Mundos desconexos que fazem todo sentido
9–03–2010
por Juliana Dacoregio – No realismo fantástico, monstros podem aparecer em salas de espera de consultórios médicos, engolidoras de espadas podem engolir muito mais do que espadas e espelhos podem refletir imagens distorcidas. Já no realismo, mesmo que repleto de metáforas, há escritores de best-sellers que odeiam seu próprio sucesso a ponto de viver uma vida miserável, poetas que só conseguem poetizar através de seus fluidos corporais e inspirações que custam a chegar, mas não passam de lugares-comuns. O fantástico e o real também podem se misturar, afinal é improvável, mas não impossível que uma estudiosa de lingüística leve seu ofício ao pé da letra. Mais
Histórias de fantasmas
5–03–2010
por Taize Odelli * – Existem temas que cativam leitores de todos os estilos, envolvendo em narrativas que encantam ao mesmo tempo em que assustam. Ou será que o encanto vem justamente dos sustos? Estou falando das histórias de fantasmas. O relato de alguma aparição, pelo menos, todo mundo já ouviu, esse é tema recorrente em rodas de conversas. Fantasmas prendem até aqueles que dizem não gostar do assunto, contribuindo para que as histórias sejam tão propagadas e ouvidas. Agora, adoradores do sobrenatural conseguiram uma boa fonte de “causos” fantasmagóricos: O grande livro de histórias de fantasmas. Mais
John Haskell e o purgatório americano
1–03–2010
por Diego Viana – John Haskell é um multi-artista americano, mas seu romance de estreia, Purgatório americano, revela como seu coração palpita mesmo é pelo teatro. O arco narrativo do livro é profundamente teatral, avançando através de atritos, monólogos e diálogos. As cenas se sucedem num acúmulo de tensões que desaguam em peripécias e revelações, como no palco de uma tragédia grega. O mesmo não vale para a estrutura formal do romance, mas volto a isso mais tarde. Mais
Um manto pesado
24–02–2010
por Vanessa Souza – Gosto e não gosto de Marcia Tiburi. Mais uma polêmica sobre obra e autor. Assisto-a no Saia Justa, no GNT, uma vez por semana. Até mais, quando vejo a reprise. Adoro-a quando: fala de psicanálise, cita Lacan, traz-me uma nova lição de filosofia, diz que odeia falar ao telefone e não gosta de responder e-mails de gente chata (pura projeção aqui). Não gosto dela quando: declara sua falta de vaidade tão descaradamente, afirma que deixaria os cabelos brancos se o Fernando (marido?) não pedisse para ela pintar… Só me ocorre estes dois pontos no quesito não gosto neste momento. Mais
Salinger e a fobia à celebridade
23–02–2010
por Fernando da Mota Lima * – Salinger morreu há poucos dias. Embora romancista lendário, morreu com a discrição com que viveu em estado de olímpico isolamento durante décadas. Salinger foi a Greta Garbo da literatura. Este fato talvez tenha concorrido mais que qualquer outro para convertê-lo numa lenda literária inacessível aos abutres que espoliam a celebridade com a voracidade de um cafetão de ninfeta. A lenda que perdurou até sua morte, e agora com certeza gradualmente se dissipará, foi nutrida pela coerência tenaz com que, tal como Greta Garbo, preservou-se do público em estado de absoluto isolamento. Mais
Fernando & Cecília
12–02–2010
por Eustáquio Gomes – Um encontro que não houve. Assim poderia se intitular esta crônica. E no entanto esse não-encontro cobriu-se de lenda, uma lenda talvez mais densa do que se encontro tivesse havido. O não-encontro entre Cecília Meireles e Fernando Pessoa numa noite lisboeta de 1934, mais exatamente na noite chuvosa de 10 de dezembro de 1934. Mais
As Centenárias & Maria do Caritó
4–02–2010
por Taize Odelli * – Newton Moreno é um premiado autor de peças de teatro. Com sua companhia teatral, Os Fofos, escreveu diversos enredos que foram aclamados pela crítica especializada. Agora, o texto de duas de suas maiores obras estão presentes no livro As Centenárias & Maria do Caritó, publicados pela editora Terceiro Nome. Mais
J. D. Salinger (1919-2010)
28–01–2010
O recluso escritor estadunidense morreu ontem (27), de causas naturais, em sua casa em Cornish, New Hampshire.
Nos arquivos do Amálgama há dois textos despretensiosos de minha autoria, sobre dois dos livros de Salinger: a obra-prima The Catcher in the Rye (O apanhador no campo de centeio, 1951) e Franny and Zooey (1961).
- Daniel Lopes
Ela entende do assunto
25–01–2010
por Vanessa Souza – Fernanda Young é uma mulher extremamente fálica, logo, de pau ela entende. Como diz minha analista, deve ser daquelas que chegam em casa e batem com o pau (eu me autorizo a usar a palavra, afinal, este é o nome da obra sobre a qual discorrerei um punhado de linhas) em cima da mesa, mostrando ao homem quem é que manda ali. Talvez por isso, eu não conheço nenhum homem que goste dela. Todos dizem que ela é irritante demais, além de ter ouvido várias críticas sobre o ensaio dela na Playboy – que eu comprei, a única em 2009. Afinal, a Fernanda não é assim, uma coelhinha convencional. E eu sempre me interesso pelo desinteressante. Mais
Um livro ímpar?
22–01–2010
por Otávio Dias – O que esperar de um romance escrito por um físico? Um tanto distante do glamour cômico que envolve os personagens nerds e geeks no programa The Big Bang Theory e muito próximos das idiossincrasias malucas que adornam as relações sociais desta categoria de pesquisadores – como físico, me incluo entre os tipos –, esperava que A solidão dos números primos fosse um livro frio. É mais que isso. Mais


