Pequenas resoluções para 2010

30–12–2009 – Enviar para e-mail

por Anna Raíssa * – Fim de ano é sempre a mesma coisa. E textos de fim de ano dizendo que fim de ano é sempre a mesma coisa são tão clichês quanto o café da manhã ser a refeição mais importante do dia, ou saber que não basta ser pai, tem que participar. E o que dizer das listas? Mesmo sendo todas elas uma cópia não autorizada uma da outra, e geralmente uma adaptação vagabunda da lista de 10 (ou 500) mais da Rolling Stone, longe de mim me abster de contribuir. Minha lista dos piores discos e músicas de 2009 já está pronta, e a lista do que não ver nos cinemas em 2010 também.

Mas legal mesmo é a lista de “Como sete caroços de romã ou o fato de pular sete ondas a meia noite vai me transformar numa pessoa melhor”: parar de fumar (encabeçando listas since 1800 e guaraná com rolha), pagar as dívidas, usar menos o cartão de crédito, visitar mais os parentes. Tem um amigo meu que coloca sempre “não esquecer o aniversário da mãe” e ob la di ob la da, o diferencial são as esquisitices.

Porque de resto as listas são todas iguais, toda a gente querendo parar de fazer isso ou começar a fazer aquilo. Eu, por mim, mantenho meu maus hábitos, e só os troco por outros – às vezes piores – quando começam a me encher o saco. E assim fica a lista de resoluções para 2010:

- Desistir de estudar espanhol;

- Pegando onda na anterior, também vou desistir de fazer a prova do mestrado;

- Aprender a fazer caipirinha;

- 50% de tudo que eu escuto é Bob Dylan. A meta é 70%;

- Trabalhar menos. E dormir menos também;

- As tentativas de assistir filmes no Cine Brasília vão continuar frustradas. Aquele lugar é quente, abafado, os ácaros são do tamanho de camundongos e é cheio de PIMBA (Pseudo-Intelectuais Metidos a Besta e Associados);

- Os convites pra churrascos, carnaval em Salvador ou fim de semana em Caldas Novas vão continuar sendo declinados de cara (deus nos livre do axé amén);

- Vou continuar baixando álbuns da internet. O dia que eu tiver R$ 50 pra pagar em um CD sobrando, eu gasto tudo na Estante Virtual;

- Os chatos virtuais de galocha vão continuar sendo bloqueados sem dó nem piedade. Principalmente aqueles que te adicionam no MSN e a primeira coisa que pedem todo dia quando te vêem on line é “uma foto sua”;

- Pelo andar da carruagem, vou continuar ouvindo “mas-meu-deus-você-vê-filme-todo-dia?”. Assim seja;

- “Mas você ainda não se formou?” “Não.”

* Anna Raíssa é formada (ou quase isso) em Letras pela Universidade de Brasília.

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1 comentário:

  1. Tatiana Carlotti (30–12–2009 10:36 am)

    Ana, belas resoluções! Ri muito com teu texto. Abraços, Tati

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