A nova oposição, ou Como Aécio deu um xeque-mate no PSDB

-- Aécio no Roda Viva (6/12/2010) --

por João Villaverde

Quando anunciou que desistira de lutar pela candidatura à presidente do PSDB, em 17 de dezembro de 2009, Aécio Neves estava fazendo duas apostas: uma, que seria (bem) eleito senador por Minas Gerais; e outra, que essa eleição o cacifaria para ser o “novo” no PSDB, fosse num governo José Serra, onde Aécio despontaria como o grande nome, fosse num governo Dilma Rousseff, quando ele surgiria como o único nome disponível.

Dilma ganhou, numa campanha que Serra, o candidato do PSDB, falou de aborto, padres e os valores da família.

Aécio foi o senador mais votado, proporcionalmente, na história de Minas Gerais — e, após as eleições, sofreu tiroteio do lado serrista tucano, acusando-o de não ter se empenhado o suficiente na campanha. Serra perdeu para Dilma, em Minas, e sequer citou Aécio no discurso da derrota, na noite do segundo turno.

Um ano depois veio o xeque-mate.

Falando aos jornalistas do Roda Viva, tradicional programa de entrevistas da TV Cultura, Aécio bate em dois pontos: 1) é bobagem anunciar candidato em 2012, dois anos antes das eleições de 2014; 2) a campanha de 2010, de cunho moralista extremo, foi um erro.

Com isso, Aécio se distancia do jogo que levou o PSDB, a partir de 2005, para o lado moralista das forças políticas — o lado que só ganha eleições em tempos de Guerra Fria (1947-1991) — e tenta, um tanto sozinho, bem verdade, servir de pólo aglutinador para novas forças do PSDB.

Não acredito que Geraldo Alckmin, governador eleito em primeiro turno em São Paulo, seja uma dessas novas forças. Alckmin é o típico político paulista: se dá bem tanto com Serra, que tem personalidade mais assertiva, quanto com Aécio, que é mais pão de queijo, ou seja, cai bem com café, coca-cola, água ou cerveja. Mas, por ser tão paulista, Alckmin não tem cara. É o sujeito sem sotaque, sem tempo, sem papo, sem traquejo de incutir o novo — apenas reverberar conceitos já conhecidos e testados.

Além disso, Alckmin já teve sua chance: foi candidato do PSDB à Presidência, em 2006, e perdeu. Perdeu também as eleições municipais de 2008, quando uma ala de seu partido, liderada por Serra, então governador de São Paulo, apoiou descaradamente Gilberto Kassab (DEM), atual prefeito. Alckmin, paulistanamente, aceitou, poucos meses depois, virar secretário de Serra. E em 2010, sair candidato ao governo doando todo seu capital na campanha de Serra, que perdeu.

Mais que isso: Alckmin, em 2006, jogou com a pauta conservadora que, como vimos, pode até ser bem sucedida em segmentos da classe média e na Igreja Católica, mas que não leva eleição — que é o que importa para um partido político, certo?

A nova oposição, então, não se faz com velhas peças. Beto Richa (PSDB), governador eleito em primeiro turno no Paraná, sabe bem disso, tanto é que flertou com o serrismo apenas no fim da linha, durante o segundo turno, apostando que uma vitória de Serra o credenciaria ainda mais. Serra não levou e Richa, esperto, sumiu, indo se preocupar em tomar um vinho na bela Curitiba, antes de assumir o governo do Estado.

Em menos de 20 dias, quando começa 2011, o PSDB terá diante de si um período de 18 meses (um pouco mais, um pouco menos) em que o PT, sob Dilma, dificilmente enfrentará uma denúncia bombástica, ou os rumos da economia se alterem de maneira drástica. Nada disso deve acontecer. Além disso, o DEM, partido que orbita os tucanos desde 1994, passa por sua mais grave crise desde 1986, quando o PFL (nome original do DEM) foi fundado.

Será o momento em que os diferentes pólos internos do PSDB oscilarão, ora com mais força para a ala moralista, ora com mais força para os mercadistas, ora com mais força para os desenvolvimentistas, ora para os gerentes. A partir de um determinado momento, tudo isso deve começar a se aglutinar em torno de uma ala que se tornará hegemônica – e não será mais o pessoal conservador, que dominou o partido entre 2005 e 2010.

O xeque-mate de Aécio veio, 365 dias depois.

