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	<title>Amálgama &#187; Comportamento</title>
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	<description>Revista digital de atualidade e cultura</description>
	<lastBuildDate>Fri, 10 Feb 2012 17:14:36 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Tentando entender a questão do aborto</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/02/2012/aborto/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 16:50:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Orsi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>

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		<description><![CDATA[É de se supor que, por trás de tanto furor contra o aborto, haja ideias. Quais seriam elas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-8402" title="Embrião" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/02/embriao.jpg" alt="" width="350" height="307" /></p>
<p>A discussão em torno dos direitos reprodutivos da mulher às vezes atinge níveis de estridência ensurdecedores (por exemplo, <a href="http://www.aciprensa.com/noticia.php?n=17192" target="_blank">neste ataque</a> aos Médicos Sem Fronteiras), com um bocado de histeria e gritaria de parte a parte, embora eu seja forçado a reconhecer que a hidrofobia mais profunda vem da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-abortion_violence" target="_blank">oposição religiosa à interrupção voluntária da gravidez</a>. Que é tão, ou mais, incivilizada e irracional que a oposição feita, por essas mesmas forças, aos direitos civis dos homossexuais. Seria interessante realizar um estudo psicológico/sociológico para entender por que as mesmas pessoas que parecem dispostas a derrubar governos, reformar constituições e até criar <a href="http://www.amalgama.blog.br/01/2012/cadastro-de-gestantes-politicas-de-saude-para-mulheres/" target="_blank">um Dops para gestantes</a> por amor a um punhado de células, <em>in vitro</em> ou <em>in utero</em>, depois sentem que é seu dever divino condenar a uma vida de cidadania fraturada o homem a que essas células deram origem, só porque ele ama outro homem.</p>
<p>Enfim.</p>
<p>O fato, no entanto, é que nem toda oposição ao aborto é irracional e estridente. O arcebispo apoplético que baba e perdigoteja aos berros de &#8220;abortista!&#8221; é um mero estereótipo (embora pareça frequentar as páginas de opinião dos jornalões com certa regularidade), mas por trás de tanto furor há ideias &#8212; ou é de se supor que haja. E que ideias, afinal, são essas?</p>
<p>A principal, creio, pode ser resumida na seguinte sentença: <em>o aborto é o homicídio injustificado de um inocente</em>. &#8220;Homicídio&#8221; é, nesse caso, entendido como a morte, artificialmente provocada, de um ser humano. Para o silogismo da proibição fechar, portanto, é necessário estabelecer que o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Blastocisto" target="_blank">blastocisto</a>, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Embri%C3%A3o" target="_blank">embrião</a> e o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Feto" target="_blank">feto</a> são seres humanos; que estão vivos; que são inocentes; e que o aborto não se justifica (por exemplo, em virtude de uma <a href="http://www.votocatolico.com.br/2012/01/medicos-sem-fronteiras-fazem-abortos-em.html" target="_blank">ameaça à vida da mãe</a>, ou de um <a href="http://blogs.estadao.com.br/carlos-orsi/2010/10/19/o-aborto-e-uma-questao-cientifica/" target="_blank">apelo a seus direitos pessoais</a>).</p>
<p>É claro que cada elo dessa cadeia é passível de análise (da questão da justificativa com base no direito da mulher, por exemplo, já tratei na segunda remissão do parágrafo acima), mas agora queria abordar a divergência em torno do que geralmente se considera o aspecto mais &#8220;cabeludo&#8221; da questão: <em>o que define um ser humano vivo</em>?</p>
<p>Como muitas outras perguntas do tipo, a resposta pode parecer óbvia 99% das vezes (digamos, &#8220;um membro da espécie humana que esteja respirando&#8221;), mas sempre há o 1% de casos extremos que parece não caber na definição &#8220;evidente&#8221;.</p>
<p>Pessoas em morte cerebral cujo organismo é mantido vivo por aparelhos, por exemplo, respiram, embora não estejam vivas; mergulhadores pescadores de pérolas não respiram durante seus mergulhos, mas não são cadáveres.</p>
<p>E blastocistos sequer têm narizes ou pulmões. De fato, a maioria das definições clássicas ou intuitivas de &#8220;ser humano vivo&#8221; excluem os primeiros estágios do desenvolvimento intrauterino &#8212; o blastocisto e o embrião: eles não são racionais e políticos; não são bípedes sem plumas; não são agentes morais; etc. De fato, <a href="http://www.nytimes.com/2005/06/19/books/chapters/0619-1st-gazza.html" target="_blank">a atividade cerebral começa a surgir entre a 5ª e a 6ª semanas de gravidez, mas nesse estágio ainda é menos coerente que a de um camarão</a>. O cérebro só é capaz de existir de modo viável a partir da 23ª semana.</p>
<p>Eu (e muita gente além de mim) dou destaque especial ao desenvolvimento do cérebro porque é desse órgão que dependem, de modo crucial, as capacidades e potencialidades que são mais reconhecidas como &#8220;humanas&#8221;. Da mesma forma que, após a morte cerebral, podemos afirmar que &#8220;não há mais ninguém lá&#8221;, também poderíamos argumentar que, antes do cérebro surgir, &#8220;ainda não há ninguém aqui&#8221;.</p>
<p>Essa formulação cai, no entanto, caso se adote uma postura idealista e se aceite que o que define a identidade essencial da pessoa humana não é o ponto de vista peculiar de cada um de nós, gerado pela interação entre meio ambiente, atividade cerebral e feitio genético, mas uma &#8220;alma&#8221; implantada diretamente na fecundação. Só que essa postura é pura mitologia, e não deveria ter lugar num debate sobre leis e políticas públicas.</p>
<p>Ela também cai caso se considere que a essência humana é fixada pela genética &#8212; se se têm os genes certos, e se as células estão funcionando, então trata-se de um ser humano vivo, automaticamente portador de certos direitos fundamentais. O problema com o argumento genético é que ele é inclusivo demais: tumores malignos, culturas celulares em laboratório e até mesmo as placentas se encaixam em seu escopo!</p>
<p>Neste momento, alguém chama a atenção para o fato de que um embrião se distingue de sua placenta (ou de um câncer) pelo fato de que pode, naturalmente, desenvolver-se num bebê. Constatação que nos traz ao fulcro da questão: o <em>argumento da continuidade</em> e o <em>argumento do potencial</em>.</p>
