Os alunos desocupados da USP e seus defensores são velhos conhecidos

No final do ano passado, em outro lugar, eu fiz uma série de pequenos comentários sobre livros que haviam saído durante e a respeito do governo Lula. Na maioria, os livros tinham um julgamento negativo daquele que foi, em muitos aspectos, um dos melhores governos que o Brasil já teve. Um dos livros foi A era Lula, de Ipojuca Pontes, reunindo vários artigos e publicado em 2006. O subtítulo da obra é “Crônica de um desastre anunciado”, e a apresentação é de Olavo de Carvalho. Logo no segundo texto, originalmente de novembro de 2003, quando W. Bush já havia visto que Lula não apresentava qualquer perigo para a civilização ocidental, Ipojuca analisa os primeiros passos do governo petista e vê nuvens negras no horizonte. Digo, negras mesmode verdade: “A julgar pelas medidas que vêm sendo adotadas neste início de governo, qualquer semelhança entre os projetos totalitários acima discriminados e o perfil programático que norteia a gestão do Partido dos Trabalhadores pode passar de mera coincidência”. Os projetos discriminados acima são os projetos de Lenin, Mussolini e Hitler.

Não importava de qual ângulo você visse esse argumento, ele nunca se erguia além do nível de besteira. Mas, comentando sobre o livro do Ipojuca, eu observei que, embora as análises do autor não tivessem cabimento, elas pareciam indicar um forte desejo de que tivessem sim base na realidade. Escrevi que talvez, lá em 2003, um golpe totalitário petista fosse o que o nosso autor quisesse, para então ser preso, receber uns cascudos e ser enviado para o exílio nos Estados Unidos. Aí ele poderia ser visto como um Soljenítsin dos trópicos e lido em todo o mundo. Como as coisas se deram, no entanto, com o PT e seus aliados jogando o jogo democrático com relativo respeito pelas regras, Ipojuca Pontes se viu fadado a permanecer no Brasil e ter suas porcarias lidas apenas em seu país de origem.

Nos últimos dias, a depredação da reitoria da Universidade de São Paulo me forçou a encarar o outro lado do espectro político com a mesma sensação de vergonha alheia.

Para amplos setores do grupo dos formadores de opinião, não há delinquência, global ou nacional, com ou sem vítimas fatais, que não possa ser racionalizada. É ato reflexo. Matar é errado, mas se milhares morrem em um atentado em dois prédios comerciais no coração do capitalismo global por ação de um grupo de indivíduos do Oriente Médio, trata-se de uma ação que merece justificação e exposição das “causas profundas”. Ondas de violência em bairros londrinos que prejudicam empregados e pequenos e médios empresários e são reprovadas pela maioria dos nativos e imigrantes, podem ser perfeitamente ligadas a ondas prévias de violência entre gangues racistas e niilistas, mas se jovens saem de lojas com produtos da moda saqueados debaixo do braço, você pode começar a contagem regressiva para o Vladimir Safatle aparecer dizendo que tudo não passou de um grito dos excluídos.

Da mesma forma, se jovens mascarados invadem e vandalizam uma reitoria, isso é lamentável, mas se estão criticando a PM, a Mídia e as Classes Dominantes (policiais não são trabalhadores, dizia um cartaz na reitoria, são apenas o braço armado dos poderosos), apoie-se ou racionalize-se a delinquência e, ipso facto, reprove-se a ação da PM. Para melhorar, o governador ainda é do PSDB.

A julgar pelo que é de conhecimento público, os invasores da reitoria não foram “os uspianos”, como lemos às vezes. A maioria dos uspianos apoia a presença da PM na universidade, até porque vê como ridícula a ideia de que ela restringe a circulação de ideias, aos moldes dos anos 70. Quem invadiu não foi sequer o “movimento estudantil”, mas apenas uma fração deste, formada por PCO, certa Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional, e certo Movimento Negação da Negação.

Nem os estudantes ligados ao PSTU quiseram se juntar à ação. É o tipo de gente que se acha portadora apenas de direitos, jamais de responsabilidades. Sabe-se que essa característica é encontrável facilmente entre os filhos mimados de famílias confortáveis e entre os politicamente radicais, e toma forma bem mais combustível nos indivíduos que são as duas coisas ao mesmo tempo. Na Carta Capital, a repórter e estudante Clara Roman cometeu o eufemismo mais involuntariamente cômico de toda a cobertura do affair. Os extremistas de esquerda, disse ela introduzindo uma fala do sociólogo “especialista em movimento estudantil” Carlos Menegozzo, sofrem de “descondicionamento de classe”. Isso ocorre, explica o especialista, “quando o estudante é desobrigado de criar condições para seu próprio sustento”. Eles estão quase chegando no termo mais adequado, o não-científico.

Agora, como é que os braços na universidade de partidos e facções que há anos se esforçam sem grande sucesso para eleger um vereador em algum dos milhares de municípios brasileiros se transmutam, em vários sites e colunas de opinião, na voz de uma comunidade indignada com a presença da PM no campus? Como é que um grupo que lamenta em suas “teses fundacionais” o fato da esquerda brasileira ter abandonado o projeto bolchevista de Lenin e Trotsky consegue ser visto como uma voz digna de maiores atenções no debate sobre a melhoria do ambiente universitário? Quem vai negar que, como afirmou o governador Alckmin, esses alunos precisam ter aula de democracia?

Você pode defender, como o Wálter Maierovitch, que em uma sociedade democrática moderna, campus universitário não é lugar de polícia. Concordo. Mas isso idealmente. O convênio da USP com a PM, firmado após o assassinato em maio do jovem Felipe Ramos de Paiva, fez com que a criminalidade no local caísse drasticamente. Você pode dizer que o problema da USP é sua arquitetura, que facilita a desenvoltura da bandidagem. Mas não há por que não tomar medidas urgentes enquanto não se redesenha a arquitetura. E, mais importante, todas essas são políticas que se pode reivindicar sem depredar o patrimônio público.

Exceto que os jovens da Quarta Internacional, a exemplo do Ipojuca, se imaginam rumo ao totalitarismo. E se infelizmente tá meio difícil de transformar o país numa União Soviética, que pelo menos se transforme São Paulo na Paris de 68. Ou, se não der a Paris de 68, pelo menos a Santiago de 2011. De fato, um cartaz na reitoria anunciava que agora a coisa ia virar um Chile. Porque o modelo de ensino superior brasileiro pode não ser tão controverso quanto o chileno, mas a Camila Vallejo apareceu na CNN.

