Democracia, cidadania e poder

urna_eletronicapor Diego Viana — Nada mais fácil que perder de vista a realidade da democracia, quando ela se torna só mais uma palavra bonita a manejar em proveito próprio. A democracia tem, sim, um sentido de realidade que poderia e deveria ser experimentado no dia-a-dia de cada um, mas quem é que experimenta isso? Uma das coisas mais irônicas que há, por exemplo, é ouvir a Justiça Eleitoral brasileira falar em “festa da democracia” para seus mesários, poucos dias depois de lhes mandar uma correspondência que abre com “Fica vossa senhoria intimada…”. Quantas vezes essa carta me fez sorrir amarelo! Não é à toa que, ao redor do mundo, cada vez mais pessoas, principalmente jovens, se digam desencantadas com a democracia.

Acontece que falamos em democracia quando queremos designar um sistema de governo onde consta o sufrágio universal para o Executivo e o Legislativo. E só… De forma que o princípio democrático acaba se confundindo com o princípio republicano – estranhamente, até em monarquias. E ainda evocamos, muito sábios, a batidíssima etimologia dessa palavra de 2400 anos: o poder do povo, isto é, o poder com o povo, nas mãos do povo. Mas que poder é esse que tem o povo? E quem é esse povo tão poderoso? Ou, misturando as noções: em todos esses países democráticos, o que pode o povo? Aposto com quem quiser que é preciso repensar o que entendemos por democracia se quisermos que a palavra faça jus à própria origem e ao sentido tão positivo que, recentemente, passamos a lhe atribuir.

Digo recentemente porque, nesses já mencionados 2400 anos de história da democracia, o conceito não é louvável há mais que, digamos 150. Até então, era quase sinônimo de bagunça, porque a idéia de “povo” correspondia a uma massa amorfa de gente sem a menor qualificação para exercer qualquer forma de poder. Se hoje o contrário de “democracia” é “ditadura”, entre os antigos não era assim. Democracia era entregar as decisões da coletividade para o “populacho”. Ditadura era um arranjo temporário para consertar uma situação desesperadora, às vezes por culpa desse próprio populacho. Aquilo que melhor corresponderia ao nosso termo “ditadura” era a tirania, mas quem levava a culpa por esses regimes de exceção era a democracia. E o oposto da democracia era a aristocracia, o poder nas mãos “dos melhores” (hoi aristoi). Definitivamente, declarar-se democrático, antigamente, não era a melhor propaganda.

Longe de mim atacar a democracia! Mas é importante lembrar que ela não cai do céu, só funciona em condições propícias e, se às vezes patina, é porque precisamos examinar melhor o que estamos tratando por esse nome. Por exemplo, todos esses fenômenos contemporâneos estão ligados: a sensação difusa, no Brasil e outras terras, de que não há democracia de verdade no país; a queda para o já mencionado populismo, não raro ditatorial, dos regimes de quase toda a América Latina no último século; a dificuldade nada surpreendente de estabelecer um “regime democrático” nas aldeias isoladas do Afeganistão; a saudade da ditadura militar que muita gente manifesta em qualquer cidade brasileira; o desinteresse dos europeus pelas eleições; a percepção de que mesmo nos EUA, maior democracia da Terra, existe uma tendência a sempre alçar mais ou menos os mesmos clãs ao poder, década após década.

Nada disso é à toa, nem são maldições que recaem sobre povos “inferiores” ou coisa do gênero, como quer certo fatalismo muito em voga no Brasil. Tudo isso são indícios da anemia democrática de um mundo que trata levianamente esse seu princípio fundamental. Se quisermos salvar a democracia – sim, ela está sempre sob ameaça – ou mesmo desenvolvê-la, é preciso lhe dar um pouco de atenção. E proponho um começo: interessar-se pela segunda parte do termo.

Já se fala muito, às vezes com lágrimas nos olhos, do “povo” a quem a democracia dá poder. Mas ainda não ficou claro que poder é esse. Muito se traduz o grego “kratein” como governar, mas, como sempre acontece com palavras tão antigas, a tradução não é tão direta assim. Outras traduções possíveis são poder, dominar, comandar – ter força, capacidade e habilidade. É o poder do governante, sim, mas também é o poder do artesão que domina uma técnica e do escravo que tem força para empurrar uma pedra morro acima. O poder que esse verbo expressa é o poder de fazer, realizar algo. Mas o quê?

Parthenon Os antigos gregos, inventores da palavra e do conceito de democracia, costumavam descrever a política (arte de organizar uma cidade) como um grande corpo coletivo. A analogia era com o organismo humano, por sinal. Cada categoria social tinha sua função nesse corpo, como os órgãos que nos mantêm vivos. Os agricultores cultivavam, os mercadores comerciavam, os guerreiros combatiam e os nobres discutiam a administração da coisa pública no paço central. Tudo muito bem determinado, de tal maneira que cabia a esses poucos nobres (os tais aristocratas) a função de fazer funcionar a máquina, ou melhor, o corpo. Eles tinham esse poder: o poder de organizar e, consequentemente, governar a cidade. O outro poder, de mandar e desmandar, lhes aparecia como decorrência natural desse primeiro e fundamental poder, um poder técnico, quase artesanal, de organizar e garantir as estruturas da vida coletiva.

Se uma aristocracia é o regime em que cabe aos tais “melhores” determinar os modos de funcionamento da vida política, a democracia deve ser o regime em que essa prerrogativa, esse cargo, essa função, essa obrigação, chame como quiser, cabe a todos. Todos os cidadãos. Eis por que o conceito de cidadania é tão indispensável para o conceito de democracia. Lá onde a cidadania é incompleta, incompleta é a democracia. Cidadania é a participação plena na sociedade, em condição igual com qualquer outro cidadão, o que significa que, se numa sociedade qualquer alguém for cidadão pela metade, ou for excluído, ou desprezado, ou idiotizado pela propaganda e assim por diante, a democracia sofre um baque enorme: o povo que deveria se ocupar da administração da sociedade perde esse poder. E é claro que ele cai na mão do primeiro aproveitador que aparece.

As falhas da democracia são conhecidas e comentadas desde que ela existe. Com uma frequência desanimadora, as pessoas chegam à assustadora conclusão de que essas falhas invalidam a tentativa de construir sociedades em que todos são chamados a participar – e participar mesmo, não apenas pelo voto. Daí a longa e lamentável história de golpes, ditaduras, tiranias e manipulações que marcam a curta história de uma humanidade que considera a democracia como um termo positivo. Mas a implantação da democracia exige uma maturidade que se manifesta naquela frase tão conhecida de Churchill: é o pior regime que existe, afora todos os demais.

A maturidade democrática consiste em aceitar o fato de que ela jamais será completa e nem por isso querer abandoná-la. Muita gente já tentou imaginar formas de administração da sociedade perfeitamente funcionais, sem uma falha sequer, fluida como os astros no céu (era a comparação que eles usavam…). O resultado foi sempre tirania e por um motivo muito simples: é um absurdo esperar que um ser cheio de imperfeições como o humano se encaixe num sistema perfeito, como os parafusos de um relógio. Depois, como o mais importante passou a ser o funcionamento do sistema, quem precisa se adaptar é o mais maleável e frágil indivíduo. E, se necessário, ele é encaixado na marra. Mas não só as ditaduras formatam violentamente os cidadãos. Mesmo em países que se querem democráticos, a manutenção de uma grande parte da população num estado de abandono social, o estabelecimento de uma burocracia eletrônica para tentar controlar cada mínimo detalhe da vida, a transformação do processo político num circo publicitário, são coisas que sufocam e aniquilam a democracia. Quem nunca viu disso?

O que há de maravilhoso na democracia, nessa forma como acabamos de entendê-la, é justamente o fato de não ser perfeita e não precisar sê-lo. Porque, no fundo, ela é um processo interminável de aperfeiçoamento, cuja única exigência é uma sociedade cada vez mais justa e igualitária. A democracia permite maior liberdade porque sobrevive mesmo quando algumas coisas não funcionam. Ela cresce com o desenvolvimento da civilidade entre os cidadãos porque a matéra-prima dela é justamente essa civilidade.

Quanto mais cidadania, mais democracia. Segurança, defesa, riqueza, tudo isso são valores acessórios. São palavras que se escutam o tempo todo em qualquer campanha eleitoral, mas a verdade é que o que elas significam aparece quase espontaneamente se uma sociedade for capaz de garantir para todos os seus membros uma única coisa: cidadania plena. E já que, como vimos, a cidadania é o pressuposto da participação política, que por sua vez é o pressuposto do poder de administrar a sociedade, então a cidadania, numa democracia, nada mais é do que outro nome para o poder. Se o poder jorrar de alguma outra fonte – as armas, a polícia, a propaganda, os acordos de bastidores, o que for – é porque a democracia está em falta.

