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O caráter humano mudou – II

13–11–2009 --- Envie para um amigo

por Fernando da Mota Lima * - Diante da recepção em certo grau equivocada que meu artigo suscitou, julguei conveniente acrescentar-lhe algumas considerações que talvez melhor esclareçam o sentido dos argumentos nele expostos. Acrescentei ainda, nos parágrafos finais, minha apreciação de alguns desenvolvimentos do caso Geisy Arruda entre os poucos dias que separam este e o artigo inicial. Por fim, uma previsão do desfecho de toda essa celeuma que prescinde de bola de cristal, presunção profética ou pura e simples clarividência. Basta simplesmente comparar o caso presente com outros episódios momentosos que com freqüência irrompem do bojo de nossa barbárie rotinizada.

Sabia que meu artigo seria lido de muitos modos e provavelmente nenhum corresponderia integralmente às minhas intenções. Visei muitos alvos ao escrevê-lo, mas previa que no geral o leriam como se se referisse exclusivamente ao caso Geisy Arruda. Ora, ela é apenas um sintoma do que entendo ser, e deixo isso claro no artigo, uma mudança radical no caráter humano. Esta ideia central do artigo ocorreu-me recentemente em conversa com amigos cuja percepção da realidade social brasileira muito se aproxima da minha. Há algum tempo convenci-me, de certo modo contra mim próprio, de que houve uma mudança profunda no nosso modo humano de ser. Ele é sensível nas nossas relações íntimas, na forma como passamos a nos relacionar com a idade, a morte, a sexualidade e outras expressões humanas fundamentais. Ele se manifesta ainda no tipo de mentalidade capitalista que desenvolvemos, também nas nossas expressões morais e religiosas. Em suma, ele afeta de modo radical nossas expressões mais substantivas de humanidade.

Quando tomei conhecimento do caso Geisy Arruda através de um artigo de Contardo Calligaris, pois raramente dou atenção ao noticiário corrente, voltei a refletir sobre o assunto pertinente à mudança do caráter humano. Mas o que foi decisivo foi o fato de ver dois vídeos na internet depois de saber da expulsão de Geisy da Uniban. Estava até então apreciando o caso puramente do ângulo dela, chocado diante do comportamento da turba da Uniban, expressão usada por Calligaris no seu artigo. Minha apreciação foi reforçada pela notícia da expulsão de Geisy, fato que interpretei como mais uma evidência de que a vítima é punida enquanto os agressores ficam impunes. Foi nesse momento que me interessei mais vivamente pelo caso e decidi ver os vídeos.

Há a essa altura vários outros, além de considerável volume de artigos e reportagens relativos ao assunto, que ganhou destaque previsível. Foi vendo os vídeos que voltei a ponderar mais detidamente a questão atinente à mudança do caráter humano. Impressionou-me, antes de tudo, a docilidade com que Geisy relatava a experiência brutal a que foi submetida. Nenhum traço aparente de indignação moral, nenhum indício de liberdade ultrajada. Sentada no centro do programa de auditório apresentado por um certo Geraldo Brasil, sobrenome demasiado sugestivo, ela não se dava conta do modo como ele explorava a questão em termos sensacionalistas dissimulados por um tom de aparente protesto contra a violência a que foi exposta. Foi nesse momento que me vi moralmente perplexo diante de tudo e logo me dei conta de que minha consciência já não visava mais o problema nos mesmos termos. Em suma, já não via Geisy como uma simples vítima da barbárie, mas como parte dela, como quem se rende à barbárie com completa inconsciência das implicações morais do jogo que está jogando.

Quando amadureci a idéia de escrever o artigo, em parte animado por conversas livres que tive com amigos igualmente chocados com a manifestação de barbárie ocorrida na Uniban, lembrei-me de que certa vez lera Virginia Woolf aludindo à mudança do caráter humano em 1910. Minha associação era no entanto vaga e não conseguia localizar precisamente onde ela escrevera isso. Foi quando tive a idéia de reler The Modern World, de Malcolm Bradbury. De fato, lá encontrei a referência que foi meu ponto de partida para escrever o artigo. Além dessa idéia relativa à mudança do caráter humano, quis também ressaltar nossa rendição às formas de poder social, notadamente a mídia, que hoje devassam nossa privacidade invertendo um dos sentidos profundos da distopia escrita por George Orwell: 1984. Foi também aí que me ocorreu, seguindo a noção de marco histórico presente nas citações que faço de Virginia Woolf, D.H. Lawrence e Eric Hobsbawm, datar essa mudança com o ano que dá título ao livro de Orwell.

É fácil ou pelo menos previsível tomar posição contra ou a favor de Geisy Arruda. Isso é o que quase todos estão fazendo nos artigos e comentários circulantes na mídia. O humanismo simplista de pessoas como Contardo Calligaris, Eduardo e Marta Suplicy e muitas outras que se têm manifestado, além da inteligência bem pensante da academia e da mídia, fere essa tecla previsível. Endosso esse discurso enquanto expressa repúdio à intolerância e aos insultos morais que Geisy sofreu, mas procurei antes de tudo ir além disso, pelo menos sugerir num breve artigo polêmico as raízes profundas dessa celeuma. É curioso, não fosse previsível, o fato de alguns leitores identificarem os termos da minha intervenção como justificativa implícita da barbárie que ostensivamente repudio no meu artigo.