E alguns opinadores entraram na fantasia. Lamentando a reintegração de posse pela PM, André Forastieri escreveu no R7 que “os argumentos contra os ocupantes da reitoria da USP são pífios. Eles quebram a lei? Primeiro, se quebram, não importa; leis não existem para serem obedecidas cegamente; a lei é para ser desobedecida e questionada abertamente quando injusta; não é possível aplaudir as rebeliões contra Mubarak e Gaddafi, ou a ocupação de Wall Street, e recriminar os uspianos por não seguir a lei”. É possível que ele esteja de brincadeira. Se não estiver, não, obrigado, eu não estendo a simpatia que tenho por um movimento civilizado contra uma arranjo financeiro demente a uma ação demente de um movimento que, ao menos em parte, defende o fim da presença da PM não apenas na USP, mas também nas favelas antes dominadas pelo tráfico. Quanto ao Egito e à Líbia, com certeza o André tá de brincadeira. Qualquer jornalista com pretensão a seriedade que não faça distinção entre as leis e o papel da polícia em uma ditadura e as lei e o papel da polícia em uma democracia só pode estar de brincadeira, se não quisermos ser mais duros no julgamento.

Mas até aí, para muitos intelectuais e opinadores, essa distinção não existe mesmo, ou é irrelevante. Democracia, numa sociedade capitalista, não passa de uma miragem. E a polícia, numa democracia desse tipo, não pode ser muito diferente da polícia de uma autocracia árabe. Eu não duvido que se algum dos militantes pela causa operária tivesse usado um dos coquetéis molotov que estavam na reitoria para pôr fogo ao próprio corpo, apareceria algum escriba em site de grande visitação para compará-lo a Mohamed Bouazizi. Tal é o nível do nosso debate público.

Um dia, apenas para provar que jovens reacionários de esquerda costumam dar bons adultos reacionários de direita, alguns dos que invadiram a reitoria da USP em 2011, abandonadas as esperanças de revolução, se dedicarão com especial emprenho à crítica dos programas de assistência do governo federal. Então, sua preocupação com as pessoas menos favorecidas será tão forte quanto já é hoje em dia, com a defesa do fim dos mercados. Aí eles compararão o Partido dos Trabalhadores ao Partido Nacional Socialista. É tudo uma questão de falta de caráter.

52 comentários | Dê sua opinião

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  2. Raphael Tsavkko 09/11/2011 em 4:40 pm

    A ação da PM ao prender 3 alunos que fumavam maconha foi, infelizmente, correta. Fumar maconha é crime, por mais que eu, pessoalmente, defenda a legalização das drogas. Obrigação da polícia é fazer cumprir a lei.

    Agora, dado o estilo truculento da PM, dificilmente iriam fazer vista-grossa, pois sentem prazer em criar confusão e aparecer, especialmente se puderem dar porrada ou levar pra delegacia quem eles consideram “vagabundo riquinho” (basicamente qualquer universitário).

    Mas concordar com a legalidade da ação policial ao prender quem fuma maconha é diferente de concordar com seus métodos. Não faço idéia do tom e da força usada pela PM para prender os rapazes, e isto pode pesar. Aliás, eu acho estúpido prender quem fuma maconha, isto não altera em anda o comportamento de nenhuma das partes, mas apenas faz o PM se sentir poderoso. Da mesma forma que muito maconheiro se acha “bozão” por achar que está contestando o mundo ao fumar.

    A questão principal, porém, vai além, e passa pela própria presença ostensiva da PM dentro do campus universitário.

    O campus é um lugar de contestação por natureza. Assim é a universidade. USP, PUC, não importa, universidade é um espaço de contestação, de rebeldia, de festas e, claro, de aprendizagem, mas de todo tipo de aprendizagem e não apenas aquela das salas de aula.

    E fumar maconha faz parte. Beber faz parte. Contestar faz parte. Há uma clara oposição entre a lei e as práticas (oras, entra-se na universidade com 17 anos e é proibido beber até os 18, mas alguém se importa?) dentro dos muros da universidade, dentro dos limites do campus.

    A presença da PM é uma provocação clara tanto da Reitoria, abertamente conservadora e ilegítima, quanto do governo, igualmente conservador. é uma forma de tentar “acalmar” os ânimos e a contestação estudantil.

    E é um tiro no pé, estupidez pura. Uma provocação perigosa contra a comunidade universitária.

    http://www.tsavkko.com.br/2011/10/lugar-de-pm-e-no-campus.html

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    • Daniel 09/11/2011 em 4:56 pm

      Raphael,

      É estúpido prender quem fuma maconha, mas ainda é legal. Até que a proibição caia, na base do direito, recomenda-se fumar na tranquilidade do lar ou em festas privadas.

      OK, campus é lugar de contestação para quem quer contestar o que quer que seja, a Grande Mídia ou o Foro de São Paulo. Mas a principal função de uma universidade ainda é formar sujeitos com excelentes conhecimentos em sua área, e para isso conta mais o que se passa na sala de aula. Dar segurança a quem vai e vem da sala de aula, a qualquer hora do dia, é dever básico de qualquer reitoria.

      Não há indício de que a PM esteja reprimindo a “contestação estudantil”, e nem que seja considerável o número de alunos e professores que compartilham dessa opinião.

      Abs.

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      • Raphael Tsavkko 10/11/2011 em 12:18 am

        Maconha não é o problema, foi apenas o estopim. A PM vem provocando os estudantes desde que entrou no campus, uma hora tinha que estourar.

        Não só há indícios como provas, a PM revista estudantes sem qualquer justificativ,a os xinga e ameaça no campus.

        Responder
        • Daniel 10/11/2011 em 12:49 am

          Isso não é indício de que a PM esteja reprimindo a “contestação estudantil” (eu tava pensando mais em algo como invadir centros acadêmicos ou quicar um Althusser das mãos de um menino no banco). É indício de que esteja, além de operando para a redução das ocorrências, fazendo o que não deve (revistas indevidas, xingamentos, ameaças). É errado mesmo. Mas tem caminho legal, não? Os estudantes reúnem as provas e levam a quem de direito.

          E, Raphael, como é que o estouro de um negócio tão ruim assim se dá logo com PCO e Quarta Internacional? Porque são vanguarda e voz da comunidade uspiana alienada?

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          • Raphael Tsavkko 10/11/2011 em 3:50 am

            A ocupação foi comandada por PCO e cia, e não foi legítima (a repressão menos ainda), mas a primeira revolta foi geral na FFLCH, apoiada pelo DCE e demais organizações/partidos.

            E, o problema é a presença em si da PM. É provocação da reitoria. A USP tem orçamento maio que 99% das cidades brasileiras e plena capacidade de ter uma guarda própria ue funcione, mas esta guarda nãoagrada ao Rodas, ele quer dar porrada e provocar.