<p>Em sua forma mais tosca, o argumento da continuidade é o que diz: &#8220;Se o aborto fosse permitido no tempo da sua mãe, você não estaria aqui&#8221;. Para além da cretinice metafísica &#8212; nunca ter nascido não é um problema ou um prejuízo para ninguém, já que vir a existir é uma precondição necessária para se ter problemas ou prejuízos (e alegrias e lucros, por evidente) &#8212; há algo de estúpido e repugnante aí, nessa identificação do instinto maternal com o medo de polícia e na subordinação da vontade da mulher à função reprodutiva. É de se considerar se quem lança mão da frase grosseira realmente imagina que pessoas como ele mesmo só existem porque suas mães foram coagidas a parir pelo Estado. Eu realmente gostaria de poder imaginar que o mundo é habitado por pessoas que surgiram das decisões livres de uma vontade espontânea.</p>
<p>Em sua forma sofisticada, o argumento da continuidade afirma que a linha de causalidade que vai do encontro entre óvulo e espermatozoide ao nascimento é contínua, e portanto não se pode impor um ponto arbitrário até onde seria moralmente aceitável interrompê-la.</p>
<p>Essa modalidade admite (pelo menos) duas respostas: a primeira é a de que ligar o início da existência humana ao início da viabilidade cerebral não é nada arbitrário; há uma racionalidade articulada por trás dessa escolha, já que tudo o que mais distingue o ser humano do restante da natureza depende, crucialmente, disso. Essa racionalidade tem encontrado resguardo até mesmo em decisões judiciais, como as que autorizam a interrupção da gestação de anencéfalos. A segunda, que deve parecer evidente para qualquer um que já tenha assistido a <em>De volta para o futuro</em>, é a de que escolher o instante da concepção para marcar o início da cadeia causal que leva ao ser humano pleno é que é, aí sim, arbitrário. Afinal, por que não o momento da ejaculação, ou da ovulação, ou o primeiro encontro do casal de futuros pais? Ou dos pais dos pais? A concepção pode ser vista como apenas mais um ponto numa sequência de causas necessárias que se prolonga indefinidamente rumo ao passado.</p>
<p>O argumento do potencial é parecido, mas tem sutilezas próprias. Uma vez que o óvulo e o espermatozoide tenham se fundido, vai o raciocínio, e mesmo considerando que, sim, a plenitude da pessoa humana depende da presença de um cérebro minimamente funcional, <em>as condições estão dadas para que uma pessoa humana se desenvolva</em>, bastando para isso que deixemos o processo seguir seu curso natural. Daí, interromper o processo significa matar essa pessoa.</p>
<p>É meio difícil saber o que fazer com essa linha de pensamento, já que o que ela diz, em resumo, é que é possível cometer homicídio preventivo &#8212; matar alguém antes que a pessoa venha a existir. <em>De volta para o futuro</em>, outra vez.</p>
<p>Uma reformulação mais caridosa poderia ser: <em>É condenável que, uma vez consumadas as condições necessárias e largamente suficientes para que uma nova pessoa venha ao mundo, tais condições sejam deliberadamente destruídas</em>. Não tenho nenhuma objeção a esse princípio, ainda que não consiga encará-lo como algo absoluto, ainda mais como algo capaz de se sobrepor à vontade soberana da mulher sobre seu corpo. Não vejo, enfim, como impô-lo a toda a sociedade por meio de lei e, pior, igualá-lo ao bom e velho <em>Não matarás</em>.</p>
<br>-- <em>Para saber mais sobre o(a) autor(a) do post, <a href="http://www.amalgama.blog.br/02/2012/aborto/">acesse o Amálgama</a></em> --

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		<title>Melancolia libertadora</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/02/2012/melancolia-libertadora/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 16:30:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Dacoregio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoalidade]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Lars von Trier]]></category>
		<category><![CDATA[melancolia]]></category>

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		<description><![CDATA[Às vezes é preciso se deixar levar quando não se sabe para onde ir, como a protagonista de Von Trier]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-8323" title="Melancolia" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/melancholia.jpg" alt="" width="500" height="281" /></p>
<p>Ao terminar de assistir o último filme de Lars Von Trier eu estava embevecida. Ainda estou, na verdade. Impossível não ficar hipnotizada e refletindo sobre toda aquela história, repassando as cenas mentalmente e buscando compreender as metáforas. Não me atrevo a chegar a simples conclusões. Desfechos explicativos não se aplicam a <em><a title="Os afetos em “Melancolia”, de Lars von Trier" href="http://www.amalgama.blog.br/10/2011/afetos-melancolia-lars-von-trier/">Melancolia</a></em>, assim como não é possível definir ao certo o que é esse sentimento que dá nome ao filme.</p>
<p>Quem não está acostumado com filmes de arte, mais lentos e introspectivos (ou seja, a maioria de nós, e me incluo nessa), pode ficar a fim de desistir de <em>Melancolia</em> logo nos minutos iniciais. São cenas dos personagens em situações como que de sonhos, em que a realidade não manda. Cenas em câmera lenta, mas tão lentas que quase parecem retratos que se movem diante de uma ilusão de ótica. Imagens lindas que não vão fazer sentido para quem ainda não sabe do que se trata o filme e nem ao menos leu a sinopse (meu caso). Mas ao longo do filme, tão vagarosamente quanto as cenas em <em>slow motion</em>, vamos compreendendo do que se tratam. E dessa forma, como num filme de suspense ao contrário, elas vão revelando o que virá a seguir.</p>
<p>O estado psicológico de Justine, personagem vivida por Kirsten Dunst, é intrigante: uma falta de chão levada ao extremo. No início do filme ela parece feliz, como se supõe que qualquer mulher recém-casada deva estar. Mas sua falta de ansiedade diante do atraso em chegar à festa de casamento e suas primeiras atitudes já no local da recepção denunciam certa indiferença. Recepção esta organizada minunciosamente por sua irmã Claire &#8211; interpretada por Charlote Gainsbourg, é bom frisar. No início, uma indiferença divertida, mas pouco a pouco vamos percebendo que seus sorrisos se tornam mais e mais mecânicos, ao ponto de em certa parte da história, ao ser confrontada sobre o fato de não estar feliz, ela afirma, “eu sorrio e sorrio e sorrio”, mostrando que está tentando arduamente cumprir seu papel. As reações de Justine vão saindo de controle, até que a confusão interna toma conta e se torna visível. Ela está claramente deprimida e infeliz. Finge até onde pode, mas em certo momento já não sabemos se ela quer parar de fingir ou se, simplesmente, não consegue mais. Provavelmente uma mistura das duas coisas. Quem já sofreu de depressão compreende a apatia e os comportamentos desconexos da personagem. Quem já experimentou uma melancolia avassaladora sabe o quanto é difícil manter-se constante e até mesmo decidida a respeito do que realmente se quer.</p>
