Destruindo mitos

por Daniel Lopes – Não lembro bem o ano e a série, mas, quando eu estudava em uma franquia do Sistema Anglo de Ensino, tive um professor de Gramática chamado Lucídio – fã de Raul Seixas e do Galo de Minas.

Durante dois meses, as aulas resumiram-se ao seguinte: o professor dividia o quadro de acrílico em cinco ou seis partes verticais, em cada uma escrevia uma frase relativamente grande, fazia com o pincel um retângulo em volta de cada palavra e, de cada retângulo, puxava uma seta para cima ou para baixo.

Então começava a chamar os alunos, um por um. Estes tinham que ir rumo a uma das frases e, na ponta de cada seta, dizer que função cada palavra desempenhava na oração, com riqueza de detalhes. Por exemplo, “objeto-direto-portanto-passivo-ativo-apenas-nos-finais-de-semana”, etc.

O pincel do professor Lucídio caiu duas vezes em minhas mãos. Na primeira eu passei adiante. Na segunda também. Só que da segunda vez ele me perguntou por que eu não ia até o quadro, como (quase) todos os outros. Eu disse que era porque não entendia nada daquilo da função das palavras, e que por exemplo naquela frase ali eu só sei que o “a” é um artigo definido.

Ele riu, assim como alguns na turma, mas depois se recompôs e disse que não era hora de fazer piadas. (E olha que não era uma piada!) Com ar douto, pregou então que, enquanto eu não soubesse destrinchar e classificar nitidamente os termos que compõem uma frase, não estaria hábil para me fazer entender por meus concidadãos, fosse através da fala ou da escrita.

Passei dias e dias tomado de certa angústia. Eu odiava colégio e odiava professores. Só gostava das aulas de futsal e do professor de futsal. Mas, mesmo sabendo que professores são metidos a uma conversa fiada, a perspectiva de que os outros não me entendessem mais me deixou muito pra baixo. Ia até o livro de gramática, tentava compreender os capítulos, não conseguia, e a angústia aumentava. Muito em breve meus pais e colegas não mais entenderiam o que eu queria dizer.

*

Por que lembrei disso tudo agora?

É que recebi dias atrás da Anna Raíssa, uma amiga que está se formando em Letras na Universidade de Brasília, o livro Preconceito lingüístico – o que é, como se faz (Edições Loyola).

Não deixa pedra sobre pedra. É uma dinamite.

Sabe aquele livro que você começa a ler e diz, “como é que eu não li isso antes?”. Pois é.

O autor é Marcos Bagno, que foi professor da minha amiga. A obra foi lançada primeiramente em 1999 e desde então virou um clássico, indispensável para estudantes de Letras e a qualquer outro que queira se posicionar no debate sobre as questões da língua brasileira – ou português do Brasil. O volume que ganhei de presente é do ano passado, a 49ª edição. Você não deve ter dificuldades de encontrá-lo na biblioteca de sua universidade.

Bagno é o tipo de sujeito que acumula imensos conhecimentos para destruir o esnobismo, e não para cultivá-lo. Você pode medir o sucesso de uma universidade, ou de uma nação, pela quantidade de Marcos Bagnos que ela possui.

Infelizmente, nessa equação o Brasil não se sai muito bem. Para cada Marcos, parece haver cem Dad Squarisi. Em 1996 ela publicou um artigo no Correio Braziliense – depois reproduzido em diversas outras publicações – no qual repercutia favoravelmente a declaração que o então presidente Fernando Henrique Cardoso dera em Portugal, de que os brasileiros somos todos “caipiras”, designação que para Dad/FHC (eu quase deixo sem o [/]) tem uma carga negativíssima.

Caipiras somos porque maltratamos o português de Portugal, todos os dias, todas as horas, em casa e na rua.

O posicionamento da articulista – fã do ex-presidente – traz, junto com o preconceito lingüístico, o preconceito social mesmo, dirigido a nordestinos, interioranos paulistas e a qualquer outro que não fale o português como José de Alencar o escrevia. Os termos que usa para denegri-los são: “jecas-tatus”, “deslumbrados”, “tupiniquim”, “capiau”, “tabaréus”… Todos falando, não o português, mas o “caipirês”, nessa enorme “Caipirolândia”.