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            • Pablo Vilarnovo 11/11/2011 em 1:52 pm

              Raphael, sinceramente essa invasão não tem nada a ver com o consumo de drogas e com a violência no Campus da USP. Essa galera sempre se diz contra a privatização do Estado não é? Bom, qual a alternativa à PM? Só existe uma: a contratação de empresas particulares de segurança. Então pela lógica essas pessoas são contra uma estrutura do Estado e a favor a uma empresa privada. Tem lógica isso? Sim tem. Quem conhece essas faculdades sabe muito bem que os seguranças privados estão lá apenas para proteger o patrimônio. Eles não atuam no consumo de drogas e muito menos nos outros crimes.

              Mas o real motivo, na minha opinião, é outro. O Art. 37 da Lei 9504 veta a propaganda política por meio de pichações, cartazes, banners e outros dentro de unidades públicas. Já o artigo 73 da mesma lei, em seu inciso 1º veta a utlização desses mesmos imóveis a políticos, partidos ou coligações salvo no caso de convenção partidária.

              Não é mistério para ninguém que esses partidos mais radicais só sobrevivem por conta das universidades públicas (principalmente). Sem poder utilizar as universidades fatalmente iriam morrer. Pergunte para qualquer aluno de federal ou estadual quantas vezes já tiveram uma aula interrompida para a pregação política desses militantes. Quantas vezes já viram propaganda política partidária dentro das universidades em período eleitoral.

              Com a PM lá, um aluno conhecedor da lei pode se aborrecer e conversar com um PM. O PM pode levar o assunto a diante…

              Só um dado: a relação candidato vaga do curso mais concorrido da FFLCH foi de 6,6. A última prova da PM teve uma relação de 101 candidatos por vaga.

              Responder
          • Bruno 10/11/2011 em 11:47 am

            A minha dúvida ao Raphael é a seguinte:

            O Raphael diz que toda a revolta dos vagabundos ocorreu em virtude da forma de atuação da PM no campus. “A PM vem provocando os estudantes desde que entrou no campus, uma hora tinha que estourar. Não só há indícios como provas, a PM revista estudantes sem qualquer justificativ,a os xinga e ameaça no campus”. Ok.

            Agora à dúvida.

            Dentro do campus no qual ocorreu a “revolta”, existem inúmeras unidades, como a FEA, a FMVZ, a POLI, a EEFE, a FO, a FMUSP, o IQ, o IRI, o IF, o IME e etc… Por que, meu caro Raphael, a grande maioria dos invasores da reitoria (que foram presos), eram da FFLCH, da comunicação e FAU?

            Aonde estão os estudantes de todas essas outras unidades que foram abusados pelos PMs?

            Responder
            • Bruno 10/11/2011 em 11:49 am

              mais uma questão:

              o que estavam lá fazendo os invasores que nem alunos da USP eram?

              Responder
              • Raphael Tsavkko 11/11/2011 em 3:12 am

                colega, eu não perco meu tmepo discutindo com quem chama estudantes de vagabundos. Boa sorte com tua estupidez.

                Responder
                • Bruno 11/11/2011 em 2:10 pm

                  Colega de blog, eu não chamo estudantes de vagabundos. Eu chamo estudantes invasores de propriedade pública, que passam dias pixando e depredando, de vagabundos.

                  Aliás, fui estudante do ensino superior até pouco tempo e não me considero estudante vagabundo, afinal, trabalhava de dia e estudava de noite. Nada muito diferente da vida de 80% dos graduandos da USP. Até aqueles que não trabalham, mas que realmente estudam merecem créditos e, obviamente, não podem ser taxados de vagabundos!

                  A real, caro Tsavkko, é que você não têm argumentos e usa da antiquíssima prática de tentar desqualificar o interlocutor para não debater.

                  Se você realmente acredita no que está escrevendo aqui, tente me explicar o que motivou os invasores que NÃO eram estudantes (esses podem ser vagabundos?) e por que a polícia escolhe apenas os alunos da FFLCH pra assediar e incomodar.

                • Bruno 11/11/2011 em 2:23 pm

                  Aliás, Tsavkko, tentar convencer alguém que fumar maconha faz parte do “ambiente de contestação” do campus, é o cúmulo, né? Pra vossa informação, fumar maconha é contravenção em todo território nacional, incluindo os campi de qualquer faculdade.

                  Se você acha que fumar maconha e utilizar bebidas alcoólicas faz parte de um ambiente de excelência em ensino e pesquisa, então já temos um caminho para explicar porque a educação no brasil é sofrível e a pesquisa está afundada.

    • Hugo Silva 10/11/2011 em 1:32 pm

      Na verdade, o consumo de drogas é crime sim, mas, como a pena é apenas admoestação (uma “bronca”, em português) e advertência sobre os riscos, a pessoa não pode ser presa. Deve ser feito um termo circunstanciado da ocorrência e não lavrado um auto de prisão em flagrante.

      Se a pessoa fosse presa, a medida cautelar (como a pessoa não foi julgada ainda, essa prisão só pode ter a natureza de uma medida para assegurar – acautelar – a execução de uma possível pena aplicada pelo processo) seria mais danosa que a possível pena, ou seja, um inocente (ainda que suspeito de ter praticado o delito, por força da presunção de inocência) estaria suportando mais do que um culpado pelo mesmo crime, o que seria injusto.

      Por isso, apesar das pessoas falarem que a PM “prendeu” os 3, ela deve ter somente encaminhado eles até a autoridade competente (juiz ou delegado) para lavrar o termo circunstanciado, ainda que de forma coercitiva (utilizando a força).

      Abraços

      Responder
      • Bosco 10/11/2011 em 2:25 pm

        Se um grupo de estudantes é retirado de um campus universitário onde estuda, e levado até a uma delegacia para ser lavrado um procedimento inerente ao uso ou posse de maconha, que já é considerado contravenção e não mais crime. Em alguns paises civilizados, já é uma droga lícita e socialmente aceita. Se esse procedimento não foi uma prisão, deve ter sido um passeio contra a vontade deles, e a força. O que para mim é uma prisão! Uma universidade deveria ter uma guarda de segurança adequadamente treinada para lidar com alunos e professores civilizadamente. E não uma força de choque como a PM é treinada, despreparada para o diálogo, afeita ao suborno e a violência, ao preconceito. Para a PM todo civil é um “riquinho folgado” e toda “bicha” merece porrada. Treinada para confrontos e não para o dialogo. Sabemos que a polícia, por ser um órgão eminentemente repressivo, não está preparada para lidar com a realidade de um campus universitário. Enquanto isso, falta policiamento na cidade, a periferia está entregue aos traficicantes e as milicias que são compostas por policiais civis e membros da PMs. Enquanto isso, na nossa escola pública, adolescentes e professores são agredidos e mortos dentro e fora da escola, e a disculpa é de que não há efetivo para protege-los. – A vítima é culpada pelas agressões. Muito esquizofrênico isso!