<p>De todo modo, mesmo que constrangedoramente, o comportamento de Justine durante seu próprio casamento representa uma libertação. Fez-me lembrar de meu próprio casamento, quando, muito jovem, rumei em direção ao altar com uma leve sensação de perda. Durante a ida de carro até à igreja (tudo como manda a tradição, junto com meu pai e um motorista), o que eu queria era dar meia volta. Fui segurando a mão de meu pai como quem caminha rumo ao apocalipse, porém com uma falsa calma, tentando me convencer de que tudo aquilo era apenas um nervosismo natural. Não agi como Justine, mas poderia tê-lo feito. No fundo eu representava um papel. Claro que não sabia disso, não conscientemente. Meus temores foram eclipsados pelas normas da situação. Fiz o que era esperado de mim. Mas Justine, não. Tudo nela é inesperado, como um cavalo que de domesticado passa à selvagem, como os pássaros quando prenunciam uma tempestade. Não é à toa que em certos momentos do filme a garota não consegue mais domar seu próprio cavalo e se frustra por não conseguir fazer com que ele atravesse uma pequena ponte. O animal se recusa mesmo às chicotadas. Recusa-se a ponto de tombar sobre as quatro patas. Uma clara metáfora: Justine igualmente não consegue atravessar suas próprias pontes, nem seguir em frente. E é esse modo selvagem de Justine durante seu casamento, agindo por impulsos indecisos, que se apresentou como libertador a meu ver. Ela não seguiu o protocolo. Sim, ela decepcionou a todos e nem mesmo deu mostras de estar feliz com sua &#8220;rebeldia&#8221;, mas fez o que quis. Ou deixou de fazer o que não queria.</p>
<p>E assim também se comportou o planeta Melancolia. Quando a dor começa a fazer com que você deslize em direção ao fundo, é impossível pará-la. Exatamente o que aconteceu ao planeta. Então, diante da tragédia iminente, o comportamento de Justine vai se alterando. No início da segunda parte, nada mais faz sentido para ela. O banho que ela tanto gostava se torna um sacrifício grande demais, a comida perde o gosto e o ciclo que começou no casamento se completa.</p>
<p>Porém, quanto mais próxima se torna a possibilidade de um apocalipse, mais ela vai se reerguendo. Ainda apática, porém resignada, séria e sábia. Pessimista, talvez. O que apavora sua irmã Claire, que teme a passagem deste estranho planeta pela órbita da Terra. Apesar de o marido de Claire tentar tranquilizá-la, afirmando que não há perigo de uma colisão, Claire passa os dias com aquele pavor entalado na garganta. Logo ela, o único membro bem ajustado da família (já que a mãe é amarga e o pai, inconstante), começa a dar sinais de que não tem tudo tão sob controle, como aparentara no início da projeção. Talvez sua organização externa apenas esconde o caos que havia em seu interior. Claire aparenta ser alguém que esconde suas angústias tentando manter sua vida &#8211; e as daqueles que a cercam &#8211; numa órbita previsível e constante. A imprevisibilidade do planeta que se aproxima tira-a do eixo, enquanto desmancha a agitação depressiva de Justine.</p>
<p>Nesse ponto elas se assemelham, apesar de em momentos diferentes. O que estava em Justine &#8211; a dúvida, o medo, a hesitação &#8211; se mostra presentes em Claire. A prova viva de que sob toda fachada de equilíbrio sempre há mais do que se possa imaginar.</p>
<p><em>Melancolia</em> é um filme denso. Recomendaram-me dizendo que era angustiante. E é. Mas não foi a angústia o sentimento que se apoderou de mim ao assisti-lo. Na verdade, me enxerguei em cada personagem, todos repletos de complexidade, como todo ser humano. Esse é mais do que um filme para ser assistido. É para ser experimentado, vivenciado. Dentre todas as evocações que provocou, as principais foram libertação e calmaria. Às vezes é preciso se deixar levar quando não se sabe para onde ir. Como fez Justine em seu casamento. Não se deixar levar pelas expectativas dos outros, mas pelos impulsos, por mais descabidos que eles possam parecer. Afinal, tudo acaba em Melancolia. E mesmo que não se acabe, a vida não é para sempre, só que esquecemos isso o tempo todo e vamos seguindo as convenções. O problema é que Melancolia chega e pode fazer tudo explodir. Por dentro ou por fora. E aí? De que adiantou seguir o roteiro?</p>
<br>-- <em>Para saber mais sobre o(a) autor(a) do post, <a href="http://www.amalgama.blog.br/02/2012/melancolia-libertadora/">acesse o Amálgama</a></em> --

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		<title>A culpa é do Facebook!</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/02/2012/culpa-do-facebook/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 16:20:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Viviane C. Moreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoalidade]]></category>
		<category><![CDATA[facebook]]></category>
		<category><![CDATA[novas tecnologias]]></category>

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		<description><![CDATA[Dá pra entender por que o FB tem sido apontado como o pivô de separações e divórcios?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-8214" title="Par de xícaras [Laila Kierulff - foto: Miguel Aun]" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/xicaras.jpg" alt="" width="500" height="277" /></p>
<p>Embora a culpa esteja em baixa, se é que ela sobrevive ainda ao jogo do empurra-empurra, melhor réu não há pra ser julgado culpado do que o Facebook. Ele é o culpado por nos distrair nas migalhas de tempo livre que nos sobra. Nos minutos em que não temos nada pra fazer, ou nos intervalos do corre-corre pra lá, pra cá, entre responsabilidades, prazos e afazeres domésticos, ou no estresse dos engarrafamentos, do liga-e-liga-de-novo-e-mais-uma-vez para celulares fora de área, ou desligados, ah! entre sessões de fisioterapia, acupuntura, massagem, pilates&#8230; e na tortura da fila de espera para marcação de consultas médicas – “Horário com o doutor, só pra daqui a três meses e olhe lá! Nem encaixe mais dá pra fazer!” E, no meio de tudo isso, ou antes disso tudo, ou no final, o que há?</p>
<p>Teclas sob o comando de nossas mãos. Cliques ou toques aqui, ali, e janelas são abertas. Abra-te Sésamo e&#8230; aparece o Facebook, com imagens e mais imagens e frases e mais frases. Algumas mirabolantes, atribuídas a autores que não disseram o que dizem que eles disseram. Risos de nervoso, diante da impossibilidade de tal autor ter expressado aquele pensamento, com aquela linguagem, porque aquele autor viveu em outra época, bem diferente desta da internet. Sorte a dele? Nem sei. Mas, no Facebook, grandes escritores estão bem vivos e vivendo uma vida extra &#8211; muito além da que eles viveram. Drummond, Clarice, Fernando Pessoa – imaginem! – dão conselhos no Facebook. Logo eles que jamais deram dicas sobre como viver bem. Eles apenas fizeram literatura. E da boa.</p>
