Os artistas e Belo Monte

Recente vídeo lançado por artistas e intelectuais colocou lenha na fogueira da Usina de Belo Monte. Os motivos da discordância dos artistas sobre a construção da usina são os mesmos apresentados há anos: desmatamento da Amazônia, realocação de índios, impacto ambiental etc. As alternativas apresentadas são as mesmas de sempre: energia eólica e energia solar.

Não estou aqui para advogar a favor ou contra a usina de Belo Monte. Meu problema é com artistas, pessoas públicas, que se utilizam de sua fama para dizer algo a respeito do que pouco conhecem. Não sou especialista em energia elétrica e energia renovável, mas, no mundo de hoje, onde a informação está muito perto para quem se interessa, alguns argumentos utilizados soam no mínimo inocentes. Impacto ambiental, está claro que vai acontecer, apesar de alguns, digamos, enganos apresentados no vídeo. Primeiro, da área alagada, 2/3 representam o atual curso do rio ou de área já desmatada. Segundo, não, meus caros, não confundam o rio Xingu com o Parque do Xingu.

Apesar de tudo, apesar dos enganos, tudo é passível de debate. Meu problema é com as alternativas que são propostas. Energia solar e a energia eólica seriam a salvação da humanidade. Isso pode até acontecer daqui a 100 anos. Hoje não é bem assim.

Em abril, em artigo publicado no jornal O Globo, o Procurador da República do Estado do Pará, Sr. Felício Pontes Jr., afirmou que os custos de construção de usinas solares estão se aproximando dos custos de construção de usinas hidroelétricas. Ele comparou um caso americano, da usina de energia solar de Blythe no estado da Califórnia, com a usina de Belo Monte. Colocando o conhecido “custo Brasil” de lado, o Procurador chegou à conclusão de que os custos de Blythe e de Belo Monte são equivalentes. Não é exatamente assim. A usina de Blythe terá a capacidade de gerar no máximo 900 MW, enquanto Belo Monte, na pior das hipóteses, gerará 4.000 MW. O Procurador afirma que essa é a capacidade “otimista” de geração de Belo Monte. Está equivocado. A capacidade de geração de Belo Monte em seu pico (época das cheias) está estimada em 11 mil MW. O valor da usina de Blythe está estimado em 11,1 bilhões de reais (6 bilhões de dólares), e não em 9,6 bilhões de reais. Para gerar a mesma capacidade de energia de Belo Monte, seriam necessárias quase cinco usinas iguais a Blythe.

Outro argumento utilizado é o da quantidade de terreno que irá ser alagado por Belo Monte, o equivalente a 516 Km² — grande parte pertencente ao rio Xingu. A construção de cinco usinas iguais a Blythe necessitaria de 150 Km² de área plana, mas teríamos que levar em conta que os custos em linhas de transmissão (e manutenção das mesas) seriam multiplicados, e o impacto ambiental dessa multiplicação de linhas de transmissão. Boa sorte para quem tentar encontrar 150 km² de área plana no Brasil, com grande incidência de sol, sem ter os mesmíssimos problemas levantados.

O Procurador também afirma que as usinas solares irão fornecer os MW em “energia firme”. Suponho que ele queira dizer que não haverá dias chuvosos ou nublados. Sequer noite.

Com a energia eólica o problema é o mesmo: alto custo e necessidade de grande área para implantação. O projeto da fazenda de vento de The Roscoe no Texas utiliza uma área de 398 Km² para gerar o equivalente a 790 MW. Para chegar aos 4.000 MW de Belo Monte, seriam necessárias cinco fazendas desse tipo, totalizando 1.990 Km² de área. O mesmo que quase a metade da cidade do Rio de Janeiro (4.781 Km²).