A essa altura é mais que evidente o modo como Geisy frui deslumbrada seus 15 minutos de fama. Isso já estava registrado no meu artigo e qualquer crítico isento de reduções maniqueístas poderia facilmente enxergar os refletores no palco. O desfecho é também previsível. Geisy aproveitará avidamente a celebridade fugaz assegurada pela máquina impiedosa do espetáculo, cujo alvo fundamental é faturar audiência. A Uniban, evidência ululante da degradação do nosso sistema educacional, maquiará sem danos maiores sua imagem de instituição universitária que somente num país do tipo do Brasil pode funcionar do modo como funciona. Seria exemplar descrever, com base numa investigação isenta, o processo que a transformou na quarta maior universidade e décima sexta pior do Brasil. A inércia política e institucional dominantes, para não dizer cinismo moral puro e simples, garantem a manutenção desse estado de coisas. O circo da barbárie continuará faturando sem alterações significativas enquanto nós, professores, intelectuais e formadores de opinião, continuarmos deseducando a turba da Uniban e mulheres dóceis à opressão como Geisy Arruda. Daqui a alguns dias ninguém mais lembrará quem é Geisy Arruda, mas as causas determinantes da nossa barbárie prosseguirão seu curso produzindo novos algozes e novas vítimas, nenhuma delas inocente.

* Fernando da Mota Lima é professor de sociologia da Universidade Federal de Pernambuco.

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24 comentários:

  1. Guilherme Carlos Tiglia (14–11–2009 10:25 am)

    Então tudo o tempo se incumbe de fazer cair no esquecimento, e os outros 70.000 alunos tambem serão esquecidos?
    O professor esta analizando Geisy, e as Priscilas, os Vitor,as Marias, os Josés e o Manés, como ficam?

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  2. Bosco (15–11–2009 8:49 am)

    Entendí que a imprensa girou seu olofote para a Geisa e a turba que a agrediu, ambos produtos de um reles sistema de educação, deixando escondido as causas da agressão que é a ordinária UNIBAN, universidade que de tão vil, só funciona num país como o Brasil.
    “Daqui a alguns dias ninguém mais lembrará quem é Geisy Arruda, mas as causas determinantes da nossa barbárie prosseguirão seu curso produzindo novos algozes e novas vítimas, nenhuma delas inocente”.
    Parabéns pelo artigo.

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  3. jorge santos (16–11–2009 2:04 pm)

    Li o seu primeiro artigo e achava ate descenessario este outro. De toda forma, ambos lucidos e serenos. Infelizmente a leitura em geral tendem a um jornalismo tacanho, a um simplismo cultivado pelos “modo jornalistico” de pensar e escrever. Fico feliz que intelectuais como voce venham a publico participar de debates sobre os mais variados assuntos e possam ampliar o que se tornou o teatro de horrores onde todos lutam sedentos e muitas vezes, contra o inevitavel esquecimento.

    [Responder]

  4. Carlos Antonio De Rocchi (16–11–2009 6:34 pm)

    Os teus artigos estão ótimos.
    Compartilho tua opinião. A mocinha está deslumbrada com a fama, e isto será ruím para ela. Nasa se justifica o que fizeram a ela, e é lamentável q´pim

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  5. Fernando da Mota Lima (16–11–2009 11:30 pm)

    Caro Jorge Santos:
    Em certo grau, concordo com você: este segundo artigo é desnecessário. Se no entanto o escrevi, foi porque ouvi muita incompreensão, muita leitura parcial do meu texto. Declaro que isso pouco ocorreu neste blog. A leitura equivocada manifestou-se bem mais em sala de aula e livre discussão com amigos que leram o artigo. No mais, concordando com você, acho que o essencial do que quis dizer está no primeiro artigo. O problema é que, como diz Machado de Assis, a gente precisa explicar tudo, ainda mais quando escrevo no contexto polêmico que baliza questões dessa natureza.
    Fernando

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  6. Livia Where (16–11–2009 11:33 pm)

    Geisy Arruda compareceu ao programa de Serginho Groisman – Altas Horas – no último sábado, 14 de novembro. Antes de prosseguir no comentário, esclareço, com absoluta convicção que não tenho e abomino preconceitos, mas, por tudo que vi, li e ouvi não concordo, absolutamente, em colocá-la na posição de vítima. A capa da revista “ISTO É”, as inúmeras fotos da moça veiculadas na internet, a sua disposição em conceder entrevistas e declarações e, finalmente sua participação no programa acima mencionado, reforçam minha interpretação dos fatos: não houve vítima nesse caso (tristemente tão polêmico). Acredito que ela vem alcançando seu objetivo: vender sua imagem, estar em evidência.
    Não há justificativa para a turba de alunos agressivos, mas uma reação assim não ocorre simplesmente em função de um vestido inadequado e provocante. Se assim fosse o que aconteceria nas ruas, praias, baladas? Concordo com a afirmação da moça de que “cada um se veste como quer e como gosta” (Programa Altas Horas), mas adequação e bom senso devem prevalecer.
    Reafirmo, entretanto, que nada disso exime a responsabilidade da Uniban que tem por obrigação estar preparada para evitar situações desse tipo, controlondo-as ao primeiro sinal de tumulto.
    Insisto, enfim, que nesse triste e patético episódio não houve vítimas, mas sim responsáveis. A cada um a parte que lhe cabe.

