Sobrevivi ao meu casamento
por Vanessa Souza – Quando comentei com meus amigos de Blumenau, há alguns meses, que iria me mudar para o Rio de Janeiro, muitos mostraram surpresa. – Você tem coragem? E a violência? Nos últimos dias, quando digo que sou de Blumenau, para os que moram no Rio, eles é que mostram espanto.
Estava abrindo minhas malas e notei que alguns de meus livros estão molhados e enlameados. Eles carregam a lama de Blumenau, o barro da enchente que findou 20 vidas em Santa Catarina e deixou nove mil pessoas desalojadas e desabrigadas, em Blumenau. Meus pais fazem parte dessa estatística. A lama que meus livros carregam veio do terreno deles, onde está a casa em que nasci, fui criada e morei até os 22 anos. Assim como a sujeira das páginas alvas, tempo nenhum vai apagar as lembranças de ter que evacuar minha família numa manhã chuvosa, já que eles corriam o risco de serem soterrados, se a casa – construída em uma área elevada, como quase todas na cidade, situada em um vale – despencasse. Também faz parte das estatísticas, a das pessoas falecidas, Rosimari Rocha, uma das convidadas do meu casamento.
Casamento? Sim, eu casei num sábado muito chuvoso. 22 de novembro. Nunca vou esquecer dessa data. Pela alegria da celebração. Pela dor das perdas. Pelo sufoco que minha família passou.
Nos últimos três meses tem chovido muito em Blumenau, no estado de Santa Catarina. Se alguém ainda não conhecia a cidade pela famosa Oktoberfest, agora conhece pela maior enchente da história do Brasil. Chuvinha chata, intermitente. A cidade passou por uma grande enchente em 1984, com características diferentes: alagou tudo. Dessa vez, depois de tanta chuva, as encostas desabaram.
A semana do meu casamento foi tensa. Como toda noiva, meu humor oscilava e eu estava muito nervosa. Mas tentava me conter: havia uma equipe experiente de cerimonial organizando tudo. No sábado de manhã, fui para o salão de beleza. Logo depois vieram minha melhor amiga e madrinha, minha mãe e irmã – acompanhada da minha sobrinha de cinco meses. Chovia aos cântaros. Às 20 horas uma limusine viria me buscar e, em companhia do meu pai, eu iria para o local da cerimônia e festa. As coisas não foram se encaixando exatamente como eu previa…
Lá pelas 16 horas a energia elétrica cessou. Eu estava com os cabelos molhados, e minha mãe e irmã quase prontas. Eu tentava me acalmar, pensando que a luz viria logo. Não veio. Nesse ínterim, uma mulher apareceu no salão de beleza: veio contar que um casamento para 350 pessoas havia sido cancelado em um clube ali perto. Alguém comentou que eu também me casaria naquela noite. A detentora de más notícias olhou-me nos olhos e disse: Você não vai casar hoje! Eu respondi: Vou casar sim!
O tempo foi passando e nada da energia elétrica voltar. Tensão. A cabeleireira descobriu que havia eletricidade na casa dos pais dela, e disse para irmos para lá. Foram dois carros com todo o aparato: escovas, secadores, spray, acessórios. Minha irmã – que deixou sua bebezinha de cinco meses com minha mãe – e uma das minhas madrinhas foi junto. No caminho, parecia que estávamos indo para uma guerra. Passamos por um viaduto onde havia água pelos dois lados, lama, casas desabadas, pessoas tentando salvar o que podiam. Como havia apenas uma via de acesso à cidade, até o bairro onde eu estava, vi o primeiro engarrafamento de Blumenau – nesses meus quase 30 anos. O carro andava uns metros e parava. Mais uns e parava novamente. Nesse meio-tempo, nos perdemos do outro carro que nos acompanhava. Na pressa, ninguém levou telefone celular. Eu só perguntava para a Adriana, a cabeleireira, se faltava muito para chegar à casa dos pais dela. E o trânsito parado. Eu só pensava: Isso não está acontecendo comigo. É um pesadelo.
No meio do caminho, a mãe da minha cabeleireira lembrou-se que poderia haver luz na casa de um tal de “Mano”, parente distante dela. A casa ficava às margens da rodovia, tomada de lama causada pelos deslizamentos de terra. E fez-se a luz. Fomos para a tal casa. Na verdade, um casebre. Não havia escada no barranco para chegar lá. Escorregando, entramos. Eram apenas três cômodos, sem portas – lençóis faziam esse papel. Uma moça esquálida nos atendeu, acompanhada de duas crianças. Enquanto meu cabelo era arrumado pela Adriana – que não teve o auxílio de suas duas assistentes –, eu ouvia a história daquela família, e de tantas outras, que estavam sendo prejudicadas pela fúria das águas.
