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Trovão tropical

5–11–2008 --- Envie para um amigo

por Juliana DacoregioTrovão tropical (EUA/Alemanha, 2008) é uma bobagem divertida, mas uma bobagem para quem curte cinema e está ligado nas últimas notícias sobre Hollywood. Empresários da indústria cinematográfica, produtores, agentes, super-stars, atores viciados… Tudo isso é motivo de deboche, afinal é um filme sobre outro filme. Cinco atores participam de uma filmagem sobre o conflito no Vietnã e de repente se vêem em uma situação de perigo real. Então, é pano pra manga para muitas piadas sobre as megaproduções, astros e seus egos gigantes. As referências sobre clássicos de guerra estão em toda a parte. Quem assistiu Platoon e Apocalypse now vai encontrá-las.

Ben Stiller escreveu o roteiro em parceria com Etan Cohen e Justin Theroux. O argumento foi idéia de Stiller, enquanto fazia uma ponta em Império do sol (1987). “Naquela época, todos os meus amigos atores estavam trabalhando em filmes vividos no Vietnã e passando por treinamentos militares simulados. Era divertido ver atores falando sobre essa incrível e intensa experiência quando, na realidade, não era nada em comparação a ser um soldado de verdade e ir para a guerra. Esse tipo de atitude presunçosa era engraçado para mim.”

O filme causou polêmica nos Estados Unidos por causa das referências politicamente incorretas a respeito de raças e deficiências. Organizações em defesa dos deficientes mentais acharam algumas cenas pejorativas e não gostaram do fato de a palavra “retardado” ser usada muitas vezes durante os diálogos. Talvez a palavra seja bastante utilizada para ressaltar como os atores podem fazer tantas pesquisas para encarnar seus personagens, mas continuar insensíveis a respeito da realidade dos tipos que interpretam.

Mas as piadas sujas e o humor negro não são o ponto principal do filme, apesar de renderem momentos bem engraçados. O mais legal é que Trovão tropical é cheio de exageros e sátiras a Hollywood. É divertido ver o elenco estrelado interpretando papéis que exigem que eles não se levem muito a sério.

Robert Downey Jr., por exemplo, é Kirk Lazarus, um ator australiano que mergulha fundo em cada personagem, fazendo qualquer sacrifício para passar o máximo de verdade durante suas interpretações. Algo bem ao estilo Daniel Day Lewis, que chegou a andar de cadeira de rodas por meses para rodar Meu pé esquerdo. Claro que o filme brinca com toda essa história de laboratórios e transformações para os papéis, ao ponto de o personagem de Downey Junior fazer uma cirurgia de mudança de cor e adotar um sotaque estereotipado para interpretar um negro. Isso irrita muito o rapper Alpa Chino (Brandon T. Jackson), que não se conforma em escalarem um ator branco para viver um negro.

Os diálogos sobre a arte de interpretar entre Tugg Speedman (Ben Stiller) e Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.) são impagáveis. Preste atenção no papo sobre retardados no cinema. É maluco, mas faz bastante sentido. “Quem faz um retardado completo não ganha Oscar”, avalia Kirk Lazarus, tentando passar toda a sua sabedoria de ator premiado a Tugg Speedman, um astro de produções caríssimas, mas vazias de conteúdo. Aliás, Ben Stiller é ótimo para interpretar atores canastrões. Ele apenas tira do bolso sua cara de Zoolander e está feita a festa.

Jack Black não tem tanto destaque, mas está ok como o viciado, que acaba passando por uma crise de abstinência no meio da floresta.

Quem surpreende mesmo é Tom Cruise, como Les Grossman, o mega-empresário egocêntrico e desbocado. Demorei a reconhecê-lo já que está gordinho e careca. Méritos da maquiagem, claro. A performance dele não é nada de muito artística. É apenas o mesmo Tom Cruise que saracoteou no sofá da Oprah, mas sua dancinha e seu uso exagerado de palavrões são hilários.

Enfim, não é um filme para rolar de rir o tempo todo, mas é divertidíssimo e inteligente em seus deboches comicamente muito bem calculados.

*

[veja o trailer de Trovão tropical]

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2 comentários:

  1. JLM (9–11–2008 10:28 am)

    É aquele estilo de filme que critica falando mal dos outros filmes e mostrando o que critica na sua própria trama. Achei algumas partes meio pesadas, e os mais sensíveis ao politicamente incorreto ou alguns tabus devem se sentir ofendidos.

    Mas mesmo com piadas chulas tem os seus momentos. A cena do vietconguezinho com uma faquinha estilo Chuck me fez chorar.

    E sim, também só reconheci o Tom lá para a metade do filme. A dança que ele faz durante os créditos finais ainda vai ser muito debochada por aí.

    1 abraço.

    [Responder]

  2. toni (15–11–2008 10:11 am)

    Dae Ju! Para variar to comentando atrasado. Infelizmente esse seu post derruba todas as suas convicções ateístas!! Como voce vai dizer que Deus não existe se nós concordamos com a opinião de um filme!!!!! Aleluia! Eu concordo com quase tudo que vc falou, só achei que o jack black estava muito mal no filme, exagerado e sem graça. Agora é só esperar para ver se o milagre se repete!!!! Fico no aguardo da próxima crítica!
    1 bjo

    [Responder]





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