<p>O velho hábito de procurar o culpado&#8230; E vamos tocando o barco. Ou melhor, ajustando a cadeira à tecnologia, o corpo à tecnologia, a visão à tecnologia, o tato à tecnologia, a concentração à tecnologia, a curiosidade à tecnologia e, assim, nos encontramos no Facebook.</p>
<p>Como é gostoso ver os amigos, sobretudo os mais durões, se renderem ao Facebook. A cada dia, um se rende, e o mais divertido é ler depois no status: “Atendendo a pedidos, tou no Facebook!” Ou: “Tive que entrar no Facebook. Paciência!” E: “Já que todos os meus amigos estão no Facebook, eu não serei o único a ficar de fora!” Como se fosse uma fuga em comboio, da noite pro dia, para um lugar diferente. Sem falar nos rendidos contrariadíssimos: “Olá! Add o mais novo babaca, por favor!” E há muitos como eu que decidem entrar no Facebook por causa de um amigo que, afetuosamente, nos convence sobre as suas vantagens como mídia social &#8211; seria esta a minha justificativa, a propósito?</p>
<p>Entre frases e frases, uma eu curti muito: “A inveja tem Facebook!” Achei esta genial &#8211; como está na moda dizer. Depois, pensei: como você é marinheira de primeira viagem. Ora, claro que a inveja tem Facebook! Imagina se a inveja não teria Facebook. Como não? Ela não só teria como não seria a última a ter, sua boba. Talvez ela tenha sido a primeira a tê-lo. E muito empolgada, acabou se tornando sua parceira.</p>
<p>Seria a tal “inveja boa”? Confesso que eu não faço a mínima ideia do que seja, ou possa ser, inveja boa, mas também me pego dizendo, vez por outra: é inveja boa! Pois é ela, a inveja boa, que faz a gente olhar, sem querer, o que fulano, beltrano, sicrano fizeram ou andam fazendo no Facebook. Vemos o que todo mundo faz porque se está lá é pra gente ver quem curtiu o quê, quem comentou o quê – é pra ver, entendeu? Sim, Sra. inveja boa, eu entendi, perfeitamente.</p>
<p>E a famosa curiosidade feminina, a vilã dos conflitos entre mulheres e homens? A eterna culpa de Eva? É muito interessante ver que os homens são, no Facebook, tão curiosos como as mulheres. E igualmente curiosos. Curtem coisas que, antes, só as mulheres curtiam, ou diziam que curtiam. No Facebook, homens e mulheres se parecem bastante e curtem muito as mesmas coisas. Os mesmos lugares. Os mesmos livros. Os mesmos times. Os mesmos músicos. As mesmas divas. Os mesmos poetas. Os mesmos estilistas. As mesmas grifes. As mesmas baladas. As mesmas cenas de cinema. As mesmas pizzarias. E o melhor, nem sei, os mesmos sabores de pizza! Quem sabe? Coisas do mundo mágico do Facebook. Dá pra entender por que o Facebook tem sido apontado como o pivô de separações e divórcios?</p>
<p>Lembrou-me a personagem Anna, do filme <a href="http://www.youtube.com/watch?v=S1GgizgqJVs&amp;feature=related" target="_blank">A culpa é do Fidel</a>, uma francesinha bem adaptada ao seu mundo burguês, que não queria saber dos ideais dos pais. E quando sua babá cubana lhe diz que todas as mudanças que estavam acontecendo eram por causa do Fidel, a garotinha de nove anos de idade conclui que o culpado pelo seu mal-estar era o Fidel. Ela, que temia conhecer a causa pela qual os pais lutavam, interpreta a fala da empregada como verdade, e vendo, a certa distância, o que se passava ao seu redor, sem, no entanto, se envolver, defende-se do engajamento dos pais. Assim, ela não compreende a luta deles, sobretudo os princípios e os direitos por que lutavam.</p>
<p>Momentos. Revelações. Surpresas. Fotos de velhos amigos que não vimos mais, nunca mais, mas nunca mais mesmo e, de repente, nos achamos no facebook! É. O facebook também tem disso. E, curiosamente, há o #prontofaleifaleifaleimesmoedaí? Quando alguém manda um recadinho para outro alguém, que não conhecemos, mas supomos que, para aquela frase, há um destinatário de carne e osso, embora anônimo – assim, a carapuça pode servir para uma montanha de gente? Nunca se sabe.</p>
<br>-- <em>Para saber mais sobre o(a) autor(a) do post, <a href="http://www.amalgama.blog.br/02/2012/culpa-do-facebook/">acesse o Amálgama</a></em> --

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		<title>BBB e além: A revolução não será televisionada</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/01/2012/bbb-e-alem/</link>
		<comments>http://www.amalgama.blog.br/01/2012/bbb-e-alem/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 03:15:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bia Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
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		<description><![CDATA[A arrogância da Globo diante das denúncias contra o BBB prova que ela continua se achando acima de tudo e todos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-8193" title="Pedro Bial no BBB" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/bial.jpg" alt="" width="315" height="265" /></p>
<p>Desde o último domingo vemos como a maior emissora de televisão brasileira não está preparada para lidar com o público de seu programa mais popular. O Big Brother Brasil da Tv Globo está em sua décima segunda edição e pela primeira vez virou caso de polícia. Na madrugada do dia 15, dois participantes (Monique e Daniel) protagonizaram cenas que para muitas pessoas que assistiam o programa naquele momento pareceram ser de um estupro. O programa havia começando há menos de uma semana. As redes sociais explodiram em denúncias, reclamações, xingamentos, discussões, machismo, racismo, misoginia, moralismo e muitas cobranças. E um dos elementos que mais marcou esse caso foi a falta de transparência da emissora para lidar com algo que gerou repercussão negativa para a empresa e patrocinadores.</p>
<p>É claro que várias pessoas já fizeram sexo no BBB em outras edições. Porém, foi a primeira vez que uma das pessoas envolvidas parecia estar muito bêbada e desacordada. Apenas as pessoas que assinam o <em>pay-per-view</em> assistiram ao vivo. Vídeos com as cenas correram pela rede, com a Globo logo atrás retirando-os do ar por violação de direitos autorais. O site oficial não disponibilizou os vídeos. Esse descaso em relação às denuncias foi o que mais marcou. Durante a manhã do domingo, 15, o <a href="http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2012/01/15/monique-nega-ter-havido-sexo-com-daniel-no-bbb-afirma-boninho/" target="_blank">diretor do programa</a> negou a violência sexual e afirmou que estava <a href="http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2012/01/15/boninho-descarta-expulsao-de-daniel-por-suposto-sexo-no-bbb/" target="_blank">descartada a expulsão de Daniel</a>. No programa ao vivo, a edição mostrou o caso como um romance e o apresentador Pedro Bial arrematou dizendo: “<a href="http://televisao.uol.com.br/bbb/bbb12/critica/mauricio-stycer/2012/01/16/mr-edicao-transforma-duvida-sobre-estupro-em-caso-de-amor.htm" target="_blank">o amor é lindo</a>”. Ficou mais do que provado que de <em>reality show</em> o programa não tem nada, pois é totalmente controlado. A emissora provou que pode impor sua versão dos fatos e ignorar totalmente todas as manifestações feitas na internet.</p>
