O Estado da arte da política paulista

-- Alckmin vai às urnas --
por Hugo Albuquerque * – A apuração da votação das eleições 2010 transcorreu numa noite atipicamente fria de 03 de Outubro. Um dia com um ar cinza e sorumbático. Dilma Rousseff venceu o Primeiro Turno das eleições presidenciais, mas não venceu em Primeiro Turno como se supunha e se esperava – e, pelo menos do lado de cá, se desejava. Por outro lado, viu-se a maior transformação da história do nosso Senado, com uma série de figurões não se elegendo – muitos dos quais, perdendo as vagas que ocupavam há tempos -, formando um rol de ilustres derrotados no qual podemos citar César Maia (RJ), Arthur Virgílio (AM), Heráclito Fortes (PI), Marco Maciel (PE), Raul Jungmann (PE) e Germano Rigotto (RS). Na Câmara, os petistas fizeram a maioria seguidos do PMDB e demais integrantes da base aliada.
Enquanto isso, as eleições paulistas correram dentro do previsto da normalidade normalizada que há tempos caracteriza o estado cada vez mais bandeirante e cada vez menos jesuíta – não em termos de religiosidade, como logo mais se verá, mas em termos de crueza do projeto de dominação. Terminou em primeiro, aparentemente eleito, Geraldo Alckmin do PSDB – e o “aparentemente” logo será explicado – seguido do petista Aloísio Mercadante, pela segunda vez seguida candidato do partido da estrela e pela segunda vez – pelo menos no montante do Primeiro Turno, não saberia dizer se em Primeiro Turno – derrotado. Para o Senado, o PSDB, que já teve FHC e o próprio José Serra representando o estado naquela Casa, recuperou uma vaga, com Aloysio Nunes e o PT elegeu a primeira mulher para Senado por São Paulo, ninguém mais ninguém menos que a ex-Prefeita da capital Marta Suplicy.
Comecemos a avaliação ao contrário, pelo Senado: O primeiro colocado, o tucano Aloysio Nunes, disparou para o Senado usando-se de um largo tempo de TV – ganho pela desistência da disputa por parte do ex-governador Orestes Quércia, por motivo de saúde – e pela exploração de um nicho específico do eleitorado – o consórcio DEM/PSDB, aliás, já ensaiava recuperar uma vaga no Senado há anos, objetivo que quase conseguiu com José Aníbal e Afif, que cresceram vertiginosamente às portas da votação nos últimos dois pleitos, dessa vez viu a repetição do fenômeno só que de forma exitosa. Netinho e, sobretudo, Marta tiveram uma queda muito rápida nas intenções de voto. Romeu Tuma, por sua vez, juntou-se ao time dos tubarões que ficaram de fora do Senado, embora ele seja dos menos piores.
Basicamente, Netinho tinha boas chances, chegou a liderar a sempre movediça eleição para o Senado – Casa cujo pleito, habitualmente, é o mais morno das Eleições Gerais -, mas viu-se em linha decadente pelas denúncias feitas veladamente por Aloysio Nunes – e pela rede de boatos comuns a qualquer eleição – acerca do lamentável episódio de violência doméstica contra sua ex-mulher no qual se viu envolvido há alguns anos. Um histórico desses, em caso privado, portanto, de fácil identificação com a vida familiar dos eleitores é muito mais chocante e nocivo eleitoralmente do que se, por exemplo, passasse pela cabeça de um louco jogar a tropa de choque contra milhares de professores desarmados em manifestação pacífica – ou fizesse parte de um governo que fizesse isso -, dado que a violência que se dá nesse âmbito e dessa forma, como até as pedrinhas da rua sabem, é naturalizada em nosso país.
Evidentemente, há de se comemorar que nem toda espécie de violência é naturalizada em nossa sociedade, muito embora a síndrome da culpabilização seletiva o seja – em relação a fato e espécie de pessoa -, o que só nos resta lamentar. Também fica claro, sobretudo, que Netinho, pela baixa experiência política e tais problemas, diante da conjuntura do eleitorado e, sobretudo, da estrutura psicológica frágil – e fragilizada – talvez não fosse mesmo um nome para lançar nas majoritárias. Por outro lado, surpreendeu tanto os tucanos quanto os petistas, a baixa votação de Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo, histórica campeã na luta por direitos civis que, apesar de ter influência em um quinhão relevante da direção do PT-SP, amargou duas derrotas duras nas duas últimas disputas da Prefeitura da Capital e, agora, venceu com apenas 22,61% da votação para o Senado – o que, ainda assim, foi muito importante em um momento no qual as conquistas dos direitos civis veem-se cada vez mais ameaçadas pela sombra do obscurantismo religioso.
O primeiro colocado Nunes será um dos nomes da articulação do bloco político que foi oposição a Lula à direita e que permanece na disputa nacional com o Segundo Turno das Presidenciais. Seu futuro e sua função são ainda imprevisíveis: Se Dilma confirmar seu favoritismo, será um dos principais negociadores da reconstrução e da redefinição das forças de direita no cenário nacional; se Serra conseguir se eleger, naquilo que seria uma das maiores zebras da nossa história eleitoral, ele terá a dura tarefa de negociar uma base sólida no Senado, espaço no qual seu grupo político saiu duramente minorado do pleito de 03 de Outubro.
