O mês das crianças e o consumismo infantil
por Gerusa Silva * – Superando até o período natalino, o Mês das Crianças é a época campeã de anúncios publicitários voltados diretamente ao público infantil. Normalmente concentrados entre os intervalos dos programas infantis, neste período eles podem ser assistidos a qualquer hora na tevê aberta. A publicidade se aproveita de um sistema de culpa e recompensa para estabelecer-se de maneira eficaz.
Culpa que existe na consciência de pais que não encontram maneiras de passar um tempo significativo com os filhos, por conta de rotinas atribuladas de trabalho. Diante dessa triste situação, a primeira saída que visualizam é uma permissividade altamente nociva, que não encontra meio termo entre o necessário e o supérfluo. Levados por esse sentimento, acabam por tentar suprir a carência dos filhos com bens materiais.
As crianças, neste meio, acabam por absorver uma noção errada das relações pessoais, associando presentes e recompensas materiais a demonstrações de afeto. No topo desta construção torta temos o comércio, que, através da publicidade televisiva e do licenciamento de produtos estampados com os mais diversos personagens de desenhos animados, causa em seu público-alvo uma sensação de necessidade em adquirir o produto anunciado. A ideia é ter tudo do seu personagem favorito, um incentivo para aumentar as notas na escola, um objeto pra fazer inveja nos amiguinhos… O que acaba também por estimular um tipo de competição não saudável para a idade (e, pra falar a verdade, em idade alguma).
Começando pelos pais, não devemos buscar saídas fáceis para suprir a carência emocional dos nossos filhos, com grande risco de conseqüências desastrosas. O melhor sempre foi encarar a realidade dos momentos escassos e procurar estabelecer uma relação de trocas afetivas saudável, já que a quantidade de tempo que passamos com nossos filhos não é diretamente proporcional à qualidade da relação que temos com eles.
Feito isto, vem o trabalho mais difícil: desconstruir a ideia que a criança adquiriu, dos próprios pais e de outros em seu círculo de convivência, sobre a validade de trocas afetivas mediadas por bens materiais. Para tanto, necessitamos, tanto pais quanto educadores, estar atentos a tudo que a criança tem acesso e que contribui para tais atividades consumistas. Começando por diminuir o seu tempo em frente à tevê e incentivando, por exemplo, a prática de esportes e a interação com outros da sua idade. E mantendo desde cedo conversas eficazes, que sempre estarão permeadas por perguntas do tipo – Por que você quer isso? Você realmente precisa disto?
Assim daremos passos essenciais para a formação de pessoas que não construirão sua personalidade baseadas naquilo que consomem, e que tampouco responderão de maneira automática a estímulos de compra, educadas para um consumo sempre consciente das suas necessidades reais.
* Gerusa Silva está se formando em Pedagogia pela Universidade Federal do Maranhão. Blog: overboestar.blogspot.com.
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![- No domingo, manifestantes tomaram a Paulista em protesto contra a ação da PM em Pinheirinho [foto: Pádua Fernandes] -](http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/protesto-pinheirinho.jpg)








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Lembrando que não faz muito tempo tramitou no Congresso um Projeto de Lei que proibia a publicidade dirigida ao público infantil [http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/AcaoJuridica.aspx?v=1&id=56].
Mas não teve muito futuro, infelizmente.
Tenho filhos pequenos e reconheço o quanto é difícil educar hoje em dia com a constante intrusão da mídia, sendo praticamente impossível limitar essa intrusão sem cercear a liberdade das crianças. Por isso, acredito na suma importância de informações a respeito de novas alternativas de se educar, utilizando mesmo as tecnologias de informação e a mídia como canais.
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Bem lembrado Daniel. Obrigado pela dica.
Silvana, realmente não é uma tarefa nada facil, já que a televisão está muito presente na vida de todos nós. Justamente por isso, é a principal porta de entrada para estimulos de consumo. Mas sempre gosto de dizer que esse meio de comunicação não é de todo ruim.
Assim como na internet, devemos ter sempre o cuidado de selecionar conteúdos. E nesta situação eu penso que a escola poderia contribuir muito, pois quando nos propomos a trabalhar com a realidade dos educandos temos que considerar este momento de formação para que eles tenham uma visão critica daquilo que assistem.
Um caminho bem longo a ser traçado, mas não é impossivel, ainda mais se comerçarmos cedo. Trabalhamos com uma faixa etaria que está formando bases que influenciam na sua personalidade, e que serão importantes para definir se este será um adulto saudavel ou um comprador compulsivo. E neste periodo os pais também precisam se reeducar, já que muitas ações que desemvolvemos são um exemplo adquirido na familia.
Gostaria de receber algumas atividades para aplicar em sala de aula, para que eu possa conscientizar meus o perigo do consumismo e ensina-los como lidar com o dinheiro. Um forte abraço!
Renilda, eu creio que não exista dinâmicas especificas para este momento. O que vale aqui, ou melhor o que vale em sala de aula, é aquela velha percepção dos professores sobre seus educandos. Algo muito importante quando se trabalha com crianças principalmente, pois a ligação é muito maior do que com as outras faixas etarias, e a capacidade de perceber certas necessidades se torna mais fácil.
E assim como em outras situações, conscientizar sobre os danos do consumismo, nesta faixa etaria, não surte o efeito desejado se não houver participação ativa dos pais. Já que é geralmente na família que essa praticas são incentivadas. Mas há também as situações que são prasenciadas na escola, pois toda turma tem um coleguinha que adora dizer que compra tudo o que vê na tevê, e acaba por dispertar uma prática nada saudavel nos demais. Só que, como eu disse, o fundo da questão sempre tem ligação com a família.
Talvez você pudesse começar falando sobre disperdicio por exemplo, e a partir que aprofundamos assuntos correlatos a oportunidade de falar sobre consumismo irá surgir. E manter o maximo de dialogo com os pais, para que eles não fomentem este tipo de prática nos filhos pode surtir um efeito maior.
Abraços.