Longe de ser um caso isolado, a ira mal disfarçada de Dad Squarisi é apenas uma amostra do que encontramos em discursos oriundos dos meios dito cultos. Seu patriarca é Napoleão Mendes de Almeida, falecido em 98, tido como um “defensor intransigente da língua”. No Dicionário de questões vernáculas, vocifera que

Os delinqüentes da língua portuguesa fazem do princípio histórico “quem faz a língua é o povo” verdadeiro moto para justificar o desprezo de seu estudo (…). Cozinheiras, babás, engraxates, trombadinhas, vagabundos, criminosos é que devem figurar, segundo esses derrotistas, como verdadeiros mestres de nossa sintaxe e legítimos defensores do nosso vocabulário.

Em Napoleão como em outros, a Gramática é uma entidade sagrada, tal qual a Bíblia e a Constituição, e deve ser o único Livro a reger o modo de falar de todos os indivíduos que moram dentro das fronteiras da Pátria, do Oiapoque ao Chuí. Sem seu conhecimento integral, é impossível sequer falar razoavelmente, o que dizer escrever…

Não importa que Carlos Drummond de Andrade se considerasse um ignorante em coisas de gramática e que Machado de Assis tenha tomado um susto ao abrir a gramática do sobrinho e “não ter entendido nada”¹. E daí se a Ilíada e a Odisséia foram escritas 400 anos antes de surgir a primeira gramática grega (e do Ocidente)?

*

O que ocorre é que entidades como Luiz Antonio Sacconi, autor de um abominável Não erre mais!, querem confundir gramática normativa com língua. Quando na verdade, como esclarece Marcos Bagno, a gramática é apenas a ponta do iceberg. Apelando para as terras amazônicas – repleta de caipiras incultos –, o autor encontra a metáfora perfeita para dissociar a língua portuguesa da gramática portuguesa:

(…) enquanto a língua é um rio caudaloso, longo e largo, que nunca se detém em seu curso, a gramática normativa é apenas um igapó, uma grande poça de água parada, um charco, um brejo, um terreno alagadiço, à margem da língua.

Não se trata de desprezar os frutos que o ensino da gramática podem gerar, mas esta deve estar ancorada na realidade nacional. Por exemplo, “vende-se casas” já é há muito amplamente usado no Brasil, mas os gramáticos insistem em corrigí-lo para “vendem-se casas”. Nesse caso em especial, Bagno cita vários estudos de linguistas nacionais para defender que

na língua falada no Brasil, no português brasileiro, ocorreu uma reanálise sintática nesse tipo de enunciado, isto é, o falante brasileiro não considera mais esses enunciados como orações passivas sintéticas. O que a gramática normativa insiste em classificar como sujeito, a gramática intuitiva do brasileiro interpreta como objeto direto.

É um caso típico em que os “donos” do português deveriam se render à realidade dos fatos. Mas não. Preferem reduzir a nada o linguajar “fácil” das ruas para defenderem com unhas e dentes uma língua hermética, compreensível apenas… para eles próprios! Surge daí o mito da dificuldade do idioma.

Sustentar que “português é muito difícil” é cavar uma profunda trincheira entre os poucos que “sabem a língua” e a massa enorme de “asnos” (termo usado por Luiz Antonio Sacconi em seu livro Não erre mais!) que necessitam, assim, do “auxílio” indispensável daqueles “mestres” para saltar com segurança por sobre o abismo da ignorância.

“Asnos” não é o único adjetivo que Sacconi usa para rebaixar aqueles que se comunicam muito bem entre si sem ter que recorrer à norma culta. De fato, Sacconi é uma espécie de Reinaldo Azevedo do mundo dos gramáticos e, no livro citado, dispara também contra caminhoneiros, jornalistas, vaqueiros, roqueiros, grevistas, petistas, caipiras e todos aqueles que maculam o língua-pátria com sua praticidade. Ah sim, eu já ia esquecendo da influência maléfica do “elemento africano” na língua nacional.