[ imagens:
- urna eletrônica brasileira
- Partenon, símbolo da democracia na Grécia antiga ]


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44 comentários | Dê sua opinião

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  2. João fernando 21/10/2009 em 11:45 am

    Bom.

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  3. Alceu Pontes 21/10/2009 em 11:53 am

    Bom dia, amigo!!!

    Não pude deixar de parar para ler e analisar o artigo sobre a democracia.
    Desculpe discordar de você, afinal isso faz parte da verdadeira democracia. Mas considero que você foi extremamente infeliz quando mencionou uma suposta “saudade da ditadura”. Será que alguém realmente tem ou teve “saudade” da ditadura? Senão aqueles que eram os perpetradores dos crimes contra a humanidade, ou seja, os próprios ditadores ou, ainda, os que se locupletavam diretamente do regime? Favor fazer um exame detalhado e verificar se você ou a sua família à época não se enquadravam em umas dessas duas categorias. Caso contrário, amigo, perdoe-me o julgamento precipitado, apenas não pude conter a indignação com os seus propósitos nos quais se enxerga tão pouca reflexão.

    Grato por compreender minha indignação!!!

    Alceu Pontes

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  4. Celso Garcia 21/10/2009 em 12:15 pm

    Na verdade todos sabem que a “democracia” brasileira não passa de uma ditadura moderna e maquiada.
    Não precisa dizer muito pois o exemplo da intimação à ser mesário, trabalhando “de graça” para os calhordas do governo, que na verdade deveriam colocar funcionários do próprio governo à serem mesários, uma vêz que já recebem salários do governo, pagos com o dinheiro destes mesmos que são “intimados” à trabalhar de graça.

    Tomo como exemplo o voto obrigatório, nada mais ridículo em uma democracia do que a obrigatoriedade do voto.

    Em uma verdadeira democracia o voto é facultativo, vota quem quer, e quem quer enfrentar as filas no dia da eleição realmente não o faz para “jogar fora” o seu voto, como se faz hoje em dia, quem enfrentaria estas filas estaria disposto a votar porquê acredita que seu voto pode mudar seu país, sua vida e ´mudaria também a situação ridícula do contribuinte que sustenta essa corja de vagabundos que infestam nossa querida Brasília..

    Abçs à todos.

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    • Maia 28/09/2010 em 10:32 am

      Prezado Garcia,

      A nossa democracia brasileira esta do jeito que voce porque as pessoa a querem assim, as pessoas são individualistas, querem o bem somente para si, esquece que estão inseridas em uma comunidade, e que em vez de solicitar benfeitorias para a sua comunidade em que estão inseridos vendem seus votos por ninharia como uma protese dentária ou um milheiro de tijolo. Deixam de votar em candidatos capacitados para votar em pessoa que período da política sai beijando e abraçando, só porque o capacitados não sai beijando e abraçando, ele sabe que o seu trabalho é trabalhar em prol da sua comunidade, e não sair beijando e abraçando todo mundo.

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  5. Marco 21/10/2009 em 12:36 pm

    Num ponto, regimes democráticos e totalitários se equivalem: em ambos, há obstáculos legais que impedem que os que o ‘sistema’ não deseje que cheguem ao poder, de fato não cheguem. Exemplo: Partido Comunista nos EUA. Poder participar do pleito, o partido pode;chegar ao poder, entretanto, alguém acredita? Os entraves são ‘legais’ (questão financeira, por exemplo) e ninguém pode dizer que os comunistas norte-americanos não possam ao menos, ‘participar do jogo’ (eleições). Nos países totalitários, os adversários do ‘sistema’ são automaticamente alijados da disputa do poder. A diferença: ‘sofisticação’ nos sistemas democráticos na hora de impedir que os adversários do sistema de fato conquistem o poder.

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  6. Jorge Bitar 21/10/2009 em 12:38 pm

    Embora o articulista tenha afimado “que o princípio democrático acaba se confundindo com o princípio republicano – estranhamente, até em monarquias”
    não podemos negar que são justamente nas Monarquia e não nas repúblicas que: a “exigência é uma sociedade cada vez mais justa e igualitária” porque, no fundo, ela (a Monarquia ) é um processo interminável de aperfeiçoamento.
    E por ser uma criação natural, e não cerebrina e laboratorial como as repúblicas atuais, a Monarquia é a forma de governo que mais se aperfeiçou e evoluiu. Ao contrário do que aconteceu nas repúblicas, macaqueadas dos EUA, forjada a mais de 2 séculos, sem reformas significaticas como nas Monarquia.

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  7. Diego Viana 21/10/2009 em 1:02 pm

    Caro Alceu, compreendo sua indignação e lamento que ela seja fruto de uma leitura apressada. Como você poderá perceber se reler o trecho em questão, eu não escrevi que tenho saudade, ou que minha família tem saudade, da ditadura. O que eu escrevi, como você poderá perceber se reler o trecho em questão, é que existe em muitas pessoas essa saudade da ditadura. E isso, muito infelizmente, é verdade. Saia na rua e pergunte. Eu não disse que isso é bom, mas é um fenômeno de nosso tempo; como todo fênomeno, tem seus motivos, e o texto, como você poderá perceber se o reler com menos pressa, é uma tentativa de analisar suas causas. A propósito, sobre sua especulação com relação a minha família, eu não existia no tempo da ditadura, mas peu pai teve a oportunidade de levar vários e vários cascudos da cavalaria na saída da faculdade, no Fundão. Acho pouco elegante da sua parte supor que ele possa ter se beneficiado do regime de exceção. Saiba que, assim como é preciso abandonar a pressa para ler um texto analítico, é preciso reflexão antes de partir para esse tipo de insinuações. Isso faz parte da cidadania, por sinal.

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  8. ivair girardi 21/10/2009 em 1:17 pm

    Não consegui me conter ao comentário do amigo Alceu, não sei qual sua idade muito menos os fatos que viveu. Como vivi os tempos militares posso lhe assegurar que vejo hoje andando lado a lado, pra dizer de mãos dadas os combatentes da ditadura, com os carrascos da ditadura, o que me faz ter a certeza de que o se cambatia na epóca da ditadura era ‘ O QUERER SER O DITADOR’, que é o que vivemos neste pais um ditadura camuflada. Basta ver tudo o que se faz de barbaries contra o povo sempre com a COBERTURA DA FAMOSA DEMOCRACIA. Tenha certeza tem muita gente sim com saudades do
    militarismo (leia-se DITADURA) A BAGUNÇA ERA BEM MENOR.

    Responder
  9. Diego Viana 21/10/2009 em 1:22 pm

    Jorge, uma explicação: a confusão entre república e democracia é estranha em monarquias porque, ora, como é que a monarquia confundiria esses dois conceitos se um deles, pelo menos, não está nem presente?

    De qualquer forma, fiquei pasmo ao vê-lo atirar por terra milênios de teoria da monarquia. Charles Maurras deve estar se revirando na tumba, assim como outros grandes defensores da monarquia. Afinal de contas, a grande propaganda do regime monárquico, desde Platão, e lá se vão 2400 anos, sempre foi sua estabilidade, sua imutabilidade, sua proximidade com a fixidez dos astros (ou de Deus, no cristianismo) em oposição à instabilidade, à “bagunça” inerente aos demais regimes, em particular a democracia, como eu escrevi aí acima.

    Você é um herói, pela sua coragem de renegar toda a tradição monárquica, afirmando que essa estabilidade é um engodo. Você é ainda mais heróico por fazer isso em defesa da monarquia, não obstante o risco de aleijá-la completamente e lhe tirar todo o sentido. Monarquistas mais esquentados poderiam querer a sua pele por isso, então eu admiro enormemente a sua coragem! Parabéns!

    Aliás, concordo contigo quando você renega a estabilidade do regime monárquico. Nada que o homem faz é verdadeiramente estável, sendo ele um ser inteiramente pertencente à contingência e ao devir. (Esse papo de monarquia “natural”, vamos convir, ninguém cai mais nessa, né?) Todos os regimes evoluem, mudam com o tempo, mesmo as repúblicas, que, desculpe, não são nada idênticas ao que eram nem em Roma, nem nos EUA de 1776. O fato de mudar, evoluir e adaptar-se é algo muito bom. Pena que as adaptações das monarquias exijam traumas bastante duros, como a decapitação de Carlos I da Inglaterra ou a de Luís XVI na França, a Carta Magna, a Guerra Civil Espanhola, a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa.