Quase duas horas depois, estava pronta. Tremia como vara verde (vara verde treme? Sempre quis usar essa expressão). As crianças foram conosco para o salão de beleza, pois nunca haviam visto uma noiva. Tirei uma foto com elas, que vou enviar pelo correio, com presentes de Natal e, mais uma vez, um MUITO OBRIGADA. Cheguei ao salão, a limusine me esperava. Minha mãe e minha madrinha de casamento choravam. Contaram que haviam pegado um terço para rezar, e não sabiam o que dizer para meu, então, noivo, quando ele ligou para meu celular. Contaram também que meu pai ia me encontrar no local da cerimônia, já que ficou a tarde toda carregando móveis e máquinas do seu atelier, pois havia entrado água, e conseqüentemente lama. Eu não ia chegar com meu pai. O roteiro imaginário da minha festa de casamento estava sendo todo alterado. Droga. Era muito stress para uma noiva. Também fiquei sabendo que alguns convidados ligaram, dizendo que não poderiam ir. Entre eles a querida Rosi, vizinha dos meus pais.
Enfim, cheguei ao Teatro Carlos Gomes, meu pai entrou lindo de meio-fraque no carro, e foi a noite mais incrível da minha vida. Só lamentei pelos amigos que não foram. Fomos dormir às sete da manhã de domingo e às oito e meia o celular do meu marido – agora sim! – toca. Era minha mãe, desesperada, dizendo que a cidade estava embaixo d’água e que ela e meu pai iam para a casa de uma vizinha, já que a casa deles podia desabar. Meio atordoada – só quando cheguei na minha nova casa percebi que esqueci roupas no hotel –, fomos fechar a conta e pegar um táxi. Não havia energia elétrica, nem água. O hall do hotel começou a nos dar noção do que acontecia. Caos. Não havia táxis, esperamos quase duas horas por um que não veio. No fim das contas, meus pais pararam um pouco de encaixotar as coisas e foram nos buscar. Minha mãe trouxe, junto com uma mala, uma embalagem com docinhos e bolo que havia sobrado do casamento. Mal sabia que isso ajudaria a nos alimentar nos próximos dias.
O que veio depois foi pior. Horas mais tarde, depois de passar no outro hotel para ver nossa família carioca, fomos, caminhando em meio à lama, ajudar meus pais a tirar o que podiam de dentro de casa. No caminho, há poucos metros da casa deles, a casa de um vizinho desmoronou e foi totalmente destruída. As informações eram vagas sobre os ocupantes. As linhas telefônicas congestionadas. Nada de água potável – o que é mesmo uma grande ironia, já que chovia tanto – ou energia elétrica. Foi muito triste carregar o que fosse possível às pressas, todos atentos a qualquer ruído que denunciasse o deslizamento da casa. Não só carregar, mas subir e descer os 50 degraus que levam a casa da minha família até a garagem.
As pessoas das casas vizinhas tiveram também que sair às pressas. O trânsito congestionou, já que a rua era uma das únicas no centro de Blumenau onde era possível transitar de carro. Nesse ínterim, uma senhora que morava ali perto, de 96 anos, estava machucada, acompanhada de outra velhinha. Uma das caixas que eu levava para o pick-up do meu pai era de medicamentos, e meu marido, que é médico, foi fazer um curativo e conseguiu parar um carro militar, solicitando que levasse as senhoras para o abrigo mais próximo. Depois de horas carregando caixas morro abaixo, pegamos comida e água da casa dos meus pais e levamos para nossa família carioca que estava no hotel – crianças, mulheres e uma senhora, minha sogra. Os homens haviam sido convocados para esse tsunami de lama e escombros.

Vista aérea de região atingida por deslizamento em Blumenau
(Foto: James Tavares / SECOM)
Depois de ver meus pais saindo da casa por onde viveram mais de 30 anos, mais duas porradas: uma de nossas convidadas, a Rosi, vizinha dos meus pais, morreu soterrada; e nós não conseguíamos voltar para o Rio de Janeiro. Nesse meio tempo minha sogra começou a sofrer da síndrome do confinamento. Seu mecanismo de defesa foi a rabugice, fuga da realidade e incompreensão. Cada um reage particularmente a cada uma de suas tragédias – ou às dos outros.