Aliás, hilariamente deduz-se que, para Sacconi, a língua “nacional” seria ainda melhor (mais “pura”) se não tivesse sofrido o contato com os negros e índios – e, posteriormente, italianos. Só sobrariam assim os portugueses. Mas, para seu desalento, ainda em 1997, a pesquisadora Maria Marta Sherre descobriu que também em Portugal, através dos classificados de jornal, “vende-se andares no lumiar” e “aluga-se escritórios”. Uma lástima.

E pensar que Camões um dia escreveu “pubricar”, “pranta” e “frecha”. O mundo não faz sentido.
¹ Os casos de Drummond, Machado e outros escritores “analfabetos” estão em Língua e liberdade, de Celso Pedro Luft.


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De língua e linguagens

28 comentários | Dê sua opinião

  1. gerusa 28/11/2008 em 12:54 am

    Esse livro é muito legal, e o melhor de tudo é baratissímo (no máximo R$12,00). E traz ensinamentos ótimos.
    Acho um ô, o preconceito existente entre brasileiros com relação ao modo de falar. E outro dia fiquei horrorizada com uma cena que vi.
    Aquela pestinha da Maysa, do SBT, ridicularizando um criança que participava ao vivo, pelo telefone, simplesmente por esta ter falado “alor”, dialeto tipico do interior de São Paulo, e não “alô”. Uma prova de que preconceito se aprende na escola, desde a mais tenra idade.

    Responder
  2. Edna 28/11/2008 em 5:30 pm

    Cara,

    Respeito quem gosta de Marcos Bagno. Mas vamos concordar: se depender dele vai virar uma anarquia. Assisti a TCC fundamentado com as obras dele e posso lhe garantir que eram grandes porcarias. Sou estudante de Letras e adotei as gramáticas do Professor Luiz Antonio Sacconi. Detesto quando falam mal dele. Não costumo mandar recados, mas como sou catarinense e estou enfurecida nesses dias fiquei irritadiça com esse comentário seu.

    Talvez até existam pessoas que não gostem de Sacconi (porque ele realmente tem o diabo) mas é a melhor coisa que existe atualmente no país em matéria de gramática.

    E chamar de clássico Preconceito Linguístico? Fala sério! É um clássico dos ignorantes que não querem sofrer. Porque não existe crescimento sem sofrimento. Clássico é Homero, Victor Hugo, Camões, Fernando Pessoa, Hemingway e por aí vai…

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  3. Daniel 28/11/2008 em 6:45 pm

    Edna, respeito sua opinião contrária, mas devo observar que existem TCCs pobres fundamentadas até em Freud. Digo que o livro do Bagno é um clássico porque já está na 50ª edição e é bastante discutido (pró e contra). Isso é ser clássico em qualquer lugar do mundo, e no Brasil mais ainda. E, obviamente, você não acredita que existam apenas clássicos literários.

    Homero, é verdade, é um clássico — que, como observado por Marcos Bagno, não tinha nenhuma gramática normativa à disposição (a primeira surgiu apenas alguns séculos depois). E em Hemingway, como em outros, há diversos trechos que o senhor Sacconi, se fosse estadunidense, chamaria de “erros de inglês”. Não que ele seria levado a sério por lá, claro.

    Abraço e volte sempre.

    Responder
    • João Borges 28/03/2010 em 8:53 pm

      Está-se falando de tcc como se fosse feminino. TCC não é trabalho de Conclusão de Curso? É TCCs pobres fundamentadas… ou TCCs pobres fundamentados…?
      Se se for a um vestibular com essa concordância…

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  4. Anna Raíssa 29/11/2008 em 10:41 am

    O comentário mais raso e mais sem fundamento sobre lingüística é dizer que se depender dela (ou dos lingüístas) a língua “vai virar uma anarquia”; pode ser considerado até um erro primário. Como estudante de Letras, a Edna deve(ria) saber disso. A colega vai me desculpar, mas esse comentário mostrou que ela não sabe nem o que é Lingüística.
    Deveria ser básico pra um estudante de nível superior saber que Língua não é Gramática, que Lingüística é uma Ciência e que saber gramática não faz ninguém ‘subir na vida’.
    Qual o critério que ela adotou pra diferenciar um ignorante de um não-ignorante? E por que, ó deus, alguém haveria de ‘querer sofrer’? Sofrimento não é não saber gramática. Sofrimento é, por exemplo, o que tá acontecendo em S. Catarina. Sofrimento é toda uma outra série de coisas que não convém discutir aqui…
    E por falar nisso, o que diabos o William Bonner tá fazendo lá? Virou bombeiro?