<p>Na segunda-feira, a polícia civil do Rio de Janeiro decide investigar o caso. A Rede Globo <a href="http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2012/01/16/globo-negocia-com-policia-interrogatorio-de-monique-e-daniel/" target="_blank">negocia com os policiais</a> o depoimento de Monique e Daniel. O <a href="http://odia.ig.com.br/portal/diversaoetv/bigbrother_12/html/2012/1/monique_diz_que_nao_lembra_se_fez_sexo_com_daniel_218788.html" target="_blank">áudio do depoimento</a> de Monique vaza, ninguém sabe como, o caso parece ter se tornado o BBBGate. No mesmo dia, <a href="http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2012/01/16/daniel-e-eliminado-do-bbb-por-comportamento-inadequado/" target="_blank">Daniel é eliminado</a> do programa devido a um grave comportamento inadequado, segundo nota oficial da emissora. No programa ao vivo, Pedro Bial <a href="http://televisao.uol.com.br/bbb/bbb12/critica/mauricio-stycer/2012/01/16/acima-do-bem-e-do-mal-boninho-nao-da-satisfacoes-ao-publico.htm" target="_blank">anuncia a eliminação de Daniel</a>, mas sem citar o motivo. Não menciona o suposto caso de estupro, nem a ação da polícia, nem como os outros participantes receberam a notícia. Quem informou o público do programa &#8211; que não possui <em>pay-per-view</em> e que não acessou informações na internet &#8211; foi uma <a href="http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/01/inquerito-apura-se-houve-crime-de-estupro-no-big-brother-brasil.html" target="_blank">matéria do Jornal Nacional</a>. A impressão é de que os participantes estavam proibidos de falar sobre o assunto. O que descobrimos ser verdade com as <a href="http://televisao.uol.com.br/bbb/bbb12/critica/mauricio-stycer/2012/01/20/reality-lembra-1984-e-transforma-daniel-numa-impessoa.htm" target="_blank">declarações de Analice</a>, primeira a sair do BBB.</p>
<p>Sabemos que Monique não viu os vídeos com as cenas que causaram tantos questionamentos. Sabemos que ela nunca afirmou publicamente que tudo foi consensual. O que temos são relatos de seus depoimentos ao diretor do progama e ao delegado. Ela não pode falar com os outros participantes sobre o assunto, não tem contato com sua família ou amigos e terá que elaborar sozinha o que aconteceu. Chega a ser absurdo uma pessoa que está diretamente envolvida com os fatos ser obrigada a ficar totalmente alheia à questão, que provavelmente gera inúmeras dúvidas e questionamentos. Porém, Monique é adulta e, se permanece no programa, é por decisão própria. O caso está sendo investigado pela polícia, e Daniel pode ou não ser indiciado.</p>
<p>Mas e a Globo? Até hoje nada foi informado sobre o caso no programa ao vivo além da eliminação de Daniel. Os diretores e editores já mostraram que vão dar a versão que quiserem para os acontecimentos. Inclusive, já <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,bbb-cria-romance-para-monique,824613,0.htm" target="_blank">criaram um novo romance para Monique</a>. E a recusa inicial em investigar seriamente o caso mostra que há uma imensa prepotência da emissora frente às manifestações públicas contrárias a seus interesses. Mas está claro que as pessoas não aceitarão qualquer versão dos fatos. A emissora pode ter sido a única fonte de informação disponível por décadas, mas a internet mostra-se cada vez mais como espaço que pode subverter o monopólio dos grandes grupos midiáticos.</p>
<p>Há o notório caso em que a Globo é acusada de manipular o debate entre os candidatos Collor e Lula nas eleições presidenciais de 1989. Há outros casos em que ela tentou escrever a história do Brasil de acordo com seus interesses, como nas Diretas Já. Com essa edição do Big Brother Brasil, temos uma prova de que ela não só continua se sentindo acima de tudo e todos, como aperfeiçoou seu modo de operar nesse sentido. Não escutou as redes sociais, as críticas e muito menos respeitou os participantes do programa. Em qualquer <em>reality show, </em>é possível acontecer uma situação como essa. Se o estupro for confirmado, Daniel terá cometido um ato que muitas pessoas em nossa sociedade não condenariam, por mais que seja um crime. O <a href="http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2548&amp;catid=81" target="_blank">debate sobre a questão do <em>date rape</em></a> foi um dos pontos positivos nessa profusão de notícias dos últimos dias. O outro foi que a denuncia de estupro partiu da própria audiência. Isso mostra que, por mais que o Big Brother talvez seja um entretenimento vazio, baseado em baixaria, como tantas pessoas reclamam, seu público &#8211; especialmente o que está presente na internet &#8211; está de olhos abertos para possíveis casos de violência e abuso.</p>
<p>A confusão levanta inúmeras questões em relação à responsabilidade que a Rede Globo tem. Sempre soubemos que poderiam haver brigas nos <em>reality shows</em>, mas acho que nunca pensamos que um crime tão grave como um estupro poderia ser transmitido em tempo real. Acreditamos que, por estarem na televisão, as pessoas não se excederão tanto. Acontece que, não só a Globo, mas também outros canais que possuem concessão pública, exploram a estimulação do combustível álcool + sexo em seus programas.</p>
<p>Por fim, uma observação que seria cômica, se não refletisse a falta de responsabilidade das emissoras de televisão em relação à sociedade e as fracas regras que regulam as concessões públicas de televisão. O Ministério das Comunicações também <a href="http://diversao.terra.com.br/tv/bbb12/noticias/0,,OI5564677-EI19045,00-Ministerio+das+Comunicacoes+pode+interromper+o+BBB.html" target="_blank">entrou no caso</a>. Solicitou à Globo as gravações. As imagens serão analisadas e, se estiverem em desacordo com as finalidades educativas e culturais da radiodifusão e com a manutenção de um elevado sentido moral e cívico, as infrações serão apuradas, podendo resultar na interrupção dos serviços. Quantos programas veiculados em canais abertos, ou mesmo em canais fechados, estão em acordo com as finalidades educativas e culturais da radiodifusão? Não me atrevo a tentar definir o que seria um programa com elevado sentido moral e cívico, mas o fato é que no momento estamos em luta com uma empresa que detém o maior monopólio de informação do país. E com esse <em>affair</em> BBB, podemos ter ganho uma batalha importante. Talvez a Globo perceba que seu público não é mais o mesmo, que as informações não podem mais ser controladas como antes e que as reações são imediatas nas redes sociais. Mas apenas talvez. Pela postura arrogante e centralizadora que acabamos de ver, o provável é mesmo que ela perca o jato da revolução digital.</p>
