class="wp-caption-text">-- Nova edição em português do clássico de Wells --</p></div>
<p>Braulio Tavares, no prefácio desta edição da Alfaguara (destaque especial pra belíssima capa), cita a importância da explicação dada por Wells para a viagem no tempo, realmente notável, como as ideias científicas e metafísicas exploradas pelo autor, dando ainda maior brilho à relação que este tem com as ciências e a tecnologia. Fontes em que Dan Brown, em seu (especialmente) macarrônico <em>Anjos e Demônios</em> deveria beber. Wells consegue discutir seus conceitos, que possibilitaram ao Viajante sua travessia temporal, sem soar como um pasteleiro trapalhão e, ao mesmo tempo, sem super-expor seus personagens: a máquina é uma obra de arte da tecnologia e é explicada apenas o suficiente pra que entendamos sua operação, sem suscitar um gosto de desculpa esfarrapada. Podemos, inclusive, citar meta-brincadeira do próprio autor:</p>
<blockquote><p>Minha teoria era bastante simples, bastante plausível – como aliás acontece com a maior parte das teorias equivocadas!</p></blockquote>
<p>Um livro curto e, ainda assim, um dos mais significativos clássicos da ficção científica. Excelente harmonia entre avanços tecnológicos, poder do esclarecimento científico e reflexões solitárias de personagens humanos e deslocados de seu tempo.</p>
<p>::: <em><strong>A máquina do tempo</strong></em> ::: <strong>H. G. Wells</strong> ::: <strong>Alfaguara</strong>, <strong>2010</strong>, <strong>152 páginas</strong> :::<br />
::: <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21796410/maquina+do+tempo,+a/?franq=265122" target="_blank">Compre no Submarino</a> ou <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8579620082" target="_blank">na Livraria Cultura</a> :::</p>
<p><em>foto na abertura, do <a href="http://www.flickr.com/photos/by_rx/4595641644" target="_blank">Flickr de Isadora Adamy</a> (com autorização)</em></p>




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		<title>Os informantes de Bogotá</title>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 03:15:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Juan Gabriel Vásquez]]></category>
		<category><![CDATA[literatura colombiana]]></category>
		<category><![CDATA[literatura latino americana]]></category>

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		<description><![CDATA[por Taize Odelli * – Palavras podem ser tão devastadoras quanto bombas. Ditas na hora errada e para pessoas erradas, têm o poder de destruir vidas como se elas estivessem no meio da própria guerra. Elas comprometem pessoas e destroem laços. São armas e também mecanismos que nos levam a lembrar do que deveria ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21818512/informantes,+os/?franq=265122" target="_blank"><img class="alignleft" src="http://amalgama.blog.br/imagens/101/os-informantes.jpg" alt="" width="180" height="262" /></a><em><strong>por Taize Odelli</strong></em> * – Palavras podem ser tão devastadoras quanto bombas. Ditas na hora errada e para pessoas erradas, têm o poder de destruir vidas como se elas estivessem no meio da própria guerra. Elas comprometem pessoas e destroem laços. São armas e também mecanismos que nos levam a lembrar do que deveria ser esquecido. <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21818512/informantes,+os/?franq=265122" target="_blank"><em>Os Informantes</em></a>, do colombiano <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Juan_Gabriel_V%C3%A1squez" target="_blank">Juan Gabriel Vásquez</a>, prova como as palavras exercem esse poder. O livro é uma narração surpreendente sobre traições e mágoas que envolvem uma família e sua rede de amizades.<span id="more-2253"></span></p>
<p>Ele se passa em Bogotá nos anos 90 e, paralelamente, nos 40, período da Segunda Guerra Mundial. Pai e filho, ambos chamados Gabriel Santoro, se reúnem depois de anos sem contato. O pai é um renomado professor de oratória, dono de grandes discursos proferidos na cidade. O filho é jornalista, autor de um livro de memórias sobre uma exilada alemã, Sara Guttermann, amiga da família. Este livro causa a separação dos dois por conta de uma crítica expressa pelo pai desmerecendo a obra. Mas depois de uma séria cirurgia, ele resolve reatar com o filho, procurando consertar os erros cometidos no passado.</p>
<p>Vásquez retrata um período nebuloso da Colômbia. Em plena Segunda Guerra, o governo, aliado aos EUA, trancava o dinheiro e bens daqueles acusados de serem “informantes” dos nazistas. Muitos desses nomes entravam na lista de forma injusta, e por isso Santoro, o pai, prefere esquecer a tarefa que desempenhou nesse período. Depois de sua morte, o filho procura entender suas atitudes durante a época, sendo auxiliado por Sara Guttermann, que cresceu ao lado do orador. Aqui, a trama se insere ainda mais nesses tempos obscuros.</p>
<p>De início, o livro pode parecer muito denso, por conta dos longos parágrafos e da forma pouco linear da narrativa de Vásquez. Logo, no entanto, ele se mostra uma história fácil de acompanhar. O autor dança com as palavras, vai e vem no tempo de forma sutil, hora colocando Gabriel como narrador, hora se voltando para a história de Sara Guttermann. Os segredos de <em>Os Informantes</em> vão aparecendo aos poucos, e sendo revelados com a calma com que as personagens narram os períodos difíceis pelas quais passaram.</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img src="http://amalgama.blog.br/imagens/101/vasquez.jpg" alt="" width="300" height="202" /><p class="wp-caption-text">-- O autor --</p></div>
<p>A narrativa é repleta de especulações de Gabriel Santoro quanto aos motivos das ações de seu pai, de Sara e das outras peças-chave para a trama. Ele expõe uma realidade à qual os imigrantes alemães e de outros países estavam submetidos, falando como se a Colômbia ainda pedisse perdão pelo que o governo os fez passar. A traição veio através da palavra, e é por ela que o jornalista procura a redenção, tomando o drama de seu pai como um legado. Ao publicar essas histórias, Santoro espera preservar aquilo que tanto queriam esquecer, utilizando-se desses fatos para limpar o nome do pai.</p>
<p><em>Os Informantes</em> mostra um novo autor despontando. Vásquez escreve de forma brilhante e enigmática, mas ao mesmo tempo clara, percorrendo dois períodos da História sem se perder em nenhum deles. As personagens não carecem de detalhes, e as descrições feitas pelo autor são suficientes para que formemos nosso próprio filme sobre as relações conturbadas entre esses dois homens. E nas páginas escritas por Vásquez, fixa-se em nossas mentes a importância que as palavras têm.</p>
<p>::: <strong><em>Os Informantes</em></strong> ::: <strong>Juan Gabriel Vásquez</strong> ::: <strong>L&amp;PM</strong>, <strong>2010</strong>, <strong>288 páginas</strong> :::<br />
::: <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21818512/informantes,+os/?franq=265122" target="_blank">Compre no Submarino</a> ou <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8525419915" target="_blank">na Livraria Cultura</a> :::</p>
<p>* <em>Taize Odelli, São Leopoldo-RS, é estudante de jornalismo. Blog: <a href="http://rizzenhas.wordpress.com/" target="_blank">rizzenhas.wordpress.com</a></em>.</p>




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