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  7. Fernando da Mota Lima (16–11–2009 11:34 pm)

    Caro Antonio Carlos;
    Muito grato pela recepção animadora com que você acolheu meus artigos. Gosto de lembrar sempre uma frase de Machado de Assis: tudo, menos ser empulhado, isto, enganado ou ludibriado. Para que isso não ocorra, além de pensar com espírito livre, devemos considerar as questões debatidas em toda a sua riqueza de ângulos. O narcisismo deslumbrado de Geisy Arruda é um deles. Ressaltar isso não é necessariamente justificar a intolerância e a violência e que foi vítima.

    [Responder]

  8. Fernando da Mota Lima (16–11–2009 11:40 pm)

    Bosco:
    Muito grato pela leitura generosa do meu segundo artigo. Infelizmente, acredito nas palavras com que o concluí. A julgar por todos precedentes de natureza semelhante, acrescidos da inércia das nossas institutuições e da volatilidade da nossa opinião pública, essa questão logo será abafada por uma outra que atraia a atenção da mídia e do público sem que de todo o processo se extraiam lições de mais consistente proveito.
    Fernando

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  9. Fernando da Mota Lima (16–11–2009 11:48 pm)

    Lívia Where:
    Acho que seu comentário converge inteiramente com tudo o que no meu artigo frisei acerca deste aspecto preciso: o modo como Geisy se comporta diante da celebridade que o episódio da Uniban está lhe rendendo. Portanto, não há nada que acrescentar nesse sentido. O risco que você corre, isso ocorreu comigo, é deduzirem que você está implcitamente justificando a intolerância e a violência de que ela foi vítima simplesmente por ousar afirmar que ela não é inocente. Sempre me pergunto por que as pessoas entendem que inocentamos o culpado quando ousamos afirmar que a vítima não é inocente. Em suma, afirmar que G. Arruda está deslumbrada com seus 15 minutos de fama valendo-se de critérios éticos que desaprovo completamente não significa dizer que estou inocentando a turba que a agrediu e insultou moralmente.
    Fernando.

    [Responder]

  10. Livia Where (16–11–2009 11:58 pm)

    Tenho um grande respeito e admiração por você e por seus artigos. Ralmente, ousar é um grande risco. Obrigada pela atenção.

    [Responder]

  11. HELIO ANTUNES DE LIMA (17–11–2009 1:46 pm)

    para univercitarios uma vergonha deixarao de ser humano para ser animais estou muito triste com o que fizerao com esta jovem ninguen gostaria de passar por isto pura covardia inveja ciume centimentos pobre de pessoas fraca infelismente sao os nossos futuros doutores imagina o que vai ser

    [Responder]

  12. Lívia (21–11–2009 11:15 am)

    Primeiramente gostaria de parabeniza-lo pelo seu artigo que ficou bem explicito e claro. Na minha opinião a Geisy não pode ser realmente considerada uma vítima, pois pra quem foi insultada e agredida verbalmente, até que ela está muito feliz e sempre presente em programas de várias emissoras, mas é claro que o ato de vandalismo dos alunos não tem justificativa. Porém, para que tenha ocorrido toda essa agressão e vandalismo por parte dos alunos, ela deve ter feito alguma provocação, até porque tem tanta gente que usa minissaia, vestidinhos e nunca passaram por esta situação. É claro que cada um veste a roupa que quiser, somos livres para nos vestirmos como queremos, mas é preciso ter senso e sabedoria para sabermos quando devemos ou não usar determinada roupa em determinado lugar.

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  13. Fernando da Mota Lima (21–11–2009 9:39 pm)

    Lívia:
    Essa história sobre Geisy, como todo assunto de ampla e polêmica repercussão, pode tornar-se uma história sem fim. Você chama minha atenção para um fato que foi pouco ressaltado. Noutras palavras, você não acredita, como eu, que toda aquela maré de barbárie que explodiu na Uniban tenha sido causada unicamente pelo microvestido de Geisy. Com certeza não. Como você também observa, mulheres usam roupas semelhantes, e até mais sensuais ou provocantes, sem que isso cause qualquer alvoroço. Ora, a resposta para a reação da turba da Uniban me parece estar um pouco indicada no meu artigo e melhor ainda em alguns vídeos gravados com Geisy. Não sei se você atentou para a passagem em que eu repeti com palavras minhas o que ela disse sobre o fato de ser frequentemente assediada pelos garotos da escola. Ela acrescenta outras evidências nesse sentido.
    Acrescentaria apenas uma ressalva ao que você escreve acerca da liberdade que temos de nos vestir como quisermos. Ora, Lívia, você sabe que isso só pode ser aceito se for interpretado como força de expressão. Se tomamos a frase ao pé da letra, sabemos perfeitamente que ninguém, homem ou mulher, pode vestir-se publicamente como quiser. Essa é uma das razões de eu afirmar e continuar afirmando que a defesa da nossa privacidade, da nossa liberdade subjetiva, é a arma mais importante de que dispomos contra todos os poderes sociais. Na esfera da sua privacidade, sim, você pode fazer o que quiser, vestir-se como quiser. Essa noção de privacidade pode envolver, claro, uma ou todas as pessoas que você ama e nas quais confia para ser, na privacidade com elas compartilhada, tão livre quanto um ser humano pode socialmente ser. É também por isso que me oponho, como disse no meu artigo, ao servilismo com que Geisy e toda essa massa anônima e carente de celebridade e espetáculo vende a própria alma para sentir-se alguma coisa. Isso, aliás, prova que nada são. Quem precisa aparecer na TV para sentir-se alguma coisa, está implicitamente dizendo que se sente nada. Bem, Lívia, falei demais.
    Fernando.