Existe outro aspecto a ser considerado: pelo alto custo de MW/h dessas usinas, a produção de energia precisa ser intensamente subsidiada pelo governo. O caso espanhol é muito claro. A Espanha embarcou de cabeça na onda das usinas eólicas e hoje acumula um passivo enorme, aumento do preço da energia para o consumidor, além dos empregos prometidos na “indústria verde” que nunca se tornaram realidade. Já ficou bem claro para a Espanha — e de quebra Portugal, que embarcou nas usinas espanholas — que o custo das eólicas é altíssimo. Os fartos subsídios deverão ser extintos nos próximos meses.

De maneira nenhuma minha intenção é fechar a questão sobre a construção de Belo Monte. Quero apenas provar que o debate deve existir, sim, mas com honestidade. A construção da usina terá impacto ambiental, da mesma forma que a construção de usinas eólicas e solares. Da mesma forma que dinheiro do BNDES será usado em Belo Monte, tem que ser muito ingênuo para acreditar que o mesmo não iria acontecer com eólicas e solares — pior: devido ao maior custo de geração dessas usinas, seriam necessários grandes subsídios (que iriam desviar recursos do Tesouro Nacional) para a comercialização da energia gerada. E, num país em que o povo está farto de pagar impostos e não ver o governo devolvê-los em serviços de qualidade, quero ver alguém dizer para as pessoas que dinheiro que podia estar sendo aplicado em educação, saúde e segurança está sendo utilizado em um projeto tão degradante quanto e muito mais caro que a outra opção.

São essas as cartas que os que advogam por tais usinas devem colocar na mesa. Será que os artistas sequer pesquisaram sobre o que iriam dizer? Todos esses são dados públicos. Usinas solares e eólicas são ótimas no papel, mas são diferentes quando vistas de perto. No final das contas, não há soluções miraculosas; todas as alternativas possuem vantagens e desvantagens que deveriam ser debatidas sem misticismos.

33 comentários | Dê sua opinião

  1. João Pedro 05/12/2011 em 3:35 pm

    Excelente análise! Parabéns pelo senso crítico.

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  2. Benedito Lemes 05/12/2011 em 5:33 pm

    Como a construção de Belo Monte está em debate, permita-me discordar de alguns pontos:

    Geração de 11 mil MW é a potência nominal da Usina, ou seja, ela terá equipamentos para gerar esse potencial, mas nunca vai chegar a esse valor, assim como as maioria das usinas hidrelétricas, exceto Itaipú e Ilha Solteira que chegam ao limite.
    Belo Monte, apesar de ter 11 mil MW de potência, vai gerar, em média, pouco mais de 4 mil MW, sendo que na época de estiagem, deve gerar bem menos de 1 mil MW. E por que isso acontece? Porque não há água suficiente para gerar o potencial instalado. Veja no site da ONS – Operador Nacional de Sistema http://www.ons.org.br/resultados_operacao/boletim_diario/index.htm – “Boletim Diário de Operação” – “Situação dos Principais Reservatórios de Acumulação” – que, agora em dezembro, os reservatórios estão baixos (ver %VU – percentual volume útil) e até fevereiro precisam estar num nível próximo aos 90% para poder passar a época da estiagem sem problemas com a geração.

    E isso já não é sinal de desperdício de capital? É como ter um carro de 200cv e correr como um de 20cv. E tudo aquilo que tem e não e aproveita encarece o custo total.
    Outro detalhe é que não se computa o custo da transmissão, com Linhas de Transmissão e Subestações para trazer essa energia até os centros consumidores, e não é pouco não, esses sistemas são caríssimos. É claro que o custo da trasmissão é rateado entre todos os consumidores(pode verificar na sua conta de luz, e não é pouco não). Além disso, a longa distância entre a usina Belo Monte e o centro consumidor faz com que boa parte da energia se perca no sistema, ou seja, a impedância e reatância dos circuitos diminuem a potência realmente consumida.