<br>-- <em>Para saber mais sobre o(a) autor(a) do post, <a href="http://www.amalgama.blog.br/01/2012/bbb-e-alem/">acesse o Amálgama</a></em> --

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		<title>A condição da mulher no mundo</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/11/2011/mulher-no-mundo/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 22:45:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bia Cardoso</dc:creator>
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		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a mulher]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro de mais de mil páginas traz um amplo balanço dos desafios das mulheres em todos os continentes]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7657" class="wp-caption alignnone" style="width: 210px"><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8574321184" target="_blank"><img class="size-full wp-image-7657 " title="O livro negro da condição das mulheres" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2011/11/livronegro.jpg" alt="" width="200" height="297" /></a><p class="wp-caption-text">-- &quot;O livro negro da condição das mulheres&quot;, de Christine Ockrent (dir.) e Sandrine Treiner (coord.) --</p></div>
<p>Por mais que algumas pessoas digam que as mulheres já conquistaram todos os direitos, não é isso que os dados mostram. De acordo com os dados recém divulgados do <a href="http://www.censo2010.ibge.gov.br/" target="_blank">Censo 2010</a> do IBGE, há no Brasil 3.941.819 milhões de mulheres a mais que homens. Um número que impressiona. Para cada grupo de 100 mulheres existem 96 homens. Mesmo sendo maioria na população as mulheres lidam diariamente com a violência, a desigualdade nas relações, o medo, a insegurança e a falta de liberdade. As zonas de sombra que atravessam as vidas das mulheres são o principal assunto do <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8574321184" target="_blank">Livro negro da condição das mulheres</a></em>, um calhamaço de 822 páginas de texto com o objetivo de falar abertamente sobre as injustiças que afligem as mulheres no mundo de hoje.</p>
<p>O livro é uma publicação francesa, composto por 56 artigos e divido em cinco partes: segurança, integridade, liberdade, dignidade e igualdade. O objetivo é ser abrangente, mas a maioria dos artigos trata da realidade de países africanos, árabes e asiáticos quando o assunto é violação de direitos humanos, e da Europa quando trata de relações de gênero igualitárias. O continente americano só tem destaque devido aos casos de feminicídio no México e Guatemala, além da política de George W. Bush. Entre os assuntos mais abordados estão: mutilação genital, casamento forçado, violência doméstica, infanticídio feminino, exploração sexual, crimes de guerra, tráfico humano e feminicídio. Por mais que tudo pareça extremamente triste e longe de um fim, a mensagem final é de que há esperança, pois sempre há mulheres lutando e conquistando novos espaços.</p>
<p>A organizadora <a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Christine_Ockrent" target="_blank">Christine Ockrent</a> e a coordenadora <a href="http://www.franceculture.fr/personne-sandrine-treiner" target="_blank">Sandrine Treiner</a> são jornalistas e escritoras. A maioria dos artigos, portanto, não tem um teor acadêmico, possui mais estética de reportagem. Os artigos são curtos, com uma média de 15 páginas. Isso evidencia a preocupação em fazer um livro grande, mas de fácil acesso, um documento de denúncia das condições desprezíveis e indignas com as quais muitas mulheres vivem. Logo no prefácio avisam: não há religião ou costume que justifique o assassinato, a mutilação, a tortura, o estupro ou a execução de uma pessoa apenas por ela ser uma mulher. Não são puristas do etnicismo e não aceitam a acusação de imperialismo cultural. A diversidade cultural deve ser preservada, mas não ignorando os direitos humanos mais elementares. O que deve prevalecer no final é a integridade e dignidade da mulher.</p>
<p>Segurança é o tema da primeira parte do livro, um olhar sobre os atentados à segurança das mulheres. O infanticídio de meninas em países como Índia, Paquistão e China provocam um desequilíbrio social, mas também ameaças econômicas, pois não há mulheres para aumentar os índices populacionais. Quando sobrevivem, muitas meninas são exploradas por meio do trabalho escravo ou da prostituição. O estupro é uma das grandes armas de guerra. Porém, não é só o inimigo que as mulheres devem temer. Dentro de suas casas, a maioria dos agressores está na própria família. Em nome da honra, mulheres são mortas e evitam fazer denúncias. Há várias reportagens sobre crimes de honra nos países mulçumanos e na Europa. E dois textos sobre o assassinato em massa de mulheres em Ciudad Juárez no México e na Guatemala.</p>
<p>A segunda parte foca na questão da integridade física das mulheres. O corpo das mulheres é muitas vezes propriedade do pai, que passa para o marido como uma transferência de bens. Em todos os continentes, diariamente, mulheres são estupradas. Aos olhos de seus agressores, são apenas objetos. E infelizmente, é no universo familiar e conjugal que as mulheres mais correm perigo. Mutilações sexuais advindas de tradições culturais ferem e decepam a sexualidade de milhares. A contaminação pelo vírus HIV cresce, agravada pela pobreza, conflitos, prostituição e violências sexuais.</p>
<p>A liberdade é o tema do terceiro capítulo. Na África, no mundo árabe, na Ásia e em algumas comunidades as mulheres não têm liberdade para ir e vir. Não podem escolher com quem casar ou decidir como querem viver suas vidas. Não possuem direito a heranças e nem propriedades. O véu torna-se símbolo de um debate muito maior. A liberdade de dispor do próprio corpo mostra-se muitas vezes uma conquista frágil, especialmente com o crescimento do conservadorismo político e cristão. Mesmo na Europa, o direito ao aborto é muitas vezes contestado. Os direitos civis das mulheres permanecem desrespeitados. Destaque nessa parte para duas reportagens: as feministas no Irã e os jogos olímpicos islâmicos. Pequenos símbolos de resistência e mudanças.</p>
<p>Na quarta parte, os textos tratam sobre dignidade, o direito fundamental que define o mundo civilizado e o ser humano. O tráfico de mulheres cresce mundialmente. O comércio é uma atividade extremamente lucrativa, com bases na pobreza, no infortúnio e na ignorância de pessoas excluídas socialmente. A prostituição e o turismo sexual exploram crianças e adolescentes sem nenhuma lei. As adultas, quando presas, enfrentam regimes carcerários cruéis e humilhantes. A questão da prostituição é um dos temas mais discutidos do capítulo; há inclusive descrições de debates na ONU sobre o tema. Não é uma questão simples, mas o que está em jogo é a exploração sexual de mulheres.</p>
