Estrela cadente

6–08–2010

por Juliana DacoregioA Vida Secreta de Marilyn Monroe, biografia escrita pelo renomado biógrafo de estrelas, J. Randy Taraborrelli, narrando a trajetória de Norma Jeane até tornar-se Marilyn Monroe, mostra um lado de Marilyn que não estamos acostumados a ver. Claro que está lá também a Marilyn conhecida do grande público: desconcertantemente bela, com jeito de sonsa e desequilibrada a ponto de afundar-se em barbitúricos. Mas que monstros eram esses que a faziam engolir pílulas para dormir, relaxar ou acordar como se fossem balinhas? Até que ponto ela era mesmo o estereótipo da “loura burra” ou apenas usava-o a seu favor? São essas e outras perguntas que Taraborrelli responde ao longo das mais de 400 páginas de A Vida Secreta. Mais

Martelou a mãe e escreveu um livro

15–07–2010

por Juliana DacoregioTudo que você não soube (2007) foi o sétimo romance de Fernanda Young, escritora, apresentadora de TV e polêmica em tudo que faz ou fala. Diz-se de Fernanda que ou você a ama ou a odeia. Discordo. A importância dessa mulher-polêmica é justamente o fato de não caber em simplificações do tipo “ame ou odeie”. Eu, por exemplo, às vezes a considero chatíssima, mas mesmo assim não deixo de admirá-la, de concordar com muitas de suas posturas e me identificar com o que ela escreve. Enfim, na minha opinião, esse negócio de “ame ou odeie” é para os fracos. Emocionalmente e intelectualmente falando. Mais

Reflexão sobre as mães a partir do filme “Tempo de Despertar”

9–05–2010

por Juliana Dacoregio – Após alguns minutos assistindo Tempo de Despertar eu já estava chorando copiosamente. Nenhuma tragédia quanto ao destino dos personagens havia sido apresentada. Coisas sutis me emocionaram. Um médico que só havia trabalhado com pesquisa e que, mesmo precisando de emprego, quase chega a desistir de uma oportunidade de trabalho porque teria de lidar com seres humanos de verdade. A maneira com que esse mesmo médico lida com uma situação que seria considerada fracasso para a maioria das pessoas. (Ao falar sobre o tipo de pesquisa que estava desenvolvendo, outro médico retruca: Mas realizar isso é impossível!, ao que ele responde: – Eu sei que é impossível. Eu provei isso.Ou seja, ao invés de se envergonhar diante do fato de ter passado 5 anos de sua vida tentando fazer algo, que desde o início muitos consideraram impossível, ele encarou a frustrada experiência como o que ela era exatamente: experiência!) Mais

O casamento de Rachel: Uma história sem culpados, nem inocentes

7–04–2010

por Juliana Dacoregio – Impossível não sentir uma certa antipatia por Kym, personagem de Anne Hathaway, nos primeiros momentos de O casamento de Rachel (2008), filme dirigido por Jonathan Demme – mesmo diretor de De Caso com a Máfia (1988), O Silêncio dos Inocentes (1991) e Filadélfia (1993). Apesar de ter passado quase toda a sua vida drogada, alcoolizada ou em clínicas de reabilitação, Kym tem o suporte e aceitação de sua família para se recuperar. Família esta que procura encarar a vida de forma otimista, mas que se tornou claramente desestruturada à custa dos estragos causados pelo vício de Kym. Mais

Mundos desconexos que fazem todo sentido

9–03–2010

por Juliana Dacoregio – No realismo fantástico, monstros podem aparecer em salas de espera de consultórios médicos, engolidoras de espadas podem engolir muito mais do que espadas e espelhos podem refletir imagens distorcidas. Já no realismo, mesmo que repleto de metáforas, há escritores de best-sellers que odeiam seu próprio sucesso a ponto de viver uma vida miserável, poetas que só conseguem poetizar através de seus fluidos corporais e inspirações que custam a chegar, mas não passam de lugares-comuns. O fantástico e o real também podem se misturar, afinal é improvável, mas não impossível que uma estudiosa de lingüística leve seu ofício ao pé da letra. Mais