    Responder
  10. Diego Viana 21/10/2009 em 1:25 pm

    Aí Alceu, um saudoso da ditadura. Viu como eu tinha razão? É, rapaz, a pressa é inimiga da perfeição… e da reflexão…

    Ivair, a bagunça até podia ser menor (mas não era, desculpe, basta ver as cagadas logísticas da ditadura espalhadas pelo Brasil), mas não sei se o preço a pagar é o pau-de-arara pra todo mundo que “o general” considera que esteja fora da linha…

    Responder
  11. Juliana Dal Pino 21/10/2009 em 1:32 pm

    Voce parte, eu seu texto, de uma concepçao bastante especifica de democracia (mais como um conteudo, um fim em si mesmo, do que como método, por exemplo). Valeria reconhecer essa concepçao, definir e contrasta-la com as demais existentes na teoria politica para conferir mais legitimidade e solidez logica a sua analise. Importante fazer essa racionalizaçao do seu conceito antes de partir para julgamentos de valor e qualidade com base nele.
    No mais, esta’ bem escrito e valeu a leitura.

    PS: Perdoe a ausencia de acentuaçao

    Responder
  12. ivair girardi 21/10/2009 em 1:54 pm

    Caro Diego.sem muito o que falar se voce entrar numa fila de emergencia, numa escola pública, num transporte coletivo e ai vai…….
    Se voce assiste a teve e le jornais vendo todas as falcatruas que são encobertas e absolvidas em nome da “FALTA DE PROVAS CONSISTENTES’
    Vai faltar pau de arara neste pais, e só para fazer justiça com que aqueles que
    foram para o “TRONCO” eu traria de volta o CAPITÃO DO MATO E O TRONCO PRA MUITO BRANCO QUE TEM NO PODER” (obs. eu sou branco)

    Responder
  13. Marcos Sarmento Barcelos 21/10/2009 em 2:05 pm

    Já dizia Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra seminal intitulada “Raízes do Brasil”: “A democracia no Brasil não passa de um lamentável mal-entendido”.
    Constatamos esta assertiva todos os dias de nossas vidas, observando o quanto este país se apresenta injusto à maior parte da nossa população.
    O não investimento em educação, básica aliás, nos tira qualquer tipo de chance de aproximarmo-nos o mínimo necessário do conceito utópico de democracia.
    Embora seja uma utopia, o conceito de democracia deve ser sempre buscado, relembremos a célebre frase de Churchill.
    O que dói na alma, é que não faltam recursos para se empreender a emancipação do nosso povo via educação, falta o que sempre faltou ao longo da História do Brasil, vontade política e um verdadeiro projeto de Estado (não de Governo) para realizarmos o anseio de um país mais justo e democrático, composto por cidadãos na acepção completa da palavra.

    Responder
  14. Marks 21/10/2009 em 2:10 pm

    Democracia no Brasil não existe, o governo cria leis, impostos e outros modos de tirar dinheiro da população, sem ao menos consultar o povo, se democracia é o poder junto com o povo, governar com o povo, eles ( políticos ), fazem tudo na surdina, no outro dia é que vemos através de noticias as maracutaias feitas pelos próprios, na época dos militares era muito melhor que hoje, como disse:
    o Brasil não é uma democracia, é uma anarquia, salão de festas do PT.

    Responder
  15. Diego Viana 21/10/2009 em 2:24 pm

    Oi Juliana, obrigado pelo excelente comentário. Você tem razão, parto de uma concepção específica da democracia por dois motivos: primeiro, o texto não é uma doxologia do conceito, mas uma análise de uma sensação contemporânea a partir de uma compreensão da democracia desenvolvida nos primeiros parágrafos. Segundo, se eu fosse fazer a mesma análise a partir de cada um dos conceitos possíveis de democracia, ia ficar uma bagunça e gigantesco; eu teria que confrontá-los e escolher entre eles, o que tomaria centenas de páginas. Isto aqui não é uma tese, é um artigo, e não é nem um artigo acadêmico…

    Quanto a ser um fim em si mesmo, vejo de outra maneira. O que está aqui é uma relação dialética entre o poder como exercício (governo) e a cidadania como princípio quotidiano. A democracia nada mais é do que o jogo entre esses dois pólos. Não é, portanto, um fim, mas um processo transdutivo. Sendo assim, a finalidade não está no conceito, mas está “postulada” pelos formuladores do regime, quando o adotam; e o que quero demonstrar nos parágrafos acima é que qualquer atitude que fortaleça o primeiro pólo (o exercício do poder) em detrimento do segundo (a cidadania) é infiel ao princípio da democracia.

    Responder
  16. Peter 21/10/2009 em 2:30 pm

    O aperfeiçoamento da democracia poderia começar pela extinção do voto obrigatório. Ou será que o povo não está preparado para ter o direito ao livre arbítrio?

    Responder
  17. Paula Lorena 21/10/2009 em 2:37 pm

    Bom, primeiramente, gostaria de parabenizar ao autor do texto, Diego Viana, pelas reflexões apresentadas. Independentemente de haver concordância ou de existir um novo ponto de partida para análise, a reflexão apresentada é coerente e extremamente necessária. Não sou especialista no assunto, nem mesmo uma mera graduanda da área de história (por exemplo), mas pude perceber, pela minha vivência, que existem sim (meu caro Alceu) pessoas saudosas do regime militar. E não somente pessoas envolvidas com a administração governamental (Infelizmente, meu caros Diego e Ivair), mas também pessoas “comuns”, que costumam comparar este período com o atual e ainda afirma que durante a ditadura havia mais organização no sistema social.

    Responder
  18. José Luiz A. dos Santos 21/10/2009 em 2:45 pm

    Diego,

    Estou de pleno acordo com o sr. Ivair, pois os participantes da DITADURA continuam no poder, de mãos dadas com os que a combatiam. Quando esses políticos que apoiavam o governo militar, sentiram que a coisa ia mudar, trataram logo de mudar de lado.
    Mas, gostaria de expressar que eu entendo que o regime no Brasil não é verdadeiramente democrático, pois o que aprendi no colégio é que democracia seria o governo do POVO PARA O POVO e , o que se ve aqui, é que só fazem leis para FERRAR com o povo. Se governa, simplesmente, contra o POVO. Só sabem criar leis para criar impostos, sem dar nada em troca. Desrespeitam a Constituição Federal toda hora. Com os impostos que pagamos, nossas estradas deveriam ser como um tapete, nossos hospitais os mais modernos do mundo, nossas escolas deveriam ser totalmente gratuitas, etc……..Mas, não; o que se ve é a desordem total. O pobre vai para um hospital necessitando de um atendimento e marcam sua consulta para daí há 06 meses ou mais.

    Vejo que o conceito de democracia, tal como aprendi na minha infância está totalmente equivocado. Só fazem leis para punir o cidadão.

    Esse senhor, Alceu, ficou indignado por achar que você estava defendendo a DITADURA, mas, hoje, se morre muito mais inocentes do que naquela época. Você sai de casa pela manhã e não sabe se volta, pois pode ser vítima de alguma tragédia, tais como, uma bala perdida, um sequestro, um assalto, etc….

    Desculpe-me, mas essa democracia que está aí não me deixa muito animado. E, não estou vendo muita vontade de se mudar o atual modelo. E, digo mais, com essas urnas eletrônicas, só se entrega o poder, se quiserem.

    Um abraço,
    José Luiz

    Responder
  19. tim 21/10/2009 em 2:46 pm

    Confesso que talvez eu nao tenha informações e/ou argumentos para discutir tal assunto e suas vertentes. Mas isso me incomoda de qualquer forma porque a democracia, queira não, afeta, altera, influi, manifesta, incomoda, insere, dignifica ou encarcera qualquer indivíduo vivo dentro desse país.
    Tempos atrás eu tenho comentado, até com outras pessoas o mesmo que o DIEGO citou: “saudade da ditadura”… e não mudei minha opiniao.
    Não vivi esse tempo. Mas lembro que às 22:00h, meus pais pediam-me para ir para cama dormir. Hoje, criança assiste cena de sexo na novela das 8. A professora pedia silêncio e a turma obedecia. Hoje, a professora não pode nem fazer cara feia, q logo a “delegacia” vem com o chicote e a mordaça, além do lavrador que é preso em pleno velório, por ter matado a onça que atacou seu filho, ou a enciclopedia de matérias, artigos, jornais sobre conjunto de crimes à dignidade humana, feitos pelos “representantes do povo”, os quais mentem na propaganda do Brasil para todos, porque a tv é agora mais ladrão de descarga de do excessos de corrupção…
    Os regimes afetam a economia, a moral, o social, o educacional, a saúde etc. Há muito diferença entre hoje e pelo menos 25 anos atrás.
    Democracia não é Anarquia.

    Responder
  20. pedro 21/10/2009 em 2:50 pm

    Parabéns pelo texto, Diego. Muito bom.