Nas eleições proporcionais, isto é, para a Câmara dos Deputados Federais e para a Assembleia Legislativa, as coligações encabeçadas por PT e PSDB esgrimaram-se na disputa por mais cadeiras. Para a Câmara Federal, os petistas levaram a melhor por pouco sobre os tucanos (31,85% x 30,06%) enquanto para a Assembleia Estadual os tucanos deram o troco (30,25% x 26,88%) – considerando os partidos separadamente de suas coligações legislativas, o PSDB venceu por uma ínfima vantagem em ambas as dimensões, como o nosso sistema não funciona assim, isso foi irrelevante.
Tirando os dois grandes partidos que rivalizam pelo poder no estado, o que resta é uma total salada de siglas. Embora o PSB tenha feito uma coligação bem sucedida com o PSL para a Câmara Federal (com 10,12% dos votos), ele não repetiu nem a coligação, nem a votação no âmbito estadual, o que é revelador de um partido que lança ao mesmo tempo para a Câmara Federal um ícone da esquerda nacional como Luiza Erundina e um ex-tucano e católico conservador como Chalita. Levando em consideração também os partidos que lhes servem de linha-auxiliar, o fato é que os petistas se deram melhor na esfera federal enquanto os tucanos mantiveram boa vantagem na esfera estadual – muito embora ela não seja mais tão favorável quanto na última legislatura.
A grande personagem individual dessas proporcionais foi o ex-artista circense e comediante televisivo Tiririca, que saindo com um mote “pior do que tá não fica, vote no Tiririca” elegeu-se com a maior votação pessoal entre os deputados federais paulistas. Apesar deste nobre redator que vos escreve ainda resmungar em relação à naturalização que o agora nobre deputado promoveu – inconscientemente, talvez -, no que toca ao estado de coisas da nossa política, não há como não ver os lados bons de sua eleição: [i] Sim, apesar do “pior que tá não fica” ser um mote aparentemente reacionário – e produz esse feito a priori mesmo -, não há como não ver no incidente de sua eleição um caso claro no qual um elemento da plebe pôs em pane a razão transcendental que a burguesia atribui ao processo eleitoral – no afã de transformá-lo em algum rito de qualquer coisa religiosa -, o que é no mínimo curioso; [ii] Sua campanha, numa época na qual candidatos são simplesmente empastelados por posições quase progressistas em relação aos direitos civis, teve a coragem de polemizar ao pautar coisas como sua legislatura “vai lutar por todos: homens, mulheres e gays“. Ademais, sua defesa aos nordestinos, minoria da qual faz parte, é louvável – sim, meus caros, nordestinos sofrem discriminação em São Paulo.
Não, meus queridos, não estou dizendo que essa eleição significa uma luz no fim da túnel da política ou qualquer nova forma de se fazer política – embora chutar o pau da barraca da democracia burguesa, há muito transformada de farsa em comédia que se leva a sério, seja uma possibilidade a se considerar -, mas que é bom escandalizar menos a candidatura de Tiririca, nosso ingênuo palhaço – que é palhaço e sabe que é palhaço -, diante da eleição de respeitáveis figurões, doutores da lei – do homem ou da alega e supostamente lei de Deus – que pregam a intolerância e a dominação. Tiririca, eleito com o voto do boa gente da classe média desistente disposta a “zuar” e do povão debochado, terá dificuldades para implementar o que quer e tenderá a votar de acordo com lideranças partidárias, mas sua eleição representa, reitero, coisa muito menos pior do que se pensa – e pensemos na eleição estourada que deu a vaga na Câmara Federal, também em primeiro lugar há quatro anos, a um direitoso ex-Prefeito da Capital e homem da ditadura, elaborador-mór do modelo urbano desumano e desumanizador da Capital chamado, vejamos… Paulo Maluf.
No que toca à disputa pelo governo do estado, as coisas seguiram a tendência de uma semana atrás: Alckmin persistia em primeiro, mas girava perigosamente em torno da linha demarcatória de um Segundo Turno. A apuração beirou o voto a voto para saber se iria para o Segundo Turno. Enquanto isso, os votos de Paulo Búfalo do PSOL contavam como nulos pelo fato do seu vice ter sido pego no Ficha-Limpa – a bisonha Lei punitivista que colabora mais ainda para a judicialização das eleições e que, vejam só, parte da esquerda, incluso o PSOL, trabalhou para ser aprovada. Nesse exato momento, Alckmin estaria com alguns décimos de pontos percentuais a mais do que a metade dos votos válidos, sem contar os votos de Búfalo. A mídia deu a vitória de Alckmin como certa e a decisão da Justiça Eleitoral não é sabida ainda. A campanha atual foi um misto de uma boa participação de Mercadante – enfraquecida, é verdade, pelos quatro anos de uma oposição mal-articulada do PT contra o Governo estadual de Serra – e uma das maiores demonstrações de alheamento da realidade que eu já vi em política – pelo menos desde que Leonid Brezhnev deixou o comando da União Soviética por conta de seu falecimento – por parte da candidato Geraldo Alckmin, que prometeu tudo que não fez em seus cinco longos anos anteriores no Governo do estado bem como negou todos os problemas desse mesmo estado.
