Essa crueldade não dá pra encarar
por Tais Luso – Esta crônica surgiu num dia em que eu estava pintando e escutando rádio. Depois de algum tempo, colocaram no ar uma reportagem sobre a crueldade com que os animais são tratados pelo homem, que visa obter lucro com a sua carne, sua pele ou suas plumas; nem tudo é em prol da necessidade. O que me revolta é a capacidade que o ser humano tem de ser cruel com os desprotegidos, seja os da própria raça ou de outras.
Todos nós já comemos ou ouvimos falar do patê de fígado de ganso (foie gras). Lindo nome! Parece coisa de estilista francês, mas não é: é coisa de “louco”. Pois bem: o ganso e o pato são a matéria prima que fornecem o tal do patê. E um fígado por ganso é pouco. Não dá lucro. Então, de uma maneira… (sei lá como eu chamaria isso), os chamados “humanos” entopem os animais de comida: introduzem um funil em suas bocas e através dele vão despejando comida em excesso – de 3 em 3 horas – para que o fígado do animal cresça de seis a doze vezes de tamanho, o que lhes causa uma doença chamada lipidose hepática. Essa comida é quase que pura gordura. Quanto maior o fígado, mais foie gras. O sofrimento é tanto que os animais param de caminhar. Ficam confinados em espaços reduzidos para não se mexerem, o que garante mais gordura no fígado para a elaboração do patê.
Nesse empurra-empurra dos alimentos acontecem duas coisas: a comida não tendo para onde se expandir acaba indo para os pulmões ou rompendo o estômago. Isso é feito somente com os animais machos, pois as fêmeas não agüentam o “tirão”. Os machos agüentam mais ou menos 17 dias e morrem.
Solicitem no site de busca, “patê de fígado de ganso”. Só temos a dimensão do sofrimento vendo as fotos (exemplo, leve, acima). Estou ciente de que sou uma voz perdida, mas torço pela conscientização dessa gente. Que tenham compaixão.
Muitos desconhecem que este patê tem gordura saturada, o que aumenta muito o nosso colesterol. Mas deixo isso para os sites de saúde que estão capacitados para falarem do assunto.
Este foie gras já foi banido da Alemanha, Dinamarca, Noruega e Polônia. Os Estados Unidos já estão pensando em proibir, se já não proibiram. Não sei onde ficam esses locais de tortura, mas sei como é feito o tal patê.
Mais uma historinha:
Comprei, infelizmente, duas vezes a carne de novilho – o tal do “baby beef” (vitela) é a carne do bezerro. Para a carne ficar macia, especial, o bezerrinho é alimentado apenas com leite, mas não mama na mãe. É separado assim que nasce. Passado algum tempo, o bichinho fica tão fraco – por escassez de nutrientes – que não consegue manter-se em pé. E assim vai ficando até o abate. Esse sofrimento dura três meses, quando já estão “prontos” para o abate. São então levados para um local onde são cruelmente mortos.
E para encerrar…
Os lindos casacos de pele de foca, que desfilam pra lá e pra cá com suas elegantes donas, são dos bichinhos do Canadá, na sua grande parte. Primeiro Mundo! Os bichinhos são mortos a pauladas para que sua pele não seja danificada. Se fosse aqui diriam que “é coisa de tupiniquim…” Sei que o homem é igual em qualquer lugar, mas quando dá para se vangloriarem que são de “primeiro mundo”, não perdem tempo… Dá pra encarar isso?
Certas pessoas ainda não se deram conta que para terem o supérfluo, os animais sofrem horrores. O que me resta dizer depois disso? Quase nada: apenas que para a desgraça dos animais a natureza dotou, esses homens vis, com coração de rocha e banhado por alguma substância cáustica. E eu os vejo como uma excrescência da natureza humana.
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o ser humano é cruel demais, credo! nunca comi e nem pretendo comer esse “foies gras”, ainda mais sabendo disso agora….