    Só agarrei nessa frase:

    “é um absurdo esperar que um ser cheio de imperfeições como o humano se encaixe num sistema perfeito, como os parafusos de um relógio.”

    É como se alguém tivesse bolado um sistema perfeito e este não funcionasse porque somos imperfeitos.

    O ser humano é complexo, sempre muda, e assim é também o mundo. No entanto, já reparou como as coisas funcionam? Se parece que não funcionam para nós, humanos, é porque temos uma postura egoísta, queremos que tudo aconteça para a satisfação dos nosso desejos. Mas como cada um é diferente, é mutável e não deseja sempre as mesmas coisas, nenhum sistema criado por um ser humano será perfeito.
    Por isso, esse sistema perfeito que alguns filósofos dizem ter bolado e que não funciona por que o ser humano é imperfeito, ele não existe! Porque foi um ser humano igualmente imperfeito que o bolou!

    Já o mundo não-humano, e mesmo o mundo humano só que para além dos nossos pensamentos e conceitos, funciona perfeitamente! Só que ele não foi feito para a satisfação dos desejos dos homens.

    Quanto à esfera humana, a esfera deste ser que é o único que tem uma noção de imperfeição, deste ser que é o único para quem não bastam os sistemas da natureza, o ser que tem que criar a si mesmo nesse processo louco de consciência, a democracia vai estar sempre à espreita e será sempre um anseio, pelo menos um anseio de quem pensa, porque se é para obedecer um ser humano imperfeito, que seja eu mesmo! E se os aristocratas fossem de fato perfeitos e o sistema não fosse injusto e desumano nada disso tudo que aconteceu na história da humanidade teria acontecido.

    O esquema bom ainda está pra construir e eu só consigo vê-lo parecendo ou com a democracia, ou com uma monarquia mesmo. Só que a monarquia requer homens perfeitos. E conheces algum?

    Responder
  21. Luciano "Élvis" Gonzales 21/10/2009 em 2:55 pm

    Acredito que, se o povo não confia mais na democracia, se ela tem falhas, ela não tem razão de existir. As sociedades humanas não criam, não criaram e não criarão nada eterno; todo regime político, assim como toda criação humana, tende a se tornar obsoleto com as mudanças nos quadros sociais. Somente sua permanência é maior ou menos segundo o contexto histórico-cultural. O que acontece, portanto, é que a democracia neoliberal, com liberdade para o mercado e asfixia sócio-político-cultural para as pessoas (ou seja, os estrangeiros podem vender o que quiserem nesse país; as pessoas são obrigadas a atender as demandas de uma “burocracia eletrônica”, nas palavras do autor do texto, que controla cada passo, cada segundo da vida do indivíduo), está em franco processo de crise. Mercado livre, povo vigiado e, quando não nos conformes do neoliberalismo, punido: que democracia é essa?
    É bem compreensível, se não aceitável, que as pessoas não confiem mais na democracia, pelo menos na democracia brasileira. Ela não satisfaz senão uma corja suja de plutocratas velhos e cancerosos que nós chamamos de Congresso e Senado. O sistema eleitoral brasileiro (RPLA, ou Representação Proporcional por meio de Lista Aberta) garante que você, eleitor, vote em um candidato de sua preferência e seu voto seja democraticamente transferido para outro no qual nem sob tortura você votaria. Garante também o democraticíssimo processo de votação das políticas públicas, no qual o povo nada decide, no qual quem decide é a elite decrépita e enriquecida com o nosso dinheiro, conquistado laboriosamente com o suor de nossos impostos, ou através de mensalões e outras mamatas tão democráticas quanto os dirigentes do país. Instituição democrática por excelência, as passeatas por melhores condições de vida, salário, respeito, dignidade e sei lá o que mais, não são muito mais do que belas oportunidades de dar continuidade ao treinamento em artes marciais da polícia. Somos saco de pancada, vaca de leite: isso é o povo no regime democrático brasileiro.

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  23. Mayk 21/10/2009 em 4:07 pm

    Marks, http://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo
    dê uma olhada do que seria ‘anarquia’

    Responder
  24. Diego Viana 21/10/2009 em 4:47 pm

    Ivair, ter saudade da ditadura por causa de filas em hospitais públicos me parece um despropósito. Afinal de contas, elas já existiam naquela época. A diferença é que, se você reclamasse, corria o risco de ser fichado…

    Esse negócio de amarrar gente no tronco pra conseguir ordem na sociedade já foi tentado muitas vezes, sem grande sucesso. A Idade Média, por exemplo, cansou de praticar essas coisas e a vida urbana era até mais bagunçada que a de hoje…

    Responder
  25. Diego Viana 21/10/2009 em 4:51 pm

    José, só lembrando que essa violência urbana que tanto te assusta é fruto das políticas urbanas de décadas e décadas atrás, incluindo a ditadura. E quem ousasse criticar não tinha muito onde se expressar. A propósito, na Maré, sabe quem é o “João” a que se refere a “Vila do João”? Se tiver curiosidade, recomendo investigar.

    Responder
  26. Diego Viana 21/10/2009 em 4:54 pm

    tim, a decadência moral não tem nada a ver com o fim da ditadura, vem de muito antes e não é só no Brasil. Já nos anos 70 Hannah Arendt escreveu sobre isso em “A crise da educação”.

    A propósito, sabe como foi montada a rede de televisão que mostra cena de sexo na novela das oito? Pois é, isso mesmo, com maracutaia da ditadura. Incrível como as coisas se reencontram, não?

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  27. Diego Viana 21/10/2009 em 4:57 pm

    Pedro, que sistema perfeito é esse que os filósofos dizem ter bolado? Estudei bastante filosofia, mas não me lembro de nenhum. Me lembro, isso sim, de filósofos falando algo como o que você está dizendo: que o universo é um sistema perfeito e o ser humano está dentro dele.

    Felizmente, já caiu a ficha da maioria desse pessoal que não dá pra falar em “perfeição” para o universo, uma vez que ele apenas é como é, ou seja, se ele fosse completamente diferente, a gente olharia para ele e diria a mesma coisa: “puxa, que perfeito”…

    No mais, concordo integralmente com o que você disse depois.

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  28. Diego Viana 21/10/2009 em 4:59 pm

    Luciano,
    Quem falou em neoliberalismo? Eu jamais identifiquei democracia e neoliberalismo; aliás, muito pelo contrário, o texto acima é uma tentativa justamente de mostrar por que o neoliberalismo não é, nunca foi, nunca será democrático. No mais, a imperfeição é justamente a maior arma da democracia e suas falhas não são motivo de jeito nenhum pra voltar a qualquer tipo de rigidez autoritária.

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  29. Diego Viana 21/10/2009 em 5:05 pm

    Agora, um comentário geral: que mania de ficar se lamentando! Então a democracia não funciona porque “o governo” só quer sacanear “o povo”? Ora, que fatalismo tosco! O governo não tem esse poder todo, não, nem mesmo em regimes autoritários. Se as pessoas, em vez de ficar reclamando em casa contra “esse pessoal”, levantasse do sofá e exercesse pressão sobre “esses ladrões”, garanto que eles mudavam de atitude rapidinho. Quantos de vocês já telefonaram ou mandaram cartas para um representante? Quantos sabem dizer quem é seu representante? Depois ficam falando “dessa corja”. É o tipo de atitude que deixava Monteiro Lobato puto nas calças, e que ele retratou em Cidades Mortas, Jeca-Tatu e vários outros textos.

    Como eu disse, democracia exige cidadania. Algo muito diferente de ficar resmungando contra “esses pilantras”. Felizmente, a nova geração de brasileiros parece ser mais ativa, o que me enche de esperança.

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  30. Daniel 21/10/2009 em 8:14 pm

    Realmente, ser “intimado” a participar de uma “festa”, no mínimo deixa dúvidas quanto à exatidão do segundo termo…

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  31. Alceu Pontes 21/10/2009 em 11:05 pm

    Prezado Diego,

    Não me interprete mal! Foi apenas um desabafo! Jamais tive a intenção de ofendê-lo, muito menos a sua família. Mas, afinal de contas, que ofensa seria essa se apenas se está sendo a favor de algo que “todos” “desejam”, ou seja, a volta da ditatura?
    Infelizmente já ouvi, sim, algumas pessoas fazerem colocações sobre a ditatura exatamente como a sua. É que não vejo, em hipótese alguma, qualquer coisa de positivo no regime autoritário que se instalou no Brasil, nem mesmo o tão propalado “milagre econômico”, algo que nos legou descontrole fiscal, hiperinflação e dependência externa (vulgo, dívida externa) e outros “malecitos” mais. Dizer que a coisa está pior hoje é uma grande falácia. Na realidade, naquele tempo vivíamos algo semelhante ou pior com relação à situação social da população. Tão-somente não tínhamos instrumentos adequados como os que temos hoje para nos darmos conta de quanto “feijão’ ainda temos que comer para podermos almejar uma sociedade menos injusta e mais igualitária. Acho, sim, que avançamos, principalmente no tocante à vergonhosa distribuição da renda nacional e ao gritante desequilíbrio entre as regiões.
    A verdade toda é que podemos querer, gritar, chorar chamando a atenção do mundo para nós, se nada fizermos para revertermos quadro social tão triste, jamais, como alguns almejam, poderemos ser considerados um país desenvolvido. Sei o quanto isso dói ao amor-próprio de alguns tantos iludidos com a grandiosidade do nosso imenso Brasil, mas essa é a mais pura verdade. Por isso lutemos todos nós por um país mais justo para todos.