O PSDB tem em São Paulo sua fortaleza, embora tenha corrido riscos reais nesta eleição. Seu poder reside no controle estratégico da porta-giratória entre governos e empresas que transitam e vivem em torno da órbita dos negócios públicos estaduais. Não é pouca coisa. Alckmin, apesar de ter poder temporal apenas sobre um dos muitos feudos locais nos quais se materializa o PSDB, tem uma grande força de fora, pelo apoio da extrema-direita católica, gente que faz Serra parecer o esquerdista que ele deixou de ser, mesmo sem nunca ter sido. Vida dura, companheiros, mas o sucedido enseja a reconstrução da oposição à esquerda, PT incluso, que precisa se renovar diante da feudalização que sofreu nos últimos anos, vendo-se girar sempre em torno das mesmas figuras. O quadro, dê o que der, é de indefinições, perplexidade e, sobretudo, de uma mesmice enorme – rompida apenas pela exceção confirmadora da regra Tiririca.

Caro Hugo,
Quero antes de tudo deixar claro o meu respeito a sua opinião, contudo quero fazer algumas ressalvas a respeito dela.
1- Tiririca não representa em nada a minoria nordestina, a qual estou incluso. Tiririca é apenas um aproveitador e não mais do que isso, não tem pretensão alguma com sua eleição, a não ser conseguir benefícios para si e sua família, como o mesmo citou em sua campanha.
2- Assombrou-me ao ver ontem durante uma reportagem, enquanto a Sra Dilma discursava, ao seu lado o sempre engravatado e inescrupuloso Palocci. Qualquer um que tenha uma memória curta lembrará de tudo em que este distinto Sr se envolveu.
3-De fato sempre que esses ilustres figurões são derrotados temos motivos para comemorar. Marcos Maciel aqui em PE(esse ao longo de 48anos de vida política, pouco produziu), Collor não se tornou governador em AL, são provas que temos algum resquício de memória e podemos com isso encontrar uma luz minúscula no fim do túnel.
4- O PT tem eleitores fiéis, para estes pouco importa quem terá sido escolhido pela cúpula do partido como representante, os votos não lhe faltarão, sem lembrar se quer do currículo pestilento que muitos deles podem trazer. Não estou dizendo que nos outros partidos isso seja diferente, mas seu texto mais parece uma propaganda vermelha.
Gustavo Sandres, querido conterrâneo:
1. Mas eu não tenho dúvida de que Tiririca não representa ninguém – como eu estou certo que em política, dizer que alguém pode representar alguém ou um grupo raramente não se constitui em uma indignidade tremenda. O que eu escrevi é que ele fez uma defesa dos nordestinos – como consta nas suas declarações públicas e material de campanha. Também não disse que é a melhor defesa ou a defesa correta, mas sim que é uma defesa. Em um estado onde grupo já lançam sem muito pudor seus manifestos anti-nordestinos e existe uma violentíssima discriminação velada – e sublime -, não posso tomar isso como algo negativo.
2.Preocupa-me menos em Palocci algum desvio moral ou outro que ele cometeu durante o Ministério da Fazenda do que a visão que ele tinha de economia e o modo dele fazer política, isso, ao meu pensar, pode provocar mais estragos do que qualquer coisa – por outro lado, quando Serra discursa, me preocupa muito o fato dele estar discursando ao lado de si mesmo.
3.O nosso conterrâneo Marco Maciel, em sua longa vida política, não produziu pouco, muito pelo contrário: Ele colaborou ativamente para implementar a política do regime militar em Pernambuco e depois, sorrateiro como só ele, foi o vice de FHC – talvez por ser homem de confiança de ACM
4. Por todos os lados que eu o observe, não consigo enxergar o PT como um partido sectário, até pela sua conotação histórica de partido de massas, ademais é preciso analisar todo o histórico de rachas e boicotes, a própria fundação do PSOL e o fato de muitos petistas terem votado em Marina. O artigo não é propaganda, ele é a minha análise e eu costumo repetir uma velha máxima: Todo ponto de vista é visto de um ponto que compartilha o mesmo plano do objeto observado. É claro que eu tenho posição e não escondo ela – aliás, suponho que todas as pessoas tem uma, embora há quem acredite que seja de bom tom dissimular isso, não é o meu caso, sou um polêmico, não um político.
saudações pernambucanas
Caro Hugo,
Boa surpresa essa de sermos conterrâneos.