6 comentários | Dê sua opinião

  1. Pingback: O azedume eleitoral e a violência homofóbica « O blog do Guaciara

  2. Dawran Numida 15/12/2010 em 3:12 pm

    João Villaverde, ainda é muito cedo para dar como favas contadas o posicionamento de Aécio Neves. Tanto quanto prever o que fará o PSDB com relação a 2012 e 2014. Pois, quem tem a necessidade da pressa não são as oposições, mas os governistas. Da montagem do governo até saber como agirá a presidente eleita, o que salta aos olhos é uma pressa exagerada em mostrar que nada vai mudar. Nem os ministros.

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  3. Dawran Numida 15/12/2010 em 3:29 pm

    Em continuação, João Villaverde, não há, necessariamenre, nenhum nome, nenhuma proposta, às quais pudesse se atribuir algo de novo em termos político-administrativos ao novo governo. Em suma, na pressa em mostrar conservadorismo, o governo que assumirá em janeiro de 2011, o será como se nada tivesse alterado na política e na economia brasileiras. E nem na economia e política mundiais. Essa é principal característica que fica ressaltada, quando avalia-se como se dará o novo governo: uma cristalização do antigo ou uma típica fossilização antecipada, de algo que fora apresentado como novo. Talvez seja esse o dilema do PT e do novo governo ao longo do mandato.

    Portanto, divisões e ocupação de espaços, ocorrem nos partidos da base aliada, governista. A luta pela Presidência da Câmara, por exemplo, ao que indicam, pode demonstrar que a questão paulista, está embalsamada, mumificada no PT: o candidato à Presidência da Câmara, pelo partido, é um gaúcho, alijando dois paulistas. Até nisso o PT está com pressa: mostrar que outras bancadas e não a de São Paulo, terão predominância no novo governo.

    Não poderia ser diferente, uma vez que a maior liderança do PT, formou-se politicamente e teve suas bases principais em São Paulo. Mas, sempre fez questão de mostrar-se como originário de outra região do País. Assim, a postura dos liderados, não poderia ser mesmo outra, dado a dependência da popularidade como forma de amealhar apoios e votos, muito mais do que a força de ideias inovadoras. Aliás, inexistentes.

    Uma forma de avaliar as inúmeras e constantes análises que são feitas sobre os rumos das oposições, pode ser resumida de uma forma curta e bem humorada: a Era Pós-Aécio.

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  4. Luiz Geronimo 18/12/2010 em 5:00 pm

    Algumas coisas no futuro da política brasileira, estão faceis de prever.
    Houve dois erros grandes, a meu ver, dentro do PSDB, para perder essa eleição. Aécio não ter saido vice de José Serra foi grave, mas de menor importancia, visto que com uma campanha dessas – repetindo inclusive erros de 2002 – nem com Aécio teria ganho, pois José Serra só muito poucas vezes defendeu a altura, o governo FHC.
    Claro que diante do quadro que se estabeleceu, Aécio é o unico beneficiado e será naturalmente o proximo candidato do PSDB à presidencia, pois Serra enfrentará desgaste sem cargo público, além de que a idade a partir de agora começará a lhe pesar como nunca, sobrando-lhe a oportunidade de ser candidato em 2012 á prefeito de São Paulo, onde a meu ver encerrará sua carreira. Por outro lado, mesmo que Aécio venha perder seu embate diante de uma provavel nova candidatura de Dilma em 2014, estará ele ainda no Senado e – salvo muitas novidades no calendario eleitoral – estará permanentemente na vitrine até 2017, quando poderá – corrigindo um dos erros de agora – compor com Alkmim. Porêm dessa vez, sendo ele o cabeça de chapa. Tudo isso sem levar em conta por hora, os respectivos desempenhos dos mencionados em seus novos cargos.

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  5. Leonardo Fontenelle 31/12/2010 em 3:57 pm

    Você acha mesmo que paulista não tem sotaque?