    Democracia, amigo, não se tem, não se deseja, se conquista.

    Concordo integralmente com o que o colega Marcos Sarmento Barcelos coloca, principalmente, no tocante à ausência de um projeto de Estado. Falta-nos realmente um. Onde queremos chegar? Que país verdadeiramente queremos para nós e para as próximas gerações. A meu ver, ainda não tivemos uma liderança até a presente data que nos tenha deixado isso como legado, infelizmente.
    Grato pela oportunidade que me deu de expor minhas ideias e de desfazer qualquer mal-entendido.
    Eis aqui no que estamos fazendo um gérmen, um começo de democracia.

    Um abraço,

    Alceu

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  32. Diego Viana 22/10/2009 em 9:26 am

    Alceu, mas quem falou em “todos”? O que eu levantei foi um sintoma, entre muitos outros, listados no parágrafo em questão. São sintomas daquilo que eu coloquei na primeira frase do texto: a perda de contato com a realidade vivida da democracia, transformada numa idéia vaga sobre votar a cada dois anos. Tudo isso está lá no texto.

    Colocações sobre a democracia exatamente como a minha? Pois qual foi então a minha colocação? Até onde eu sei, só mencionei que algumas pessoas rejeitam a democracia e manifestam saudade pela ditadura. Isso, já vimos que acontece mesmo. Não consigo imaginar de onde você foi tirar que eu faço parte desse grupo.

    Democracia se conquista: concordo integralmente, por sinal meu texto é exatamente sobre isso. Aliás, os comentários estão estranhos exatamente por causa disso: todo mundo pegou trechinhos, frasezinhas, e aproveitou para fazer ladainhas sobre exatamente aquilo que eu critico: a visão de que a democracia é só voto ou, no máximo, um governo que “gosta” do povo (?) ou simplesmente “não o sacaneia” (estou usando termos dos comentários acima). Por exemplo: também sou contra o voto obrigatório, claro, quem não é? Mas o texto não é sobre isso, e não acho que o voto facultativo seja uma panacéia, embora seja um bom começo… então por que tanto comentário em cima disso?

    Eu ficaria feliz com comentários que tratassem do tema do post…

    E aproveitando o ensejo: também concordo com o que diz o Marcos. Só acrescento que um projeto de país não vai nascer dos escritórios de Brasília, pode ter certeza. É preciso que isso venha do seio da sociedade, de discussões mais ou menos como a que estamos tendo (só que com um pouco mais de foco, claro) – o final do seu último comentário, a seu ver, é uma percepção disso –, de uma mobilização quotidiana sem a qual nenhuma democracia tem muito futuro. Já tivemos muitos, muitos arremedos disso em nossa história e temos também agora. É uma pena que, até hoje, eles tenham sido bloqueados pelo fatalismo e pelo dar de ombros que mencionei num comentário pouco acima.

    Um abraço
    Diego

    Responder
  33. pedro 24/10/2009 em 9:55 am

    Quanto ao sistema perfeito, tava pensando na República do Platão, e nas utopias suas filhas.

    Responder
  34. Laio Bispo 26/10/2009 em 12:59 pm

    Interessante a discussão e a proposta do txt. Receio,apenas, alguns maus entendidos tenham acontecido mediante má,ou pouca, reflexão por parte de alguns comentadores. Gostaria de salientar a falta,que hoje significa muito quando discute-se os temas em questão, dos nomes de Michel Foucault e Gilles Deleuze. O entendiimento do poder e as micro-relações analisadas por ambos são predominantes na contemporâneidade; também a concepção de cidade como um corpo é hoje muit discutida a partir do conceito de Corpo sem Orgãos (CsO),conceito utilizado por Deleuze e Guattari. Enfim, de modo geral o txt carece de analises mais atuais.

    Responder
  35. Diego Viana 26/10/2009 em 4:19 pm

    Oi pedro, imaginei que a República tivesse passado pela sua cabeça. Por sinal, o que eu disse acima sobre os gregos se apóia muito nela. De toda forma, ela está longe de descrever um sistema perfeito: veja, por exemplo, os livros 8 e 9.

    Responder
  36. Diego Viana 26/10/2009 em 4:21 pm

    Olá Laio, obrigado pela contribuição. Você acertou praticamente na mosca: as referências do texto acima são justamente Foucault e Deleuze, mais Rancière, Simondon e Stiegler. Mas é claro que não os mencionei, porque, como expliquei num comentário acima, isto aqui não é uma doxologia do conceito de democracia, nem uma análise da atualidade. É o desenvolvimento de uma determinada concepção. Aliás, isso é justamente o que nenhum comentário comenta. Me pergunto se as pessoas realmente leram o texto…

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  37. luciano magno 28/03/2010 em 1:29 pm

    não que so um grup de pessoas, vai mudar um so pais, mas se toda a população se unice numa so intenção vedadeiramante, a i sim poderiamos comessar a mudar não so um pais, mas poderiamos mudar o mundo, porque dis o ditado que uma andurinha so não fas verão, o povo tem a força so precisa descobrir, palavras que não resume a uma so pessoa mas sim a todos, o povo so precisa ter confiança em si mesmo.

    Responder
  38. Wesley 04/10/2010 em 7:36 pm

    A democracia é uma falácia em todo os lugares da terra! Viva o movimento Auto Gestionário uhauhauhauhauhuaha! Movaut