        Responder
        • Hugo Silva 10/11/2011 em 3:10 pm

          Calma, não estou defendendo a ação da PM que reprimiu o uso de droga pelos estudantes. Apenas dizendo que eles não foram presos. Neste sentido, não interessa o que você considera prisão ou não: ser preso é ser colocado em uma cela, o que não ocorreu (se ocorreu, existe uma grave ilegalidade).

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  3. Ary 09/11/2011 em 6:28 pm

    Sem dúvida, um blog limpo, com mais um texto de de posições direitistas (onde se misturam cubagem de piscina com sacas de feijão – ou, “uma mistura de sargento com cobra d’água”. Mas é o jogo…

    Responder
  4. Carlito 09/11/2011 em 6:32 pm

    Como se o pessoal fosse parar de fumar maconha se a polícia chegasse e pedisse: “Por favor, caros uspianos limpinhos, os senhores podem, por obséquio, apagar esses simpáticos cigarrinhos do capeta? Nem é por nós, até gostamos de dar uns tapinha de vez em quando… É que a Universidade é toda monitorada e a gente tem que fazer o nosso trabalho, que é, bem, coibir, impedir, que vocês fumem um beisinho por aí, entendem? Ah, apagaram! Olhe, toquem aqui, muito obrigado! E não se esqueçam, por aqui a gente não pode deixar fumar, ok? É a lei, meus caros! Formem-se, virem presidente da república, e mudem isso, pelo amor de Deus!”.

    Responder
    • Bosco 10/11/2011 em 2:35 pm

      Se a universidade é toda munitorada, para que uma força policial de choque lá dentro? Qual o mau que um aluno emaconhado pode fazer ao próximo ou a USP? Pelo que sei, ele fica mais calmo e mais amavel. E que é uma droga bem mais inofensiva que o alccol. A única consequencia que acho que poderia acontecer, seria por exemplo ele gasear a próxima aula. Quanto a PM, ela não foi concebida para dialogar, o treinamento de um PM é um treinamento de combatente. Ele é um ordenador que usa de meios imperativos e até violentos para ser obedecido. Isto está no RDPM deles.

      Responder
      • Carlito 11/11/2011 em 1:31 pm

        Seria até uma boa que eles fumassem sempre, né Bosco? Todo mundo ficaria calminho, os professores teriam menos trabalho… Nem parece que aqueles caras corajosos e brigões são maconheiros que vivem na brisa da ganja. Pareciam ligados no pó, né? Credo. O único problema é que a maconha (e a cocaína) é uma (ou duas) ilegal, diferente do alcool. Aliás, sou a favor de proibirem o álcool também. E o cigarro. Como isso ainda não aconteceu, a polícia tem que reprimir e coibir o uso de drogas ilegais, certo? Ou você queria que um policial olhasse para o outro e dissesse: “Opa, olha para lá, pro outro lado, aqui tem um sosegadão fumando unzinho, vamos fazer de conta que não vemos, afinal ele está tão calminho!” . Tenha dó.

        Responder
  5. Mario 09/11/2011 em 7:22 pm

    Cara, como a jornalista do JC publicou: Os estudantes não depredaram a reitoria. Aconteceram pixações, parou por aí. Quem destruiu a reitoria inteira foi a polícia.

    Além disso tu ao menos deveria saber que o uso desproporcional de força por parte de qualquer instituição do Estado contra seus cidadãos, criminosos ou não, é passível de punição. Eram alunos, estavam desarmados. Chamaram a cavalaria, o GOE, helicópteros, o choque. Tudo isso pra conter uma manifestação estudantil.

    Me parece um uso bem desproporcional de força por parte da polícia, certo? Além disso, o movimento que invadiu a reitoria também tinha como reinvidicação a retirada do Rodas da reitoria.

    Partindo para outro trecho:
    “Você pode defender, como o Wálter Maierovitch, que em uma sociedade democrática moderna, campus universitário não é lugar de polícia. Concordo. Mas isso idealmente.”

    Você está procurando uma solução imediata e ditatorial para um problema que poderia ser resolvido de forma justa e muito melhor elaborada. Uma solução simples para um problema complexo. E essa solução imediatista, apesar de eficaz contra, como você apontou, o crime, vem com um custo deveras elevado: A liberdade de expressão. Como já citei acima, era necessária tanta força policial para prender estudantes, universitários desarmados?

    Não sei se você tem conhecimento do fato, mas acontece que as ciências humanas estão, numericamente, em desvantagem. O que leva a, claro, “direitistas” a governarem a USP, que é o que acontece no momento com o Grandino Rodas. Se você acredita que, ainda assim, a democracia deveria ser respeitada, não se esqueça que os direitos inalienáveis de liberdade de cada cidadão também deve, senão passa de democracia a ditadura da maioria.

    O que eu quero dizer é: Tem outro meio de prevenir a criminalidade na USP, o Rodas não é o reitor ideal, causando descontentamento em diversos setores da faculdade e houve abuso de força por parte do Estado. Inegável.

    Ah, sim, último comentário: ” Sabe-se que essa característica é encontrável facilmente entre os filhos mimados de famílias confortáveis e entre os politicamente radicais”
    “É possível que ele esteja de brincadeira. Se não estiver, não, obrigado, eu não estendo a simpatia que tenho por um movimento civilizado contra uma arranjo financeiro demente a uma ação demente de um movimento que, ao menos em parte, defende o fim da presença da PM não apenas na USP, mas também nas favelas antes dominadas pelo tráfico. Quanto ao Egito e à Líbia, com certeza o André tá de brincadeira. Qualquer jornalista com pretensão a seriedade que não faça distinção entre as leis e o papel da polícia em uma ditadura e as lei e o papel da polícia em uma democracia só pode estar de brincadeira, se não quisermos ser mais duros no julgamento.”

    Os componentes do movimento não importa. Importa, na verdade, os ideais. É estúpido você argumentar dizendo que “é um comportamento comum vindo de mimados e radicalistas” como se isso anulasse qualquer argumentação racional. É desconsiderar, por exemplo, que Schopenhauer foi um influente filósofo porque não veio de família pobre. Que Newton, de família rica, deve estar enganado pois não tinha que trabalhar para comer.

    Ridículo, né? Pois então, os senhores sabem agora como soam sua argumentação. Não importa se são maconheirinhos. Não importa se são filhos de rei, filhos da favela, ateus ou evangélicos. O que importa é o ideal e vocês parecem passar por eles sem sequer considerar ouvir a argumentação baseado em um puro preconceito contra uma classe que é, provavelmente, à qual você também pertence.

