Homens em Fúria

-- De Niro em cena --
por Ana Al Izdihar – Podemos começar nosso encontro hoje fazendo um trocadilho barato com o título do filme em português. Falaremos de “Espectadores em fúria”, não somente porque os que assistirem ao filme poderão entrar neste estado deturpado de emoção, mas também para reciclar um latim quase jogado fora. Não há homem nenhum em fúria nesta ficção e olha que eu fiquei esperando por isso o tempo todo.
Muitos de vocês que me leem aqui já sabem que eu me recuso a escrever sobre filmes que não gostei e principalmente escolho sempre não falar mal de trabalhos cinematográficos, pois eu sei o trampo que é fazer um filme. E tampouco gosto de detonar um filme, porque não me acho dona da verdade e nem quero ter a responsabilidade de ter influenciado alguém a ver ou deixar de ver um filme. Mas, meus caros leitores, acontece que eu estava esperando ansiosamente por Homens em Fúria [em cartaz] e, para tentar dizer o mínimo sem ser spoiler, não foi o que eu esperava.
Se alguém me viu dizendo por aí que Edward Norton versus Robert De Niro seria a batalha do século, devo agora minhas desculpas. Não foi. Com certeza não foi a da década, a do ano e quiçá nem a do mês. Há tempos que De Niro vem se nivelando por baixo e sempre deixando nós fãs com aquela expectativa, tipo: “Ok, ele só está aguardando o momento certo pra atacar de novo”, e isso não tem acontecido.
Quanto ao Norton, um ator que está na minha lista de heróis e entre os melhores da sua geração, ainda continua brincando de gostosão – não que ele não o seja –, sacudindo sua juba leonina e curtindo sua atual idade do lobo. Mas para Norton podemos até dar uma desculpa, pois ele anda bem ocupado com suas ações sociais, que ele leva muito a sério e eu respeito de verdade, tais como: incentivar sua rede virtual Crowdrise (da qual faço até parte), correr maratonas para levantar fundos para grandes causas e sendo agora Embaixador para Biodiversidade da ONU. Talvez ele não tenha tido tempo para se dedicar a um personagem profundo como nos velhos mas nem tão idos assim tempos atrás.
John Curran é um diretor bom, de toque delicado e prefere as narrativas mais humanas, digamos, mais prováveis de acontecer na vida real, e tem uma maneira bem suave de tocar o espectador, com uma velocidade lenta. Veja O Despertar de uma Paixão com de novo seu muso Edward Norton. É bonito, comovente, delicado e nada pretensioso. Ao que me parece, em Homens em Fúria Curran tocou em vários assuntos até pertinentes para serem colocados na tela, mas não desenvolveu nenhum. A impressão que me deu foi que ele quase quis “fazer o Spike Lee”, mas não rolou. Aliás, quer ver um filme excelente que é lento, mas tem emoções fervilhando, contidas de um modo espetacular para explodirem como na vida real, ou seja, quase sempre de modo estabanado, estrelando Norton e dirigido por Spike Lee? Assista The 25th Hour.
Quando De Niro e Norton estiveram juntos pela primeira vez – com o semi-deus Marlon Brando em A cartada final – já não foi lá essas coisas. Eles podiam ter se redimido neste filme. No final da vida Brando fez participações medíocres sim, mas uma das que mais agradaram o público, mesmo para uma estória simples e romântica, foi Don Juan De Marco, com Johnny Depp. Depois a dupla se repetiu no obscuro Bravo, dirigido por Depp e a química entre os dois foi bonita e bizarra ao mesmo tempo. Valeu a pena.
Homens em fúria não é ruim de ver. É bom entretenimento. Mas aconselharia – se conselho fosse bom, não é? – a verem-no em DVD. Gastem seu dinheiro no cinema para ver filmes mais grandiosos. Eu por aqui ainda aguardo grandes encontros de atores de gerações diferentes queridos por mim, como por exemplo: Jerry Lewis versus Jim Carrey. Sei lá, só um sonho…

concordo com tudo, ou melhor quase tdo que vc disse…. foi apenas uma pena citar “Jim Carrey”, na minha modesta opinião ele é horrível!; quanto ao filme, como vc mesmo disse, e ainda levando em considerações as “pérolas” que Hollywood vem “fazendo” ultimamente, até que é um bom filme, uma história interessante mais que infelizmente fica com um gostinho de “quero mais”.
Não conhecia vc, vou passa-la a acompnhar mais, gostei dos comentarios, grande bjo e sucesso!