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  14. LUIZA NÓBREGA (29–11–2009 8:35 am)

    Prezado Fernando
    Transcrevo abaixo mensagem que enviei ontem ao moderador do VERTV em que você participou. Foi pena ver mais uma vez uma opinião lúcida, bem informada e perspicaz ser diluída no caldo eloqüentemente falacioso dos rançosos e ardilosos clichês (“direitos humanos”, “questões de gênero”,
    “igualdade dos sexos”), cujo oportunismo simplório nenhuma inteligência que se preze pode mais aturar. Claro que a mulher deve lutar pelos seus direitos, ora essa – e eu, como mulher que sou, outra coisa não tenho feito, desde o tempo em que isso não era moda e sim bizarria pioneira – mas não era isso o que ali estava em causa, não era esse o cerne da questão. Neste ponto, permita-me alongar um pouco mais a sua intervenção: o cerne da questão é o golpe que se deu, e colou. Much adoo about nothing, diria Shakespeare, ou, como disse você, o vestido era perfeitamente irrelevante. Uma das debatedoras retrucou que no entanto fora o vestido que detonara a bomba, mas obviamente não foi, e isso ficou bem demonstrado no debate. O que detonou a bomba é que é o X da questão, e é aí que me permito ir mais longe que você, indagando: quem ou o quê está por trás dessa armação? Qualquer detetive começaria por perguntar quem saiu ganhando, e a moça do vestido com certeza não saiu perdendo, ela, se vítima é, não foi naquele episódio, vítima ela é (mas também cúmplice) da degradação cerebral e emocional que se alastra como um vírus pior que mil HIVs. E os rapazes, que espécie de “agressão” era aquela? Ora, aquilo não passava de um circo bem armado, em que todos se divertiam, para o bem dos negócios e mal do saber, e há certamente algo de bem podre sob o picadeiro, ah, isso há! Bem que seria o caso de um senado paralelo instaurar a CPI/UNIBAM, com “o caso do vestido matreiro”.
    Foi, contudo, um grande prazer ouvi-lo, e depois de ouvi-lo ler os seus textos. Menos mal se nessa zorra total ainda temos quem veja e pense!
    Cumprimentos solidários,
    Luiza Nóbrega

    Prezado Lalo
    Liguei a TV e peguei o bonde andando. O programa já estava na segunda parte, e o tema era um que eu lhe ia mesmo sugerir.
    Permita-me fazer alguns cometários.
    Antes de tudo, gostaria de dizer que, se o objetivo do programa é abordar fatos e temas não abordados, ou abordados de modo insatisfatório pela TV, então o ponto de vista mais perspicaz foi o do Fernando da Mota Lima. Concordo com ele que as mulheres, a Rachel principalmente, não foram ao que interessa, ao cerne da questão.
    Muito ainda me espanta ouvir ainda mulheres instruídas e razoavelmente bem informadas, fixando-se em clichês do polticamente correto, equivocarem-se na interpretação de fatos e questões.
    Ora, é tão óbvio que a moça do vestido teve o que pretendia (chamar a atenção, ficar famosa e auferir uns lucros)!
    E ela nem sequer é “uma mulher que tem todo direito a se vestir como quer e viver sua sensualidade”. O que ela é, flagrantemente, é um produto do fast food e do tchan, como disse a outra comentarista (esqueci-lhe o nome).
    Mas nem é isto o que está verdadeiramente em causa, e deveria ser trazido à pauta.
    O ponto que interessa é que se trata de uma armação bombasticamente sensacionalista, fundada num embuste triplo: nem a estudante é estudante, nem a universidade é universidade nem a agressão foi uma agressão verdadeira. Basta ver com atenção a cena para perceber que a “vítima” era na verdade uma exibicionista calculista, completamente deslocada do ambiente, salvo pelo fato de que ali estava precisamente para sele se destacar e atrair sobre si a atenção.
    E alguém por acaso se deu ao trabalho de investigar (cientificamente) se, entre os estudantes que acossaram a vedete, não havia algum elemento provocador?
    estando as coisas como estão agora, no cenário público do país (máfias a torto e a direito, inclusive em versão caseira) não seria absurdo considerar a hipótese de uma trama arquitetada.
    Quanto a mim, na verdade, este é um fenômeno novo analisado em moldes velhos, o fato real de uma armação acobertada por estereótipos que, sendo politicamente corretos, têm tudo pra emplacar.
    Por isto, foi pra mim uma pena perceber que a tentativa feita pelo Fernando, de desviar o foco na direção correta, aprofundando a questão, não obteve todo o efeito que poderia ter provocado. Mas agarro na deixa dada pelo moderador, quando sugeriu que “daqui a
    alguns anos todas as moças vão se vestir como a Geise”. Sim ela é, como disse o Fernando, “a bola da vez”, e será exemplo para as novas mulheres brasileiras. Um
    péssimo exemplo, aliás: de como ainda é possível ir mais longe na loucura alienante das louras falsas siliconadas que se imaginam lindas atrizes americanas, como Geise, na cena deplorável em que, abrindo seu muquifo miserável à “repórter simpática”, fazia poses patéticas com os apliques “louros” compridos presenteados por um cabeleireiro. Um prato cheio para os comerciais de xisburger, quando a cena certa seria o divã dum psicanalista. Não é agora a “moda” imposta, que se legitima no discurso do “direito a ser gordo”? Que se morra de enfarte, ou apoplexia, mas não se deixe de consumir excessivamente – eis o que está em jogo, longe longe de uma mulher sensual vítimada pelo preconceito. Qunta conversa fiada!
    Aonde terão ido parar a inteligência e a saúde mental do brasileiro?
    Aproveito para sugerir novamente o tema da “bala perdida”, que de perdida nada tem; e para sugerir também um novo tema: o modo simplesmente cretino como os apresentadores de certos jornais televisivos noticiam (cada vez mais assiduamente) as invasões de quintais por animais selvagens expulsos de matas abatidas, como se fosse piada pra rir, e não um assunto grave, que reclama medida mais séria que simplesmente chamar o IBAMA.
    Meus melhores cumprimentos.
    Luiza Nóbrega

