O prodígio e seus tesouros
24–11–2009 --- Envie para um amigo
por Renato Medeiros – Milhares de discos de vinil espalhados por todo o quarto em estantes, caixas de papelão e até mesmo no chão. Embora possa parecer o quarto de algum senhor saudosista que faça questão de guardar pedaços de seu passado, esse cenário é o baú de tesouros de Gabriel Passos, um garoto alagoano de 15 anos que desde muito cedo nutre verdadeira paixão pelos bolachões. (Veja um vídeo seu ao final do post.)
Dono de um acervo de mais de 2.500 discos de vinil, o jovem começou sua coleção aos 10 anos, quando se interessou pela música do Beatles. Não demorou muito, comprou alguns long-plays usados da banda de Liverpool. Se alguém perguntar o porquê de não ter preferido um CD, ele dirá que instigante mesmo é a sensação de estar ouvindo um álbum que foi às prateleiras na longínqua década de 1960, como se por alguns minutos ele vivenciasse o período de lançamento.
Gabriel vai de encontro ao que o filósofo francês Walter Benjamin pregava em seu Obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. O rapaz é bastante apegado ao que chama de “disco original”, à noção de obra única, como se cada um de seus LPs tivesse uma aura própria. Para ele, nenhuma reedição ou relançamento em vinil ou CD é igual ou tem a mesma qualidade do disco de vinil lançado à época. Praticamente todo o seu acervo é formado por primeiras edições.
Enquanto grande parte dos garotos e garotas da idade de Gabriel costuma idolatrar o novo e o descartável, o jovem colecionador percorre o caminho inverso, cultuando o antigo e o perene. Se ele tem problemas com isso? Se sofre algum tipo de descriminação ou bullying por parte dos colegas? Afirma que não, que consegue se socializar bem. Costuma chamar a atenção deles quando, por algum motivo qualquer, leva seu toca-discos portátil para a escola e mostra como um disco de vinil funciona. Afinal, a maioria nasceu quando os discos de vinil estavam deixando de ser fabricados em escala comercial.
O amor pela música cresceu tanto que, além de colecioná-la, Gabriel resolveu fazê-la. Aprendeu praticamente sozinho a tocar violão e guitarra e agora se prepara para lançar o projeto The Freakadelic, em parceria com seu amigo Pedro Ivo, da banda Mente Profana. As músicas são totalmente inspiradas nas décadas de 1960 e 1970, que Gabriel considera a melhor época do rock e da MPB. A música “Made for you” já está disponível no MySpace da dupla e outras estão em fase de produção. Gabriel já tem cerca de 20 músicas e garante que se esforça para não compor apenas em inglês.
Quando pensa em futuro, fala em fazer faculdade de Cinema e continuar na música. Só os próximos anos irão dizer o que vai ser de Gabriel Passos, mas qualquer um que o veja agora pode arriscar o palpite de que ainda vai ter notícias dele e quem sabe ouvir sua música.
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[ Gabriel em filmagem de Renato Medeiros ]



