Relacionamentos
por Taís Luso – Desfazer ligações afetivas é algo que nos desestrutura. Sair de um relacionamento amoroso, acabar com o lero-lero, com as constantes brigas e dar de cara com o desencanto, é penoso. Meses de sofrimento nos esperam.
Ninguém quer carregar a culpa consigo. Em geral, as pessoas querem sair de qualquer relação como vítimas, seja num relacionamento amoroso, seja num relacionamento com amigos ou mesmo em relações familiares. Colocar a culpa no outro é fácil e prático. Não descarto um “ponto final” para relacionamentos difíceis; porém com certo jeito, se possível.
Fico indignada com truques, com manobras. Com tudo que agride e que humilha. E relacionamento é algo muito delicado. Vive-se com alguém por longo tempo e, de repente, vem a decepção; deu pra bolinha. A sordidez está sempre presente: como vou sair, como vou largar, como vou me mandar e o que vou levar…
A dificuldade de acabar uma união é tão grande que já existe, nos Estados Unidos, um site, The Relationship Terminator que, mediante um pagamento, terceiriza a “tarefa” de comunicar à pessoa – através de telefone ou e-mail – o fim do relacionamento. Já pensaram em receber uma comunicação de final de relacionamento dessa maneira?
Após uma longa convivência, onde houve cumplicidade, boa fé, camaradagem e amor – no caso de casais -, o mínimo que se espera é a verdade. Mas é tão impossível uma conversa sem conflitos que virou moda “dispensar” – através de terceiros – ou “plantar” atitudes mesquinhas e truculentas para induzir o outro a cair fora. Fico pensando, então, como os afetos que unem as pessoas são frágeis. Em qualquer tipo de relacionamento restará, apenas, mágoa. Ou ódio. O que antes era algo que parecia sólido, agora se desfarela facilmente por meio de dissimulações.
“Eu bato o portão sem fazer alarde / eu levo a carteira de identidade / uma saideira, muita saudade / e a leve impressão de que já vou tarde”. (Chico Buarque e Francis Hime).
E ponto final: tudo acabado! Mas as cicatrizes ficarão por muito tempo, ainda mais com esse novo método patenteado pelos americanos; coisa que humilha e que não encobre a covardia.
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![- No domingo, manifestantes tomaram a Paulista em protesto contra a ação da PM em Pinheirinho [foto: Pádua Fernandes] -](http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/protesto-pinheirinho.jpg)








Chico Buarque é ótimo sempre, suas crônicas também
Taís, sim, é um método pouco ortodoxo para levar um pé na bunda, rs.
Mas são tempos modernos, não? Eu já fui “chutada” por torpedo de celular. Pode? Maldita tecnologia, rssssss.
Beijos e saudades!
Eu odiaria uma coisa dessas. Isso é atitude de quem nunca teve respeito pela pessoa que estava ali ao lado, seja ela amigo, namorado, enfim. Já tive alguns relacionamentos e sempre procurei ser sincera, ao ponto de quando não estava dando mais chamar pra uma conversa franca, sem agressões ou mesquinharias. Se a pessoa não quisesse ouvir iria amadurecendo a ideia aos poucos, até perceber que é o melhor para os dois terminar sem magoas, e salvar o pouco do respeito e carinho que se tem. Pena que nem sempre consegui terminar todos amigavelmente, as vezes certas atitudes que você toma, ou que fazem com você não são facilmente perdoaveis e fica aquela magoa, mas todos devem ter em mente que por mais amigavel que seja uma separação nada será como antes, e se torna quase impossivel não sentir dor.
Olá Tais,
Como sempre, você é impecável nas observações; dissimuláveis!
Já pensou se a moda pega por aqui, contratar um profissional para dizer que já não nos amam mais! É o fim!
Dissimuláveis, sim, é essa palavrinha vergonhosa, sempre um, se torna essa perssona, aquele que da o pontapé inicial, e nos deixa a ver navios,com um olhar perdido.
Depois da entrega, ver nosso afeto amoroso jogado no lixo.
Mas não podemos nos enganar, sem mais admiração e, na falta do tesão não da para ser feliz.
bjs
Vera
Bem, Tais, pra você ver como são as coisas: já no meu caso eu até preferiria que tivesse sido chutado via Relationship Terminator, hehe. Mas cada caso é um caso e cada fim de caso é um fim de caso
“…como os afetos que unem as pessoas são frágeis.” Está aí uma grande verdade. Na realidade creio que não connhecemos ninguém de fato, nem a nós mesmos!
Bjs Taís!
Pois é, pois é!!
Verdade! Eu ando meio assim. Como diz lá a música do Zeca “ando tão à flor da pela que até beijo de novela me faz chora, que meu desejo se confunde com a vontade de nem ser”…
Eu quero que criem um chip terminator set e instalem nos meus neurônios. Algo que me faça entender o imensa e definitiva expressão do “ACABOU”! Chega! rs
Gostei!
Su
Oi Tais!! Depois de 25 anos de relacionamento é tudo isso que encontramos mesmo. O maravilhoso é que estou inteira para viver da maneira mais qualitativa e feliz como tem sido minha vida!!!!
PARABÉNS!!!!! Artigo EXCELENTE. Muito bem escrito e de conteúdo.
Bjs
E onde mora o respeito? Não somente pelo outro, mas por mim mesmo?
Aiai… não me sinto muito confortável com essa idéia “americana”… Quer dizer que até o relacionamento agora virou “mercadoria”?…
Simples assim, não é mesmo?! (ironia…)
Taís,
Parabéns pelo texto!
P.s: a ironia citada não é pessoal, é com a “idéia americana”, ok?
oi, Luar…rsrsrs, compreendi, sim! Também diria assim. É difícil de entender… intermediários para desfazer uma relação afetiva… chega a ser deboche.
Um beijo
Tais
Beijo tb!
Pior que a falta de respeito com o sentimento alheio, é fingir que se importa.
Sem dúvida.
Belíssimo texto, parabéns.