    Agora, quanto a energia eólica, o potencial brasileiro é 2,5 vezes todo potencial instalado de energia elétrica no Brasil, pode-se incluir, além de Itaipú, as usinas térmicas Angra I e II. O custo de transmissão é bem menor porque as usinas eólicas ficam próximas de centros consumidores.

    Portanto, o Brasil precisa diversificar a fonte energética, não se pode ficar dependente das chuvas porque pode-se ter, outra vez, ainda com todas usinas instaladas, outro apagão por falta d’água para gerar energia.

    Trabalhei por 27 anos em sistema de geração e transmissão de energia elétrica e assero que há mais alguns itens técnicos que mostram as desvantagens da construção da usina Belo Monte, pelo menos por enquanto e do jeito que foi planejado, afinal, essa obra está parecendo os velhos “Elefantes Brancos”, o verdadeiro retrato do desperdício de capital.

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  3. Raphael Tsavkko 05/12/2011 em 5:56 pm

    Mas estamos falando de desenvolvimento mesmo?

    Não entendo como “desenvolvimento” possa fazer par com o ato de deslocar milhares de pessoas, destruir o modo de vida das tribos locais, potencialmente secar o Braço Grande do Xingu durante meses e meses do ano, destruir um ecossistema único local, criar imensas dificuldades para a navegação, escassear pesca, deslocar tribos… Uau, que belo desenvolvimento!

    E tudo isso pra uma usina cuja função primordial é sustentar a indústria de alumínio de Belém e região, que não só “bebe” eletricidade como é absurdamente poluidora, ao ponto de países como o Japão terem decidido manter sob controle e vetar o crecimento deste tipo de indústria… E, de quebra, ainda tem um valor agregado baixo em comparação com o produto final que, claro, não produziremos, afinal, o Brasil só serve pra fazer matéria primária, destruir nossos recursos e fazer a alegria dos “lá de fora”.

    É óbvio que toda matriz energética tratá problemas, trará algum tipo de impacto, o que se discute não é o desejo do surgimento mágico de um modelo 100% livre de problemas, mas sim a crítica ao modelo atual que não leva em conta os problemas regionais, a vontade da população atingida e, finalmente, o modelo em si de desenvolvimento escolhido pelo país.

    Devemos realmente defender um modelo quase exclusivo de geração de energia via usinas hidroelétricas?

    Devemos realmente defender exclusivamente os interesses de empreiteiras ou mesmo os mesquinhos interesses energéticos da indústria e tratar populações inteiras como marginais?

    Devemos mesmo defender um modelo energético e industrial imposto pelo sul//sudeste ao norte, sem ter em mente os reais potenciais regionais da Amazônia?

    E tantas outras questões….

    http://www.tsavkko.com.br/2011/12/os-videos-sobre-belo-monte-quando.html

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    • Paulo Soares 07/12/2011 em 2:45 pm

      1) Não haverá deslocamento de populações indígenas para a construção de Belo Monte;
      2) Não haverá seca provocada pela hidrelétrica em nenhum da região – a vazão do rio Xingu vai aumentar;
      3) Não há “ecossistema único” que será destruído e, aliás, boa parte da área alagada já foi desmatada;
      4) Não haverá problemas para a navegação;
      5) Não haverá dano à atividade pesqueira, aliás, o lago contribuirá com a pesca.

      Note-se que o lago originalmente teria mais de 1000km², tendo sido reduzido para pouco mais de 600km² justamente para reduzir impactos que, como você mesmo diz, são inevitáveis em qualquer matriz energética.

      O que não dá é pra ficar num debate bizantino, por 300 anos discutindo o sexo dos anjos.
      E note-se que a hidrelétrica é a fonte de energia renovável mais produtiva e menos poluidora, logo…

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    • Paulo Soares 07/12/2011 em 2:47 pm

      sugestão de link:
      http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/02/26/enfrente-o-apagao-ideologico-contra-belo-monte/

      com documento do Ministério das Minas e Energia que embasa as 5 afirmações iniciais de meu reply.