1- Tenha certeza que seria ultrajante para mim ser defendido por Tiririca. Em qual for a esfera de debate, no plenário ou numa mesa de buteco. O nordeste será sempre respeitado por quem tem um mínimo de discernimento, quanto ao resto que não consegue ter esse mínimo de razão pouco importa suas opiniões. Mais importante, a meu ver, do que um político combatente a esse preconceito, é um político que continue a incentivar economicamente nossa região, atitude essa tomada por Lula. Que duvido muito que será preservada por Dilma ou por Serra.
2- Marcos Maciel em sua longa vida política, teve de fato muitos feitos, principalmente no começo dela, contudo desde que se tornou vice-presidente não consigo lembrar de algo relevante em seu trabalho, não é um mal político, é honesto, por mais irônico que esse adjetivo pareça. Mas já teve tempo suficiente, é hora de mudanças. Não acredito que Humberto Costa seja um bom substituto para ele, na verdade, Humberto não seria um bom substituto para ninguém, pois já traz em seu currículo escândalos no período de Ministro. Lembra-se?
3- Um candidato que tem ao seu lado com toda a naturalidade Palocci, que não se ofende com a atitude deste contra o poder do estado, contra o partido e contra o povo, é algo preocupante sim. Manter um grupo sólido tem como princípio básico afastar os velhos viciados o máximo possível. Mas fazer prospostas novas aliadas a velhos salafrários fica fácil de deduzir o resultado disso.
Não tenho nenhuma filiação partidária, tanto é que nessa eleição votei em candidatos de direita e de esquerda, procuro sempre a história de cada indivíduo, sem me importar com alianças e bancadas.
* Só uma pequena correção. O correto é Marco Maciel, não Marcos, como havia digitado. Perdão.
Gustavo
Vamos lá, prossigamos a tabelinha, conterrâneo:
1. Em nenhum momento, eu fiz exaltação ao Tiririca como defensor dos nordestinos – ou o comparei com Lula, cruzes -, deve haver alguma falha de comunicação aí. O meu ponto é que existe uma escandalização de uma candidatura exitosa que, no fim das contas, não é a mais nociva nem a mais ridícula – quero dizer, não é o ridículo respeitoso que passa desapercebido e é tolerado.
2. Na minha perspectiva, escândalo na vida política são as posições que você toma, eu não consigo ser moralista, não consigo. Maciel sempre esteve do lado errado na política nacional apesar da sua placidez e candura, um Humberto Costa é um coitado comparado com ele.
3. Não sou o maior paloccista do mundo, mas falar em velhos salafrários em um governo que, bem ou mal, em erros e acertos, tirou boas dezenas de milhões da miséria e da pobreza promovendo desenvolvimento econômico e social com manutenção das liberdades individuais é um exagero. Não é o caso de Serra, o projeto a que serve e os seus – os ruralistas e a extrema-direta estão com ele, isso não à toa. Creio que é uma questão de avaliar com um peso e uma medida – e numa terra de bravos (e para bravos) como Brasília, Palocci passa ao largo de ser dos piores. Mais do que isso, estamos diante de um problema chave tanto da nossa forma de pensar como fazer política: Como superar um modelo de ética idealista que só bifurca no paraíso (que nunca se realiza) ou na corrupção (que não nasceu no governo Lula, tampouco foi pior nele).
abraços
Oi Hugo! Obrigado por apresentar o quadro eleitoral paulista. Há o que comemorar no fortalecimento, ainda que pequeno, da oposição ao PSDB na Assembléia Legislativa. Esse é o campo de batalha e os partidos de esquerda, o PT incluído, têm que reconhecer esse fato e aí concentrar os maiores esforços. No final, acho que foi exitosa a campanha de Mercadante. Se ele persistir, poderá conseguir a prefeitura nas próximas eleições.
Do Palocci, quero perguntar, não há nenhuma dúvida que ele seja culpado no caso da quebra do sigilo fiscal do caseiro Francenildo? Além de ter sido inocentado no STF – que prova apenas que não há provas para declará-lo culpado, ok -, me parece absurdo que ele tenha produzido provas contra si mesmo divulgando o extrato para a imprensa. O que vc acha?
Crime eleitoral continuará impune, crime do colarinho branco está sempre cercado de muitas interrogações, favores escondidos e gratificações, Maluf, Severino Cavalcanti e Inocêncio Oliveira que o diga. Se de fato fosse tão simples assim, por que a Sra Dilma nunca citou o nome de Palocci em seus discursos? Já que ele é um homem que superou as injustas acusações? Mas, nem por isso o nosso ex-ministro deixou de circular ao lado da candidata todo esse tempo. O PT tem mania de perseguição, o Palocci seria um exemplo enriquecedor da “injustiça” que o partido sofre, caso as acusações contra ele fossem sem fundamento algum. Mas não vamos remexer mais no assunto. Afinal, o Robin Hood será sempre o heroi, já que divide o fruto do “roubo” com as minorias injustiçadas.
Como disse antes, o desenvolvimento do país é fruto do trabalho da parte honesta que compõe o governo. Nunca foi e nunca será um bom resultado aquilo que é vindo através de falcatruas e atitudes ilicitas.