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    • João Borges 28/03/2010 em 8:59 pm

      O problema é que as Universidades são elitistas. São seus professores que elaboram as provas de vestibular. Dizer-se que se saber gramática não faz ninguém subir na vida, é um tanto estranho. Fazer uma redação de vestibular cheia de desvios linguísticos é fatal à pretensão de quem quer subir na vida. Ou não é?

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  5. jose carlos ferraz de camargo 29/11/2008 em 1:42 pm

    Meu caro Daniel! Essa é uma discussão interminável.Mas,gostei do seu texto:enxuto,compreensível e,o aprendizado da Língua, sempre será um processo intuitivo.Agora,nem tanto a terra,nem tanto ao mar.Não dá pra aturar jornalista falando “beneficiente’,torneiro mecânico vociferando ‘menas” e advogado berrando “haja visto”.Para os estudantes de Letras: o melhor gramático brasileiro chama-se Rocha Lima e o gênio da análise sintática Adriano da Gama Khury.Ambos conseguem transformar uma obra de Bach em um simples “parabéns pra você”.E prá terminar:Raissa,o objetivo fundamental e insubstituível do ensino é transformar-nos em pessoas melhores e não pra ganhar dinheiro.

    “o homem(a mulher) era tão pobre,mas tão pobre que só tinha dinheiro”

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  6. Dowglas Lima 29/11/2008 em 3:17 pm

    Taí. Gosto das polêmicas envlolvendo nossa língua. Com a reforma ortográfica, o negócio ficou mais quente. Vou procurar obter esse livro!

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  7. Edna 30/11/2008 em 4:54 pm

    Não pretendo continuar com essa discussão porque acredito que ela não nos levará a lugar algum. Honestamente acho que esse tipo de assunto é para estudiosos da língua com experiência. (como: Cegalla, Bechara, Sacconi) Foi apenas um lapso meu quando emiti a minha opinião neste blog. Só meti o bedelho mesmo porque falaram mal de um cara que eu AMO, Luiz Antonio Sacconi. Todas as pessoas têm loucuras. Qual o problema se a minha é esse velho “endemoninhado?” Adoro aquele jeito debochado dele.

    Raíssa, andei lendo que foste aluna de Marcos Bagno . Nunca poderíamos discutir porque tu gostas do cara e eu o DETESTO! DETESTO essa raça que defende os falares regionais e detona a norma culta dizendo que é a língua da elite e o diabo.
    Não vou dizer nada a você sobre o que disseste sobre eu não saber que lingüística é uma ciência. Não tenho que provar nada para ti. E tu distorceste minha fala. Não falei mal da ciência, falei mal de Marcos Bagno e de Sírio Possenti.

    Falaste da enchente que assolou meu estado no final da semana passada. Moro aqui em Camboriú e estudo em Itajaí. Sei exatamente o que é esse tipo de sofrimento. Na de 83 um dos meus irmãos morreu exatamente no dia e meus pais, além de perderem tudo, ainda tiveram que atravessar as ruas com água pela cintura para ir enterrá-lo. Então não me venhas falar de enchente porque já estou acostumada a sair nadando. E tem mais: adoro água! Detesto seca (principalmente depois de ter estudado Os Sertões). Foi uma tragédia? Foi! Mas ainda prefiro chuva em excesso a falta dela.

    “Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse. (Fernando Pessoa)

    Errar é humano; acertar é humano e civilizado. (Luiz Antonio Sacconi.)

    E aí vai o endereço de um blog bom:
    http://www.sacconi.com.br/blog/

    Responder
  8. Daniel 30/11/2008 em 5:02 pm

    … e ser civilizado é atacar os “criminosos” e “vagabundos” que maltratam a língua. Ser expert em gramática não garante bons modos.

    Responder
  9. Edna 30/11/2008 em 6:23 pm

    Eu disse que encerraria, mas justamente hoje o professor Luiz Antonio Sacconi comentou sobre o assunto em seu blog… Copiei e colei aqui o comentário dele.