    Responder
  39. ---- 17/02/2011 em 10:28 am

    A democracia real ainda é um ideal não atingível, e, até então, não existe no mundo sistema algum que sirva de base, regra ou senso de comparação para avaliação de plena e verdadeira democracia; e, nem pode existir; pois, temos que chegar em sua essência e ver a quem se beneficia. Para a aristocracia grega da antiguidade existia a mais ampla “democracia”, porém, para os escravos, os oprimidos, os explorados, os indigentes, os destituídos e excluídos (que eram a absoluta maioria), a democracia era somente uma palavra vazia.
    A organização política, ou governo do povo, pelo povo e para o povo, que se funda na soberania popular, e na distribuição equilibrada do poder; que, para fortalecer o processo de democracia; tem que agir de maneira continuada e esforçada a fim de atingir um resultado que beneficie ou tome em consideração, os interesses reais da maioria. E, outrossim, não pode em primeiro lugar ficar salvaguardando, preservando, assegurando e garantindo a qualquer custo, o domínio político de uma minoria privilegiada.
    E, além disso, a organização política de todo o povo, não pode perseverar como regime infenso à evolução das instituições sociais, e, nem deve tampouco, servir como fulcro para a salvação de regime político hostil as inovações políticas e sociais, o qual não seja comprometido com as mudanças que aspirem aos aprimoramentos, ou às renovações que beneficiem a absoluta maioria da população.
    A organização política, ou governo do povo, pelo povo e para o povo, não pode apenas servir de ardil, base ou fundamento na escolha por meio de pleitos ordinarios de venais e falazes mandatários representantes profissionais matreiros, que com léria intrujam, e que nada dizem respeito de exprimir ou resguardar os interesses da maioria.
    A doutrina ou regime politico fundamentado nos princípios da soberania popular e na distribuição equilibrada do poder, não pode apenas servir como embuste; justificando pleitos desleais que asseverem a dominação política dos interesse das instituições que defendem a estrutura econômica que privilegia a parte menos numerosa da sociedade, a qual usa do poder econômico, para efetivar ou autopromover seus venais mandatários representantes profissionais matreiros, apaniguados e populistas.
    A organização política de todo o povo, ou governo do povo, pelo povo e para o povo, tem que trabalhar sempre em defesa dos interesses reais da maioria absoluta da população; objetivando, a realização de uma aplicação sensata da atividade racional na produção dos bens materiais e espirituais, a fim de que a absoluta maioria possam conquistar ou alcançar os benefícios e oportunidades indispensáveis de que precisam.
    E, não obstante, os meliantes e desleais mandatários representantes profissionais matreiros, que procedem politicamente estimulando as paixões populares em busca de vantagens políticas pessoais; ou que apegam-se às tradições e rejeitam todo tipo de inovações politicas e sociais; e, que passam sempre a fingirem enganando a absoluta maioria com falsas devoções e conchavos fraudulentos, conluios e negociatas; ou atitudes politicas que consistem em fazer promessas de realizações maravilhosas, criando uma situação de expectativa e esperança para iludirem a maioria absoluta do povo.
    A absoluta maioria, constituída por pessoas de condições modestas com parcos recursos e que vivem somente do estipêndio de seu trabalho; assim, da mesma forma como todos os demais subjugados, explorados, oprimidos, indigentes, destituídos e excluídos que – para fortalecerem o processo de democracia para a maioria absoluta do povo, ou conquistarem o poder politico conjuntamente com seus reais e verdadeiros representantes altruístas afeiçoados a renovações politicas, morais ou sociais; devem renhir constantemente contra os que pugnam pela conservação do estado atual politico e social.
    E, para conquistarem os benefícios imprescindíveis de que precisam, o poder popular da absoluta maioria tem que evitar que o regime da exploração e do poder econômico; o qual serve aos interesses da minoria privilegiada; deixe de induzir as massas populares ao erro, quando os poderosos enganam para dominar e oprimir os menos favorecidos.
    E, mais adiante, a absoluta maioria tem que ser organizada, esclarecida e bem informada, para fortalecer o processo de democracia; e ter a faculdade, ou o direito de deliberar e agir para a conquista do poder político.
    E, do mesmo modo, jamais permanecerem acreditando ou deixando tudo em mãos de madraços mandatários representantes profissionais corruptos, demagogos, aproveitadores e vigaristas, hostis a inovações políticas e sociais; os quais usam de sorrelfa ou qualquer outro expediente apenas para alcançarem promoções e vantagens pessoais, enganando ou iludindo e controlando a vida da absoluta maioria; sem sequer prestarem serviços destinados a proporcionar melhorias de condições sociais para mudar realmente a vida dos menos favorecidos.
    A absoluta maioria deve perceber sempre a importância em participar dos negócios públicos e sociais; lutando constantemente para atingir metas, objetivos e oportunidades; pelo motivo de que; o valor é na verdade alcançar os meios de uma existência humana digna com qualidade de vida melhor.
    E, por conseguinte, a absoluta maioria não deve ficar conformada em viver padecendo e morrendo para alimentar os donos da situação, ou seja, aceitando tudo que a máquina destinada em manter o domínio da minoria burguesa fique determinando no tempo ou no momento em que os poderosos que detém privilégios, ao sentirem-se ameaçados; venham a servirem-se todas as vezes do exercito, da “justiça”, das prisões e dos órgãos punitivos; para assim permanecerem no poder a qualquer custo, afastando e subjugando a maioria; ou deixando-a submissa, alheia e afastada da direção e gestão dos assuntos públicos e sociais.
    Todas as nações do mundo livre, devem encontrar sua própria forma de expressão, a conquistar sua própria liberdade e a desbravar seu próprio caminho. O povo é soberano para decidir seu próprio destino e construir o processo de democracia e liberdade de acordo com seus ideais de desenvolvimento, ou realidades sociais, culturais, políticas e econômicas.
    E, em tempo algum, as nações do mundo livre, devem permitir ingerência em seus assuntos internos por parte de nenhuma força ou poder imperial.
    O povo de cada país tem todo o direito de lutar pela sua libertação social e nacional, e escolherem o melhor caminho de desenvolvimento.
    Todas as nações devem ser livres, soberanas e independentes de qualquer ingerência imperial; para projetar e construir o processo de democracia e liberdade, conforme seus ideais de desenvolvimento, ou realidades sociais, culturais, politicas e econômicas; na pretensão sempre de assegurar a soberania e independência nacional.
    Portanto, a vontade da absoluta maioria de um povo, em mudar e defender um ideal que atenda aos interesses ou anseios da maior parte da população, também pode constituir-se como um processo de liberdade e democracia no momento em que acontece, quando dezenas de milhões de pessoas chegam a conclusão de que não se pode continuar a viver assim; e, dessa forma, escolhem o caminho da revolução social de libertação nacional.
    Os processos de democracia são diversificados, e refletem a vida política, social e cultural de cada nação. As democracias baseiam-se em princípios fundamentais e não em práticas uniformes, pois, não existe modelo autêntico, forma perfeita, plena ou exemplar de Democracia no mundo; e nem existe modelo único que sirva para todas as regiões e todos os países.
    O sistema pelo qual rege o egocêntrico, insolente e extremista regime imperial dos Estados Unidos da América do Norte; o qual se julga o campeão de “Democracia”; por exemplo; não é senão um poder tirânico da burguesia e do capital monopolista. Visto que, na organização do poder político estadunidense, todos os poderes estão reunidos em mãos da classe dominante; a qual não permite nenhuma ameaça ao seu domínio, e, que não pode ser contrariada, criticada ou ter oposição organizada desfavorável as prerrogativas, ideários ou princípios burgueses; pois, o capital e os interesses da burguesia em primeiro lugar e tem que ser defendidos a qualquer custo.
    E, à vista disso, o regime tirânico imperial estadunidense, esta sempre comprimido nos limites estreitos da exploração; e, por conseguinte, permanece sempre em essência um regime para a minoria burguesa exploradora, singularmente para as classes possuidoras, apenas para os ricos.
    Toda ruidosa propaganda de “Democracia” nos Estados Unidos da América, não é senão uma capa fina, por traz do qual fica cada vez mais difícil de não esconder ou disfarçar a grande ditadura da burguesia e do capital monopolista.
    Por conseguinte, o nefasto regime imperial dos EUA, é o exercício do poder de uma minoria privilegiada e possuidora, sobre a maioria explorada, indigente, destituída e excluída. Logo, é a classe burguesa minoria dominante que exerce a ditadura a fim de consolidar, manter ou fortalecer as suas posições.
    O dissimulado regime político nacional-imperialista e ilusório “democrático” dos Estados Unidos da América, não passa de um circo; um engodo, uma fraude, uma farsa, um faz-de-conta com cartas marcadas; apenas para dizer e iludir que se trata da “democracia” para a maioria.
    Portanto, as funções das instituições políticas da “democracia” burguesa consiste em assegurar o domínio de classe (a ditadura) da burguesia e seus privilégios.
    O ganancioso regime imperial dos EUA, é uma forma de governo nacionalista, em que todos os poderes se enfeixam em mãos de grupos ligados aos partidos que representem os interesses da burguesia.
    Portanto, nos Estados Unidos da América do Norte, apenas dois grandes partidos da burguesia se alternam no poder a décadas e, que em consenso, enganam e iludem a maioria; quando representam e defendem os interesses do capital e camada social que detém privilégios.
    Os Partidos Democrata e Republicano, são partidos conluiados que tem compromissos com a minoria privilegiada; sendo que; cada um é sustentado por grupos restritos da burguesia e do capital monopolista, os quais visam exclusivamente enriquecer e atender a seus próprios interesses.
    Os dois partidos não acrescentam em nada para maioria, e ainda disfarçam simulando existência de posição de oposição ideológica um ao outro. Porém, a essência é sempre imutável, ou seja num sentido mais amplo, a burguesia estará sempre no comando, controlando ou conduzindo tranquila o poder com qualquer forma de administração, (com seus dois, ou mais partidos análogos) e, sem objeção em sua ditadura.
    E, á vista disso, os dois partidos são representantes da classe dominante; e cuja diferença não vai muito além do nome. E, isso não significa dizer que a absoluta maioria do povo, queira unicamente ou tão-somente apenas a existência desses dois partidos.
    Nos EUA, os Partidos Democrata e Republicano são partidos conluiados, que em consenso, enganam os eleitores a delegar sempre a mandatários representantes da burguesia e do Grande Capital Monopolista; o poder de decidir em todo o tempo as leis a favor da classe dominante. E, nessas condições as posições-chave nos órgãos do poder no mundo do capital, são ocupadas sempre por representantes da burguesia.
    A propósito, os dois partidos tem grande espaço nos meios de Comunicação Social e nas Agências de Publicidade; as quais representam um poderoso meio de influência ideológico e, sendo exatamente essas, que se encontram sob o domínio da classe dominante que embora sendo minoria privilegiada, é no entanto toda poderosa.
    Os eleitores são induzidos ao erro de forma eficaz, ao pensarem que decidindo por um ou outro desses dois partidos haverá mudanças; mas nada altera e a natureza é sempre imutável.
    Diante disso, nada difere o caráter opressor, hostil, agressivo e obsessivo da politica expansionista imperial dos EUA; e, basta que se observe no modo como o nefando Império estadunidense, conduz uma negociação em que fazem diplomacia de gângster, no qual blefam, intimidam, ameaçam e mentem para a Comunidade Internacional.
    Pois, é como trocar seis por meia dúzia; visto que, nos EUA, os dois partidos enganam as massas populares, e contribuem sobremaneira para reduzir a influência de outros partidos e, portanto, ajudam a manter o povo aprisionados na ideologia burguesa.
    É bem verdade que nos EUA existem outros partidos, mas, que não tem a mínima chance de concorrer com o poderio econômico desses dois partidos da burguesia; além disso, a legislação dos EUA dificulta no máximo a participação de outros partidos nas eleições inventando inúmeros subterfúgios e obstáculos jurídicos, entre eles por exemplo, a necessidade de recolherem muito milhares de assinaturas num prazo curto realizada em presença de testemunhas e registradas notoriamente a obtenção de Licenças para os coletores de Assinaturas, etc. E mesmo se os outros partidos conseguirem vencer todas as barreiras, as comissões eleitorais privam-nos frequentemente da possibilidade de participarem nas eleições sob o pretexto de as assinaturas serem ilegíveis ou outro qualquer pretexto inventado.
    A Manipulação da consciência da população aplica-se em larga escala nos EUA, com objetivo de que o povo eleja sempre políticos que representem os interesses da burguesia e do capital monopolista – para em todo tempo decidirem as leis a favor dos proveitos da classe dominante privilegiada.
    E, para manipular a consciência das massas populares, a propaganda burguesa utiliza amplamente uma linguagem política especial, que deturpa e obscurece o sentido dos acontecimentos reais.
    A pretexto de legislarem projetos ou reformas politicas e sociais; mas, principalmente visando salvaguardar, preservar, assegurar e garantir a qualquer custo o poder, ou domínio político da minoria privilegiada, ou a defesa dos interesses da camada social abastada – os venais, mendazes e iníquos políticos mandatários representantes da burguesia quando eleitos, dificultam, ou então tiram sempre as conquistas alcançadas pelo povo, as quais estejam beneficiando a absoluta maioria da população.
    E, nesse esquema matreiro de insidias, o vocábulo “democracia” é apenas um slogan usado pela burguesia para manterem-se no poder, ou atingir metas e objetivos, enganando ou iludindo a absoluta maioria do povo.
