Elogio da inutilidade
15–03–2010
por Fernando da Mota Lima * – George Steiner ressalta num dos seus ensaios extraordinários a força corruptora que um regime totalitário – o nazismo, no caso – exerce sobre a língua que falamos. Antes de tudo, ele corrompe a possibilidade de a utilizarmos para expressar a verdade. Embora não exista felizmente nenhum regime totalitário regendo nosso presente, há no entanto certas características dele rondando obscuramente nossas vidas. Consideremos novamente o problema da linguagem. Mais
O isolamento universal do erudito
12–03–2010
por Diego Viana – Ficções de um gabinete ocidental é apresentado como uma coletânea de ensaios do poeta, tradutor, editor e historiador Marco Lucchesi. Essa apresentação me deixou em dúvida sobre até que ponto se pode esticar o conceito de “ensaio” para incluir entrevistas, prefácios, introduções e intervenções em colóquios. Muitos dos textos, por exemplo, têm o fito único de remeter a outra coisa (o tema de um seminário, por exemplo) e pressupõem uma audiência ao corrente, ou seja, a pares do autor, já mergulhados num universo comum de diálogo. Reunidos em livro, os textos acabam passando por apêndices flutuando entre as páginas, o que não deixa de ser um desperdício. Mais
Sexo e pizza, quando são ruins…
10–03–2010
por Camila Pavanelli – Às vezes sou obrigada a concluir que só eu passei por certas experiências na vida. Não dá para pensar outra coisa quando ouço o ditado “sexo é que nem pizza – quando é ruim, é ótimo!”. Será que só eu já comi pizza da Domino’s, meu Deus? Só eu sei o que é uma pizza borrachenta cujo óleo deve ser escorrido antes que ela possa ser degustada? Mais
A autoridade da Bíblia na tradição protestante
9–03–2010
por André Tadeu de Oliveira * – A Bíblia é fonte de fé e base para a elaboração doutrinária de todos os ramos do cristianismo. Estudiosos bíblicos de renome são encontrados no catolicismo-romano e na ortodoxia oriental. Porém, é no protestantismo que este livro atingiu seu maior grau de autoridade. O famoso lema “Sola Scriptura” (Somente as Escrituras), denota a supremacia bíblica sobre outros elementos importantes da vivência cristã no mundo evangélico. Assim, para o protestante, a Bíblia é a máxima autoridade religiosa. Todo o resto se encontra subordinado a ela. Mais
Quem fala por você, mulher?
7–03–2010
por Viviane Moreira * – O cinema brasileiro volta e meia nos conta histórias de mulheres e crianças sacrificadas pela pobreza e invisibilidade. O homem vai embora e a subsistência da família recai sobre os ombros da mulher. A angústia da incapacidade de prover toda a família pesa e corrói a alma. A leveza se acanha com os rastros do abandono. A arte nos aproxima do enredo de vidas confinadas na pobreza. Mais
A mesquita
5–03–2010
por Eustáquio Gomes – Na manhã de 11 de setembro de 2001, em Nova York, dois aviões de carreira arremeteram contra duas torres comerciais geminadas, de 110 andares cada uma, transformando-as em escombros. Morreram mais de três mil pessoas. Uma organização islâmica assumiu o atentado. Depois se falou que ali começara o século 21. O velho achou que aquilo era mais do que sua paciência podia suportar. Desligou a TV e voltou para a cama. Costumava dizer que para ser capaz de tolerar a tola agitação humana, esta insensata turbulência a que chamam História, precisava de um distanciamento de pelo menos meio século. Sendo assim, retornava de bom grado ao estado de inconsciência. Mais
Marília e as mulheres que amam demais
4–03–2010
por Juliana Dacoregio – A nova edição de Eu que amo tanto, de Marília Gabriela, traz um equívoco logo de saída. Uma foto enorme da autora e seu nome em letras garrafais estampados na capa, o que pode levar observadores menos atentos a supor tratar-se de uma autobiografia da jornalista. Letras menores e posfácio informam do que realmente trata a obra. São relatos reais de 14 mulheres que sofrem do mesmo problema: amar doentiamente. A autora as conheceu em uma reunião do MADA (Mulheres que Amam Demais), um grupo de apoio nos moldes do AA, que preza o anonimato e ajuda mulheres a superarem problemas decorrentes de paixões destrutivas. Os depoimentos foram colhidos por Marília e transformados em livro. Mais
Mulher, com cabeça e tudo
26–02–2010
por Marli Gonçalves * – Começou. Vem de todos os lados. De um dia, ou melhor, de um mês para outro, a mulher entra na ordem do dia, quase mais que no Carnaval, quando o importante é ter peito e bunda, e sacudir os dois. Mais
Confissões de um evangélico progressista
17–02–2010
por André Tadeu de Oliveira * – Nasci em um lar religiosamente misto. Meu pai, um típico católico-romano brasileiro, cuja religiosidade não passava de uma confissão meramente teórica, nunca se importou com assuntos relativos à espiritualidade. Mamãe, já falecida, era completamente o oposto. Metodista fervorosa, sempre me atraiu com sua fé e compromisso para com o próximo. Ao contrário de várias pessoas religiosas, não era moralista ou repressora, sempre exibindo um sincero e cativante sorriso. Mais
O Clássico Classe Média
5–02–2010
por Lelê Teles – O Clássico Classe Média tem os olhos voltados para a Europa e para o Esteites. E fecha os olhos e os ouvidos para os parentes pobres no Brasil. Parente pobre todo mundo tem, mas o Clássico Classe Média tem horror a eles. A empregada doméstica é o único contato que tem com os pobres, embora com ela não tenha contato nenhum, a não ser quando o adolescente resolve encochá-la na cozinha, exatamente como se fazia na Casa Grande. Mais