    E, quanto ao jornalista do R7 fazer as comparações: Válido, por que não? Os movimentos foram de mobilização social, o que aconteceu em menor escala em São Paulo, é verdade. Eles não estão lutando contra um sistema econômico não-sustentável, é verdade. Mas eles estão lutando para mudar o que lhes incomoda e fazem grande parte da sua argumentação baseada em razão. Se o senhor acha que são movimentos sem validez e que deveríamos lutar pra substituir o mesmo sistema econômico que reina nos EUA aqui no Brasil, o senhor poderia sair para reivindicar tais mudanças. Cada um que lute pelas mudanças que desejam.

    Responder
    • Mario 09/11/2011 em 7:26 pm

      E perdão pelos erros ortográficos (especialmente de concordância), na próxima vez reviso antes de publicar o comentário.

      Responder
    • Juliana Dacoregio 10/11/2011 em 12:29 am

      Mario, o autor do texto está reivindicando mudanças, sim. Como não? Dê uma navegada pelo site, veja quantos textos críticos sobre política, economia, sociedade, e outros assuntos que devem ser debatidos, estão publicados aqui. Cada um usa as armas que tem. Escrever e divulgar opinião é uma forma legítima de agir e lançar sementes para que diálogo e reflexões sejam possíveis.

      Responder
    • Daniel 10/11/2011 em 12:35 am

      Mario,

      Obrigado pelo comentário.

      Bem, pelo menos o portão de acesso aquele grupo de estudantes quebrou sim. Como a polícia destruiu a reitoria, você sabe? Será que os invasores estenderam tapete, abriram as portas, ofereceram chá e, ainda assim, a PM falou, “Não, chá não. Sai todo mundo, mas antes deixa a gente virar esses móveis”.

      Força excessiva tem que ser investigada e punida, você está certo. Mas a reitoria tinha que ser desocupada. Um fato não exclui o outro.

      Qualquer outro meio de diminuir a criminalidade na USP que não com a presença da PM deve ser proposto sem a depredação dos portões de acesso da reitoria.

      Por favor, observe que eu não citei a condição de bon vivant dos rapazes (de resto julgada um fator relevante pelo sociólogo escutado pela Carta Capital) para, com isso, desmerecer seus atos. Eu sou bastante favorável à burguesia, e quero que mais gente ascenda à condição. Eu desmereci os atos pelos atos mesmo. O que eu quis dizer foi que se achar portador apenas de direitos (por exemplo, fumar maconha onde der na telha) e nunca de responsabilidades é uma condição facilmente encontrável entre meninos de boa cepa e entre politicamente radicais, e que costuma haver combustão quando se é um e outro ao mesmo tempo, como no caso dos alunos de reitoria. Às vezes a coisa é trabalho apenas para humoristas, mas às vezes é trabalho para a polícia.

      Conhecer bem quem são os integrantes de um movimento importa sim. Sabe por quê? Porque são eles que agem, e não os “ideais”. Se apenas os ideais contassem, e não os indivíduos e suas ações, qualquer crime poderia ser desculpado apontando-se os bons motivos.

      Quanto ao texto do André no R7, reafirmo que a comparação foi indigna de um profissional sério.

      Abraço e obrigado por opinar.

      Responder
      • Mario 11/11/2011 em 7:11 pm

        “O que eu quis dizer foi que se achar portador apenas de direitos (por exemplo, fumar maconha onde der na telha) e nunca de responsabilidades é uma condição facilmente encontrável entre meninos de boa cepa e entre politicamente radicais, e que costuma haver combustão quando se é um e outro ao mesmo tempo, como no caso dos alunos de reitoria. Às vezes a coisa é trabalho apenas para humoristas, mas às vezes é trabalho para a polícia.”

        O senhor está julgando, preciptadamente, que eles se acham pessoas isentas de deveres, portadoras apenas de direitos. Me diga onde isso foi evidenciado? Você realmente acredita nisso? É bom lembrar que os cursos de humanas da USP são dos mais conceituados não só na universidade, como no mundo afora (6 habilitações estão entre as 200 melhores do mundo). Argumentar que eles se acham apenas com “direitos” e não com “deveres” é estupidez.

        Além disso, crimes cometidos fora do protesto não importam, não. E, veja bem, depende muito da definição de crime, também. Você consideraria criminoso alguém que invadiu os arquivos da Ditadura Militar e os distribuiu para a população? Porque, veja bem, os arquivos permanecem confidenciais. Seria evidenciado como crime, mas não é uma forma válida de protesto?

        E, óbvio, crimes cometidos durante o protesto seriam analisados. Como eu mesmo identifiquei: Aconteceram pixações nas paredes da reitoria. Crime? Sim. Devem ser punidos? Concordo, mais uma vez. Daí a culpar os estudantes pela destruíção de móveis, janelas e outros artigos é um grande passo. Mas é irrelevante, por exemplo, tapar os ouvidos à um protestante que use maconha “porque ele usa maconha”. A maconha é irrelevante no protesto, não há porque considerá-la. E isso se extende a todo tipo de crime e outros preconceitos como classe social, cor, idade ou o que o valha.

        “Força excessiva tem que ser investigada e punida, você está certo. Mas a reitoria tinha que ser desocupada. Um fato não exclui o outro.”

        Não, não exclui. Mas a justificativa de “a reitoria deve ser desocupada” não valida o uso excessivo de força. Vidas não estavam em perigo e, portanto, qualquer maltrato seria não só injusto como inconstitucional. Independente do fato da reitoria ter que ser desocupada ou não, prender os estudantes deveria ser o suficiente.

        ‘Bem, pelo menos o portão de acesso aquele grupo de estudantes quebrou sim. Como a polícia destruiu a reitoria, você sabe? Será que os invasores estenderam tapete, abriram as portas, ofereceram chá e, ainda assim, a PM falou, “Não, chá não. Sai todo mundo, mas antes deixa a gente virar esses móveis”’

        Será que os funcionários da reitoria abriram as portas, estenderam tapete, ofereceram chá e ainda assim, os invasores falaram, “Não, chá não. Sai todo mundo que agora a gente vai ocupar, mas antes deixa a gente quebrar esse portão da frente”. É óbvio que eles quebraram o portão da frente, iam entrar de que forma? Mas e a polícia forçando entrada por dois lados quando a situação já estava completamente contida dentro da reitoria? Qual foi a necessidade, quebraram duas portas por quê? A polícia vai arcar com os custos do que eles quebraram ou foi necessário pra manter o “ideal capitalista extrema-direita” dos governantes (e do Rodas)? Por que isso não se aplica aos manifestantes? Por que você acredita que ocupação de um prédio público seja uma forma inválida de protesto ao ponto da reitoria ter de ser desocupada?