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  5. Ary 05/12/2011 em 6:18 pm

    Excelente, Pablo. Talvez se os atores e atrizes que atuaram no vídeo ficassem lado a lado, em Altamira, pudessem produzir uma potente corrente de energia eólica, afinal, vento é o que eles mais tem nas cabeças. Taí a solução: energia a partir dos cabeças-de-vento. Será que os sabichões (ecoincoerentes) sabem, por exemplo, que, ao “saborearem” um inocente bife de 100 gramas de carne, estão contribuindo para o consumo de 17m2 de madeira?

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  6. Jose 05/12/2011 em 7:07 pm

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=gVC_Y9drhGo

    [Nota do Moderador]
    O link do comentarista leva ao vídeo “Tempestade em Copo D’água?”, dos alunos de Engenharia Civil da Unicamp, uma resposta ao vídeo dos globais.

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  7. Pablo Vilarnovo 05/12/2011 em 7:30 pm

    Vamos a algumas questões levantadas:

    Energia eólica não possui capacidade de substituir a geração de energia de usinas hidroelétricas, a gás, óleo ou nucleares. A maior capacidade de geração eólica no Brasil encontra-se no interior da Bahia e na fronteira entre São Paulo e Minas Gerais. E aí temos dois problemas: o interior da Bahia é longe o suficiente para encarecer os custos com transmissão e será muito difícil encontrar uma área do tamanho da metade do Rio de Janeiro entre São Paulo e Minas para uma usina com a mesma capacidade de Belo Monte. Isso sem contar com o impacto ambiental das eólicas, que costuma ser “esquecido”. Outro ponto. Se, no mínimo, Belo Monte irá fornecer 10% de sua capacidade, o mínimo de uma eólica é 0%.

    Ao outro amigo. O índio mais próximo de Belo Monte mora há mais de trinta quilômetros da cabeceira do lago. Nenhum índio será removido.

    Outro ponto. Pelo edital, a energia de Belo Monte deverá ser vendida da seguinte forma:

    - 70% será vendido para operadores do sistema nacional como Light, CEMIG, COPEL, Eletropaulo… ou seja, vai para o consumidor final como eu e você.
    - 20% vai para o Mercado Livre de Energia, onde as grande empresas compram.
    - 10% aos auto produtores, que envolve a Vale.

    Ou seja, não tem essa de criar-usina-para-atender-os-malvados-industriais. Também, pergunta para o pessoal do Pará se eles irão querer abrir mão dos 160 milhões de reais em compensação financeira. Lembro que o valor vendido da energia é definido via edital no leilão.

    Outro ponto é que os problemas ambientais e socioambientais TAMBÉM aconteceria com usinas eólicas.

    No mais, se quiserem assistir um vídeo, assistam esse:
    http://www.youtube.com/watch?v=JhYd48tQav4

    ——
    P.S.: Não tenho problema nenhum com criação de usinas eólicas, realmente tenho certeza que em certas ocasiões muito específicas elas são a melhor opção. Agora, usinas eólicas não são substitutas de usinas hidroelétricas, são no máximo complementares. Substitutas de usinas hidroelétricas são usinas a gás, usinas a óleo e usinas nucleares.

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  8. Alvino 06/12/2011 em 12:45 am

    Esse movimento deveria ter se informado antes de dizer tanta besteira.
    Quanto aos artitas a gente sabe que nao existem muitos intelectuais, falam so o que mandam.
    Por isso deveriam tomar mais cuidado antes fazer uma campanha destas.
    Pensem um pouco no proximo e quantos poderam estar prejudicando

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  9. Raphael Tsavkko 06/12/2011 em 1:12 am

    Pablo, não sejamos mentirosos, há ao menos 30 tribos no entorno de Altamira e do Braço Grande do Xingu. Mas, fato, não terão suas terras ALAGADAs, mas sim SECADAS pela estiagem que virá com a barragem que impossibilitará a pesca no Braço GRande e poderá até mesmo secar completamente o rio por meses a fio.