    Posto que, apenas fazem concessões paliativas às massas populares; ou até mesmo manobras politicas, face ao perigo da crise revolucionária; ou ainda sustentam de que o povo vive em uma sociedade cuja “democracia” traduz a vontade e os interesses da maioria absoluta; da qual todos tem oportunidades de alcançar metas e objetivos, sem preconceitos ou distinções, e na qual todos podem chegar.
    Nos EUA a “liberdade de expressão e manifestação” e o exercício dos direitos de associação e reunião, incluindo a participação em organizações não-governamentais e sindicatos, permanecem até o momento; desde que; não fiquem afetando os interesses da burguesia e do capital monopolista; mas, em qualquer momento quando as autoridades que constituem a organização politica burguesa, entenderem que os interesses da burguesia e do capital, estejam sendo prejudicados pelos atos públicos e coletivos de sentimentos e opiniões levadas a efeito pelos explorados, oprimidos, indigentes, destituídos e excluídos – então, essas manifestações serão consideradas “ilegais” e “abusivas” e podem ser impedidas, perseguidas, dispersadas ou reprimidas pela polícia. Portanto, a burguesia quando se sente incomodada, utiliza sempre a imperiosa máquina estatal para a repressão de seus adversários sociais.
    A insidiosa e impudente burguesia com sua organização política; resguarda-se sempre em defesa de seus interesses privativos ao fazerem uso da estratégia de concitar as pessoas que labutam, e que vivem de poucas posses; ou que passam privações e necessidades, a intentarem-se umas contra as outras, objetivando dessa forma, disjungir e enfraquecer a unidade. E, assim, forçarem os que labutam a aceitarem conformados a vida que levam, pois, a inzoneira burguesia coloca a sociedade contra todos os destituídos que reivindicam e lutam por melhorias em suas vidas; ao dizerem com invectivas que os obreiros ou diligentes com suas reivindicações, prejudicam o trabalho de toda a sociedade.
    As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão; o direito a proteção legal igual; e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade.
    Os Imperialistas dos EUA que se julgam os “guardiões” dos direitos humanos, legalizam a tortura, invadem e destroem nações soberanas; financiam ataques utilizando armas bizarras das mais avançadas tecnologias bélicas, que imolam a vida de milhares de pessoas.
    Além disso, os imperialistas arrasam países inteiros, jogando suas populações na miséria ao promoverem sangrenta ocupação e destruição. Do mesmo modo, estabelecerem ditaduras títeres que assassinam centenas de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes; além da assolação econômica e social; e, tudo isso, simplesmente para atender aos interesses dos monopólios do capital.
    “A Democracia é para o império estadunidense, quando os EUA mandam, ditam as regras, subjugam e submetem os povos a condição e posição de servidão, exploração, passividade, dependência, obediência, sujeição, subserviência e controle; mas, quando os povos se exsurgem e tentam colocarem-se ou oporem-se contra a ingerência, ganância, dominação, tirania, vontade ou interesses dos EUA – então, isso é considerado ditadura para o império estadunidense.”
    Os povos que realmente almejam ser livres, soberanos e independentes e, para isso, venham aderir a um caminho consentâneo na construção do desenvolvimento do processo democrático, conforme suas realidades sociais, culturais, politicas e econômicas; e, dessa forma propugnam para não ficarem nas mãos, de joelhos, submissos, obedientes, subservientes, sob controle, ou servindo aos interesses e propósitos do imperialismo estadunidense.
    E, assim, deixando de rezar na cartilha dos Estados Unidos da América, esses povos são perseguidos, e suas eleições livres e Justas são consideradas pelo império de irregulares ou fraudadas, pois, os imperialistas estadunidenses aceitam apenas eleições de regimes inócuos, inermes, fantoches, subservientes, favoráveis e sequazes do Império. Ademais, o governo eleito por esses povos livres, que não aceitam se sujeitarem aos caprichos dos Estados Unidos da América do Norte; são sempre rotulados ou assacados de totalitário, tirânico, ditadura e seus inimigos.
    O Imperioso regime opressor dos EUA, que sempre defende junto a Comunidade Internacional, a fazer sanções econômicas, embargos ou medidas restritivas destinadas a obstruir o comercio e as comunicações das nações livres, soberanas e independentes; contrárias a política de expansão e dominação imperial.
    E, com essas medidas, o capcioso, poderoso, arrogante, perigoso, brutal e ameaçador império estadunidense; o qual se considera acima das leis; visa mormente prejudicar a economia dos territórios livres; para desse modo poder subordina-los; e, assim, derrocar e impossibilitar a execução ou o prosseguimento do desenvolvimento com liberdade, soberania e independência das nações livres; as quais enjeitam as posições imperiais de dominação e tirania dos EUA.
    Os estadunidenses que se julgam os donos do poder e da situação, os eruditos altivos, superiores e melhores que todo o gênero humano – com seu sistema de governo fundado no poder de dominação infrene; e, com postura provocativa; o império instala bases militares em todas as regiões do mundo, para preponderar ou demonstrar força, para intimidar e ameaçar o mundo livre, com exercícios militares constantes e em grande escala.
    Pois, os imperialistas tentam de todas as formas iludir a natureza humana ao colocarem a verdade pelo avesso, quando apresentam-se como os paladinos da “Liberdade” e “Democracia”; inclusive, fazem uso desses princípios com cavilação obstinada de que são os únicos, reais “representantes” ou “defensores” desses ideais.
    Todavia, tudo isso é pura astúcia na tentativa de justificar, convencer ou inculcar no pensamento da Comunidade Internacional; de que as intervenções que realizam são justas em países livres, soberanos e independentes; os quais repugnam em se sujeitarem, ou se submeterem ao domínio imperial.
    E, à vista disso, esses países livres, lutam incessantemente contra a agressão e opressão imperial, para não ficarem de joelhos, passivos, brandos, submissos, quietos, comportados, obedientes, sob comando, controle, ou domínio absoluto do império.
    Os imperialistas dos EUA, com sua política de expansão, influência ou até mesmo dominação territorial, cultural e econômica do mundo, usam com desfaçatez, ardileza e estratégia de dominação; as duas palavras mágicas que são consideradas chave, ou seja, “Liberdade” e “Democracia”, que usadas com sutileza são apenas sofismas, para encobrir seus reais propósitos de possessão do mundo livre.
    Contudo, ao contrário do que enunciam sobre “Liberdade” e “Democracia”, os farsistas e nacional-imperialistas estadunidenses, intentam em manter o mundo livre sob domínio, controle e autoridade.
    E, para isso, tramam de forma ardilosa na pretensão de iludir ou ludibriar os povos, ao fazerem uso de manobras empregando a violência ou malefícios perpetrados; objetivando despojar os povos livres, soberanos e independentes; ao utilizarem de aleivosias ou afirmações hipócritas de que as causas que defendem e lutam são apenas por “Liberdade” e “Democracia”.
    O império dos EUA, com propósito de intimidar as massas populares e assumir as rédeas da política interna das nações livres, soberanas e independentes; sustentam uma política de prepotência a fim de atingir seu objetivo de dominar o mundo livre.
    E, para isso, como perspícuo truísmo de suas intenções o império instala e mantem bases militares em todos os continentes; e, da mesma forma, promovem invasões para depor governos legítimos das nações livres, soberanas e independentes, contrárias a politica de expansão e dominação imperial.
    E destarte o celerado império com sua política rapace, alastra-se hostilmente extorquindo concessões por meio do emprego da ameaça das armas e força bruta, as matérias-primas e demais haveres de que precisam.
    Para isso, comandam genocídios por todo o mundo livre; endividam as nações livres, compram seus políticos e governos fantoches; além de apoiarem estados títeres, para realizarem política de desestabilização, discórdia e desentendimentos regionais ou atos subversivos violentos e intimidadores a serviço do insidioso sistema imperial estadunidense.
    O todo poderoso e opulento Império dos EUA, para embair as massas populares e dominar o mundo livre; usam como estratégia para iludir; a aplicação constante das palavras que agradam e que são elemento decisivo, ou seja, “Liberdade” e “Democracia”; para assim, enganarem, e tentarem justificar perante a Comunidade Internacional, de que os atos de agressão e dominação que realizam em todo mundo livre, são sublimes e justas; e, assim, afirmarem hipocritamente de que são os reais “defensores” desses ideais.
    Todavia, quando as nações realmente decidem ou agem segundo as próprias determinações, aspirando ser livres, soberanas e independentes, organizando o desenvolvimento do processo democrático, consoante suas realidades, sociais, culturais, politicas e econômicas; e, desse modo, contrariando os interesses dos EUA; de imediato, vem a reação hostil do império.
    E, confutando aos interesses dos EUA; então de pronto, vem por parte do império estadunidense, tratamento cruento, hostil e injusto, infligido com encarniçamento as nações livres – desaparecendo desse modo, as tão propaladas e exaustivamente apregoadas palavras “Liberdade” e “Democracia” que usadas de maneira hipócrita pelo império, como estratégia; ao submeterem as massas populares a uma terrível lavagem cerebral, mesmerizada e condicionada, para que acreditem ou aceitem os EUA; por engano e, de modo falso; como o único, legítimo, verdadeiro ou real “representante” e “defensor” desses ideais.
    Mas, a verdade sempre aparece, ou seja, as reais e verdadeiras intenções do todo poderoso, ameaçador, possessivo, brutal, agressivo, arrogante e terrorista império estadunidense; são expugnar o mundo livre, para impor com violência seus desígnios através da força bruta, com total e absoluto desrespeito as resoluções da Comunidade Internacional; quando levam a efeito intervenções invasivas em territórios livres, soberanos e independentes; violando assim, os direitos humanos, com golpes, truculências, rapinagens, perseguições, repressões, torturas, massacres, pilhagens e guerras.
    Todas as nações devem ser livres, soberanas e independentes de toda e qualquer força imperial; para assim, construírem o processo de democracia e liberdade de acordo com seus ideais de desenvolvimento, ou realidades sociais, culturais, politicas e econômicas.
    E, com efeito, para conquistarem a autonomia e liberdade, os povos intimoratos das nações livres, devem incessantemente combater as ingerências direta ou indireta em seus assuntos internos.
    Pois, é somente cabível aos povos nativos de um território ou nação, formar opinião ou juízo crítico sobre o exercício ou desempenho de seu governo; e seja qual for a forma constituída de governo.
    E, da mesma forma é somente cabível aos povos nativos de uma nação livre, derrocarem dos poderes políticos os condutores indesejáveis, que julgarem ser intendentes déspotas, demagogos, corruptos, vigaristas, oportunistas e aproveitadores; e, tudo isso deve ser feito sem a ingerência externa de qualquer força imperial.
    Os povos realmente livres, soberanos e independentes de toda e qualquer força ou poder imperial; devem sempre estabelecer as bases e metas para lutar constantemente pela construção do processo de democracia e liberdade, conforme seus ideais de desenvolvimento que lhes tragam benefícios.
    Os imperialistas usam como estratégia de dominação as duas belas, magnificas, espetaculares, fantásticas e maravilhosas palavras que são elemento decisivo, ou seja, “Liberdade” e “Democracia”; para assim seduzirem e enganarem as massas populares, na certeza de garantirem o poder irrestrito sobre as nações livres, soberanas e independentes; e desse modo impor seu regime de dominação que abusa da ingenuidade, superstição, falsa crença, ignorância ou engano da absoluta maioria.
    Somente um povo cônscio, sábio, livre, soberano e independente de toda e qualquer força ou poder imperial, pode construir o processo de democracia e liberdade, conforme seus ideais de desenvolvimento, com suas realidades sociais, politicas e econômicas; e tudo isso sem a ingerência imperialista.
    Portanto, a realidade de um povo livre com sua organização politica tem que ser referenciada ou acatada; pois, diante disso, o que existe efetivamente na vida, cultural, social, politica e econômica de um povo, não é similar a constituição da organização de outros povos com seus costumes e tradições.
    Os poderosos que detém os meios de produção e não querendo perder seus privilégios, fazem de tudo para defende-los a qualquer custo, nem que seja mediante o emprego da violência com derramamento de sangue.
    Por isso, não querem jamais permitir em tempo nenhum que o poder e os benefícios sejam estendidos para a maioria procedentes da opressão; para que dessa forma a absoluta maioria não venham a fugir do controle ou domínio político da organização politica burguesa.
    Porém, quando os poderosos de um território ou nação perdem o controle da organização política, e não querendo ficar sem o domínio do poder; então, recorrem a Golpes de Estado quase sempre com a ajuda do imperialismo estadunidense.
    E, para assegurar seu domínio e privilégios, a burguesia usa de arbítrio, autoritarismo e mão de ferro para manterem-se sempre no poder a qualquer custo.
    E, para obstruir o processo de formação democrático popular revolucionário, a burguesia sempre defende seus interesses daqueles que congeminam em prover do necessário a defesa ou fortalecimento em apoio aos interesses da maioria absoluta.
    A classe burguesa minoria dominante e privilegiada, recorre sempre a força bruta para ter garantias de impedir a qualquer custo, que a absoluta maioria constituída por pessoas de condições modestas com parcos recursos e que vivem somente do estipêndio de seu trabalho; assim da mesma forma como todos os demais subjugados, explorados, oprimidos, indigentes, destituídos e excluídos; venham a se organizarem, formando o desenvolvimento do processo democrático popular revolucionário, ou regime de democracia e liberdade real que alcance a maioria absoluta do povo.

