Tarantino é pinto

por Luiz Biajoni – Tá certo, dirão os especialistas em cultura pop, a violência de Tarantino é gráfica, referencial, não deve ser levada a sério… É mais alegoria, fantasia, cinema trash levado a algum grau de seriedade por conta da metalinguagem e etc…

Mas a violência ainda é muito citada quando se fala do diretor. Uma amiga viu Kill Bill e achou vi-o-len-tís-si-mo – desrecomendou à outra por conta da violência. Ora, eu deixaria até minha filha de 12 anos ver o filme! As cabeças decepadas e o sangue jorrando é mais comédia. Mas, enfim, tem gente que leva tudo muito a sério, talvez.

O fato é que o mais violento e visceral diretor da atualidade é o quase desconhecido entre nós e muito pouco comentado nos cadernos culturais – Michael Haneke. É dele o filme que tem o singelo título de A professora de piano, mas que de singelo mesmo não tem nada além do título, muito menos a tal professora.

Ela é Isabelle Huppert em seu, muito provável, melhor papel [ao lado]. É uma sisuda (como convém) professora de… piano que tem uma mãe possessiva. Com algum sadismo trata seus alunos e com muito masoquismo corta-se no banheiro de casa com uma gilete. Também se diverte com filmes pornôs – às escondidas da mãe, é claro.

Aparece-lhe o jovem Benoit Magimel (que também está muito bem no ótimo Rios vermelhos 2) e as coisas vão para o ralo. O ralo da sinceridade, no caso.

Ele a afronta com seu estilo de tocar. E também se mostra a fim dela. Aí ela desabrocha em toda sua violência e ressentimento. Não dá pra falar mais – ou seria revelador ou esse texto seria censurado… A coisa fede.

A direção de Haneke é maravilhosa nas nuances e a dupla central levou a Palma de Ouro em Cannes 2001.


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