Marília e as mulheres que amam demais

4–03–2010

por Juliana Dacoregio – A nova edição de Eu que amo tanto, de Marília Gabriela, traz um equívoco logo de saída. Uma foto enorme da autora e seu nome em letras garrafais estampados na capa, o que pode levar observadores menos atentos a supor tratar-se de uma autobiografia da jornalista. Letras menores e posfácio informam do que realmente trata a obra. São relatos reais de 14 mulheres que sofrem do mesmo problema: amar doentiamente. A autora as conheceu em uma reunião do MADA (Mulheres que Amam Demais), um grupo de apoio nos moldes do AA, que preza o anonimato e ajuda mulheres a superarem problemas decorrentes de paixões destrutivas. Os depoimentos foram colhidos por Marília e transformados em livro. Mais

Cinema não é apenas belas imagens, ou De como James Cameron foi refilmar Dança com Lobos lá em Pandora

14–02–2010

por Juliana Dacoregio – E então fui assistir o onipresente Avatar. Numa sala grande, em 3D, para que a experiência fosse completa. A expectativa era grande, já que no dia do lançamento e nas semanas subseqüentes não se falava sobre outra coisa no Twitter, na TV e em sites especializados. Alguns espectadores chegaram a dividir suas vidas em pré e pós-Avatar, muitos desembolsaram o valor do ingresso mais de uma vez para rever o longa e, como o filme não foi lançado em minha cidade simultaneamente à estréia nacional, uma galera se deslocou quilômetros para não ter de esperar. Críticos e jornalistas exaltaram a tecnologia utilizada no filme e a capacidade do roteirista e diretor James Cameron de criar todo um novo mundo e uma nova linguagem. Ecologistas levantaram a bandeira do filme por sua postura ecologicamente correta e a estilista Glória Coelho chegou a afirmar em entrevista ao canal GNT que depois de assistir Avatar mudou o visual e make das modelos que desfilaram a coleção de outono/inverno. Mais

Bê-a-bá cultural e lugares comuns

11–09–2009

por Juliana Dacoregio – Fábio é um advogado, apaixonado pela profissão e por sua namorada Maria Lúcia. Além dessas, Fábio não possui muitas outras paixões. Curte rock, um futebolzinho na TV e filmes de ação. É um homem bem comum, com direito a pequenas grosserias machistas do tipo “não vou segurar sua sombrinha para você, pois não uso sombrinha”. Mais

Buceta: puro entretenimento

10–07–2009

por Juliana DacoregioBuceta: Uma novela cor-de-rosa, o novo livro de Biajoni só reforçou o que constatei ao ler Sexo anal: Uma novela marrom. Luiz Biajoni é um ótimo contador de histórias. Buceta fica martelando em sua mente, não porque você fique analisando os meandros psicológicos dos personagens (não há uma descrição cheia de pormenores nesse sentido), mas através do que eles fazem e falam é possível captar suas personalidades. O motivo de ser um livro que você quer ler todo de uma vez é que ele é puro entretenimento: uma trama meio policial, meio sacana, meio dramática. Além de trazer bastante suspense: você pensa que uma coisa é uma coisa, para no instante seguinte descobrir que aquela coisa é outra coisa. Daria um ótimo filme, tem ritmo de filme e linguagem nada pretensiosa! Mais

Mulheres reais em peças para ler

2–06–2009

por Juliana Dacoregio – É preciso deixar claro que Mulheres virando o jogo está longe de ser uma obra de auto-ajuda para o público feminino. Também em nada se assemelha à moderna “literatura de mulherzinhas” que reduz o universo feminino ao consumismo excessivo e desventuras amorosas caricaturais. O título pode até sugerir alguma dessas publicações rasteiras, mas as personagens criadas por Marta Góes nada têm de vazias ou estereotipadas. Não que sejam diferentes de tudo e de todos; são pessoas normais, com defeitos, qualidades e características excitantes ou tediosas, mas não se parecem nem um pouco com personagens-clichês de livros feitos sob medida para o público feminino médio. Mais

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