<p>Na última parte, o assunto principal é a igualdade dos sexos. O direito ao voto, a representação política e condições iguais no mercado de trabalho são conquistas que beneficiaram muitas mulheres. Porém, no geral elas são mais pobres que os homens. E mesmo nos países ocidentais, considerados modernos e cosmopolitas, a revolução continua inacabada. Enquanto a dupla ou tripla jornada feminina existir, não há igualdade. A mulher não pode ser a principal e única responsável pelos cuidados com o lar, as crianças e os idosos. A igualdade dos sexos também é condição primordial para o desenvolvimento econômico, social e pessoal. Destaque para a reportagem &#8220;O microcrédito no mundo, uma ferramenta a serviço das mulheres.&#8221;</p>
<p>O livro traz diversas estatísticas, depoimentos e reportagens especiais que escancaram a situação difícil, perigosa e indigna em que muitas mulheres vivem. Simplesmente nascer mulher é um fator de risco constante em todo o mundo, além de ter um valor menor atribuído a seu trabalho e baixa representatividade política. Porém, sempre há focos de resistência e desejo de mudança. Em 1999, a ONU decretou o dia 25 de novembro como Dia Internacional Pelo Fim da Violência Contra a Mulher. A data é uma homenagem às <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Irm%C3%A3s_Mirabal" target="_blank">irmãs Mirabal</a>, que em 1960 foram perseguidas e assassinadas pela ditadura da República Dominicana. Essa data existe para não esquecermos as injustiças cometidas contra as mulheres. Assim como esse livro, é mais uma ferramenta na luta por direitos humanos universais.</p>
<p>::: <strong><em>O livro negro da condição das mulheres</em></strong> :::<br />
::: <strong>Christine Ockrent</strong> (dir.) e <strong>Sandrine Treiner</strong> (coord.) ::: (trad. Nicia Bonatti) :::<br />
::: <strong>Bertrand Brasil</strong>, <strong>2011</strong>, <strong>1.190 páginas</strong> :::<br />
::: <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/23940388/livro+negro+da+condicao+das+mulheres,+o/?franq=265122" target="_blank">compre no Submarino</a> ou <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8574321184" target="_blank">na Livraria Cultura</a> :::</p>
<br>-- <em>Para saber mais sobre o(a) autor(a) do post, <a href="http://www.amalgama.blog.br/11/2011/mulher-no-mundo/">acesse o Amálgama</a></em> --

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		<title>Os medos de fêmeas e machos</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 15:55:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bia Cardoso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[homens]]></category>
		<category><![CDATA[homens e mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>

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		<description><![CDATA[Acho bom que os estereótipos de homens e mulheres estejam em crise. Mas há quem se aborreça]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-7682" title="Meninas e meninos" src="http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2011/11/women-men.jpg" alt="" width="500" height="281" /></p>
<p>As pessoas costumam repetir por aí que o homem está perdido, não sabe mais qual o seu papel. Que a mulher está confusa e não sabe o que quer. Ouve-se ao longe os gritos de súplicas: Onde está o homem com H maiúsculo? Por onde anda a mulher doce e meiga que sonha em fazer uma comidinha caseira para o marido? As revistas questionam sempre com um tom decepcionado, perguntando: o que fazer agora?</p>
<p>Mas por que nos decepcionar com a mudança de papéis sociais? Por que nos entristecer com o fim de papéis sociais que não cabem mais em nossos bolsos como “o chefe de família”? Acho extremamente revigorante que a sociedade esteja mudando, que homens e mulheres estejam em crise quanto a estereótipos que não explicam mais nada sobre as relações humanas. Porém, muita gente parece estar aborrecida com isso.</p>
<p>Este mês caíram em minha mãos duas reportagens que falam sobre o medo de ser fêmea e o que é ser homem. Será que existe uma resposta para essas perguntas &#8212; o que é ser mulher ou homem? Acredito que não. Por mim viveríamos numa imensa <a href="http://revistatrip.uol.com.br/revista/204/trip-girls/muito-amor-pra-dar.html" target="_blank">amoreba</a>. Mas as pessoas insistem em perguntar: mas se nascer uma criança, é filho de quem? A amoreba vai pagar escola e cuidar quando estiver doente? As pessoas parecem não entender que toda pegação será justificada. Mas voltemos aos nossos medos primitivos.</p>
<p>Na matéria &#8220;<a href="http://www.istoe.com.br/reportagens/168011_APRENDENDO+A+SER+MULHER?pathImagens=&amp;path=&amp;actualArea=internalPage" target="_blank">Aprendendo a ser mulher</a>&#8220;, da revista <em>IstoÉ</em>, a solução para o aterrorizante medo de ser fêmea está em cursos que ensinam a recuperar a essência da feminilidade. Pensava que bastava ver televisão ou ler uma revista feminina? Há algo ali que foge da clássica feminilidade? Há mulheres vestidas de caminhoneiras coçando saco e jogando pôquer nos editoriais de moda? Não há. Mas vamos tentar entender qual o problema: “As mulheres estão fortes, poderosas e mentais, o que é ótimo”, explica a matéria. “O problema é que se masculinizaram tanto que temem ser fêmeas.”</p>
<p>Onde as mulheres se masculinizaram? No excesso de botox? Na busca eterna pela juventude? Nas dietas malucas? Mulheres não são agressivas? Não podem ser competitivas? E por que não pensar em equilibrar isso nos homens? Que tal homens mais sensitivos e sensíveis? Será impossível ou precisaremos sempre de cursos para exercitar aquilo que nos é podado diariamente?</p>
<p>Do lado dos homens, a afirmação da matéria &#8220;<a href="http://www.revistadacultura.com.br:8090/revista/rc52/index2.asp?page=capa" target="_blank">Afinal, o que é ser homem?</a>&#8220;, na <em>Revista da Cultura</em>, é: o macho está perdido. Pergunto: os machos estão perdidos sendo a grande maioria do Congresso Nacional? Os machos estão perdidos no comando das maiores empresas do país? Os machos estão perdidos vendo mulheres se desdobrando em duplas ou triplas jornadas? Acredito que não. Porém, vamos considerar que eles possam estar perdidos nos relacionamentos, afinal as pessoas insistem em acreditar em fórmulas racionais que façam uma pessoa ser feliz com outra. E o mais surpreendente é que lésbicas também devem estar com medo de serem fêmeas e gays também devem estar perdidos. Ou será que a heterossexualidade é o único elemento em crise? Hum&#8230;</p>