Meus pais foram acolhidos por um anjo da guarda disfarçado de senhora: dona Juçá, onde estão até hoje – 29/11. Um de meus padrinhos, Julinho, perdeu tudo o que tinha dentro de casa, foi resgatado por um bote, o bote virou, ele acabou salvando uma pessoa que ia se afogar – mas isso dá outra crônica.
Agora, ao acabar esse texto, revejo os números da tragédia em Santa Catarina: 78.707 desalojados e desabrigados – sendo destes 51.297 desalojados – 110 óbitos, 19 desaparecidos e 1.500.000 afetados. Minha família faz parte das estatísticas. Conseguimos voltar para o Rio três dias depois do casamento, graças a um motorista de van muito corajoso, que aceitou nos levar até o aeroporto de Joinville. Ao chegar ao aeroporto, no Rio de Janeiro, uma parente da minha sogra perguntou como foi a viagem.
– Não foi boa. Estava tudo fechado, não deu para comprar nada – a sogra respondeu.
Há sempre algo de cômico nas tragédias.
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![- No domingo, manifestantes tomaram a Paulista em protesto contra a ação da PM em Pinheirinho [foto: Pádua Fernandes] -](http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/protesto-pinheirinho.jpg)

É sempre muito bom ler-te. Adorei! “Há sempre algo de cômico nas tragédias.”
Querida, não tinha imaginado nem a metade do que você tinha passado sábado passado, e depois ainda! Mas que bom que o casamento saiu, com toda a sua família e você linda! Realmente é uma situação inimaginável para um dia de casamento, e uma tragédia impensável para nossas cidades queridas… Itajaí também já não é a mesma, e hoje tivemos um novo alerta de enchente, saímos correndo para tirar as coisas da casa do namorado da minha mãe. Espero de coração que seja só um alerta, porque nosso povo já sofreu demais – isso que não podemos nem imaginar a dimensão do sofrimento das pessoas que nada ou pouco têm. Seus pais conseguirão voltar à casa? Amiga, que a felicidade de estar junto a quem se ama seja seu paliativo e sua força nesse momento. A chuva trouxe muita tristeza, mas permitiu essa linda união e o nosso reencontro, que me deixou muito contente, apesar de todas as adversidades. Um grande beijo com muito carinho
estava bisbilhotando suas fotos, vc estava linda em seu casamento, queria muito poder compartilhar daquele momento contigo, infelizmente a distancia nao me permitiu… estamos acompanhando as noticias via internet aqui nos EUA, chocados, nervosos por familiares que tbm estao fazendo parte das estatiscas, minha tia que tem a casa numa area elevada em Floripa tbm esta desabrigada, muitas vezes em meio as oracoes falta concentracao, pois as noticias nunca mudam, pelo contrario, cada vez aumentam os numeros… realmente tento imaginar seus estado de nervos, que naturalmente nesta hora que teoricamente seriam para serem abalados pela circunstancia alegre da uniao, a incerteza de que tudo vai sair como fora planejado, a agonia de sua familia tentando fazer tudo acontecer certo, mas ao mesmo tempo pressionados pela mae natureza, a salvar tudo que em anos fora construido. Mas com a graca de Deus vc foi iluminada e tudo deu certo, minha querida, muitas felicidades, deixo aqui tbm, apenas escito, mas eh de coracao minha solidariedade, que essa nova familia se fortaleca no amor, na uniao e na fe em Deus, entregue a tua familia blumenauense meus sentimentos…
Beijos querida com carinho da Fa, Charlie e JR.
Isto posto, tudo que posso dizer é “agradecer pelo que não se pode agradecer”!
E meus parabéns! Pelo belíssimo texto e por ser a noiva mais linda que o Teatro Carlos Gomes já viu.
Vane, quando me enviaste as fotos – por sinal estavas linda – jamais pensaria em ler um texto assim. Nunca tinha lido nada com pavor e ao mesmo tempo com vontade de rir. De rir da maneira como contas esta tragédia; de um casamento que era para ter saído perfeito, de tanto que foi idealizado.
E como estavas tão linda, não dá, ainda, para entender sobre o lance da cabeleireira e as outras situações. Que coisa mais horrorosa, que estresse! Pensei que tivesses escapado da tragédia, pelo menos 1 ou 2 dia antes!
Mas teu texto, tragicômico, não poderia narrar melhor esta tua história. Estamos todos acompanhando o Estado de Santa Catarina.
