Entre irmãos
5–03–2010
por Jean Garnier – “Eu quero ver a minha família/ Minha esposa e filho esperam por mim”. Esse é o refrão de “Love Vigilantes”, uma música do grupo inglês New Order centrada na história de um soldado que morreria pelo seu país, mas que, entre rifles e granadas, fica alegre ao conseguir a dispensa. Ao retornar para a amada, a vê transtornada com um telegrama que tinha recebido, exaltando a coragem do combatente e informando que ele estava morto. Essa canção poderia ser um ótimo resumo do filme Entre irmãos (estreia hoje), não fosse apenas um diferencial: o irmão tomou-lhe o lugar, inclusive envolvendo-se com a sua mulher. Mais
O segredo dos seus olhos
2–03–2010
por Jean Garnier – O drama O segredo dos seus olhos (2009, em cartaz) é sensacional ao equilibrar drama e humor num cruzamento de épocas e lembranças de atos mal resolvidos. A história começa em 1999; Bejamin Espósito (Ricardo Darín) é um ex-funcionário do tribunal penal argentino. Durante seus primeiros dias de aposentadoria, não se conforma com a calmaria e resolve escrever um romance baseado em suas memórias, a principal delas o assassinato de uma jovem que, mesmo após quase três décadas, para ele nunca chegou ao fim. Ao conversar a amiga e juíza Irene Menéndez (Soledad Villamil), recebe a dica para deixar tudo onde está: no passado. No mesmo lugar onde começou um amor silencioso entre ambos. Mais
Mockumentary, ou Baseado em fatos irreais
26–02–2010
por Luiz Biajoni – O termo é novo, mas o estilo não. Reunião das palavras “mock” (falso) e “documentary” (documentário), a definição surfa na nova onda de filmes como Atividade Paranormal e Contatos de Quarto Grau. Mais
Educação
25–02–2010
por Jean Garnier – Na Inglaterra do início doa anos 60, vive Jenny Miller (Carey Mulligan), uma jovem de 16 anos um tanto aborrecida pela vidinha rotineira. Apesar de seus pais, Jack (Alfred Molina) e Marjorie (Cara Seymour), sonharem em vê-la estudando em Oxford, ela almeja liberdade. Aquela escola abafada e suas colegas já não eram tão mais agradáveis. Educação é um filme que aborda algo mais do que o romance entre uma adolescente e um rapaz com mais de 30 anos; é também um divertido estudo sobre uma vida levada entre a inocência e o glamour. Mais
O trágico espetáculo da vida em O Anticristo de Lars von Trier
22–02–2010
“A Igreja falsificou até a história da humanidade
para transformá-la em uma pré-história do
cristianismo…”
Nietzsche
por Maria Ivonilda * – Enquanto alguns lêem a obra como um elogio à misoginia, argumentando que a mulher (Ela) descrita por Lars von Trier tem uma natureza má, perversa e que precisa ser curada, outros buscam entender os motivos que levaram o cineasta a construir uma narrativa tão insultuosa, que tem sido alvo das críticas mais variadas, desde sua primeira exposição no tradicional festival de Cannes. A resposta não é imediata, mas as perguntas não devem ser simplesmente abandonadas, pois um cineasta com um histórico tão rico, que realizou obras como Europa (1991), Ondas do destino (1996) e Dogville (2003), merece o mínimo de atenção. Mais
A teta assustada
22–02–2010
por Ana Al Izdihar – Vejo A teta assustada (Peru, 2009, em cartaz) e não consigo tirar da cabeça o mito grego de Gaia e o aprisionamento de seus filhos. Gaia é a representação da Mãe Terra, aquela que tudo faz pelos filhos, se sacrifica, doa seus frutos, mas também castra-os e aprisiona-os na intenção de sempre mantê-los ao seu lado e como ela quer. Mais
Sérgio Bianchi e as aporias do Brasil
15–02–2010
por Diego Viana – Os criadores, mesmo os mais presunçosos, são capazes de evoluir e, em se tratando de cinema brasileiro, Os Inquilinos serve como prova. Digo isso porque 2010 marca os dez anos de lançamento de Cronicamente Inviável, longa-metragem mais célebre de Sérgio Bianchi. Agora que chega às telas seu filme mais recente, parece interessante comparar os dois filmes e ver como se desenvolveu a obra do cineasta. Então sigo essa linha nos parágrafos abaixo. Mais
Cinema não é apenas belas imagens, ou De como James Cameron foi refilmar Dança com Lobos lá em Pandora
14–02–2010
por Juliana Dacoregio – E então fui assistir o onipresente Avatar. Numa sala grande, em 3D, para que a experiência fosse completa. A expectativa era grande, já que no dia do lançamento e nas semanas subseqüentes não se falava sobre outra coisa no Twitter, na TV e em sites especializados. Alguns espectadores chegaram a dividir suas vidas em pré e pós-Avatar, muitos desembolsaram o valor do ingresso mais de uma vez para rever o longa e, como o filme não foi lançado em minha cidade simultaneamente à estréia nacional, uma galera se deslocou quilômetros para não ter de esperar. Críticos e jornalistas exaltaram a tecnologia utilizada no filme e a capacidade do roteirista e diretor James Cameron de criar todo um novo mundo e uma nova linguagem. Ecologistas levantaram a bandeira do filme por sua postura ecologicamente correta e a estilista Glória Coelho chegou a afirmar em entrevista ao canal GNT que depois de assistir Avatar mudou o visual e make das modelos que desfilaram a coleção de outono/inverno. Mais
Invictus, de Clint Eastwood
13–02–2010
por Ana Al Izdihar – Clint Eastwood, quando dirige, se mostra no mínimo eclético. Ele tem o dom de comandar narrativas totalmente diferentes entre si e todas elas têm uma marca definida. Sem dúvida, é possível encaixá-lo no dito cinema auteur. Em Meia noite no jardim do bem e do mal e Sobre meninos e lobos, por exemplo, ele mostra uma condução de enredo bem lenta (não significa sem ação) e de quase total observação, deixando as personagens e a ação quase que agirem sozinhas. Poderíamos até pôr nesses filmes o rótulo de “cabeça”, em clima quase europeu. Mais
A fita branca: Quando o fascismo se aproxima
12–02–2010
por Jean Garnier – Neste filme austríaco (estreia hoje), estranhos fatos amendontram uma pacata aldeia protestante situada ao norte de uma Alemanha pré-Primeira Guerra Mundial. Com a sucessão desses eventos sem nenhuma explicação, o diretor Michael Haneke novamente apresenta uma trama envolvida por mistérios, como o seu também aclamado filme Caché (2005), ao mostrar como a violência pode prejudicar muito mais do que seus objetos primeiros. Mais