<p>Respostas para todas essas perguntas não são meu objetivo. Quero justamente embaralhar sua cabeça no meio da amoreba, para dizer: somos humanos. Já passamos do tempo de saber o que uma mulher ou um homem faz ou deve fazer. Há mulheres que nunca cozinharam e adoram andar de <em>skate</em>. Há homens que não se interessam por carros e gostam de morar na praia. Há mulheres que adoram seus cabelos compridos e fazem aplicativos para celulares. Há homens que trocam fraldas e assistem futebol com a mãe. Há mulheres que fazem kung fu e são mães solteiras. Há homens que adotaram uma criança e viajam com ela pelo mundo. Há mulheres que moram em favelas e dirigem caminhões. Há homens encarcerados que desenham flores nas paredes. Não há mais espaço para medos, porque com medo não ultrapassamos os limites do ser mulher ou homem. Somos muito mais que isso.</p>
<p>É preciso descascar todas essas definições de homem e mulher justamente para atingir a igualdade de direitos. Não uma igualdade sem diferenças, mas uma igualdade que represente uma sociedade justa e acolhedora. Sem medos e preconceitos. Compartilhando com todos os espaços de decisão e liderança. Fêmeas e machos, deixem de lado seus medos e inseguranças. Somos todos imperfeitos, mas podemos sonhar com o amor, a única forma possível de perfeição.</p>
<br>-- <em>Para saber mais sobre o(a) autor(a) do post, <a href="http://www.amalgama.blog.br/11/2011/os-medos-de-femeas-e-machos/">acesse o Amálgama</a></em> --

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		<title>Aprendendo português: uma trajetória</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 17:20:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elena Como</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoalidade]]></category>
		<category><![CDATA[brasilianistas]]></category>
		<category><![CDATA[estrangeiros no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>

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		<description><![CDATA[O Brasil me chamou quando eu era adolescente e, depois daquela época, nunca deixei de adorar a cultura brasileira e a língua portuguesa]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cresci na área da Baía de San Francisco, Califórnia, e no meu colégio somente podíamos estudar espanhol ou francês. Por isso estudei espanhol por seis anos. Morando na Califórnia, com vizinhos peruanos, um restaurante mexicano super popular na esquina e vários amigos e colegas hispano-falantes, achava muito bom estudar espanhol.</p>
<p>Mas, pouco a pouco, o Brasil começou a me chamar. Quase não percebi. Primeiro a minha irmã mais velha teve uma companheira de quarto baiana na universidade. Ela levava esta companheira de quarto e outra amiga mineira para casa, e a gente começou a ouvir aquele sotaque bonito do brasileiro falando inglês. Trocamos vocabulário e letras de músicas, em português e inglês.</p>
<p>No verão, me encontrei de repente dentro de uma comunidade de capoeiristas! Estava lavando louça no refeitório em uma colônia de férias, e vivendo lá na colônia. A maioria dos grupos que chegava e passava uma semana lá na floresta era de músicos: as crianças que tocavam instrumentos, depois os adolescentes, depois as famílias dos músicos, e um grupo de dançarinos. No final do verão, uma turma de capoeiristas e músicos de Berkeley, chamado <a href="http://www.calbrazilcamp.com/" target="_blank">California Brazil Camp</a>, chegou. Todo dia depois do trabalho eu assistia a uma roda de capoeira ou um concerto de música brasileira. Fiquei encantada com a capoeira!</p>
<p>No outono do meu último ano de colégio, descobri que os capoeiristas treinavam na Universidade da Califórnia em Berkeley, bem perto da minha casa, e resolvi treinar com eles. Foi nas aulas que comecei a falar um pouco de português, cantando as canções de capoeira. Eu adorava as letras, e ficava traduzindo e aprendendo o que significavam: “Sou da Bahia, eu sou lá de Itabuna/ Terra do Mestre Magrelo, Luiz Medicina e também Suassuna.” Era muito divertido jogar capoeira e cantar em português. No verão seguinte, fui “batizada” com o cordão verde de iniciante, e voltei à California Brazil Camp como capoeirista.</p>
<p>Foi depois daquele verão que comecei a minha vida universitária, na Universidade da Califórnia em Santa Cruz. Pensei em estudar física, mas acabei estudando matemática. No segundo trimestre, resolvi ter uma aula de espanhol, mas quando cheguei, a sala estava completamente lotada e não pude assistir. Procurei outras opções na agenda de aulas, e descobri uma aula de português para iniciantes. Resolvi ir à aula e ver.</p>
<p>E foi assim que conheci a Ana Maria Seara, professora muito divertida, muito simpática, que dava aulas super interessantes. Vi vários filmes brasileiros para as aulas de português, e a gente tinha um bate-papo semanal no campus. Eu treinava capoeira com o mestre local lá de Santa Cruz e acabei conhecendo outros estudantes de português e alguns brasileiros. Estava adorando. Depois daquele trimestre, continuei a estudar português. Acabei cursando todas poucas aulas de Ana, pois ela era a única pessoa que ensinava português na UCSC, e depois resolvi ir ao Brasil como estudante de intercâmbio. Passei o ano de 2001 no Rio de Janeiro, estudando matemática, português, um pouco de história brasileira e florestas tropicais na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.</p>
<p>Finalmente conheci o Brasil. O dólar estava muito forte naquela época, e por isso consegui percorrer o país. Ainda lembro como foi mágico ver um bando barulhento de tucanos voando sobre minha cabeça na manhã de Páscoa. Parecia que eles flutuavam no ar, com aqueles bicos grandes em frente, voando sob o sol da manhã.</p>
<p>Depois de voltar para os EUA, acabei ficando mais um ano na universidade, para poder completar dois cursos (meu bacharelado é em matemática e estudos brasileiros). Vim para Nova Iorque porque sempre pensei em morar aqui. Moro no bairro de Astoria, no Queens, e aqui temos supermercados onde se pode comprar pão de queijo e guaraná. Há uma comunidade grande de brasileiros.</p>
<p>Sou <em>Brazilophile</em>, brasilianista, estudante e admiradora das culturas lusófonas. Estou feliz porque no meu trabalho, na <a href="http://atlanticobooks.com/" target="_blank">Atlantico Books</a>, consigo falar português todos os dias. Visitei Portugal três vezes e conheci um pouco da cultura e do país, e também consegui voltar ao Brasil e conhecê-lo melhor: o carnaval do Rio de Janeiro, as cataratas de Foz de Iguaçu, e as cidades de Campinas e São Paulo. O Brasil me chamou quando eu era adolescente e, depois daquela época, nunca deixei de adorar a cultura brasileira e a língua portuguesa.</p>
<p>&#8212;&#8212;<br />
<em>Este post é um capítulo (ligeiramente editado) do primeiro volume de <a href="http://atlanticobooks.com/index.php?page=shop.product_details&amp;product_id=9540&amp;flypage=flypage.tpl&amp;pop=0&amp;option=com_virtuemart&amp;Itemid=18&amp;vmcchk=1&amp;Itemid=18" target="_blank">Ao redor do mundo: Leituras em português</a>, organizado por Elena Como.</em></p>
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