Só o tempo vai amenizar estas lembranças ruins e te fazer esquecer um pouquinho esta tragédia. Muitas felicidades e dias melhores junto ao teu marido e familiares. Falaremos por e-mail…
Este texto tá demais!
Da amiga
Tais
Amiga,
Foi um casamento e um aniversário (o meu) surreais…no domingo a tarde ainda fiz contato com tua mãe , quando soube que tinha acabado de despencar aquela linda loja de móveis quase ao lado da casa dos teus pais. Tua mãe comentou algo sobre deixar a casa, conversamos brevemente e fiquei tranquila por que estavam a salvo, foi o que pensei. Depois disso a semana correu repleta de fatos trágicos e átipicos e ontem, depois de ler a tua crônica caiu a ficha do quanto isso deve ter sido dolorido também para teus pais.
Apesar das cicatrizes em muitas famílias que perderam familiares e sua moradia, do atraso na economia do Estado e do trabalho em limpar e reconstruir mais de 800 ruas só em Blumenau – algumas delas acho que serão “apagadas” – mas enfim…do caos emerge o novo e nossa amada cidade natal vai conseguir.
Beijos
Que estória hein moça! Realmente inesquecível casamento…sinto pela tragédia, pelos seus pais, pela Rosi e pelos desabrigados e pela sogra que não pode comprar nada
Fico daqui torcendo por dias melhores. E muitas felicidades em seu casamento! Um abraço.
História comovente, Vanessa. Tenho muitos amigos em Santa Catarina (vivi cinco anos em Florianópolis) e sinto muito por tudo. Para que mais pessoas possam ter conhecimento dos “bastidores” dessa trajédia, tomei a liberdade de colocar um link do seu testemunho no meu blog (com o devido crédito, claro).
E felicidades aos noivos!
Um abraço.
Há muito tempo acompanho suas crônicas, e lisonja a parte, não poderia deixar de exteriorizar o quanto admiro sua capacidade intelectual, cultural e dissertativa. Até mesmo num momento de adversidade, onde aflições, insatisfações, lembranças, remetem a momentos marcantes, consegue externar com fluidez, algo que está no âmago da sua alma e que muito a entristece. Testemunha ocular de momentos angustiantes, não esmoreceu e mesmo com o universo conspirando momentaneamente para que permeasse os caminhos do desespero, manteve-se firme, com fé. A vida nos apresenta situações tão conflitantes, é como se estivéssemos passando por provações veladas. Doutrinas diversificadas, de cunho religioso, afirmam que não se adquire fé sem ter passado pelas provas da dúvida, por todas as angústias. Só bem mais a frente é que percebemos o quanto esses elementos são importantes para que edifiquemos nossas vidas. Quem deseja a desgraça? A dor? A impressão é que a felicidade é irrealizável aqui, só aparece em fugitivos lampejos. O sentimento de abatimento, impotência, apodera-se, mas as provas purificam a alma, preparando sua elevação. Quantas lições, decepções… Somos individualidades no universo, cada uma reflete o que é, e desde os primórdios da humanidade a filosofia tenta explicar a razão de nossa existência, nossas ações e sentimentos. O que se passa no coração de uma das personagens de sua crônica? A personagem que denota insensibilidade personifica o que as paixões vis e o materialismo podem produzir nas almas incautas. Triste situação… Vivemos em estado de religião, mas não de religiosidade. É esta última que mantém acesa a chama da verdade, da caridade. Se aprendêssemos em tempo que tudo o que é material é efêmero… Assim como a geração de nossos bisavôs, dos impérios estudados nas aulas de história e nos livros sagrados, assim como os alimentos, nós mesmos, tudo foge, tudo se dissipa, tudo perece. Elevar-se acima do que é passageiro e transitório para desfrutar do que é eterno… Esta é a LEI UNIVERSAL. Estender a mão compassivamente àquele que sofre, doar-se, são mais que um dom, e nem todos estão em sintonia com estes predicados nobres. O que debilita a alma evidencia a pequenez do espírito que no “tempo do tempo”, vai de encontro a amargas decepções. Como sempre digo também rogo que o universo conspire para que todos nós sejamos cúmplices uns dos outros, numa acepção muito mais profunda. A cumplicidade que nos faz caminhar lado a lado, conscientes que para viver de forma equânime, igualitária, sem distinções, é preciso que saibamos que o caminho pode ser diferente, mas o objetivo final é o mesmo.