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    • Diego Viana 17/02/2011 em 4:50 pm

      Tenho como regra geral o seguinte: quando vejo um texto que quero comentar, comento o texto. Quando tenho a ideia de escrever um texto, escrevo o texto.

      Escrever um texto numa caixa de comentário sem que ele seja um comentário ao texto, portanto, é um pocuo absurdo, além de perda de tempo (porque ninguém vai ler) e desrespeito ao autor…

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  40. Lecio 23/05/2011 em 7:15 am

    Acho que com o quê o amigo lá em cima não entendeu foi que a saudade da ditadura não era por causa das pessoas serem agredidas nas ruas de um regime praticamente totalitario(na minha opinião) adiquerido na época, mas sim porque naquela época não havia esses roubos políticos e essas escassez que essas “roubarelhas” causam.

    Porque até mesmo se você para pra pensar, vê gente morrendo por culpa disso, por falta de medicamentos, por falta de investimentos em infra-estruturas, por falta de auxilio social, etc. O que naquela época não havia (não que eu saiba), mas sim pessoas morria nas ruas, em manisfestações e agora deve ter muito mais gentes morrendo por culpa desses políticos ladrões porque na minha opinião o que mais mata no Brasil não é um bandido ou um polícial e sim uma caneta de um político.

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  41. Ana Paula 09/10/2011 em 11:54 pm

    analisando a pirâmide de Kelsen, podemos perceber que o povo é a unica solução do problema, pois ele está acima de td ele é soberano,pena que pela ignorância, muitos ainda estão perdidos, e até mesmos os que são bem informados, deixam de exercer sua cidadania, refletindo assim em nossa famosa democracia…

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