Um Parto de Viagem

-- Cena do filme, que está em cartaz --

por Ana Al Izdihar – O enorme talento e belas feições de Downey Jr. num personagem mais do que adequado para ele me recuperaram os fios de esperança nos atores da minha geração, quase em frangalhos por causa de Homens em fúria.

Todos já devem saber – inclusive os espectadores e fãs mais recentes de Downey Jr. – que ele passou maus bocados com drogas, mas nunca, mesmo quando malhado, deixou de ser o excelente ator que é e nem de ser, desculpe a baba, bonito. Seus filmes menores, nas vacas magras, foram sempre assistíveis. E acrescento que ele tem algo mais do que talento e beleza para que isso aconteça: ele tem um baita carisma e sabe usar.

Downey Jr., filho de cineasta, praticamente nasceu em estúdios, no meio de artistas, desenvolvendo muito cedo a encenação, a boa dicção e a voz aveludada. Foi um dos queridinhos dos anos 80 junto com outros gatos promissores em talento como Johnny Depp e Gary Oldman. Quando fez o papel de Charles Chaplin arrancou suspiros das moçoilas, aplausos dos críticos e lágrimas da própria filha de Chaplin, Geraldine (fazendo no filme o papel da própria avó), que jurou sentir que seu pai havia encarnado em Downey. Tinha tudo para seguir galgando respeito no meio e colecionar groupies não fosse a mão boba nas ilícitas e passagens pela polícia.

No entanto, ainda bem, ele superou tudo, ou pelo menos é o que parece, e “voltou”, digamos assim, com mais rugas, mais charme e mais forte! Com muita vontade de dar certo e ótima estratégia de marketing, Downey Jr. vem escolhendo papéis populares que, mesmo não tirando tudo o que ele tem para mostrar, são bons o suficiente e lhe dão a chance de mostrar o corpinho sarado e o talento recalibrado.

Nesta comédia muito boa de Todd Phillips – o mesmo que dirigiu o bom Se beber, não case – Downey é um cara de padrões altos, rígidos (não por acaso de nome Peter Highman, ou “homem altivo de pedra”), que precisa chegar em L.A. a tempo para o parto da sua esposa. Mas o destino o coloca junto de um jovem ator muito fora de qualquer padrão, para dizer o mínimo, e assim as coisas complicam de vez. Este ator é feito pelo não menos excelente Zach Galifianakis (também de Se beber…), que constrói uma química perfeita com Downey.

Sobre o enredo não quero contar mais nada, pois esse sim recomendo que vejam. Somente vou dizer que é um road movie muito bom e me fez lembrar clássicos como O cadilac azul, Thelma & Louise, Priscilla: A rainha do deserto, Central do Brasil, Sem destino… Veja bem, o que quero dizer é que seguem o mesmo estilo, apesar do peso de importância para o público e a crítica variar. Um parto de viagem tem os elementos de um bom road movie, ou seja, paisagem fantástica, portanto fotografia excelente, trilha sonora adequada, sustos, palhaçada e momentos de reflexão. Viagens longas e com objetivo urgente parecem fazer com que os indivíduos envolvidos revejam seus valores, se coloquem à prova de seus limites, descubram perspectivas diferentes da vida, chegando a mudar seus princípios e amadurecerem. Desde a Odisséia de Homero tem sido assim, não é mesmo? Narrativas da real e metafórica jornada do herói.

Um parto de viagem (está aí um título melhorzinho em português) é um bom entretenimento, para ver com os amigos, a sós ou com namorado(a), mas tem de ter pipoca! É para rir, se emocionar e se encantar com o talento de Downey e sua eterna beleza — desculpa, mas eu tenho de repetir isso. Só rezo para que ele não entre na onda do botox, porque vai estragar: está ótimo de rugas!

[TRAILER]

4 comentários | Dê sua opinião

  1. Pedro 12/11/2010 em 7:53 pm

    Bom filme. Me lembrou muito “Antes só do que mal acompanhado”, dos anos 80, com Steve Martin e John Goodman.

    Responder
    • Pedro 14/11/2010 em 10:27 am

      Digo, John Candy.

      Responder
  2. Luiza Helena da Silva Christov 16/11/2010 em 12:44 am

    Ainda não vi, mas concordo plenamente com comentários sobre beleza, carisma e talento de Robert Downey jr…que bom que ele tá rodando muitos filmes!

    Responder
  3. Ana Al Izdihar 07/01/2011 em 10:12 am

    Ahhh, Pedro!

    Esses dias revia alguns filmes com John Candy… Que saudades!
    Este tipo de filme aliás já virou quase uma categoria, além de “road movie”. Sei lá como poderíamos chamá-los… Talvez “agony movies”?

    Obrigada. Voltem sempre!

    Responder

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