Bastardos inglórios
9–10–2009 --- Envie para um amigo
por Jean Garnier – “Seja lá o que você saiba fazer, ou sonha que sabe, comece a fazê-lo. Existe gênio, poder e mágica na audácia.” Essa frase do pensador e escritor alemão Johann Von Goethe serve para descrever a personalidade de Quentin Tarantino. Quando poucas pessoas acreditariam que John Travolta, literatura em quadrinhos e uma narrativa descontínua e fragmentada poderiam render sucesso, o diretor apostou que sim, e Pulp Fiction – Tempo de Violência ganhou a Palma de Ouro e sua influência na cultura pop foi tamanha que até hoje inspira imitações ruins de dar calafrios.
Depois de ser duramente criticado entre Brown e Bill, Quentin aparece com o audacioso Bastardos inglórios (estreia hoje), uma maneira de expandir não apenas o seu território, mas também dar uma chacoalhada na previsibilidade dos já manjados longas a respeito da guerra. Portanto, esqueça os tanques, aviões, pelotões e trincheiras.
O roteiro é baseado em dois segmentos que são remendados no final, sempre tendo a França dominada pelo império alemão como cenário. No primeiro deles, o Coronel da SS Hans Landa (Christoph Waltz), conhecido vulgarmente como “O caçador de judeus”, extermina uma família, deixando apenas Shosanna (Mélanie Laurent) escapar em direção à floresta. Anos depois, a moça, já com outra identidade, administra um cinema em Paris. Depois de chamar atenção do soldado alemão Frederick Zoller (Daniel Bruhl), a jovem percebe a chance de vingança quando uma produção ufanista de nome “Orgulho da Nação”, baseada num ato heróico do próprio Zoller, será exibida no seu cinema para todo o alto escalão do Terceiro Reich (incluídos aí Hitler e o ministro da Propaganda Joseph Goebbels), e arma uma trama com o seu projetista para queimar todos os espectadores.
Na outra história, um grupo denominado Bastardos é comandado pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt) e tem como missão acabar com os nazistas. Só que Raine não quer apenas isso, ele quer humilhá-los e pede que cada um de seus homens escalpe 100 cabeças e traga para ele. Eles são designados para a Operação Kino, na qual terão que se infiltrar e explodir exatamente a sessão de estréia de “Orgulho”. Para isso, contarão com o auxílio da atriz alemã Bridget von Hammersmart (Diane Kruger).
Todos os ingredientes marcantes dos filmes anteriores do diretor estão presentes em Bastardos, como os diálogos cheios de linguagem nonsense inigualável e os típicos personagens que são entrelaçados em cenas de humor e violência. Pitt faz um misto entre o cômico e o líder obcecado em exterminar e esculpir suásticas nas testas de suas vítimas (é hilário a cena em que ele tenta convencer Hans de que é um dublê italiano). Já Waltz é aquele oficial que fareja tudo ao seu redor e muito mais, disfarça em seu charme toda a dose de sua crueldade. Ele é lógico, frio, oportunista, irônico, maquiavélico, culto e poliglota, daqueles que todos amam torcer contra; é sem dúvida o grande nome da produção.
Tarantino recheando um filme seu com inspirações alheias nunca foi novidade, e nesse, além do título (retirado de uma produção italiana de 1978), ele utilizou algumas músicas que Ennio Morricone fez para os filmes western spaghetti de Sergio Leone. Há diversas sequências extraordinárias, principalmente a primeira, que de um calmo diálogo entre Hans e um agricultor francês, acaba resultando numa tensa e explosiva carnificina. O resultado final dessa trama com muito humor negro e ação é glorioso.
[ veja o trailer ]
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6 comentários:




Jean, legal.
Vc já ouviu o novo album do Muse? Eu detestei e preciso que vc me diga se amou?
bjs
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[...] grande matéria prima do ex-atendente de locadora mais famoso do mundo é a matéria fílmica – e Bastardos inglórios (“Sacanas sem lei” em Portugal, acredite!) é rico em referências, citações, homenagens, [...]
Vi Bastardos Inglórios e achei muuito ruim. Filme se arrasta, não tem grande ação, trilha sonora muito ruim, roteiro de uma criança de 10 anos. Tudo previsível e sem grandes emoções. Tentativas frustradas de comédia e insistência nessas tentativas.
Tarantino tentou dividir o filme em Capitulos para mantes alguma coisa da forma de seus outros filmes e acabou por estragar sua fórmula.
Não recomendo, nota para o filme: 2 (apenas por consideração ao Tarantino)
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O filme é excelente! É de uma densidade, quase pastosa. Por isso tem que ser desenvolvido de forma mais lenta. Os diálogos são tensos, cada sílaba é pronunciada lentamente, isso, aliado ao clima de expectativa, corroborado pelo contexto das cenas, tornam o filme maravilhoso. Naturalmente, que Tarantino, tem liberdade histórica, as coisas são um pouco diferentes da vida real em seus filmes, mas a idéia é fazer um cinema diferente dos chamados comerciais. Muito bom! Tarantino está de parabéns!
Roberto
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[...] das religiões 17- Democracia, cidadania e poder 18- Do Twitter aos botecos com wi-fi 19- Bastardos inglórios [resenha do filme] 20- Censura no [...]
Quentin Tarantino devia ter estudado cinema ao inves de aprender assistindo videos na locadora em que trabalhava quando jovem. Misturar “Bela Adormecida” (cena do sapato) com “Encouraçado Potemkin” (cena do carrinho de bebê)? Entre outras “referências”. Faltou criatividade, sobrou ultraviolência que é o prato preferido de Tarantino. Deve ter pego gosto pela coisa assistindo terror B,C,D,Z. Só a abertura do filme e a atuação impecável de Cristoph Waltz se salvam. Cenários amadores, diálogos longos e desnecessários (o sucesso americano é por causa da escravidão?? é mesmo???) O Cel. Landa, astuto e inteligente, cair numa armadilha infantil? A elite do Reich se deixar encurralar sem esboçar nenhuma reação? Viajou. Quentim devia assistir pelo menos os grandes mestres e ler os clássicos pra não fazer tanta bobagem. Ponto pra Guerra ao Terror.
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