é, eu já tinha “aprendido” sobre o tal patê, e nunca aceitei nem prová-lo…é tanta maldade, com animais, com seres humanos, mas já que estamos falando em animais, sabe quantos chinchila(ou outros do mesmo tamanho) precisam para fazer um casaco de pele médio, curto, sei lá..mas sei quantos animaiszinhos morrem para fazer um casaco curto? quase 200…
Humanos, nós? Racionais?
alguém continua mentindo para mim…
É verdade, amiga Taís, nós seres humanos, somos os mais animais, no sentindo exato da palavra. E como você escreveu, não é por necessidade, é por CRUELDADE mesmo. O ser humano é capaz de fazer crueldade sabendo exatamente o que está fazendo. É a crueldade planejada. O ser humano planeja crueldade e executa sem um pingo de dó. E tudo para ganhar dinheiro, isso é que é pior. Não teria outra maneira de ganhar esse raio desse dinheiro???
Um abraço, amiga!
Como disse Saramago, os animais fazem melhor uso do instinto que o homem da razão.
Mas que foie gras é bom… É… Não vou dizer que não gosto após ler seu texto. Aliás, já tínhamos conversado sobre isso lá no Maomé…
Talvez eu não tivesse comido se soubesse antes, rs.
Mas não adianta, mesmo sabendo que devoro bichinhos, nunca vou me tornar vegetariana…
Beijão!
Pois é, eu já tinha conhecimento deste método de tortura com os animais… E desde o inverno do ano passado parei de comer carne, não por capricho, por que não consegui mais ingerir pedaços de bicho mesmo… depois que passei a conviver diariamente com umas vaquinhas que pastam aqui perto de casa… na época escrevi sobre o assunto no meu blog:
http://destilador.blogspot.com/search?q=parei+de+comer+carne
É uma coisa imcompreensível isto que se faz com os animais… é uma grande covardia, eles não tem como se defender, confinados e condenados a morte… para alimentar a gula do humano!
olá.
o que me deixa mais desacreditado é o valor que se paga por tais comidas. São carríssimas. Alías, das 10 comidas mais caras do planeta, 9 torturam animais em busca de matéria prima. Só escapa a tal trufa branca.
e como tudo o que é muito caro, abraça à futilidade.
ah, sei lá. é um absurdo.
atéos cães parisienses estãoentrando nessa dança: ração de cachoro feita com foie gras
http://www.jussarabarbosa.com/index.php?id=6&tipo=28&reportagem=193
abs
Olá Tais,
Nas reuniões sociais dos intelectual-mentes sofisticados e social-mentes corrompidos,prova aí o banquete, o desuso do senso de justiça, são espiritual-mente obtusos, no uso literal antropofágico do aprisionamento da alma e o estrangulamento dos corpos, uns dos outros – animais rac/irracionais.
bjs
Vera
Vou contar uma historinha que aconteceu aqui em casa.
Minha mãe chegou em casa, com uma cara, dizendo que tinha voltado do açougue e que decidiu não comprar carne, aliás, disse que não tinha mais vontade de comê-la, que se fosse continuar pensando no que o açougueiro disse a ela, passaria a ser vegetariana…
Isso tudo porque o dito rapaz comentou que quando o boi está com medo de morrer, ele solta um líquido que faz com que a carne tenha um sabor diferente e desagradável…
Não chegou a ser um foie gras….
Isso que contaste é verdade, Luar. E verdade, também, é o horror que poucos sabem sobre os ovos das galinhas de ‘granja…’ Estou desistindo de comer galinha; não sei mais o que vou comer! Mas não é propriamente pelas galinhas, mas o que o ser humano faz com elas antes do abate. Procure comprar ovos de galinha caipira…
Como sou contra a crueldade com os animais, é algo que me revolta profundamente, vivo fuçando o que acontece no mundo dos bichos. E vou descobrindo cada uma!
Um abraço
Tais
Pois é, Taís… se formos pensar, não comeremos…
Abraços.
Em tempo: perdoe-me… somente agora vi seu recado no blog. Retribui a visita, ok?… rsss..
Bj.
Concordo.
ja ouviram sobre ” e s p e c i s m o “?
E os carangueijos que são mergulhados vivos em uma panela de agua fervente(se não estiverem vivos podem entoxicar), uma perversidade em nome do nosso deguste! E os cachorros na China, que são mergulhados e tirados rapidamente da agua fervente para que sofram terrivelmente! Só depois de muito sofrimento são cozidos ainda vivos. Os imbecís chineses acreditam que o sofrimento dos cães melhora o sabor da carne. Quem não degusta um crarangueijo na praia? Eu não como!