São Paulo já preconizava que a razão humana é um reflexo da razão eterna, é Deus em nós. Viver em Deus, e isso independe de religião, é ser o que tu foste para a sua família e amigos. Primeiro não vacilou em sua fé. Sabia que aquele dia seria o dia de selar sob os auspícios da igreja, um grande amor. Jamais preteriu o sentimento de irmandade, amor e virtude. Preocupou-se com a família, fonte basilar de teu caráter, o verdadeiro alicerce da tua formação moral e de tua vida. Sentiu a dor alheia, se envolveu, compartilhou. O que pode esperar do universo? Tudo o que Ele, o verdadeiro Deus deste mundo, pode propiciar de relevante. Ação e reação!!! Sua recompensa virá, tenha a certeza disso. O destino destina e nós fazemos o resto. Uma alma tão caridosa, imbuída de sentimentos iluminados, só pode receber bênçãos. De seu amigo e admirador, o desejo incontido para que tenhas muita luz, amor, doçura, todo o encanto que um casamento feliz possa propiciar. A nós, como um todo, cabe o pensamento construtor, que forme uma egrégora positiva e restabeleça a ordem, a paz, a prosperidade, a alegria em Santa Catarina e no coração de cada vítima desta calamidade. O melhor lenitivo para os corações que sobreviveram é o nosso incontido desejo de transformação imediata e caridade em todas as suas acepções. Para os que se foram nossas irradiações positivas, cientes de que estão bem melhores que todos nós, é preciso que acreditemos que a vida vai além do material. A dor dilacera o coração dos familiares, só quem já sentiu o que é perder um ente querido, pode descrever. Finalizando, a você Vanessinha e seu marido, meus sinceros desejos de eterna alegria, felicidades, luz e harmonia total.
“Há sempre algo de cômico nas tragédias.”
História triste ou nem tanto… pelo menos vocês sobreviveram, vocÊ conseguiu se casar e etc…
Muito bom texto!
PS: Anjos da guarda sempre aparecem.
Você, meu anjinho, sempre clara, realista e perfeita em suas colocações. Amei o texto!
A catástrofe estava lançada, coisas terriveis acontecendo, pessoas morrendo e eu, ao sair do seu casamento, me “indiguino” ao saber que o Tunga estava fechado.
Mal sabia eu que eu chegaria aquela madrugada em casa com água até a cintura.
Mas… o casamento enfim aconteceu, você estava linda….Eu tb…hehehe.
Quanto ao bote virar, sem comentários.
Bj!
Infelizmente foi trágico oq aconteceu as pessoas de Blumenau e sua família, mas te conhecendo como conheço seu casamento não poderia deixar de ser um espetáculo. Sucesso na sua vida e seja sempre feliz.
J
Estou acompanhando o noticiário sobre as chuvas em Santa Catarina e fico sempre muito assustada com tudo que vejo e leio. Mas racionalizo e tento pensar em tudo isso como uma série estatística para ilustrar minhas idéias. Seu relato me trouxe de volta para o mundo da vida, com todas as suas histórias. Parabéns! Fiquei feliz por, apesar de tudo e das perdas irreparáveis, você ter conseguido realizar o seu momento. abs
Querida Vanessa,
Resolvi começar a ler seus textos de maneira aleatória e descompromissada, pois imaginava-os cheios de leveza e graça. Ledo engano… Vc tem uma escrita elegante, e sabe dosar os temas pesados com os agradáveis com maestria.
Imagino os momentos difíceis pelos quais passou, em uma cerimônia que deveria ser de descontração e alegria.
No entanto, só consigo pensar em como vc teve sorte, se compararmos sua situação com a de outras famílias. Inevitável lembrar de uma frase lapidar que ouvi a vida inteira de meu pai: “A cruz está pesada? Quer trocar?…”.
Grande abraço.
Ana Cecília,
Obrigada. A leveza passa longe da minha escrita, rs.
Já se passou um ano. O trauma, no entanto, persiste. Estamos todos vivos, claro. Contudo, cada vez que chove minha família fica em pânico. Tivemos que abandonar a casa onde eu nasci, cresci e tive momentos incríveis. A casa onde meus pais viveram mais de 30 anos, desde o casamento deles.
Confesso que uma parte de mim ficou ali, naquele abismo prestes a desabar.
Tivemos uma sorte absurda, sim. Mas vai fazer o inconsciente assimilar isso… Ele edita e escolhe os momentos que deseja – ou não deseja.
Abraço.