A “força” do inimigo de Israel

29–12–2008 --- Envie para um amigo --- Tuitar

Tanques israelenses perfilados na fronteira da Faixa de Gaza [foto: AFP/G1]por Márcio Pimenta – O início dos ataques israelenses na Faixa de Gaza não é uma simples reação aos foguetes do Hamas. É sim um ataque planejado há mais de seis meses e com um propósito claro: responder com um massacre que eleve a apreciação popular em vésperas de eleições. Não é coincidência também que o ataque seja comandado pelo atual ministro da Defesa, Ehud Barak, que já se utilizou da mesma tática para angariar votos em 2001, mas que foi preterido em favor de Ariel Sharon.

Já se vão mais de 307 mortos e a previsão é que logo, com a entrada de tropas terrestres, este numero suba significativamente, recordando a Guerra dos Seis Dias, quando Israel ocupou o território e não permitiu a evacuação da população civil, mantendo-a dentro de uma zona de guerra. Com este planejamento de seis meses, a trégua entre Israel e o grupo militante (e terrorista) Hamas foi muito bem pensada.

Em que pese as acusações de ambas as partes sobre o não cumprimento do acordo, Israel praticou a estratégia, como em uma espécie de Guerra Fria, de evitar a chegada de alimentos e combustíveis à população de Gaza não apenas durante todo o período da “trégua”, como muito antes do acordo de cessar fogo, como mostra este informe publicado no periódico espanhol El País que aponta alguns números da realidade dos moradores da Faixa de Gaza: 80% da população necessita de recursos externos para se alimentar, o desemprego atinge mais de 40%, os hospitais não possuem energia durante 8 a 12 horas por dia, 70% das famílias vive com menos de 1 euro por pessoa por dia, entre outras estatísticas que mostram a “força do inimigo”.

Não acreditando ser suficiente, Israel procura debilitar ainda mais o inimigo, não importando o custo das vidas civis, e daí o massacre fácil e com poder de reação quase nulo, destruindo desde universidades até legítimos alvos militares. O Estado apresenta assim à sua população o uso da força como uma necessidade a ser mantida pelos seus votos para que possam desfrutar da paz, que obviamente não interessa ao seu governo.

Mesmo com as manifestações dos países árabes e, em menor grau, da comunidade internacional, Israel conta com o relativo silêncio destes últimos e o interesse disfarçado de diálogos de paz dos primeiros para a realização de suas ações militares. Esta ofensiva ocorre ainda durante o processo de mudança presidencial nos EUA e a fragilidade pela qual passa as Nações Unidas. 2009 já começou.

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6 comentários:

  1. Adriana (29–12–2008 3:47 pm)

    Onde estão as Nações Unidas? Bush sustenta essa política suja e desumana e o mundo fica impotente? Será que Obama quando assumir vai tomar alguma atitude? Os palestinos vão resistir até quando? Os israelenses vão continuar impunes e continuar a massacrar esse povo sem terra? Começar 2009 assim é muito triste, faz a gente não acreditar. Bom texto.

  2. Renan (29–12–2008 5:31 pm)

    Israel covarde! Faz com palestinos a mesma coisa que os alemão. Não aprendem com o tempo! Povo ruim.

  3. Ana Al Izdihar (29–12–2008 8:08 pm)

    Pois então, caro colega Márcio…
    A única coisa que eu queria aprender agora seria a demonstrar meu desacordo com a atitude Israelita sem ser considerada anti-semita! Assim como outras coisas que nem posso comentar senão… já viu!

    Pensei no silêncio que você comentou…E talvez seja isso: estamos sendo calados pela ditadura das “minorias” ou das “eternas vítimas”…

  4. Davi e Golias | Ecce Medicus (2–01–2009 8:17 pm)

    [...] e Golias Em Medicina @ 2.Jan.2009. por Karl. Enquanto na Palestina, Davi enfrenta Golias com sua funda, a imprensa internacional racionaliza o massacre, e o mundo se cala. [...]

  5. André Egg (3–01–2009 11:48 am)

    Só ficou estranho, no conjunto do texto, afirmar que o Hamas é um grupo terrorista. Pelo quadro que você pinta, terrorista é o governo de Israel…

  6. Márcio Pimenta (3–01–2009 11:49 pm)

    Estimados(as),

    Adriana, a ONU está enfraquecida desde a mal sucedida operação do Kosovo e Iraque, entre outras operações. Esperamos que uma já bastante discutida reformulação do organismo, se concretize.

    Ana Al Izdihar, gostei da sua reflexão. Mas eu penso que não devemos pensar em escolher um lado, ou mesmo ficar neutros. Complicado né? Mas pensar que podemos escolher, por exemplo, apoiar as leis e instituições, e quem ferir as regras, não importa raça, cor, religião, etc, deverá ser punido por uma instituição internacional (olha a ONU ai novamente!). Eu sei que há muita inocência nesta idéia, mas pode-se partir daí.

    André Egg, é que o Hamas é um grupo terrorista em território palestino. É estranho e contraditório, mas assim é a própia região não? De qualquer forma, talvez devesse abordar mais isso no texto. Valeu a dica.

    Abraços a todos(as) e obrigado pelos comentários!





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