    Sim, estes não serão removidos, porque o gov só se preocupa (e olhe lá, porque o histórico do governo com barragens é dizer que vão fazer algo, mas no fim mandar o povo à m*, vide Estreito e Tucuruí) com quem será alagado. Se índio não tiver pesca ou água, azar o dele.

    E, você tá se baseando no edital longinquo do gov? Ao menos 30% da energia irá para produção de alumínio no Pará e MAranhão. Sério, se informe, estás fazendo papel ridículo repetindo ladainhas do governo que nem o próprio acredita – se acreditasse não fingiria ver sentença da OEa e ouviria os indígenas, como manda a lei.

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    • Pablo Vilarnovo 06/12/2011 em 7:41 am

      Raphael, qualquer represa necessita, obrigatoriamente, possuir uma vazão mínima. Isso está no edital, informe-se lá.

      Não tenho problema nenhum que a energia seja destinada a fabricação de alumínio. Absolutamente nenhum.

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      • Raphael Tsavkko 07/12/2011 em 2:00 am

        Ou seja, pra você está ok destruir um pedaço significativo da amazônia, um bioma pouco estudado, mudar toda a cadeia reprodutiva dos peixes, expulsar ribeirinhos, secar terras indígenas… pra produzir alumínio de baixíssimo valor agregado? Então tá, rpa que se preocupar com direitos humanos, né?

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        • Pablo Vilarnovo 07/12/2011 em 4:41 pm

          “Pedaço significativo da Amazônia”??? Poxa, pera aí. A área de 516Km² correspondem a 0,009% da Amazônia Legal que tem 5.217.423 Km². E considerarmos a área que EFETIVAMENTE será alagada, esse número cai para 0,004%. Por ano são devastados quase 7.000Km² da Amazônia. O que equivale a quase há mais de 20 Belo Montes.

          Talvez esse dado fique bem escondido porque sabemos que os assentamentos do INCRA (e não o agronegócio) são os maiores vilões no desmatamento das florestas. Mas, deixa quieto não é mesmo? O negócio é bater no agronegócio e nos empresários feios e malvados que vão produzir alumínio sem empregar ninguém…
          http://www.amazoniainforma.org/2011/01/assentamentos-ajudam-devastar-floresta.html

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          • Raphael Tsavkko 08/12/2011 em 12:38 am

            Significativo não pelo tamanho, mas pelo local. ORas, vamos fazer Belo Monte na Consolação, em São Paulo? Será uma área – em termo de tamanho – insignificante até para a cidade, mas será que será relevante em termos de impactos?

            E quem falou em assentamentos do Incra? Assentamentos que são mal feitos, com o povo deixado na merda, sem ajuda técnica nem nada. Aí você coloca aculpa nos assentados ou em quem faz o assentamento porco?

            Ah, e o maior desmatador é o Daniel Dantas, só pra informar.

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            • Pablo Vilarnovo 09/12/2011 em 9:10 am

              Ah, entendi. Então criar uma usina eólica com o tamanho da metade da cidade do Rio de Janeiro na caatinga não trará impacto?
              Qualquer intervenção humana trás impacto. Se for o impacto o problema, teremos que remover toda a população que mora na Amazônia, só assim não haverá impacto.

              Negativo, o maior desmatador são os assentamentos do INCRA. O fato de serem mal feitos não extingue o fato de ser o maior desmatador. Mas essa do Daniel Dantas me deixou curioso, tem alguma fonte de pesquisa?

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      • Bernardo Santos 07/12/2011 em 6:03 pm

        A questão é, em que o Brasil ganha em destinar energia elétrica, seja de que origem for, para a produção de alumínio? Além de ser uma das indústrias de maior impacto ambiental, é uma das que menos gera empregos. O Brasil não precisa desse alumínio – já produz bem mais do que consome, portanto o argumento do “desenvolvimento” do Brasil não se sustenta.