Gustavo,
Você parece ter certeza da culpabilidade do Palocci no caso da quebra do sigilo fiscal do caseiro Francenildo. Eu não tenho, nem o STF. Você diz, e eu concordo, que crimes de colarinho branco são de difícil punição pois há trocas de favores, apadrinhamento, etc. Entetanto, está em jogo a aplicação da lei primária do direito que é a presunção da inocência enquanto não for apresentado provas em contrário. As provas que você apresenta é o fato estranho do PT não promover a defesa de Palocci. Da mesma forma, é também estranho que alguém que tenha cometido crime divulgue na imprensa o resultado do crime, apontando prá si próprio, não acha?
Hugo,
Posso estar enganado, mas ao ler suas justificativas, parece até que você está afirmando: “Aceito que desviem as verbas, desde que divida a menor parte com o povo”. De fato Lula não inventou a corrupção, no entanto, é inegável o quanto ela cresceu nos últimos oito anos. Prefiro afirmar que as melhorias que todo o país conquistou, é um reflexo do trabalho da parte honesta que compõe o governo e a população, trabalho HONESTO(desculpe, mas não tenho negrito como opção para enfatizar) gera crescimento. E não tem nada a ver com o fruto dos que cometeram desvios e aceitaram dividir “o lucro”. Não é Robin Hood quem está governando nosso país.
Não sei se você percebeu, mas nenhum dos três principais candidatos durante a campanha fizeram propostas de combate a corrupção. Isso é algo grave e passa desapercebido pela maioria dos eleitores.
Até onde me consta, perante a justiça não existe mais ladrão ou menos ladrão, se X cometou mais delitos do que Y, os dois serão criminosos da mesma forma, porém cada um será julgado pela quantidade de crimes que cometeu. Não existe atenuante.
O que me incomoda em Dilma é justamente aceitar passivamente isso entre os seus “companheiros”, não dá para começar um novo rebanho com ovelhas doentes. Marina era minha candidata, pois parecia ser a mais íntegra dentre os candidatos. Serra esteve no governo de FHC, e até onde me consta manteve sempre sua carreira política limpa, mas falta um pouco ainda para ele conseguir meu voto. Dilma esteve no governo Lula desde o primeiro mandato, sabe quem se envolveu em denúncias, escândalos e sujou o bom trabalho de Lula, um mínimo de respeito ao eleitor seria não ter esses figurões indignos por perto.
Não estou fazendo propaganda contra Dilma, mas ela me insultou ao trazer Palocci para sua campanha, o sujeito embolsou indevidamente dinheiro meu, seu e de toda a população. Humberto é outro a levar o que é nosso, Genuino, Dirceu, por ai vai uma lista infinita.
Gustavo
Peraí. Não existem dados para dizer se a corrupção aumentou ao longo do Governo Lula. É provável que tenha diminuído, mas eu também não posso afirmar isso sem cair na discussão das crianças: “É sim, é não” e ver quem grita mais alto. Por outro lado, o aumento na quantidade de escândalos, verdadeiros como o mensalão, ou falsos como o caso Erenice Guerra, divulgados pela imprensa, ou no número de casos revelados de corrupção não significa que houve um aumento na corrupção.
Sobre o Palloci, você demonstra desconhecimento sobre o caso:
1 – O mensalão foi um caso de corrupção ativa supostamente coordenado por lideranças do PT – Isso significa que o PT não recebeu dinheiro, mas PAGOU dinheiro, para que parlamentares de outras bancadas votassem com o governo. Foi um erro, é um crime, mas não, o Governo Lula não botou a mão no dinheiro do povo em momento algum para fazer isso.
2 – Palloci não participou do mensalão, e não faz parte sequer dos acusados de envolvimento com o caso. Palloci foi acusado de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo, o que, novamente, é um crime – embora nesse caso não se saiba se Palloci fez isso mesmo ou não – mas também não se trata de colocar a mão no dinheiro do povo.
Sobre o combate a corrupção fazer parte ou não do debate presidencial, você está enganado de duas formas:
1 – É bom que ele esteja, por que numa eleição não se trata de escolher entre os honestos (em um sentido específico sim, mas falo disso mais abaixo) e os desonestos nem entre os competentes e os incompetentes. Trata-se de escolher o que se pretende que seja feito, inclusive por que eu prefiro um projeto político incompetente que diminua um pouco as desigualdades do que outro competente em aumentá-la.
2 – O debate do combate a corrupção de fato entrou na pauta política, embora me pareça que os partidos e as pessoas compreenderam que o problema da corrupção é um problema institucional e não individual, da ética da pessoa que ocupa o cargo público. Nesse sentido, o debate que realmente contribui para a luta contra a corrupção é o debate sobre a reforma política e eleitoral. (Do qual faz parte inclusive a nefasta “Lei da Ficha Limpa”, que tira do povo e passa aos juízes, a competência para escolher os representantes, supostamente, do povo.
