Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1

por Ana Al Izdihar – Estamos presenciando um dos maiores fenômenos do cinema mundial de todos os tempos. Sete filmes em seqüência, baseados em sete livros, sempre ansiosamente esperados e com recorde de bilheterias, coisa rara no mundo do cinema. Um sucesso de crítica, público e técnica.

E quem diria? Já estamos no final da saga do bruxinho mais amado dos últimos tempos: Harry Potter e as Relíquias da Morte será dividido em duas partes, sendo que a segunda sairá em julho de 2011.

E já são todos clássicos! Alguns deles tendo na produção o dedo da própria autora dos livros, J. K. Rowling, preparados assados e servidos pela poderosíssima Warner Bros tinham mesmo em embriões a vocação para dar certo. Mas mesmo com tudo na mão para acertar em cheio, nem sempre é assim, vocês sabem, sempre há o dedo mágico da imprevisibilidade rondando qualquer projeto cinematográfico, quer seja modesto ou grandioso. A verdade é que os filmes de Harry Potter sempre driblaram o imprevisto e foram sucesso.

Vejamos uma pequena retrospectiva. Foram sempre dirigidos por feras. Fazia sentido, por exemplo, que os dois primeiros fossem dirigidos por Chris Columbus, especialista em lidar com narrativas infanto-juvenis com pirralhos-atores dentro: Gremelins, Goonies, Esqueceram de mim, Uma babá quase perfeita, entre outros. Mas acharam por bem trocá-lo, talvez justamente por sua característica eternamente infantil, e Harry Potter é um personagem dinâmico com fases muito distintas e realistas.

Passaram para o excelente Alfonso Cuarón que derramou seu toque fantástico e um tanto mais emotivo em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban – o mesmo que dirigiu O Labirinto do Fauno, só para constar. Enquanto que o diretor de Quatro casamentos e um funeral e Donnie Brasco, Mike Newel, emprestou seu tom aventureiro de humor inglês ao Harry Potter e o cálice de fogo.

Contudo, foi David Yates que mais dirigiu Harry Potter, fazendo os quatro últimos da série, provavelmente por resultados nas bilheterias, premiação e adequação ao momento vivido por Harry, sendo o estilo mais sombrio. A magia em escapar do que podia acontecer de errado foi essa: Yates não era muito conhecido do público e talvez por isso tenha se dedicado mais a se adaptar ao mundo potteriano. Manteve-se o sucesso e o tom inglês.

Num outro texto meu aqui no Amálgama resumi uma leitura arquetípica de Harry, portanto não vou me repetir. Até porque tudo já foi dito sobre o menino bruxo por aí. Mas não posso me isentar de enfatizar que a jornada de Harry se assemelha a tantas outras vindas antes dele (Homero, Perseu, Rei Arthur, etc.), como o clássico que já é (tanto nos livros quanto nos filmes), e que sua estória funciona quase como uma retrospectiva da nossa vida ocidental, mais precisamente logo após as revoluções industriais, no berço delas, a Inglaterra. Não por acaso, talvez, os ambientes por onde Harry circula relembram de leve o século 19 (Hogwarts) e o momento atual, sem que a narrativa necessariamente diga a data em que se passa sua vida. Depois do bombardeio de tecnologia tanto na vida das crianças quanto dos adultos, com brinquedos muito mecanizados para as primeiras e uma vida sem cor e pessimista para os segundos, sentíamos falta de uma boa, eletrizante e poética fantasia. E surge Harry Potter!

Nessa perspectiva, a estória de Harry retoma conceitos do Romantismo, como a vida em comuna, a valorização da amizade, bem como uma reconsideração do individualismo através de uma retomada do lado mágico da vida. A alquimia do indivíduo que busca o equilíbrio dos elementos de sua opus para só então encontrar a pedra filosofal da alma.

As relíquias da morte (estreando hoje nos cinemas nacionais) já começa na pressão. É muito mais emotivo, mais sombrio e bem mais triste. A inocência acabou de vez na vida de Harry e seus amigos. Eu esperava adolescentes berrando na platéia e vestidinhos com as roupas típicas, mas isso não aconteceu. Os jovens estão no máximo com uma camiseta de Hogwarts ou vestidos de preto. Durante o filme um silêncio mortal. E uns soluços de choro. É… Harry, amigos e fãs cresceram!

Harry agora teve de retornar ao lar desertado e vestir as trevas por completo. Um quê de nostalgia cobre tudo como um cobertor molhado e frio. Leve seu lencinho de papel para o primeiro capítulo do final da jornada de Harry.

Ainda não sabemos se Harry terá um final cinematográfico clássico no último filme, sobrevivendo e vencendo os obstáculos, ou se seguirá uma linha neo-ultra-romântica e morrerá no final salvando a comuna. Ou se simplesmente o filme seguirá fielmente o livro desta vez. De qualquer modo, esta figura encantadora já deixou suas lições ao longo da estrada para quem o segue e os que virão. E já fez o seu papel de resgatar nossas almas à fantasia, ao sonho, ao medo e ao aprendizado a partir de um ponto de vista seguro: o conto de fadas. Ou melhor, “conto de bruxos”.

Então já estamos combinados. Nosso próximo encontro será em julho de 2011, aqui no Amálgama que hospeda a alquimia de todos nós.

TRAILER ]

4 comentários | Dê sua opinião

  1. Gaby 21/11/2010 em 6:03 pm

    Show de bola!
    O trailer é muito bom!
    Porem, confesso que terei que assistir essa saga desde o início!
    Não lembro de mais nada!

    Responder
  2. Reginaldo 02/12/2010 em 6:06 pm

    Muito boa crítica. Contudo, uma correção: quem dirigiu “O labirinto do fauno” não foi Alfonso Cuarón, e sim Guillermo del Toro. Cuarón digiriu “Os outros” e o ótimo “Filhos da esperança”.

    Responder
  3. Ana Al Izdihar 02/12/2010 em 10:05 pm

    Gaby,
    sempre será um prazer rever os filmes de Harry Potter, não acha?

    Reginaldo,
    sim,você está certo. Perdões. Eu fiz esta anotação quando pesquisava diretores não-americanos. E na hora de escrever, coloquei errado. Obrigada.

    Voltem sempre!

    Responder
  4. rosangela 26/08/2011 em 5:43 pm

    Eu Amor você harry

    Responder

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