Distrito 9

16–10–2009 – Enviar para e-mail

distrito9por Jean Garnier – Uma gigantesca e sinistra nave espacial fica encalhada no céu de Joanesburgo, a capital sul-africana, e depois o silêncio, nada acontece, o que deixa a população extremamente curiosa. Tempos depois, uma equipe é enviada para uma investigação e são encontrados milhares de alienígenas frágeis, doentes, famintos e que imploram refúgio no nosso planeta. Esse é Distrito 9 (estreia hoje) uma ficção científica produzida por Peter Jackson (Senhor dos Anéis), que mostra que é possível fazer filmes interessantes sem estrelas hollywoodianas ou orçamento monstruoso.

Quase 30 anos depois, esses extraterrestres bípedes com aparência de crustáceos são chamados pejorativamente de “camarão” e estão amontoados em um lugar que mais parece um misto de campo de concentração com gueto, tamanha é a precariedade, violência e vigilância a que são submetidos. O Distrito fica totalmente isolado dos humanos e logo de cara deixa uma pergunta: são eles que estão cercados ou somos nós que nos cercamos para se proteger deles?

Só que a presença desses seres por tanto tempo na região (no início é mostrado toda a história desde a chegada até os dias atuais) começa a desagradar aos nativos, principalmente depois de alguns atos de selvageria e distúrbios violentos cometidos por esses estrangeiros.

O governo, apoiado pelas forças armadas, resolve que a área seja removida para bem longe dos centros populacionais. É quando as coisas começam a ficar mais difíceis, principalmente para um funcionário da MNU, a multinacional que irá realizar essa mudança, chamado Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), que foi encarregado de noticiá-los e convencê-los a empreender essa “simples” mudança.

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Mesmo escondendo a sua covardia e forçando uma simpatia, Wikus sempre é recebido com muito destrato e, numa visita em que obriga os alienígenas a assinarem o termo de desocupação, algo sai errado. O agente fica intoxicado por um vírus que muda o seu DNA, e o que era uma tentativa pacífica de conversa explode num terrível caos. Logo, Wikus tem um braço igual ao deles, começa a ser perseguido pela sua própria empresa e por nigerianos que são obcecados em se transformar em extraterrestres.

Neill Blomkamp dirigiu toda essa atividade com um frenético foco de câmera portátil e ritmo que lembra um documentário. Mesmo se passando na África e fazendo uma alusão ao “Distrito 6”, que na década de 1970 expulsou 60 mil moradores na Cidade do Cabo, em momento algum é mencionado a palavra apartheid, e o diretor até negou que esse era o tema da produção. Só que é impossível ver esse cenário e não lembrar da segregação racial durante toda a projeção.

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3 comentários:

  1. Taiguara (19–10–2009 11:02 am)

    Poderia ser um filme bem melhor, mas clichês sobre segregação e manipulação política servindo de fundo para o clichê maior que é a trajetória do sujeito que começa no lado dominador, sofre ou descobre verdades e acaba perseguido, deveriam ser apresentados com mais originalidade.
    O filme nem é ruim de se assistir, embora alguns momentos o roteiro pareça dizer “aceita esse absurdo ae e não reclama”. Só acho que o conjunto não vale o esforço.

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  2. antonio carlos martins (22–10–2009 6:19 am)

    filme muito bom agora estou aguardano o dois no cinema a continuaçao espero que seja o ano que vem o mais breve possivel.

    [Responder]

  3. Oscar 2010 (4–02–2010 8:27 pm)

    [...] Inglórios e Distrito 9 são os renegados da vez. E Guerra ao Terror, excelente filme, embora também convencional dentro [...]