Sobre a a honestidade, quando se entende honestidade como o compromisso entre as promessas de campanha e as realizações do governo, ou seja, com a “palavra” do candidato, ela tem sim um papel positivo no debate político. (E é desse conceito de honestidade que se fala quando das pesquisas de opinião sobre as qualidades que deve ter um político)
Att.
Mateus Araújo
Caro Mateus,
Em momento algum eu disse que o Sr Palocci estava envolvido com o mensalão. Citei o mensalão, “dança da pizza”, mensalinho e outros escândalos como ilustração de tudo que se ocorreu no curto prazo de 8 anos do governo Lula, denuncias estas que foram rebatidas pelo Sr presidente, mas que tiveram muitos dos principais aliados, diria até amigos ou companheiros se assim preferir, do líder PTista inclusive Palocci no banco de réus, com sentenças desconhecidas e processos engavetados. Agora me diga Mateus, você acredita sinceramente que é proveitoso ao país reaproximar figurões como Dirceu, Genuino e Palocci do poder? Você ensinaria ao seu filho que roubar é uma possibilidade a ser pensada, desde que haja o interesse de ajudar terceiros desfavorecidos?
Acredito que uma vez tendo afastados os viciados em falcatruas e trambiques, um partido, governo, congregação ou qualquer grupo deve mantê-los o mais distante possível, e trazer novos integrantes para ocupar esse lugar. É a lei da evolução, deixar o que não presta para traz e procurar algo melhor para substituir. Assim se controi com solidez.
O progresso vem do trabalho honesto de muitos que estão no governo, se o país não cresceu mais é porque ainda há uma banda podre atrapalhando.
Você pensa mesmo que um homem que faz juras durante a campanha e as cumpre é prova o suficiente de honestidade para exercer o poder em um país?
Para refrescarmos a memória, tem ai abaixo o link de uma reportagem sobre trabalho escravo na fazenda de Inocêncio Oliveira.
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2002/03/20627.shtml
Agora lhe pergunto, seria o Sr Deputado um homem honesto apenas por cumprir promessas eleitoreiras? Darmos imunidade a este é algo justo? Claro que não foi o caso de Palocci, não sei de denúncias de escravidão contra ele, mas ser honesto está muito além de apenas cumprir as promessas partidárias.
Gustavo Sandres.
O que é fato, Mateus, é que aumentaram as operações da Polícia Federal que foi fortalecida, aparelhada e indiciou muitos acusados de crime de colarinho branco. Agora é com o poder Judiciário.
Também o MP foi fortalecido. Não há mais a figura do engavetador-geral da república.
Eu acho que a corrupção diminuiu no governo Lula. Afinal, se alguém pretende roubar, porque divulgar os dados no Portal da Transparência?
Mas não me iludo pensando que não há mais corrupção no governo Petista. Canalhas há em toda parte.
Gustavo,
Eu creio que o Mateus expôs muito bem o caso Palocci, mas o meu foco nem era esse – enfim, discutir se o glorioso ex-ministro se enquadra ou não se enquadra dentro do rol daquilo que é subjetivado como “corrupto” -, mas sim uma crítica a esse próprio paradigma de ética – de origem europeia medieval, ao meu ver – que é perfeitamente irrealizável como a experiência nos ensina; existe toda uma teia de relações sistêmicas no poder que leva à prática imorais e superação disso não é a eleição de qualquer paradigma moralista, ao contrário, mas do estabelecimento de um paradigma ético que tenha em vista o fato de que uma ética funcional demanda ter as noções prévias de que [i] ela vai ser aplicada ao mundo do ser; [ii] isso vai ocorrer durante a ação, portanto, é preciso ter em mente o caráter dinâmico que as relações políticas têm intrinsecamente.
Um político e um partido precisa ter isso em mente. Cair num medievalismo do culto a um bom inatingível é uma sátira e não uma ética, como diria Spinoza – mais do que isso, conceber que um paradigma de ética fundado numa visão idealista quanto à realidade (isto é, na qual existe uma duplicação desta) e estática quando ao mundo do ser (isto é, ignorando esse caráter dinâmico) está fadado à irrealização; foi esse o problema do PT quando assumiu o Governo; O Estado não é neutro, ele é neutralizante, o partido que ocupa sua direção o transforma e por ele é transformado – além do fato de que Brasília é terra para bravos. Cair nessa avaliação de bons ou maus é estreito, pouco esclarecedor, posto que o problema é sistêmico – e se assim não for identificado, cairemos eternamente no binarismo do frustração/degeneração além de que jamais será possível entender o que quer que seja do que se passa no poder.
