“Deus está morto, então tudo é permitido”

1–09–2010

por Bruno Cava

Citação apócrifa.

Por reducionismo ou ignorância, costuma ser atribuída a Nietzsche e/ou a Dostoiévski, mas nenhum dos dois sequer a esboçou.

N. escreveu sobre a morte de Deus no livro Gaia Ciência. O personagem do louco anuncia que Deus morreu, que o matamos, que erigimos monumentos fúnebres em seu réquiem (as igrejas). Para ele, assassinar Deus foi uma ação grandiosa que pode inaugurar “uma história mais elevada do que toda que jamais existiu!”. Mas o homem do século 19 ainda não está preparado, e o profeta insensato desanima-se. Mais

Prateleiras fantásticas

1–09–2010

por Michelle Horovits * – Livros, livros… Sabe aquela garotinha abraçada ao unicórnio cor de rosa, com um brilho nos olhos que chega a ser doentio, querendo mostrar a todos quão fofinho ele é? Sabe o cachorro babando em frente aos frangos rodando suculentos? Sabe essa cara? Essa era a minha cara quando dei de frente para a livraria Shakespeare and Co em Paris. Mais

A chuva antes de cair

31–08–2010

por Milton Ribeiro – O mundo gira e gira e vai lentamente mudando, porém uma das coisas que não se altera é a importância da literatura inglesa. Se hoje temos Martin Amis e Ian McEwan na lista de maiores autores contemporâneos, é melhor acrescentar mais um nome: Jonathan Coe. O autor — nascido em Birmingham no não tão longínquo ano de 1961, na gloriosa data de 19 de agosto — escreveu nove romances, além das biografias de James Stewart e de Humphrey Bogart. Coe também exerce o mais do que glorioso ofício de crítico de música erudita. Mais

Além da Galiléia

26–08–2010

por Daniel Lopes – O médico e escritor cearense Ronaldo Correia de Brito, radicado no Recife, ficou mais conhecido após o aclamado Galiléia, romance de 2008. Retratos imorais, seu novo livro, reúne contos escritos ao longo de vários anos. Acredito que até por isso seja uma obra de qualidade inconstante. Há textos que não marcam de forma alguma o leitor, daqueles que seriam descartados por qualquer editor, não fossem do punho de um autor consagrado. Mais

Desaparecidas

25–08–2010

por Taize Odelli – Ser um thriller já é meio caminho andado para um livro despertar interesse. Pessoas gostam de ler sobre serial killers, investigações que mechem com sua cabeça, que desafiam seu senso de antecipar movimentos. Particularmente, thrillers são os primeiros livros que chamam a atenção na prateleira, por presumirem histórias impossíveis de largar e fáceis de terminar. Assim parecia ser Desaparecidas, de Chris Mooney, mas não foi esse o seu efeito. Mais

Vincere

20–08–2010

-- Filippo Timi como Benito Mussolini em "Vincere" --

por Bruno Cava – Benito Mussolini é o convidado de honra da Mostra Futurista de 1917. Recebido na galeria pelos artistas em roupas estilizadas, agradece ao aplauso associando-o ao ratatá das metralhadoras. Corre alucinado pela exposição e os correligionários se esforçam por segui-lo. Olha para uma tela e dispara: bum-bum-bum! Para outra, gesticula raivosamente. Súbito, uma das mulheres levanta a saia e lhe expõe o sexo. Mussolini desvencilha-se dos seguidores, tranca-se com ela num quarto e então percebe que se trata de sua ex-amante, Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno). Rejeita-a, sai num rompante do quarto e da galeria, para espanto de todos. Mais

Abbas Kiarostami, a cabeça da estátua

13–08–2010

por Diego VianaJuliette Binoche, com um ar ligeiramente aflito, de excitação comedida, experimenta um brinco, uma peça chamativa e de gosto discutível. As cores da imagem são reforçadas para causar estranhamento em quem a contempla. No cartaz de Copie conforme, último filme de Abbas Kiarostami, a atriz tenta enganchar a jóia no lóbulo da orelha. E esse é mesmo o gancho que resume o filme. Não é uma daquelas obras-primas de Kiarostami, um Gosto de cereja ou um Ten. Antes, é uma jóia, menor talvez, mas rica e brilhante o suficiente para ter seu lugar no tesouro que é a obra do cineasta iraniano. Mais

Pesadelo esquemático

6–08–2010

por Bruno Cava – Alguma vez o leitor já acordou de um sonho e descobriu que ainda estava dormindo, que se encontrava em outro sonho? Um sonho dentro de outro sonho, eis o conceito da ficção científica A Origem [estreia hoje], de Christopher Nolan, o mesmo diretor de Memento (2000) e de dois filmes do Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) e Batman Begins (2005). O roteiro vai além e, qual bonequinha russa, vai colocando sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos, numa vertigem que confunde até os personagens. “Peraí! pro subconsciente de quem nós estamos indo mesmo?”, pergunta Ariadne (Ellen Page, de Juno), num momento de autoironia cinematográfica. Mais

O Escritor Fantasma, de Polanski

6–08–2010

por Luiz Biajoni – O último filme de Polanski está sendo vendido como um eletrizante thriller político. Não achei. Nem eletrizante, nem thriller. Tem um fundo político. Mas é lento, insosso, dava para ter meia hora a menos. E tem outros defeitos. Mais

Flip 2010 | Gilberto Freyre: Afirmações inaceitáveis e obra perene

4–08–2010

por Vanessa Souza – A oitava edição da Flip iniciou com conferência de abertura com Fernando Henrique Cardoso e mediação de Luiz Felipe Alencastro, professor da Sorbonne. O tema foi “Casa-Grande e Senzala: um livro perene”. O ex-presidente do Brasil disse ter ficado surpreso ao receber o convite da Festa Literária, ainda que não fosse a primeira vez em que ele era convidado a falar de Gilberto Freyre (1900-1987), já que FHC afirmou pertencer à geração de sociólogos que renovaram o estudo das crenças no Brasil. Mais

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