Onda vermelha, onda verde ou onda azul?

-- Geografia do voto nas eleições 2010 (fonte: Estadão) --
por André Egg – Muita gente previu uma onda vermelha a sair das urnas ontem. Acreditava-se que um presidente com 80% de aprovação, terminando um governo que gerou empregos, aumentou salários e crédito e distribuiu renda “como nunca antes na história desse país” seria capaz de transferir votos e eleger sua candidata em primeiro turno. Quando as pesquisas diziam que ela estava caindo, era só dizer que as pesquisas estavam mentindo.
Junto a essa expectativa, existia também a esperança de que os candidatos do Lula fossem eleitos de arrastão: apoiado por Lula, ergo eleito pelo povo.
Nesse sentido, a onda vermelha não chegou a acontecer de todo. O eleitor demonstrou que não está disposto necessariamente a votar em alguém mesmo quando avalia bem seu governo. Já tínhamos visto isso acontecer em 2004, quando Serra derrotou Marta nas eleições municipais, mesmo ela sendo uma prefeita muito bem avaliada. O fato que ficou demonstrado pelo Senhor Eleitor é que é preciso construir projetos de futuro, e que o sucesso passado não pode ser garantia de voto. Nesse sentido, o segundo turno será uma oportunidade para apronfudar o debate e, quiçá, discutir programa de governo.
Mas afora a decepção com a ida de Serra para o 2° turno, o mapa de votação sugere que sim, tivemos uma onda vermelha: governadores pró-Lula eleitos com votação maciça no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, na Bahia, em Pernambuco, no Ceará, a ida de Ana Julia ao 2° turno no Pará, tudo isso pintou um largo espaço vermelho nos mapas de votação.
Enquanto isso, outras regiões mais classe média e mais industrializadas do Brasil, provocaram uma verdadeira onda azul: José Serra venceu as eleições em amplas regiões de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Sul de Minas Gerais, além de amplas regiões do Centro-Oeste e do Norte do Brasil. Essa onda azul também carregou governadores tucanos no Paraná, São Paulo e Minas Gerais para vitórias em 1° turno. Todos eles com uma característica importante: tiveram em seus estados mais votos para governador do que Serra teve para presidente: no Paraná Beto Richa teve 3 milhões de votos, Serra 2,4 milhões; em São Paulo Alckmin teve 11,5 milhões de votos, Serra 9,5 milhões; em Minas Anastasia teve 3,9 milhões de votos, Serra 3,3 milhões.
Isso sinaliza para um outro fator: nestes estados o eleitorado percebeu que o PSDB é um partido de centro-esquerda, com administradores capazes e bons projetos. E não engoliu as alianças forjadas do alto pelo lulismo (no Paraná e em Minas isso foi claro), ou não perdoou a candidatura construída às pressas em São Paulo (Mercadante só foi viabilizado depois que se viu que Ciro Gomes não concorreria no estado).
O único estado em que ocorreu movimento contrário foi o Rio Grande do Sul. O PT gaúcho deu uma aula de como se ouve as bases para construir uma candidatura sólida (além do efeito Yeda Crusius, claro): Tarso Genro teve 3,4 milhões de votos no estado, mais que os 3 milhões de Dilma.
Mas não é exagero falar que a grande surpresa nas eleições foram os quase 20% dos votos válidos atingidos por Marina. Quem estava atento à movimentação das intenções de voto espontâneas nas pesquisas, bem como o efeito avassalador que foi seu crescimento entre o eleitor mais escolarizado, de maior renda e dos grandes centros urbanos já podia imaginar que isso aconteceria.
Mas talvez o que não se imaginasse é que Marina chegou mesmo a pintar uns pontinhos verdes no mapa de votação, sendo a mais votada no Distrito Federal, na região de Belo Horizonte, e em algumas regiões do estado do Rio de Janeiro (Niterói e Cabo Frio).
Afora as eleições majoritárias, o que se viu também foi um aumento da bancada de deputados do PT e dos partidos aliados, o desaparecimento de antigas lideranças (que já vão tarde) e o surgimento de novas. Talvez seja a hora de pensar que o espetacular crescimento da Classe C nos últimos anos vai gerar novas demandas políticas, e tende a reequilibrar todo o cenário eleitoral nos próximos anos. Quem pegar essa transformação a tempo poderá construir uma nova hegemonia.
O lulismo, como eu já disse em outro texto, acabou.

E em muitas cidades em que a Dilma ganhou e pintou de vermelho o mapa, Marina, e não Serra, ficou em segundo. Foi realmente bastante subestimado, o potencial da candidata.
Errado. O Lulismo não acabou nem está perto de acabar.
1. Dilma ficou apenas 1 ponto percentual abaixo da margem de erro do IBOPE.
2. O resultado foi equivalente àquele das eleições de 2002 e 2006.
3. A subida de Marina (e, consequentemente, a queda de Dilma) se justificam muito claramente no fato da moral religiosa ter entrado de vez e de última hora no debate político — questão explicada principalmente pela campanha baixa e mentirosa de panfletagem e propagação de spams anti-Dilma.
Outras questões relevantes:
1. Ao atualizar seu slogan para “Serra é do bem”, o PDSB revela ter percebido o público em potencial dentro dessa arena da moralidade religiosa.
2. O PT provavelmente vai insistir em discutir o Brasil e seus projetos ao invés de debruçar-se em questões mais amplas como religião — mesmo que isso lhe custe caro.
Ou seja, o que teremos no segundo turno é uma tentativa do PT de continuar discutindo o Brasil no âmbito social e econômico (o forte do atual governo) e, do outro lado, a tentativa do PSDB de trazer para o debate o conservadorismo cristão de direita (a la os estados do sul dos EUA).
Pessoalmente, se Serra ou Dilma tivessem ganho no primeiro turno (tendo mantido o debate naquilo que importa: nosso país), eu me daria por satisfeito. Mas agora que Serra adotou essa postura conservadora cristã, é FUNDAMENTAL para a manutenção de alguma sanidade intelectual no nosso país que Dilma saia vencedora.
Numa batalha entre Jesus VS desenvolvimento econômico e social, fico com a segunda opção — com Lulismo e tudo!
No Brasil a população tem que aprender que ela não deve nada aos politicos, ela é mais importante do que aqueles que receberam o direito de representa-los no poder; um politico bom não faz nada mais além da sua obrigação; um politico ótimo, merece crédito; e um execelente, merece ser votado de novo ou acreditar no candidato dele; para mim este governo não fez mais do que a sua obrigação ficou devendo em muitos quésitos.
Teve tempo suficiente para fazer muito mais do que fizeram, agora a canditata deles possar de Cristã para arrebanhar os votos dos cristãos e católicos, só falta ela sair cantando: FAZ UM MILAGRE EM MIM!… KKK…KKK…KKK
A Dilma não tem condições nenhuma de presidenciar o Brasil, se a Dilma ganhar vai ser uma farra no governo roubalheira vai ser festa da uva, pois com o lula já não respeitavam, imagine Dilma, e num vem com essa que o Lula vai comandar porque não comanda e também não confio nesta Dilma muito arrogante e autoritaria!! Serra !! na virada!!!!
Leitor do Tio rei detectado.
Mas aproveitando, vi pouca analise aqui no Amalgama sobre as eleições legislativas.Ao meu ver bem mais importantes.