Tanto isso é verdade que o PT teve gravíssimos problemas nos seus primeiros anos no poder – e o governo FHC nesse sentido também fracassou, basta ver as mui mal-explicadas privatizações, a emenda da reeleição (isto sim, algo que talvez valesse a pena questionar) e por aí vai. O ponto é que minha objeção aos tucanos é em termos de projeto, não uma condenação do que ele muitas vezes teve de ceder e para quem ele teve de ceder – não se esqueça que o PMDB estava lá nos oito anos de FHC. Infração ética para mim foram os resultados práticos e negativos, com pesado ônus sobre a classe trabalhadora que as reformas lampedeuzianas de FHC produziram. Acima de tudo, não vai ser eu que gritará coisas como “ética na política” para legitimar o moralismo – basta ver que a minha objeção ao Ficha-Limpa, muito embora o PT, partido em quem eu voto atualmente, tenha sido um dos principais protagonistas na sua elaboração.
Aliás, é muito complicado, e o conterrâneo há de convir, debater com palavras sendo colocadas na boca – ou nos dedos, que seja -, não importa o que eu “pareço ter dito”, mas é preciso categoricamente afirmar onde eu disse mesmo. Do contrário, eu poderia dizer que parece que você não escreveu qualquer coisa que me fosse argumentativamente cômodo e o debate não anda. Como vimos, a questão aqui é que além de um reparo de fato ou de outro, nossa discordância é conceitual – como os meus fundamentos expõem.
abraços
Caro Hugo,
O que quero deixar bem claro é que não estou aqui em campanha contra Dilma ou o PT, como eu disse e atribui desde o início de meus comentários, o candidato, e não apenas o do PT, todos os candidatos que para mim pretendem trazer alguma nova proposta tem de partir de um ponto importante da lógica de trabalho, que é dinâmica e direta, aquilo que está dando errado, ou deu errado tem de ser substituido, por isso citei Palocci como exemplo, assim como Dirceu e Genuino, por terem sido os pivôs das maiores crises que o PT enfrentou durante os dois mandatos.
Se o raciocínio primário da ética é estabelecer valores comuns aos diferentes níveis de sociedades que o ser humano integra, antes da obrigação ética como político, há uma obrigação como civil. Vou só repetir uma última vez, o crescimento do país se deve ao trabalho dos integrantes que se dedicaram com seriedade ao seu exercício de administrar o estado, posso citar Guido Mantega como exemplo ou mesmo o próprio Lula. Mas se o PT teve a chance de afastar quem maculou sua imagem e seu trabalho, para quê reaproximar? Para quê trocar favores com os coronéis viciados? Ao invés de denunciá-los?
Vejo que hoje há chances de mudanças como o Brasil nunca teve antes. Mas ver figurinhas repetidas nessa história não traz nada de proveitoso. A Lei da Ficha-limpa é um paço que por motivos desconhecidos continua sendo protelada. Mas não houve por parte dos candidatos nenhum esboço de comentário a respeito da “luta” contra a corrupção. Isso não é tentar dividir entre bem e mal. É apenas proteger o interesse público, do interesse de alguns aproveitadores. Não tem nada de medieval nisso. Mais antiquado é esse hábito que persiste no Brasil de se trocar favores com X ou Y, desde que esse sujeito aceite fazer o que desejamos, quando ele já deveria fazer por obrigação e ética profissional. Esperar que o futuro representante do país tenha o cuidado de não envolver o dinheiro do estado em favores e apadrinhamentos é o mínimo a ser exigido, mas ainda está distante de ser alcançado.
Bem cancei do assunto, nem vou persistir pra não desgastar-me com ninguém.
Hugo, conterrâneo e provável amigo através do amalgama, desculpe-me se em algum momento fui inoportuno. Por mais que tenhamos pontos de discordância nesse texto, acredito que o que esperamos é um Brasil melhor e cada vez mais distante das mãos dos Dirceus, Genuinos, Inocêncios, Paloccis, Severinos…
Gustavo Sandres.
Gustavo,
O ponto central desse debate sobre Ética no qual entramos é que, no meu entender, a questão é muito mais complexa do que isso, principalmente em se tratando de sua aplicação no campo Político. Eu entendi o que você colocou reiteradas vezes, mas estou atacando os fundamentos disso: Historicamente, Ética é meio de intervenção criativa humana em seu meio para (I) garantir a nossa sobrevivência; (II) melhorar a nossa vida. Sim, para os gregos, Ética (ethiké, a arte de se comportar) tratava-se de uma técnica – e, muito embora que reconheçamos que as palavras mudem com o tempo pela própria disputa pública em torno de seu significado, a tentativa de transformar ética em sistema de valores sempre ficou no campo da imaginação, o que criou uma dicotomia prática entre o sonho e o descalabro da vida cotidiana. A superação dessa contradição é aceitar que a Ética encontra-se no campo da ação e na dimensão do ser (supondo que exista outra).
Se falarmos em Política, na qual os fatores reais de poder e a constante situação limite da esfera decisional se fazem imperar duramente, o que resta é que essa ética imaginária torna-se apenas um caminho para facilitar a desgraça. Boa parte dos problemas do Governo Lula não se deve a uma maldade intrínseca de fulano ou sicrano – não, não existem pessoas necessariamente más -, mas sim do fato que o Partido se norteava por um paradigma de Ética que não tinha como se realizar na prática e na iminência de precisar resolver problemas, alguns membros escolheram uma gambiarra prática que deu nisso daí mesmo – e, acredite, não poderia ser diferente. Portanto, na prática, não existe essa divisão entre bons (sérios) e maus (não sérios).