        Além disso, alternativas à PM na USP foram expostas perto de Maio, logo após o incidente e os anúncios do acordo PM – USP. Diversos protestos que pouco receberam a atenção da mídia, eram extremamente pacíficos e foram completamente desconsiderados. A intensidade, é óbvio, só cresceu, pois era necessário que eles fossem ouvidos. Infelizmente, eles foram, porém seus discursos foram distorcidos ou simplesmente desconsiderados.

        Responder
        • Daniel 11/11/2011 em 10:09 pm

          Sim, esse punhado de alunos se acha portador apenas de direitos. Evidenciado pela ação idiota. Pode ser que eu esteja errado, mas não aposto.

          Se ficar provado que o punhado quebrou apenas o portão de entrada, eu retirarei parte do que disse. Não lhe dou o benefício da dúvida. E, sim, a reitoria não estava de porta aberta para os invasores, e nem deveria estar.

          Eu acho que a reitoria tinha que ser desocupada porque precisava voltar a funcionar. Não acho que o punhado que abomina a PM (no campus, nas favelas e vai saber onde mais) seja representativo o suficiente da opinião geral para justificar a ocupação da reitoria.

          Abs.

          Responder
    • Bruno 10/11/2011 em 11:55 am

      Meu caro, o senhor diz que “Você está procurando uma solução imediata e ditatorial para um problema que poderia ser resolvido de forma justa e muito melhor elaborada. Uma solução simples para um problema complexo. E essa solução imediatista, apesar de eficaz contra, como você apontou, o crime, vem com um custo deveras elevado: A liberdade de expressão. “.

      Por favor, me explique como, atualmente, a presença da PM no campus cercea a liberdade de expressão de alguém.

      Responder
    • Pablo Vilarnovo 11/11/2011 em 2:03 pm

      “Cara, como a jornalista do JC publicou: Os estudantes não depredaram a reitoria. Aconteceram pixações, parou por aí. Quem destruiu a reitoria inteira foi a polícia.”

      Sim, junto com o Papai Noel e o Coelinho da Páscoa. O que mais me escapa é achar que pixação não é destruição… traz tanto custo quanto comprar uma cadeira nova.

      “Além disso tu ao menos deveria saber que o uso desproporcional de força por parte de qualquer instituição do Estado contra seus cidadãos, criminosos ou não, é passível de punição. Eram alunos, estavam desarmados. Chamaram a cavalaria, o GOE, helicópteros, o choque. Tudo isso pra conter uma manifestação estudantil.”

      Sim, mas onde houve o uso desproporcinal de força? A única coisa que vc comprovou é que havia mais policiais que invasores. Apenas isso. De maneira nenhuma caracteriza o uso desproporcional de força. O fato de não ter havido nenhum incidente grave demonstra muito bem isso. Todos nós vimos muito bem o que aconteceu a três policiais contra mais de 100 alunos. Naquela hora não houve uso desproporcional de força?

      Outra coisa: a polícia não interferiu em uma manifestação estudantil. Interfiriu em uma invasão ilegal a um espaço público. Os estutantes tem todo o direito de se manifestarem, nenhum direito de invadir e depredar o espaço público.

      ” E essa solução imediatista, apesar de eficaz contra, como você apontou, o crime, vem com um custo deveras elevado: A liberdade de expressão.”

      Novamente confundes as coisas. Os estudantes tem todo o direito de se manifestarem e sempre fizeram isso. São diversas assembléias, debates, cursos, festas, projetos em relação a ideologias que eles defendem. Nunca houve interferência da polícia nisso. Vc conhece algum caso em que a polícia interferiu nisso? Aposto que não. A polícia interferiu em uma invasão de um prédio público. Como foi determinado pela justiça.

      Sou plenamente favorável que as pessoas lutem pelo que elas desejam. Mas isso deve ser feito dentro da lei e dentro de um regime democrático de direito. Achar que podem IMPOR sua vontade através da violência (sim, pois a invasão por sí só já foi um ato violento) é errado.

      Responder
  6. Ataliba 10/11/2011 em 12:55 am

    De que adianta estar na universidade, se a universidade não consegue entrar no cérebro deles.

    Errada ou não, a ação da PM foi a de defender o patrimônio público, que não é dos alunos da USP, e sim, do estado de SP, e até do Brasil, porque universidade como elas recebem injeção de dinheiro federal.

    Resumo, se quer realmente ser alguém contestador então, vai ralar como metalúrgico o dia inteiro, e depois, ir para uma faculdade particular pagando sua mensalidade.
    Queria ver se eles iam ter tempo, neste ritmo, de lembrar de maconha hahahaha

    Responder
  7. Fabiano Camilo 10/11/2011 em 2:09 am

    Daniel,

    também não aprovo a atuação dos alunos que invadiram e ocuparam a reitoria da USP, mas também não aprovo a ação da tropa de choque da polícia militar, tampouco concordo com o comentário do governador Geraldo Alckmin, afirmando que aqueles alunos precisavam de uma aula de democracia, pois o que vi foi uma aula de truculência.

    O primeiro problema, o principal, é a continuidade da existência de órgãos policiais militarizados (as pólícias militares dos estados e do DF) em um Estado democrático de direito. É uma excrecência que, na segurança pública, a população esteja submetida ao poder de polícia não de órgãos civis, mas ao de órgãos militares. Em outras palavras, sou contrário a presença das polícias militares em quaisquer espaços públicos. O segundo problema está relacionado justamente ao fato de a USP ser uma instituição pertencente à administração pública (indireta), ao fato de ser um espaço público. Universidades públicas são autarquias ou fundações públicas de direito público (fundações autárquicas ou autarquias fundacionais, de acordo com a doutrina administrativista). Exemplos: Anac, Ancine, Banco Central, Ibama etc. Todas as autarquias e fundações públicas de direito público possuem em seus quadros servidores públicos responsáveis pela atividade de segurança ou, então, contratam empresas terceirizadas para realizar tais atividades. A primeira opção é a mais adequada. Que eu saiba, em nenhuma autarquia ou fundação pública de direito público a atividade de segurança é competência da polícia militar. Por que as universidade deveriam ser uma exceção? O fato de que a USP tenha realizado um convênio com a Secretaria de Segurança do estado de São Paulo deveria ser objeto de uma reflexão mais detida. A necessidade de um convênio não é indício justamente de que a atividade de seguraça do campus não é competência da polícia militar? Por que a governadoria de São Paulo não cria novos cargos de segurança e preenche os que estão vagos? Se a criminalidade e o medo no campus atingiram os níveis que foram alcançados, foi devido ao descaso de sucessivos governos estaduais com a área de segurança da USP.