    [Responder]

  15. Fernando da Mota Lima (30–11–2009 9:38 am)

    Cara Luiza:
    Muito grato pelas palavras tão compreensivas e de resto vertidas em tom bem mais polêmico que o meu. De certo modo, seu tom deixou-me tardiamente arrependido por não usar no debate do programa Ver TV uma linguagem mais polêmica, ou pelo menos mais enfática. Confesso que decidi moderar o tom já no primeiro bloco do programa, que aparentemente você não viu, logo que verifiquei o quanto Raquel Moreno e Maíra Mano reduziam meus argumentos a uma pura disputa maniqueísta entre ser contra ou a favor de G. Arruda, defender os direitos da mulher ou a opressão que a ela é imposta. Citei Eric Hobsbawm num dos meus comentários no decorrer do programa depois de elas desfiarem um rosário de denúncias militantes. Sugeri, lembrando Hobsbawm, a necessidade de apreciarmos a condição social da mulher na perspectiva histórica que ele admiravelmente desenha nas páginas do seu A Era dos Extremos. Você notou o quanto era nítido e irreconciliável o desacordo entre o discurso delas, preso a clichês militantes, e o meu, uma tentativa frustrada de propor o debate num plano acima do sensacionalismo consumista que dá o tom à mídia corrente. Fico adicionalmente grato diante da sua concordância por também considerar que você, como mulher de opinião nítida e enfática, é insuspeita para dizer o que disse. Acho apenas que você se excede na nota conspiratória. Sinceramente, Luiza, não disponho de evidência nenhuma para afirmar que tudo aquilo foi uma armação. Mas deixemos G. Arruda de lado. Dei uma olhada no seu blog já ao voltar para casa ontem à noite muito cansado. Gostei do que vi, do pouco que pude ler e prometo voltar a ele. É um prazer compartilhar sua admiração pela música de Tom Jobim – o mais importante compositor popular do século vinte, superior até a meus grandes Cole Porter, George Gershwin e Jerome Kern. Posso estar errado, mas é a opinião de um brasileiro isento de nacionalismo. Interessam-me antes de tudo as expressões universais de cultura, como algumas que você cita: Shakespeare, Bergman, Fellini… Jobim ocupa lugar permanente nesse grupo. Com um abraço de
    Fernando.

    [Responder]