A Lei da Ficha-Limpa é outro problema e uma outra longa história. Primeiro, porque por meio dela acabamos nos deparando com uma situação fática na qual o Judiciário diz quem é o corrupto e quem não é – ou, se preferir, posso usar a expressão escatológico-legalista do nosso tempo do “ficha-suja”. Quem caiu no Ficha-Limpa foram os políticos de direita que já não mais são úteis para o esquema do poder e alguns coitados que não tem força – ou como Aldo Santos candidato a vice-governador de São Paulo pelo PSOL, que acabou pego em sua malha por ter prestado ajuda humanitária em uma ocupação (sim, movimentos sociais são criminalizados neste país). Isso não combate corrupção alguma, apenas usa o fantasma da corrupção para dar mais poder ainda para o Judiciário que, usando do fantasma da “corrupção”, pré-seleciona os candidatos ao seu bel-prazer (não, o Judiciário não é neutro).
abraços
Hugo,
“a priori” não quer dizer “provisoriamente”, “em um primeiro olhar”, quer dizer independentemente da experiência.
“A priori (do latim, « partindo daquilo que vem antes »), é uma expressão filosófica que designa uma etapa para se chegar ao conhecimento, que consiste no pensamento dedutivo. Mais especificamente, o conhecimento proposicional não pode ser adquirido através da percepção, introspecção, memória ou testemunho. É, assim, uma anterioridade lógica e não cronológica que é designada na noção “a priori”.” Wikipédia na falta de uma fonte mais barata
Ou seja, você dizer que “Sim, apesar do “pior que tá não fica” ser um mote aparentemente reacionário – e produz esse feito a priori mesmo – (…),” É o mesmo que dizer que o efeito que o mote de Tiririca produz é esse independentemente de qualquer comprovação empírica, é dizer: isso é verdadeiro e tudo o que se pode dizer contra isso é no plano da lógica, e não no plano da realidade.
(Não, eu não essencializo a verdade, a lógica e a realidade, eu uso os termos em sentido lato por que daria trabalho demais por pouco resultado explicar a mesma coisa em termos pós-metafísicos relativitas)
Abraço,
Mateus Araújo
Mateus
Eu não usei o termo no sentido cartesiano ou kantiano – do contrário a crítica do que eu fiz logo em seguida não teria sentido, obviamente -, o sentido que eu atribui ao termo é cronológico mesmo (partido do que vem antes da crítica e da observação que logo em seguida seria feita), muito embora o artigo da Wiki explique qual o significado que essa expressão, transformada em conceito filosófico, tenha em Aristoteles, Descartes ou Kant, ele omite que o parágrafo inicial na verdade expressa o significado de acordo com a epistemologia kantiana.
abraços
Aproveito o ensejo para publicar de um texto que publiquei no Phallos: (…)
Surge um funcionário acusando Palocci. É louvável seu cumprimento do dever cívico, mesmo que o faça recebendo cinquenta mil reais de um deputado oposicionista. Mais uma vez, o público, de acordo com a imprensa, não quer saber qual o interesse do deputado na delação super-premiada do caseiro. Quer-se a cabeça de quem vasculhou as contas do delator. O interesse público é puramente oposicionista.
Não posso estender-me na máfia dos vampiros, iniciada no ministério de Serra, esquecido pela imprensa, ou do mensalão mineiro, primeiro laboratório de Marcos Valério. Devo ressalvar aqui apenas a diferença de metodologia dos dois governos: FHC apagava o fogo derrubando a floresta. Quando surgiram escândalos nas superintendências, ao invés de investigar-se os acusados, fechou-se as agências. No governo Lula, quando a máfia dos hemoderivados foi descoberta, além das investigações resultantes em mais de uma dezena de presos, criou-se o projeto da Hemobras. Combata-se o fogo, não a floresta.
Há membros do PT corruptos? Obviamente. Os atos trazidos a público são terríveis? Evidentemente. O que ninguém pode esquecer é que a imprensa manipulou os fatos de forma a parecer que apenas os petistas estavam envolvidos, ou que foram eles que inventaram a corrupção. Ou pior, que apenas eles sejam partido e devam ser investigados.
O que ocorre de fato é que a mídia e a imprensa fizeram um trabalho bem feito de criminalizar o PT, como se fosse o partido mais corrupto do Brasil e o Sr Gustavo Sandre é nada mais do que uma vítima dessa imprensa corrupta aos projetos neoliberais do PSDB. Vale lembrar que pelo o TSE o DEM é o partido mais corrupto e o PSDB é o terceiro, já o PT é o décimo.
Tem muito de ideológico nisso, Thiago, é cômodo para a direita potencializar a microcorrupção que existe num partido como o PT – o que machuca sua própria militância – do que, por exemplo, falar de Maluf num post que cita Maluf – ou as quase cem CPI’s barradas em São Paulo.