    Postado por Prof. Sacconi, 30 Novembro, 2008

    Às vezes, outras pessoas conseguem traduzir em palavras melhor os nossos sentimentos; outras vezes, elas convergem nos mesmos pontos de vista. Vejam, por exemplo, esta carta de um leitor da Veja, geógrafo e professor de Parnaíba, PI:

    A entrevista com a professora Eunice Durham é bem oportuna, pois mostra claramente a hipocrisia que há nos cursos de pedagogia que ensinam teorias dos papas da educação, como Piaget, Vygotsky, Paulo Freire, entre outros, sem promover a real inserção do candidato a professor na prática diária do seu ofício. Lamentavelmente, o ensino superior brasileiro não acordou para a realidade: estamos entre os piores em educação no mundo e sem um prêmio Nobel sequer.

    E pensar que certos “professores” insistem em levar a seus alunos Avran Noam Chomsky, Jacques Lacan, Roland Barthes, André Martinet, etc., vangloriando-se disso, mas não conseguem fazer com que eles saibam distinguir um sujeito de um objeto direto. Freud, que foi mestre de alguns desses lingüistas, tem boa explicação para isso… Alias, nessa área, sabem vocês quando vamos ganhar um Nobel?…

    Outro professor escreve, na mesma revista:

    Digo aos meus alunos: quando o médico erra, o paciente morre na hora. Mas o mau professor aleija para o resto da vida.

    De maus professores e maus-caracteres certas universidades brasileiras estão cheinhas, disso vocês estão cansados de saber. Eles também estão cansados (mas de fazer aleijados…).

    Responder
  10. Daniel 30/11/2008 em 8:01 pm

    ok, esse também é meu último comentário nesse post.

    nada muda: saber diferenciar objeto direto de seja lá o que for não é o fundamental. nunca foi. graças a deus, todas as língua evoluem anos-luz à frente das gramáticas normativas, que são importantes até se transformarem em dogmas. e depois esses “defensores da língua portuguesa” não sabem porque o inglês domina corações e mentes. uma língua belíssima que faz pouco de fronteiras e incorpora sem pudor termos franceses, germânicos, asiáticos e de onde for, reinventando-se a cada dia.

    fundamental é criatividade – aquilo que um sobrava em um guimarães rosa e que o senhor Sacconi, homem de um discurso só, nunca terá.

    abs.

    Responder
  11. Anna Raíssa 02/12/2008 em 1:45 pm

    Edna, eu nunca falei que gostava “do cara”. Eu já estudava sociolingüística antes. E você pra mim continua sendo uma preconceituosa bancando a coitada. Rídiculo falar em raça e essa babaquice toda. Agora, se você acha bonito ficar citando frases de efeito do Sacconi ou do que o valha, vai nessa, garotona ;-)

    E acho que o José Carlos se confundiu com o meu comentário. Eu não falei em estudar pra ganhar dinheiro nem nada disso…

    Responder
  12. Edna 08/12/2008 em 1:08 pm

    Anna Raíssa, Eu não estou “bancando a coitada”. Não estou dizendo exatamente o que penso para ti porque tem um aviso que diz que comentários ofensivos serão deletados.
    E realmente tens razão: sou um pouco preconceituosa com relação a esses aspectos. Ademais, já dá para sacar como sou se gosto de Sacconi né?

    Só acho que é muito para a minha cabeça ficar brigando por caras que não estão nem aí…
    Para mim esse papo está acabado. Gosto deste blog, entretanto nem vou mais acessar esse texto para não ter o desprazer de ler coisas que possam me irritar.

    “Sabe, no fundo eu sou um sentimental
    Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
    Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar,
    trucidar
    Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora…”

    Responder
  13. Ludmila 10/12/2008 em 7:41 am

    O que dizer perante tudo o que já foi dito? Concordo em gênero, número e gral!
    Adorei o texto, e concordo que o sucesso de um curso depende de quantos Marcos Bagnos há nele. Sugiro “Por que (não) ensinar gramática na escola” do Sírio Possenti, para vc se apronfundar no assunto.

    Beijos.