        Portanto, isso é destinar dinheiro público e impactos socioambientais para o bolso de empreiteiras e industriais, que por acaso são grandes financiadores de campanha. Se você não tem problema com isso, tudo bem. Mas não adianta fingir que isso é argumento.

        Responder
        • Pablo Vilarnovo 09/12/2011 em 9:27 am

          Bernardo – Primeiramente 70% da energia gerada será para consumidores comum e pequenas empresas. Segundo, por ignorância minha não consegui descobrir a origem da informação de que os 30% restantes serão destinados a emrpresas de alumínio. Você possui alguma fonte para essa informação? Terceiro, vamos dizer que alguma grande indústria deseje produzir alumínio. Se esta fazendo isso ou é para o mercado interno ou para o mercado externo. De qualquer forma isso trará recursos por meio de impostos para construção de escolas, hospitais, segurança e etc.
          Se o governo não faz isso são outros quinhentos. A culpa é do governo.

          No atual regime brasileiro, o qual discordo, o dinheiro público é sempre destinado via BNDES. Como falei no texto, se fosse usinas eólicas teriam dinheiro do BNDES do mesmo jeito e com outros impactos socioambientais que alguns ecologistas adoram esconder.

          Mas realmente gostaria de conhecer a origem da informação que a energia será usada para fabricação de alumínio. Se puder me ajudar, agradeço.

          Responder
  10. Job 06/12/2011 em 8:58 am

    Acho que o @Benedito foi bem criterioso nos seus comentários, super técnico. @Pablo, me desculpe mas seu comentário parece se basear apenas em conjecturas oficialescas. O Brasil é um país conservador da vontade oficial (Rede Globo/Band, …), suportamos dezenas de anos a ditadura, onde o discurso oficial era de quem fosse contra era “Baderneiro”. Hoje ouve-se “Contra o Desenvolvimento”.
    Vai ao mercado e veja o preço da castanha do pará, logo o Brasil irá importar castanhas do Pará,
    pois as castanheiras estão virando pó, carvão.
    Outra coisa a questão energética envolve muito mais do que a produção de energia e transmissão.
    O consumo de energia devido aos projetos de casa e edifícios sem visar isolamento térmico, aproveitamento de luz solar para gerar energia, água quente, iluminação, etc. aproveitamento da água da chuva etc.
    NÂO! NÂo me venha que isto encarece os custos, pelo contrário, reduz! O desperdício de tempo e material do nosso método tradicional é notório, fora as margens de lucro exorbitantes de algumas construtoras e das corretoras, bancos etc. Temos muito ainda que DESENVOLVER.

    Responder
  11. Ary 06/12/2011 em 1:39 pm

    Altamir tem mais de 1000 kms de extensão (equivalente à distância entre POA e SP), logo, tem “tribos no entorno de Altamira”, mas não na área a ser afetada pela Usina. Trabalhei na região e sei do que falo. Outra coisa: as compensaçõe soscioambientais e de estrutura somam mais de três bilhões e beneficiarão, especificamente os doze municípios do Consórcio Belo Monte e, de forma geral, o estado do Pará. Sem a Usina, os municípios jamais teriam condições de construir aterros sanitários, implantar saneamento básico, resolver problemas de saúde, educação e mobilidade urbana -hospitais, escolas, postos de saúde estão sendo construídos. Ruas estão sendo pavimentadas. Inclusive, um enorme trecho da Transamazônica será asfaltado. Afora isso, os municípios receberão royalties pela energia. Dentro do sistema capitalista, esse é o melhor dos mundos. Embora defensor da energia nuclear, concordo plenamente com a estratégia do governo e contruir usinas hidrelétricas.