    Entendo sua crítica ao Forastieri, que situa no mesmo plano a ocupação da reitoria da USP e a ocupação de Wall Street, bem como as revoluções no Egito e na Líbia. Não obstante, exemplos à parte, concordo com ele quando afirma que as leis não podem e não devem ser obedecidas irrefletidamente e que temos o dever de desobedecer as leis injustas. É importante reiterar a legitimidade da desobediência civil – o que não significa chancelar qualquer ato que se pretenda desobediência civil -, principalmente nestes tempos em que as vozes dos consevadores que defendem uma obediência irrestrita, total, às leis, independentemente do conteúdo e da finalidade, falam cada vez mais alto e se torna mais e mais audíveis.

    Responder
    • Hugo Silva 10/11/2011 em 1:45 pm

      Muito bom o seu comentário. Expõe mais ou menos o que penso, especialmente sobre a polícia administrativa ser exercida por uma guarda militar, herança da ditadura de 1964.

      Já passou da hora de tornar a polícia militar um corpo civil e de subordinar a polícia judiciária (polícia civil) ao ministério público ou, ao menos, de torná-la independente do executivo para poder realizar investigações de qualidade com orçamento próprio.

      Abraços

      Responder
      • Carlito 11/11/2011 em 1:34 pm

        Apenas uma coisa, Fabiano: a Polícia não é democrática, certo? Não é e nem deve ser. Ok?

        Responder
    • Pablo Vilarnovo 11/11/2011 em 2:27 pm

      “O primeiro problema, o principal, é a continuidade da existência de órgãos policiais militarizados (as pólícias militares dos estados e do DF) em um Estado democrático de direito. É uma excrecência que, na segurança pública, a população esteja submetida ao poder de polícia não de órgãos civis, mas ao de órgãos militares.”

      O que vc falou valia para a época da ditadura, hoje não. Explico. A polícia militar (assim como os bombeiros) são comandadas por um civil no caso o Governador. É o Governador que indica o Comandante Geral da PM, assim como o dos bombeiros. Até mesmo as Forças Armadas são comandadas por um civil, no caso o Presidente da República que é o Comandante em Chefe. Hoje ainda temos o Ministério da Defesa.

      O que eu concordo com vcs é que deveria haver uma junção das duas polícias para que a carreira fosse única, isso seria ótimo para os PMs que com uma prova interna poderia passar do trabalho de patrulhamento ostensivo para o investigativo. Como acontece em quase todo o mundo.

      “A necessidade de um convênio não é indício justamente de que a atividade de seguraça do campus não é competência da polícia militar? Por que a governadoria de São Paulo não cria novos cargos de segurança e preenche os que estão vagos?”

      Não. Como vc bem falou a USP sendo uma unidade estadual tem como organismo de segurança pública a Polícia Militar do Estado de São Paulo. Da mesma forma que tribunais e autarquias públicas possuem acordos para que policiais sejam cedidos (há PMs trabalhando nos tribunais, hospitais e etc), a USP simplesmente fez o mesmo.
      O que vc propõe, pelo que pude entender, é a criação de uma polícia especializada para a USP e outras universidades estaduais (as federais a PM só pode entrar em casos extremos, pois seria a função da Polícia Federal). É algo factível e uma boa idéia. Acontece que essa polícia iria ser criada dentro do quadro da PM, seriam PMs do mesmo jeito.

      ” e que temos o dever de desobedecer as leis injustas.” Juro que fiquei pensando muito sobre isso. Como liberal tenho certa simpatia por esse argumento. Mas também entendo que definir que uma lei é injusta ou não é algo subjetivo e pessoal. No caso da USP, acho que ninguém discorda que a presença da PM é apoiada pela maioria dos estudantes, professores e, ouso dizer, funcionários. Acho que isso não dá nem para discutir. Será que o argumento da maioria é justo? Por exemplo, acho a lei que destina um vagão próprio para mulheres no metrô no rio injusta (aliás, acho até incostitucional). Mas eu a obedeço. Imagina se cada um resolver não cumprir uma lei que acha injusta?

      É complicado isso. Mas também irrelevante. Digo isso pois usar esse argumento nesse caso específico é, digamos, phoda… Não vi nenhum argumento digno de nota que impessa a presença da PM na USP. Nenhum, niet, nill, none, ningún..

      Responder
      • Hugo Silva 12/11/2011 em 5:12 pm

        - Eu não sou a favor da união das polícias. São duas coisas diferentes. Polícia judiciária e administrativa não se confundem. A polícia judiciária tem que estar ligada ao Ministério Público para investigar os delitos (ou, ao menos, responder as suas necessidades). A polícia administrativa deve ser independente do Executivo para poder investigá-lo e ser um corpo civil, sujeito ao controle externo por parte do MP e da sociedade.

        O argumento que isto ocorre na maioria do mundo é falacioso. Primeiro porque não corresponde à verdade (Itália tem duas polícias, França tbm, América Latina em geral tbm); segundo porque mesmo que a maioria tivesse, isso não conclui a favor do modelo (basta notar que, antigamente, a maioria das nações eram monarquias e isto nunca quis dizer que este fosse o melhor modelo).

        - Vendo seus comentários sobre desobediência civil dá pra ver que tipo de “liberal” vc é: aquele do século XIX, que vem de Hegel e dos positivistas e acredita em um dever moral de obedecer leis ainda que inválidas (pq injustas). Qualquer um dos iluministas (estes sim, verdadeiros liberais – ainda que ingênuos) é a favor do direito à desobediência civil em razão dos valores superiores que formam a comunidade (democracia, república, vida, igualdade, liberdade) e que, em boa medida, estão hj constitucionalizados.

        - Democracia substancial existe para defender as minorias das maiorias, impedindo que seus direitos sejam violados. É lógico que o argumento da maioria (democracia política) apenas diz quem deve governar, mas não como os direitos devem ser tratados (aquilo sobre o que não se pode decidir e aquilo sobre o que se deve decidir).

        Responder
        • Pablo Vilarnovo 14/11/2011 em 11:24 am

          “- Vendo seus comentários sobre desobediência civil dá pra ver que tipo de “liberal” vc é: aquele do século XIX, que vem de Hegel e dos positivistas e acredita em um dever moral de obedecer leis ainda que inválidas (pq injustas). Qualquer um dos iluministas (estes sim, verdadeiros liberais – ainda que ingênuos) é a favor do direito à desobediência civil em razão dos valores superiores que formam a comunidade (democracia, república, vida, igualdade, liberdade) e que, em boa medida, estão hj constitucionalizados.”

          Mas esse justamente é o ponto. Se os valores que você chama superiores estão constitucionalizados, onde se encaixa a desobediência civil?

          Responder
  8. Aoki 10/11/2011 em 2:14 am

    Essa história de que os estudantes estavam desarmados é uma falácia. Podiam não portar armas de fogo, mas estavam prontos pra guerra. Ou coquetéis molotov são fogos de artifício? Se são, erraram a época. Estamos perto do natal e não das festas juninas.