    Responder
  14. Jackson 10/12/2008 em 1:26 pm

    Nunca é tarde pra falar…

    A lingüística defendida por Marcos Bagno fala que a gramática normativa é preconceituosa
    Mas pressupõe que o pobre é estúpido e jamais aprendera português “culto”.
    E que falar “Nois é bom memo”,”pobrema”e “Ce sabe” é aceitável… Bem, eu sou pobre e quero escrever corretamente segundo a norma vigente. Quero também ler os jornais portugueses sem precisar aprender outro idioma. Prefiro mil vezes morrer tentando escrever como Eça de Queiroz de que viver e escrever como Mister Créuuu.
    Quando falarem em gramática elitista lembre-se que tem pobres que pensam e optam pelo
    Lado que querem ficar. Ora, se eu falo e escrevo errado é porque ainda não aprendi.
    Mas estarei aprendendo sempre, sem obreirismos tolos.

    Responder
  15. Daniel 10/12/2008 em 2:02 pm

    Caro Jackson, obrigado por expressar sua opinião.

    Eu também não sou rico e, sempre que possível, estou aprendendo mais e mais. Ninguém é contra isso, muito menos o Marcos Bagno, um acadêmico respeitado no Brasil e no exterior.

    A questão é exatamente essa: ver que a Gramática é apenas uma minúscula fração da língua. A língua transforma a Gramática a cada dia, mesmo que os “donos” do idioma só a atualizem de vinte em vinte anos. Pior pra eles, melhor pra língua, qualquer língua, que felizmente nunca dependeu de gramático algum para evoluir (as que dependeram, morreram, coitadas).

    Quanto aos jornais portugueses e Eça de Queirós (de quem gosto muito), vale lembrar que estamos no Brasil. Posso muito bem ler Voltaire em francês, Roth em inglês, Sabato em espanhol e Eça em português de portugal sem abrir mão de falar e escrever o português brasileiro.

    E lá se vai o trema.

    Abraço e volte sempre.

    Responder
  16. L.Lovenkrands 23/12/2008 em 11:42 am

    Acho que não podemos subir a interminável montanha da norma culta como querem pessoas como Pasquale Cipros Neto nem nos jogarmos lá de cima como Marcos Bagno quer.
    Temos que falar e escrever de maneira simples para que a língua flua naturalmente: de maneira simples e correta, sem pedantismos tolos e cacofonia semi-analfabeta.
    Temos que admitir que a norma culta não dificulta( perdoe o trocadilho),mas facilita a compreensão;fazendo a vez de farol para não nos perdemos no mar da idiossincrasia verbal.

    Já pensaram acordar num belo dia e ter que aprender inglês e português – seria horrível!

    Quem não gosta de ouvir o sotaque luso ou cabo-verdiano e saber que tem países que falam nosso mesmo idioma… Saber o que o mundo pensa do Brasil sem precisar aprender castelhano.

    Responder
  17. Daniel 23/12/2008 em 12:33 pm

    Exatamente, meu caro Lovenkrands. Nem tanto à terra, nem tanto ao mar. Não foi a idéia do Marcos Bagno, e muito menos a minha, atacar por atacar a norma culta. O que se ataca é o preconceito contra quem fala ou escreve errado (e “errado” para os ortodoxos é não escrever ou falar como José de Alencar, ou Pero Vaz de Caminha…). Preconceito muitas vezes explícito, como no caso do “professor” Sacconi (eu que não mando um filho meu pra escola onde esse homem dá aula).

    Nós brasileiros podemos sim falar e escrever diferentemente dos portugueses e dos cabo-verdianos. Diversidade, não uniformidade. Como é sempre importante repetir, a gramática é apenas uma fração da língua, sempre muito mais rica em sua totalidade.

    Abraço e volte sempre.

    Responder
  18. Leóncio Masinga Guerra 25/12/2008 em 2:31 pm

    Está claro que essa tal de Bagno não passa de um descendente de italiano que não importa-se nem um pouco com o idioma português- quer ver o Brasil servindo como teste para suas teses de doutoramento em linguística, nada mais.Admira-me ver gente que acha isso bom- o gajo só quer aparecer figindo-se de cientista da língua para tornar-se famoso. Como é tradutor fica fácil ler
    livros em inglês e italiano. Porem o pobre segundo suas bobagens fica feliz a falar mal sem no mínimo conseguir ler um banda desenhada…resultado : mais excluído doque nunca! Imaginem o pobre a ter que aprender português para aprovar-se no vestibular porque apenas sabe escrever seu vocabulário obscuro .