  16. LUIZA NÓBREGA (30–11–2009 2:49 pm)

    Tampouco eu, Fernando, disponho de evidências para defender a tese da armação deliberada. Apenas sei que ela, na atual conjuntura, é uma hipótese bastante provável; e, por isto, nada me espantaria se depois algo mais viesse à tona, nesses tempos de operações da PF e inquéritos parlamentares; pois, a meu ver, alguns indícios reforçam a probabilidade. Nada me convence de que aquela teria sido a primeira performance da protagonista, e o que se seguiu ao fato só vem corroborar seu investimento no estrelato, surfando na onda fácil.
    Gostaria, porém, de deixar bem claro o cerne de minha abordagem: minha atenção não se dirige, de modo algum, ao objeto – que considero claramente fictício – enfocado pela mídia e pela opinião pública. Quero dizer: o que está em causa não é a “agressão de uma turba de trogloditas a uma pobre jovem que ousou vestir-se fazendo jus à própria liberdade e sensualidade”. Isto é o que o truque midiático nos determinou ver, e crer nisto seria como acreditar que Rainier e Grace se casaram por puro amor, como as revistas de fofocas postulavam para as leitoras ociosas e alienadas dos plácidos anos 50. Diana, que veio bem depois, e também se prestou ao velho conto de fadas, não podia mais com o pote e caiu na real, servindo de válvula por onde o pus escapou, e muito mais teria sangrado se, casualmente, não tivesse sido acidentada (!).
    Voltando a Geisy (é com Y, não é?), ela nem sequer é livre no vestir, uma vez que se caracteriza como um padrão dominante, e quanto a ser sensual, bem, há gostos e gostos. E, repito, se quisermos de fato analisar o que ali sucedeu, deveremos mirar o fato real, não o clichê que se lhe sobrepôs. O contrário disto é comprar gato por lebre, confundir alhos com bugalhos, ou, pior ainda, reviver a parábola da caverna platônica, em que sombras miram sombras. Quando alguém aponta a lua – diz um provérbio chinês – o ignorante olha para a lua, o esclarecido olha para o dedo. É desse ilusionismo que se vale todo prestidigitador.
    Portanto: a questão, pra mim, não é qual a posição que assumo frente à agressão sofrida, e sim que não tomo posição alguma frente a ela, porque não reconheço a veracidade dessa versão. E isto porque – voltando ao tópico da armação – distingo as instâncias mais fundas que se entremostram nas fissuras do frágil discurso, que apenas se sustenta por ter às costas uma máquina poderosa. Você, que é sociólogo e professor na Sociologia, conhece as instâncias mais fundas e impessoais dos fenômenos sociais, e suas implicações. Eu, que não cheguei a concluir o terceiro ano, impedida pelo governo Médici, guardei mesmo assim alguma lembrança de que sob as razões declaradas é preciso distinguir as ocultas.
    Ainda uma última observação que considero importante, para que não me confundam com o que, em absoluto, não sou. Quando me refiro de modo um tanto drástico à atitude dessa celebridade emergente, ou à de quem se enfileira em sua defesa ou ataque, não estou de modo algum menosprezando quem quer que seja. Ao chamar, por exemplo, de muquifo o quarto de Geisy, ou quando me referi aos seus apliques louros, percebi que peguei pesado (às vezes é inevitável, quando nos abusam da paciência, concorda?), mas sei que não o fiz com desprezo classista. Que fique muito claro: nada tenho contra a pessoa que há nela, pelo contrário, sei que há nela alguém, e que esse alguém merece o respeito devido a tudo o que existe, tudo o que é; apenas lastimo que ela própria, hipnotizada desde miúda pela mídia, esteja agredindo a melhor parte de si – sua autenticidade – em proveito de uma personagem fabricada para o feio espetáculo que nos obrigam a assistir nesses tempos de franca decadência. Sou dum tempo em que os grandes mestres nos repreendiam quando nós simulávamos, trapaceávamos, e nós lhes agradecíamos, porque sabíamos que aquilo era respeito amoroso. Respeito Geisy, mas não engulo o seu trompe l’oeil. E – quanto a isto – tenho dito.
    De resto, é um grande prazer tê-lo por leitor no meu blog, que surgiu quando me dei conta de que há uma corrente instituída cujo mais firme empenho é matar os poetas e artistas pra depois mitificá-los (e tirar disso, é claro, algum proveito pecuniário). Declarei guerra ao mito do artista genial e morto. O blog é um espaço preparatório para o site em que lançarei minha produção múltipla (poesia/ficção/ensaio/pintura/desenho) sem precisar bater em portas kafkianas.
    E vejo que partilhamos preferências musicais, literárias, cinematográficas.
    Bola pra frente, como se diz cá, no Brasil! E bem haja, como se diz em Portugal.
    Solidariamente,
    Luiza Nóbrega

    [Responder]

  17. Marilia (1–12–2009 7:50 am)

    Olá,

    Lendo seu artigo me fiz a seguinte pergunta: será que todas as mulheres que gostam de roupas extravagantes e diferentes e sintam-se bem com seus corpos serão julgadas “não inocentes” caso uma turba insana decidir atacá-las por serem diferentes deles? Será o mesmo válido para os homossexuais? E as lésbicas? E as pessoas que colocam piercings no corpo inteiro? E para aqueles que se tatuam? Qual o diferencial que nos faz aceitar todos os “diferentes” e nos faz apontar o dedo para esta moça?
    A intolerância com o diferente, com aqueles que saem fora dos padrões “normais” de comportamento já foi motivo de guerras, massacres, genocídios, isso todo mundo sabe. Por isso mesmo, acredito ser perigoso procurar na moça o motivo da agressão, e não nos sentimentos despertados nos outros, na relação entre a exposição do seu corpo e o olhar dos demais.
    Fomos ensinados que nosso corpo é pecaminoso e não deve ser exposto. Fomos ensinados que sexo e desejo só são bons se seguirem os padrões aceitos pela maioria. Seguindo esse pensamento, gays, lésbias e Geysas podem sempre ser atacados, pois não são inocentes… sabem que seu comportamento não é tolerado pela sociedade em que vivem, e deveriam, portanto, moldarem-se ou esconderem-se.
    Li seu artigo várias vezes, e você deixa claro que o fato de julgar a moça menos inocente não justifica a agressão… mas acredito que não há como desvincular uma idéia da outra quando julgamos ambos os lados culpados.
    Não estou aqui querendo fazer apologia a nada… apenas me incomoda o fato de que a moça, por agir em relação ao seu corpo de maneira mais liberal que a maioria, passe a ser apontada como culpada. Acredito ter faltado a ela conhecimento do caráter humano. Caso fosse mais velha, e tivesse vivido mais, saberia que o desejo e a inveja despertados pela exposição de seu corpo a tornariam alvo da intolerância dos colegas.