    Responder
  12. Alaer Garcia 06/12/2011 em 3:56 pm

    A questao de meio ambiente e semelhante a Caverna de Platao. Cada um ve uma coisa.
    Esses artistas e outros deveriam ir a cidade-beira mar(frio-pacifico),no deserto de Atacama,chamada Iquique, no norte do Chile ,perto do Amazonas. Esta com 250 mil habitantes.Cidade e deserto,nao chove ha mais de cem anos.Ai vao comecar a entender a dinamica da Natureza e a natureza do homem…

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  13. Diego Oliveira 06/12/2011 em 7:11 pm

    Dados básicos da única usina solar comercial do Brasil: MPX Mauá, de propriedade do Eike Batista. Segundo sua própria página, a usina de capacidade instalada de 1MW, é capaz de gerar em um mês uma energia de 150 MWh. Considerando que um mês tem 720 horas, a usina gera uma potência média de 150/720, aproximadamente 0,21 MW, ou seja, um rendimento de 21%. Considerando a potência mínima que pode gerar Belo Monte, de 4500 MW, de um total de aprox. 11000 MW instalados, mesmo se a usina só conseguir gerar o seu mínimo, supõe um rendimento de 4500/11000 aproximadamente 41%. Ou seja, 41% de rendimento contra 21% de rendimento da solar, instalada no nordeste que é o local mais apropriado (na Amazônia não chegaria nem perto destes 21% de rendimento). Não tenho mais comentários, acho que qualquer um com poucos neurônios na cabeça pode entender o que significa esta comparação e deixar de babaquice….

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  14. Lays Machado 07/12/2011 em 9:18 pm

    não tenho posso falar com propriedade nem para apimentar a discussão, mas li esta matéria
    http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/10/belo-monte-nosso-dinheiro-e-o-bigode-do-sarney.html semana passada q acho ela é relevante por apresentar mais pontos a serem ponderados na questão

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    • Diego Oliveira 08/12/2011 em 9:51 am

      Não sei quais pontos relevantes este texto apresenta. Uma entrevista com alguém que fala “fofoquinhas” sobre bastidores do governo, que ninguém sabe se são verdades ou não e que são totalmente irrelevantes para o tema; fala sobre o uso de energia da biomassa para o suprimento elétrico de casas no interior do Brasil, afastadas da rede, que é claro, uma boa alernativa, porém é irrelevante ao tema, Belo Monte e outras não existem para suprir a energia doméstica, que é não é o grande consumidor, e sim, às indústrias. Por fim, ele chega neste ponto, dizendo que a alternativa é em vez de criar novas usinas para o aumento da produção industrial, a alternativa é ESTAGNAR a produção nacional, porque consome muita energia. ESTAGNAR o país, deixar de gerar empregos e renda… fala mal da produção de alumínio, aço, etc, como se as outras indústrias também não necessitassem muita energia… se o Brasil tem capacidade de produzir muito mais aço e alumínio, ótimo para o Brasil, que não deve se limitar a só isso, sem dúvida alguma que não. Porém o aumento de produção em TODOS os setores industriais demandará muito mais energia. Cada argumento que eu vejo, que é inacreditável, depois não entendo o porquê dos brasileiros reclamarem que vivem num país subdesenvolvido, se somos incapazes de fazer algo simples como construir uma usina elétrica…

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  15. Gerson B 09/12/2011 em 2:48 pm

    Um problema dessa análise sobre energia eólica e solar, é que não se fala sobre o fato de que se pode colocar pontos de geração em vários locais onde uma barragem não pode ser construida. Até numa cidade. Quanta área “morta” não existe nos telhados de casas e edifícios? E a proximidade entre locais de produção e consumo reduziria bastante as perdas de transmissão.

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  16. josé carlos 12/12/2011 em 11:05 am

    Muito interessante o texto. Acho que contribui bastante para desmistificar o caso “Belo Monte”. Parabéns

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  17. Marola 12/12/2011 em 1:19 pm

    Diversas vezes já discordei de suas opiniões, mas nesse caso creio que vc acertou na mosca. Saco cheio desses ambientalistas de boutique.