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  6. SONIA 28/06/2011 em 8:19 pm

    Gente a oposição nunca esteve perdida!!
    O erro foi desde de 2002 quando lançaram Serra candidato, em 2006 Geraldo ainda pouco conhecido pela população brasileira, a diferença dessa eleição foi apenas 6%,e se fosse o Aécio Neves concerteza teria faturado provavelmente de primeira!!! visto que o Serra no próprio estado de SP teve um péssimo desempenho,não fosse o Geraldo provavelmente êle perderia para a Dilma.
    Ninguém parou para se perguntar porque isto?
    Serra é um candidato EGOCÊNTRICO,êle não teve a humildade de de fato delegar ao FHC os
    seus feitos ao contrário tudo (ele diz eu, eu isso,aquilo),tanto que Roberto Jefferson criticou-o nesse aspecto,super infantil, essa propaganda de horário político pior que de um prefeito de cidade pequena,além disso nos debates muito despreparado,nunca concluía as suas respostas,e a cada um deles (DEBATES) as pesquisas DESPENCAVAM, pois êle nunca concluía o raciocínio, portanto nesse requisito foi péssimo.Dizer que ia dar 13o de BFamilia foi hilário,pagar 600 reais de salário então, muitos empresários ficaram com o pé atraz com esse fato rsrsrs onde fica a responsabilidade, até onde vai a intenção de uma pessoa dessa?Exibir o Lula no seu horário e mostrar o FHC na foto?isso foi minando a sua candidatura de forma surreal.Se demorasse mais a Marina que iria para o segundo turno!!Fora que nem por um momento falou sobre esse pagto da dívida externa, onde que 15 bilhões de dólares foi pgto da dívida do JK, se a dívida externa foi resolvida pelo Pedro Malan, e esses 15 bi foi o pagto do último empréstimo feito pelo FHC em 2002 devido o risco Lula e a fuga de capitais, que se referiu a 41 bilhões,usado 80% pelo próprio Lula ,( ESSA MATÉRIA ESTA RELATADA POR MIRIAM LEITÃO REDE GLOBO VIDE GOOGLE)e depois o malandro do Lula deixou para os brasileiros que FHC endividou o Brasil.Ao contrário o FHC resgatou 572 bilhões de reaisENTRE ESQUELETOS E VARIAÇÃO DO DOLLAR
    empréstimos para os estados ,saneamento dos bancos estatais,mutuários do sistema finaceiro.
    Eu estive lendo uma matéria de um PHD Flavio Rabelo Versiani, e êle explica detalhes sobre a dívida deixada pelo FHC. (GOOGLE) vejam esse link_____http://williamferraz.com.br/blog/?p=3646

    Como resultado do PROEF, a Caixa Econômica, o BASA e o BNB tiveram seu capital aumentado (o do Banco do Brasil já o fora, pela Medida Provisória nº 2.072-66, de março de 2001), e procedeu-se também a uma troca de ativos de pouca liquidez por outros líquidos, e remunerados a taxas de mercado. Houve também uma transferência do risco de créditos para o Tesouro Nacional, no caso de operações ligadas a programas de governo, e a uma empresa especialmente criada (Empresa Gestora de Ativos). A parcela da Dívida Mobiliária Federal correspondente às operações do PROEF atingia, em abril de 2002, o valor de R$ 69,5 bilhões.” Conclusão: A soma entre os totais gastos para resolver os problemas herdados pelo Governo FHC totalizam R$ 572,6 bilhões, o que corresponde a 85% da dívida de R$ 623 bilhões deixada por FHC, segundo o Tesouro Nacional, e 67,5% em relação à dívida de R$ 848 bilhões, segundo a versão do Banco Central que inclui os títulos em poder do BC e as dívidas das estatais.
    EU NUNCA VI UM CARA QUERER SER PRESIDENTE E NÃO SE PREPARAR PARA OS DEBATES
    ACHAR QUE ÊLE ERA O DONO DA SITUAÇÃO, USAR O TERMO “”MENTIRA”"”, DIZER QUE SE A DILMA GANHASSE LULA NAO SERIA ELEITO NEM PARA ZELADOR DE PRÉDIO,ISSO TUDO E MAIS O SEU MAL HUMOR FEZ O SERRA PERDER PERDENDO!!!FALAR MAL DO COLLOR, DO SARNEY,ONDE JÁ SE VIU ESSES DOIS SEREM MENOS QUE LULA EM ALGUM REQUISITO!!!
    EU LIDO COM MUITA GENTE E SEI MTOS ANULARAM O VOTO POR VÁRIOS DESSES ITENS CITADOS>
    Espero que eu tenha colaborado para que na próxima quem for candidato de fato tem os méritos que o Brasil precisa!!!Se a China que era a nona economia em 1995 hoje é a segunda e o Brasil que já era a sétima contuna sendo, tem algo extremamente errado com o governo do PT.

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