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  18. Fernando da Mota Lima (1–12–2009 4:50 pm)

    Marília:
    Confesso que já me cansei de explicar o sentido dos dois artigos que escrevi sobre Geisy Arruda. Acredite que se ainda me dou ao trabalho de comentar mais um comentário deslocado do foco do meu argumento é antes de tudo em respeito a você, a todas as pessoas que me têm cedido um pouco do seu tempo para considerar o que escrevi. Não sei sinceramente o que mais possa dizer no sentido de persuadir pessoas como você de que não estou discutindo o vestido ou microvestido de Geisy, muito menos o direito de viver e exprimir-se que reconheço em toda forma de diferença que não negue princípios fundametais de civilidade, princípios à margem do qual mergulhamos na barbárie. É isso o que fica patente no comportamento da turba da uniban. Já me cansei de dizer isso, Marília. Você declara sua incapacidade de desvincular meu argumento da justificação da barbárie que caiu sobre Geisy. Fico até sensibilizado ao imaginar o esforço que você fez nesse sentido. Sabe por que você não consegue dissociar uma coisa da outra? Porque você raciocina como as duas feministas militantes que debateram a questão comigo no programa Ver TV; você raciociona como várias amigas minhas inteligentes e esclarecidas, entretanto incapazes de desatar-se da camisa-de-força do pensamento binârio. Trocando isso em miúdos, vocês pensam que a gente tem que se colocar diante da realidade, tão atordoantemente complexa, como se tudo se reduzisse à fórmula isso ou aquilo, certo ou errado, com Geisy ou contra Geisy… Lamento, Marília, mas não posso pensar por vocês. Aliás, isso é o que o maternalismo ideológico de pessoas como Contardo Calligaris (digamos aqui paternalismo ideológico), Marta Suplicy e as duas feministas que debateram comigo no programa Ver TV fazem: vocês querem pensar por Geisy, querem cuidar de Geisy como se ela não tivesse a responsabilidade ética e humana de pensar e agir por si própria. Já que vocês estão há tanto tempo distorcendo o cerne do meu argumento ao concluírem que justifico implícita ou explicitamente a barbárie, retruco agora dizendo que vocês, ao exercerem esse maternalismo ideológico, tratam Geisy como alguém incapaz de maioridade ética e humana. Ousem pensar com a mente e o coração mais livres de lugares comuns e clichês.
    Fernando.

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  19. Livia Where (1–12–2009 10:12 pm)

    Causa perplexidade constatar que o caso Geisy, notem, não se fala mais em caso Uniban, continue rendendo tanta polêmica. O artigo ora comentado é claro e as interpretações equivocadas estão sendo reiteradamente esclarecidas. Apesar disso, continuam insistindo em entender que Geisy, “a vítima”, foi tratada aqui como “culpada”. Discordo; Geisy não é vítima embora tenha assumido essa postura depois que o famoso vestido, ganhou espaço descomunal na imprensa, e tampouco foi-lhe imputada culpa. Não sei qual foi a explicação dada pela “turba” de estudantes e não estou aqui justificando ou aprovando sua atitude. Entendo que existem responsabilidades a serem apuradas, como já escrevi em outra oportunidade. A Geisy que tive oportunidade de ver em inúmeras entrevistas, não é criança; vive como a maioria dos jovens. Pode ser liberal com o próprio corpo? Com certeza. Mas adequação, respeito e bom senso devem nortear a conduta de todos, inclusive da própria Geisy. Antes que uma turba pró Geisy avance sobre mim, esclareço que não sou retrógrada, uso vestidos (acreditem, acima dos joelhos!), vou à praia, gosto de me arrumar, sair, e, principalmente não acuso Geisy. Mas, definitivamente, não se trata de uma garota ingênua e incapaz, pelo contrário, como afirmou em várias entrevistas: gosta de se vestir assim, portanto sabe o que faz.. Com todo respeito, desprotegido está o povo que tem que aguentar um “relaxa e goza”, saber pelo presidente que “sifu” e tantas outras coisas que nos são jogadas na cara todos os dias.

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  20. Fernando da Mota Lima (1–12–2009 11:17 pm)

    Lívia:
    Grato pelo comentário, sobretudo por frisar a clareza dos meus artigos. Quanto a mim, fico por aqui. Isto é, não mais comentarei a celebridade dessa moça que está na verdade fazendo deslumbrada o jogo desse nosso capitalismo selvagem, para repisar um chavão que infelizmente continua sendo verdadeiro. Essa selvageria se traduz , no plano cultural e ético, no modo como esse caso está sendo tratado. Cansei de me explicar para gente que não sabe ler o que escrevi, não por incapacidade mental, mas por estreiteza ideológica ou identficação com o estado de coisas que combato nos dois artigos que escrevi.
    Se tanto tenho gasto tempo e palavra nesses comentários, é antes de tudo por respeito às pessoas que me leram. Se todavia insistir, por respeito ou delicadeza, em alimentar essa discussão, acabarei definitivamente me convencendo de que é discutindo que a gente se desentende. Vou portanto saindo da raia antes que apareça aqui uma feminista desvairada acusando-me de ser membro da turba da Uniban. Concluindo, muito grato pela compreensão, |Lívia.
    Fernando.