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  18. Patrícia Viana 14/12/2011 em 1:03 pm

    O principal contraponto que me deixou em cima do muro também antes de ir mais a fundo na pesquisa foi a necessidade energética do país, li muito (e, caramba! não encontrei um artigo realmente bom sobre o assunto) tive que ficar pescando aqui e ali para tentar me posicionar sobre essa questão especificamente.
    Em resumo, há alternativas, que JUNTAS seriam tão eficientes quanto a UHEBM e com danos muito menores ou mais facilmente medidos e compensados, por exemplo, especialistas dizem que só a troca das turbinas das usinas já existentes aumentaria muito o coeficiente de produção (algo em torno de 30%), medidas de melhoria no sistema de distribuição conteria o desperdício, alto hoje; a diversificação das fontes produtoras é outra alternativa, é vdd que é preciso mais usinas solares ou eólicas pra dar uma Belo Monte, mas SOMAR várias fontes menos eficientes equivaleria a uma nova barragem e daria conta do aumento de energia que o país venha a precisar. Há várias pesquisas que apontam, por exemplo, que o país investe pouco em alternativas viáveis como o aproveitamento do bagaço da cana de acuçar, já explorado no Estado de São Paulo e que já gera 660MW por ano e tem meta para exportar só por essa fonte 5.500MW anuais até 2015 (a média anual prevista para Belo Monte é de cerca de 4.000MW)…
    Enfim, a soma disso tudo seria tão eficiente quanto Belo Monte e com danos ambietais, sociais e econômicos visivelmente menores ou mais facilmente previstos e/ou compensados.
    Na minha modesta opinião, isso sim seria desenvolvimento, estar-se-ia garantindo o desenvolvimento do país com medidas modernas e menos agressivas do ponto de vista ambiental, acho que um dado importante que o pessoal esquece é que o lema mundial hoje é de conservação, recuperação do meio ambiente, nós já destruímos demais, será preciso mais o que para percebermos que o planeta grita tamanha a destruição que já promovemos?

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  19. Renato 18/12/2011 em 12:55 am

    Concordo plenamente, o potencial brasileiro é hidroelétrico, na construção da usina três gargantas na China foram deslocadas “1 milhão de chineses” nenhuma ONG estava lá, só por que essa usina é na amazônia, as ONGs na maioria de países de fora do Brasil não concordam, mas cadê as florestas deles, eles não tem o direito de dar pitaco aqui, acabaram com suas florestas e querem que a amazônia seja o pulmão do mundo, então aparece esse vídeo, mostrando que a tese em que a rede globo é política e manipuladora é verdadeira, e uma onda de estrangeiros aparecem na Amazônia querendo salvar o verde e liderando a revolta da população local inclusive para dividir o Pará, é obvio que o que eles querem é separar e confundir os brasileiros, então entre para o movimento gota dagua e assine o referendo mostre o seu amor pelo seu país.

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  20. Pedro Gabriel 24/01/2012 em 3:46 pm

    Caro Pablo, seu artigo inicia belamente. Você se propõe nominalmente a fazer uma análise da participação de artistas, com marketing testemunhal, em temas de seu total desconhecimento dando força midiática a opiniões carentes de solidez. Acho esse um tema interessante e de abrangência quase infinita visto que ele resvala inclusive para o fato de pessoas comprarem produtos como efeito da participação dos artistas em comerciais (produtos que eles sequer usam, muitas vezes). Lastimo que ao contrário do que você afirma (quando diz “Não estou aqui para advogar a favor ou contra a usina de Belo Monte.”) você ignora solenemente a questão proposta, não comenta sobre o sentido de tal participação dos artistas e recai em lugar comum assumindo a defesa de Belo Monte com argumentos que demonstram desconhecimento do funcionamento de energias “limpas” e “firmes” como o caso da Eólica e Solar.

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