    Responder
  9. Paula 10/11/2011 em 8:30 am

    Raphael, só uma correção: fumar maconha não é crime, é contravenção! São duas coisas diferentes!

    Responder
  10. Bryght Kapisâba Netto 10/11/2011 em 9:13 am

    Quando o Programa Político do PCO fez a “defesa” dos Baderneiros ficou quem eram os Bandidos: Os estudantes que invadiram e depredaram a Reitoria de uma Universidade Pública paga com o impostos de Cidadãos que gostariam de estar estudando lá ao invés deficarfumando maconha no campus.
    A grande maioria dos Estudantes não concordou com a invasão e defendem a PM porque não querem ser vítimas da violência que assola São Paulocomo um todo.

    Responder
  11. Pingback: Na USP, mais flagrantes de semi-analfabetismo, tráfico e “tempos ÁUREOS de ditadura” | Implicante

  12. Pablo Vilarnovo 10/11/2011 em 6:03 pm

    Daniel,

    Parabéns pelo texto.

    Responder
    • Daniel 10/11/2011 em 6:26 pm

      Valeu, Pablo. Obrigado pela leitura.

      Responder
  13. Pingback: Brasil: Desocupação Fortalece Movimento Estudantil Contra Militarização da USP · Global Voices em Português

  14. Eduardo 11/11/2011 em 2:12 am

    É só pesquisar para encontrar o relato dos 3 estudantes que falaram que os policiais chegaram numa boa, sem ignorancia, ai veio uma renca de vagabundo para cima da policia gerando toda a encrenca.

    Responder
  15. Paulo Soares 11/11/2011 em 4:35 pm

    Texto muito bom.
    Meus dois vinténs:

    1) A polícia está no campus para proteger os alunos, não para vigiá-los. Se abordagens desnecessárias e grosseiras estão ocorrendo, os alunos deveriam buscar os canais institucionais e, se fosse o caso, protestar ferozmente. Mas a repressão ao consumo de drogas ilícitas não é o estopim adequado pra esse tipo de contestação. E invadir a reitoria sem ter percorrido caminhos alternativos antes foi, no mínimo, burrice.

    2) Li por aí que “a polícia não sabe lidar com o público universitário”. E fiquei pensando, o que isso quer dizer? Universitário é um cidadão diferente do morador da periferia que é revistado indiscriminadamente? Em que sentido? Não deveriam ser todos tratados igualmente? (com respeito, claro!) – daí que se perde uma ótima oportunidade para debater que tipo de policiamento devemos temos e/ou queremos ter para todos, universitários ou analfabetos. O “estágio” dos PM’s na USP poderia servir como instrumento civilizador. Agora, só teremos um climão e falsos estereótipos de que o campus se resume a “maconheiro mimado” versus “o PM repressor de 1964″.

    Responder
    • Pablo Vilarnovo 11/11/2011 em 6:56 pm

      Paulo – A prova para se tornar PM é mais difícil do que a prova para se tornar aluno da FFLCH…

      Responder
  16. Isaac C Novais 11/11/2011 em 6:50 pm

    Os seguranças da USP não tem poder de policia por isso não podiam revistar ou parar pessoas ou até mesmo veículos. Esta é grande diferença. Como os alunos não estão acostumados com isto dentro da USP acham isso truculência, mas acredite isso é legal e é feito em toda parte do mundo, não só no Brasil. Sou particularmente favorável à unificação das policias porém dizer que houve uma militarização da USP é uma grande bobagem. hoje exite quarteis da Pm espalhados pelo Estado e nem por isso os bairros viraram bairro militar.
    Creio que é muito choro para pouca borrachada.
    Cometeram crimes e ainda passaram a mão nas cabeças deles.
    Aliás nos presídios e no Rio de Janeiro tá cheio de jovens encapuzados e mascarados que querem se “manifestar” de forma anonima como as mostradas nas cameras na invasão. A única diferença é que fora dos presidios no Rio de Janeiro eles possuem fuzil.
    Vão ter que aprender como todo mundo seja pobre, rico da periferia ou não que podem ser parados, revistados e vistoriados seus carros, como todo cidadão do país.
    Isso é muito simples.
    Ah os encapuzados e mascarados falaram que não fizeram nada. Não deprederam, não picharam, não desobedeceram ordem judicial. Todo mundo é inocente???
    Querer que nós acreditamos nisso quando as cameras e fotos mostraram praticamente tudo é muita petulância, pior do que achar que tem o direito de fazer o que bem entendem.
    Nos presídios tá cheio de inocente que se mascaram também e não mostra o rosto para fazer o que bem entende, inclusive aniquilar rivais.
    Há profissionais de policia ruins, mas não diferentes e nem piores que esta parcela de estudanes que não atentam à vontade da maioria e dizem querer a democracia, que cometem crimes e querem privilégios, alegando o direito de contestatação
    Direito de contestação com o dinheiro dos outros é fácil. Se toda vez que fizerem isso a conta ficar para a sociedade, teremos muitos “protestos de contestação”

    Responder
  17. Patricia 11/11/2011 em 10:20 pm

    Resumindo, essa história da USP é uma palhaçada desses estudantes

    Responder
  18. Pablo Vilarnovo 11/11/2011 em 11:31 pm

    O mais engraçado é que deram um golpe neles mesmos! A invasão foi votada e os favoráveis perderam a votação. Mas como são “democratas”, que respeitam a “liberdade de opinião”, concordam com a “maioria”, deram um golpe e invadiram do mesmo jeito!

    Quer coisa que defina melhor o caráter dessas pessoas que esse evento?

    Responder
  19. Lelê Teles 14/11/2011 em 1:24 pm

    Texto coeso, preciso, inteligente e muito bem articulado. Vi mais coisas aqui do que em tudo o mais que li a respeito. parabéns, Daniel!

    Responder
    • Daniel 14/11/2011 em 2:04 pm

      Muito obrigado, mestre. Valeu pela leitura.

      Responder
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  21. Luciano Oliveira 08/12/2011 em 10:12 am

    Caríssimo Daniel,

    Na cova desses leões de brincadeira (é muito fácil ser “revolucionário” num regime democratico…), você saiu-se airosamente bem.
    Parabéns, parabéns, parabéns!
    Ando afastado do mundo.
    Inclusive dos blogues dos amigos, mesmo daqueles de que já participei.
    Mas hoje tive a curiosidade de ir ler seu artigo, que me encantou.
    Assino em baixo de tudo o que você escreveu.
    E volto para As Confissões de Santo Agostinho!

    Grande abraço amigo,

    Luciano

    Responder
    • Daniel 08/12/2011 em 12:50 pm

      Obrigado pela leitura, Luciano. Se desentoque de vez em quando, amigo, que você faz falta.

      Abs.

      Responder

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