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  21. GUILHERME CARLOS TIGLIA (3–12–2009 10:13 pm)

    Fiz meu comentario acima e gostaria de completa-lo. Li uma colocaçao que se porventura o problema tenha sido causado pelo vestido curto, esses ditos vandalos, tarados, assassinos, imbecis e outros adjetivos que os alunos foram taxados, nao poderiam de forma alguma frequentar um clube, uma praia, entao quem sao os imbecis, os insanos, os sem moral, pois pra provocar uma reaçao desta a açao deve ter sido muito , mais muito, e coloca muito nisso, ,muito baixa, claro que uma coisa nao justifica outra, da mesma forma que uma greve nao justificava o espancamento de metalurgico, um protesto nao justificava o desaparecimento de jornalistas, e é claro essa fase já passou.
    Voltasndo ao nosso caso uma colega estava querendo emprestar um shorts a ela , nao quiz, o professor emprestando o jaleco, a primeiro momento recusou, que dizer ela esta totalmente certa.
    Aqueles que estavam defendendo a moral e os bons costumes estavam errados, e eles estavam defendendo com as armas que eles tinham, A VOZ.
    Porque se porventura eles tivessem o ódio acima de tudo com foi veiculado que eles estavam totalmente alucinados, eles teriam arrancado o coraçao dela e comido.-Amigos olhem agora para os 13.000 alunos e alunas que ficaram no campi ABC, , muitos falam vai cair no esquecimento. Nao vai.
    O oriental morto na USP sempre é lembrado,
    Wladimir Herzog sempre é lembrado,
    O muro de Berlim(da vergonha) sempre é lembrado-
    Entao precisamos lutar para que sejamos ressarcidos da nossa moral, da nossa idoneidade e temos direito disso.
    Precisamos que autoridades e pessoas formadoras de opniao venham a publico e digam que nao foram todos os alunos que nada tiveram a ver com isso nao podem pagar o preço.
    Pois eles poderiam processar a todos quie os colocaram nessa situaçao.

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  22. Ricardo de Moraes (9–12–2009 11:43 pm)

    Seu texto também, de certa maneira, é um pouco sensacionalista. Talvez para reforçar seus argumentos. Mas, enfim, não importa.
    Você aponta uma mudança de paradigma. Não lhe parece também um grito social contra uma sociedade que banaliza o corpo feminino? Melhor dizendo, uma mídia que troca a imagem do sexo por dinheiro. Eu noto isto.
    Não falo em termos de ética, tampouco moral. Falo do acontecimento como fato social. Mudança no paradigma.
    Me parece que surge uma geração mais indiferente quanto à figura sexual feminina. Uma geração talvez cansada de assistir a espetacularização e, de certa maneira, ridicularização da mulher na mídia que, a transformou em mero símbolo de sexualidade.

    Gostaria de saber sua opinião, pois, eu percebo um fenômeno, ao menos, parecido.

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  23. Ricardo de Moraes (9–12–2009 11:59 pm)

    Repito, gostaria saber sobre o seu parecer.
    Você é Sociólogo. Eu não, sou apenas estudante de Direito, então, quero que me desculpe por uma eventual falta de coerência em tentar analisar este fato social (o caso geysi é um exemplo, não o fato propriamente dito).

    Abraços.

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  24. Fernando da Mota Lima (10–12–2009 10:42 pm)

    Guilherme e Ricardo:
    Volto a esta página depois de vários dias e então encontro os comentários de vocês. Um deles, aliás, foi hoje para o meu e-mail, onde inicialmente o li. Como deixei claro no meu último comentário, não tenho mais tempo para continuar discutindo esse problema, sobretudo quando noto que os comentadores ficam presos ao fato Geisy e Uniban. Já me cansei de afirmar que este não é o cerne dos meus artigos. Geisy e a Uniban são apenas, como se diz, a ponta do iceberg, são apenas a aparência imediata de uma realidade muito mais complexa. Sei que meus artigos não dão conta da complexidade do assunto. Nem tenho competência intelectual para explicar questões tão complexas (quem tem?) nem poderia fazê-lo nos limites de um artigo postado em blog ou publicado em jornal. O que pretendi, e acho que nesse sentido meus artigos foram únicos, foi chamar a atenção dos leitores para as questões que, também frisei, estão aí e continuarão aí. Geisy passa, gente (para mim já passou, assim como para a maioria do público que vive faminto de novidade), mas a realidade que gera esse tipo de problema continua. É mais ou menos isso o que queria dizer antes de tudo em atenção a vocês. Procuro sempre respeitar os poucos que me leem e comentam o que escrevo. É antes de tudo em nome da consideração que devo a todos vocês que estou ainda comentando os comentários feitos aos meus artigos. Mas já falei demais. O pior, relendo os artigos para cotejá-los com os comentários meus e alheios, é concluir que, bem ou mal, o que de melhor disse está nos artigos. Se não os compreenderem, acho inútil ficar repisando explicações no espaço do comentário. Grato a todos vocês pela atenção e ponto final.
    Fernando.

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