Vincere

20–08–2010

-- Filippo Timi como Benito Mussolini em "Vincere" --

por Bruno Cava – Benito Mussolini é o convidado de honra da Mostra Futurista de 1917. Recebido na galeria pelos artistas em roupas estilizadas, agradece ao aplauso associando-o ao ratatá das metralhadoras. Corre alucinado pela exposição e os correligionários se esforçam por segui-lo. Olha para uma tela e dispara: bum-bum-bum! Para outra, gesticula raivosamente. Súbito, uma das mulheres levanta a saia e lhe expõe o sexo. Mussolini desvencilha-se dos seguidores, tranca-se com ela num quarto e então percebe que se trata de sua ex-amante, Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno). Rejeita-a, sai num rompante do quarto e da galeria, para espanto de todos. Mais

Abbas Kiarostami, a cabeça da estátua

13–08–2010

por Diego VianaJuliette Binoche, com um ar ligeiramente aflito, de excitação comedida, experimenta um brinco, uma peça chamativa e de gosto discutível. As cores da imagem são reforçadas para causar estranhamento em quem a contempla. No cartaz de Copie conforme, último filme de Abbas Kiarostami, a atriz tenta enganchar a jóia no lóbulo da orelha. E esse é mesmo o gancho que resume o filme. Não é uma daquelas obras-primas de Kiarostami, um Gosto de cereja ou um Ten. Antes, é uma jóia, menor talvez, mas rica e brilhante o suficiente para ter seu lugar no tesouro que é a obra do cineasta iraniano. Mais

Pesadelo esquemático

6–08–2010

por Bruno Cava – Alguma vez o leitor já acordou de um sonho e descobriu que ainda estava dormindo, que se encontrava em outro sonho? Um sonho dentro de outro sonho, eis o conceito da ficção científica A Origem [estreia hoje], de Christopher Nolan, o mesmo diretor de Memento (2000) e de dois filmes do Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) e Batman Begins (2005). O roteiro vai além e, qual bonequinha russa, vai colocando sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos, numa vertigem que confunde até os personagens. “Peraí! pro subconsciente de quem nós estamos indo mesmo?”, pergunta Ariadne (Ellen Page, de Juno), num momento de autoironia cinematográfica. Mais

O Escritor Fantasma, de Polanski

6–08–2010

por Luiz Biajoni – O último filme de Polanski está sendo vendido como um eletrizante thriller político. Não achei. Nem eletrizante, nem thriller. Tem um fundo político. Mas é lento, insosso, dava para ter meia hora a menos. E tem outros defeitos. Mais

O cinema degradante de Todd Solondz

30–07–2010

por Bruno Cava – Lançado em DVD pela Lume Filmes, chegou mês passado às locadoras brasileiras um filme emblemático do cinema independente americano dos anos 1990. Bem-Vindo à Casa de Bonecas (1995), segundo longa do diretor Todd Solondz, dá prosseguimento, na referida coleção da Lume, a Felicidade (1998), aparecido em DVD há dois anos. Ambos os filmes de baixo orçamento, “outsiders” à indústria hollywoodiana e generosamente recepcionados pela crítica. O primeiro levou o prêmio do júri em Sundance/1996 e o segundo foi laureado na categoria internacional da Mostra de São Paulo/1998.

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O Golpista do Ano

13–07–2010

por Ana Al Izdihar – Por que será que a onda agora são programas de gays, com gays apresentando, séries e filmes sobre gays, ou que remetem e apelam ao “mundo” gay (se é que existe algo assim)? Deve ser rentável… A figura gay masculina vende, neste mundo machista! Mais

À Prova de Morte

5–07–2010

por Bruno Cava – Quando a atualização de gêneros consagrados resulta autêntica, ao invés de mera cópia a morrer no cemitério do lugar-comum e do status quo? Quando um filme move o cinema ao futuro, como criação e interrogação, em vez de anular-se por si mesmo, como celebração vazia e regressiva do meio?

Uma das melhores respostas está em À Prova de Morte. Mais

Coco Chanel & Igor Stravinsky

2–07–2010

por Poliana Dantas * – Caos. Qual o sentido, a vantagem dessa teoria? É que a partir desta, que é resultado, a propósito, de múltiplas ordens, somos capazes de aplicar pontos de vista diferentes e inesperados para cada situação muitas vezes dogmática, fazendo de nós, mortais, seres multifacetados e céticos a qualquer crença preestabelecida. Não, este não é um prelúdio a um discurso ateísta. Mas pode ser útil como um “plano de ação” para interpretar com sensatez um filme tão cheio de nuances e sensualidade como é Coco Chanel & Igor Stravinsky, exibido em nove cidades brasileiras durante o Festival Varilux de Cinema Francês 2010 e com estreia comercial prevista para 6 de julho. Mais

Seis meses depois: Avatar, o futuro do cinema?

17–06–2010

por Bruno Cava – Um semestre depois do lançamento, Avatar continua no centro dos debates sobre o cinema. O blockbuster da década segue mobilizando cinéfilos, jornalistas, críticos, acadêmicos e, sobretudo, os seus milhões de fãs. Deslumbrados, eufóricos, siderados, os tietes ajudam na construção da vasta mitologia de tudo relacionado à Pandora e constituem mercado garantido para os filmes-seqüência, os videogames, os livros, os quadrinhos, as revistas e qualquer produto porventura associado a Avatar. Mais

Sem Destino: O legado de Dennis Hopper

11–06–2010

por Ana Al Izdihar – Depois de vender a cocaína e pegar suas novas motos, as choppers, Wyatt joga o relógio fora. Em outra cena numa casa abandonada, uma bússola é ignorada numa gaveta velha. O tempo deste mundo que não servia mais para aqueles jovens era jogado no lixo. O momento presente era a única perspectiva que tinham diante de si e seu futuro só aconteceria na liberdade sentida no “aqui e agora”. Mais

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