Igreja Católica mente na guerra contra os preservativos

11–03–2010

[crédito: European Pressphoto Agency]por Daniel Lopes – Você acredita que o Ministério da Saúde das Filipinas distribuiu preservativos para os jovens?

Que inapropriado, não?

Ainda bem que eles contam com uma Igreja Católica forte e atuante. A filial da corporação no país disse que essa política é “imoral” (claro) e que a ministra da Saúde, Esperanza Cabral, “não pode influenciar os jovens filipinos” (isso porque ela é ministra de um governo democraticamente eleito; se estivesse a mando da teocracia do Vaticano, estaria livre para influenciar quem quisesse). Mais

Giora Becher e a hipocrisia sem fim

22–01–2010

por Victor Barone — O jornal Correio do Estado (MS) publicou na terça-feira (19) o artigo “Para onde segue a paz”, assinado pelo embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher. Publicado originalmente no dia 2 de janeiro, n’ O Globo, o artigo é uma peça de ficção de péssima qualidade. Mais

David Grossman contra as trevas

3–01–2010

por Daniel Lopes – “Às vezes eu sinto como se estivesse escavando as pessoas do gelo em que a realidade as prendeu”. Este é o escritor israelense David Grossman, e há muitas outras belas imagens nos textos de Writing in the dark, reunião de ensaios e palestras recentes sobre literatura e política. Veja só, na frase acima Grossman fazia referência à sua ficção, mas fica claro da leitura de seus escritos políticos que também lá a intenção é arrancar (principalmente) seus compatriotas do gelo em que foram metidos ou se meteram. Mais

Réquiem para Copenhague

15–12–2009

por Guilherme Scalzilli * - Terão esses jovens privilegiados uma vaga ideia de quão genérica, imponderável e distante é a plataforma pela qual se mobilizam ferozmente? Saberão que fazem parte de uma encenação cujos antagonistas, estranhamente complementares, servem apenas para conferir estatuto oficioso aos tradicionais documentos inofensivos, com os mesmos compromissos vagos? Mais

Em nome da pureza

7–12–2009

por Dan Batista * – Um princípio, se tomado como absoluto e inquestionável símbolo da pureza e da bonomia, tende a incutir em seus adeptos uma perigosa sensação de correção e superioridade, já que lhes rende uma certeza irrefutável – seja de natureza política, moral, religiosa etc – da qual outras pessoas ou grupos não compartilham. É isso que a limpidez da narrativa e do suave preto-e-branco de A Fita Branca, filme de Michael Haneke vencedor da Palma de Ouro deste ano, tenta nos dizer gritantemente. Mais

As três faces obscuras do regime de Mahmoud Ahmadinejad

23–11–2009

por Victor Barone – O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, chega ao Brasil nesta segunda-feira para uma visita oficial de um dia. Além de encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), Ahmadinejad virá acompanhado de 200 empresários. Mas não é o roteiro de Ahmadinejad que chama a atenção. O que tem eriçado a opinião pública são as políticas adotadas pelo presidente iraniano. Ahmadinejad executa homossexuais, frauda eleições, tortura opositores políticos, sustenta economicamente países falidos como Cuba e Nicarágua, para transformá-los em massa de manobra geopolítica. Ahmadinejad preside um país onde os direitos humanos não são respeitados, onde minorias religiosas e as mulheres são discriminadas. Mais

Irã, ameaça mundial?

22–11–2009

Jeff Nygaard, no Counterpunch / 11 de novembro de 2009

A atual histeria sobre as armas nucelares iranianas tem um sentido, mas este sentido está quase que completamente obscurecido pela propaganda oficial. O primeiro passo no esforço para se livrar da propaganda é considerar quais países já possuem armas nucleares. E o segundo passo é olhar um mapa do Sudoeste asiático. Mais

Shimon Peres é Shimon Peres. Ahmadinejad é Ahmadinejad

11–11–2009

por Daniel Lopes – Shimon Peres, presidente de Israel, está no Brasil para uma visita de cinco dias. Na montanha de referências a seu nome que saiu nos sites de jornais nas últimas horas, não notei nenhum tom crítico. Peres já discursou no Senado, já ganhou título de Cidadão Honorário de Brasília, já criticou o Irã e logo vai com seu teatro para Rio e São Paulo. Onde estão os jornalistas e comentaristas brasileiros amigos da paz mundial, que ainda há pouco babavam contra o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, o Demônio, e sua adiada visita ao Brasil? Algo me diz que nos próximos dias o presidente israelense será tratado com tapete vermelho nas páginas de jornais, revistas e nos noticiários da tevê. Prevejo que será como se o príncipe de Mônaco circulasse pelo território nacional. Me permito listar alguns fatos que, suspeito, não serão destaque na mídia pacifista brasileira. Mais

Vinte anos depois de Berlim, outros muros ainda nos envergonham

9–11–2009

por Victor Barone

Terrível! Esta fronteira de pedra ergue-se… ofende
os que desejam ir para onde lhes aprouver
não para um túmulo de massa
um povo de pensadores.

Volker Braun, 1965

Hoje, 9 de novembro, precisamente às 23h, completa-se 20 anos que um dos maiores símbolos do totalitarismo veio abaixo como um castelo de cartas soprado por uma criança. O Muro de Berlim, conseqüência direta da ilusão de que o socialismo pode ser imposto de cima para baixo, durou 28 anos (do dia 13 de agosto de 1961 ao dia 9 de novembro de 1989), custou a vida de centenas de pessoas e condenou a uma divisão forçada quatro milhões de seres humanos que, até então, dividiam uma identidade. Na prática, uma cidade que até então funcionava como um único organismo urbano foi cortada ao meio com o bloqueio de 81 pontos de cruzamento e 193 ruas, separando famílias, amigos e casais, afastando trabalhadores dos seus empregos, estudantes de suas escolas. Mais

O fascismo de Jonah

27–10–2009

Scott Horton, na Harper’s Magazine / 17 de fevereiro de 2008

[ resenha de Liberal fascism (Doubleday, 2008), publicado agora no Brasil com o título Fascismo de esquerda (Record, 2009) ]

(…) O livro de Jonah Goldberg certamente não é o pior dos piores. Mas é incrivelmente ruim. O fato de ter sido publicado por uma editora de ponta e ser oferecido como assunto para debate em programas de tevê diz algo bastante profundo acerca de nossa cultura – algo não positivo, temo. Mais

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