    Responder
  19. Juliana Teixeira 14/04/2009 em 4:13 pm

    Daniel,

    Seu texto é simplesmente perfeito.
    Não poderia concordar mais.
    E saiba que cada vez que descubro alguém engajado nessa luta pelo fim do preconceito linguístico, meu mundo vira um lugar melhor, pois a esperança se alimenta.

    Parabéns mesmo!
    E obrigada não só pela visita no meu blog, mas principalmente por ter me mostrado o link desse texto tão bom!

    Abraços,
    Juliana.

    Responder
  20. Marok 15/04/2009 em 9:32 am

    Eu acho que perdemos tempo demais aprendendo (e não conseguindo) nossa língua ridícula, enquanto poderíamos estar estudando ciências ou praticando esportes. Infelizmente, é essa que herdamos.
    Acredito que um dos maiores trunfos dos americanos e ingleses (não que eu os admire) é a simplicidade de sua língua. Comunicação é fundamental para se obter conhecimento. E olha que não é só na língua que eles optam pela simplicidade.
    Portanto, enquanto estamos sacrificando nossos neurônios tentando descobrir se o adjunto é adnominal ou adverbial, ou tentando entender as regras (e exceções) dos acentos, tem gente por aí aprendendo a manipular laser ou desenvolvendo novas técnicas de engenharia.
    E o mais triste é ver que tem gente que tenta endurecer e complicar cada vez mais essa língua desinteressante. Afinal, sempre tem alguém que ganha com o atraso dos outros.

    Responder
  21. Daniel Silveira 04/05/2009 em 4:44 pm

    Com referência ao prof. Sacconi, gostaria de lembrá-los que, este faz um enorme sucesso – principalmente entre os professores – porque é o único escritor e dicionarista vivo neste país. Ele próprio é quem corrige as suas mais de 70 obras e, ainda passa horas e as vezes até dias estudando uma só palavra. Por isso, em suas obras (ao menos até hoje), não há erros.
    As editoras dos outros dicionaristas (também famosos e com seus méritos) têm de contratar equipe de professores para rever tudo, sendo que, segundo o Mec, o que mais têm são erros grotescos como: Cuspir: sinônimo de vomitar… (é móle?…) e, depois vem uns e outros, criar polêmicas sómente para crescer na mídia e tentar subir em vendas nas costas daqueles que têm “estrada” e realmente querem nos ensinar. É como o trânsito: imaginem se não tivesse regras…

    Responder
  22. Davi Miranda 09/06/2009 em 11:25 am

    Curiosamente, Sacconi (1990, p. 39) afirma que “os nomes próprios estão sujeitos às mesmas regras dos nomes comuns”, em particular no que diz respeito a levarem acento gráfico; como exemplos, dá, entre outros, Míron, Estêvão, Luís, Sônia. No entanto, ele mesmo assina “Luiz Antonio”.

    [PERINI, Mário Alberto. Princípios de lingüística descritiva: introdução ao pensamento gramatical. São Paulo: Parábola, 2006, p. 22]

    Responder
  23. ALEXANDRE 26/06/2009 em 10:27 am

    Também curiosamente Sacconi diz que fonema é som…affffffff

    Responder
  24. Bosco 01/12/2009 em 2:02 pm

    Tenho um amigo que é um excelente pedreiro, uma pessoa inteligentíssima, sabe apenas ler e escrever e as quatro operações, consegui estimulá-lo a frequentar o supletivo e fazer aula particular duas vezes por semana. Ele fala totalmente fora da gramática, mas isso não me impede de entedê-lo corretamente e perceber a sua grande inteligência. Devido a nossa grande amizade comecei a corrigi-lo dentro do pouco que conheço de gramática, agora não vou ligar mais para isso, a gramática que corra atrás da gente.

    Responder
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