Irmandade Muçulmana repreende Erdogan por advogar secularismo

-- Encontro da Irmandade no Egito --
Os discursos do primeiro-ministro turco Tayyip Erdogan na Liga Árabe, na segunda-feira da semana passada, e na Casa da Ópera de Cairo, na terça, causaram estardalhado no Ocidente devido à sua denúncia de política israelenses em relação aos palestinos e à calorosa recepção que ele teve entre os egípcios.
Mas uma controvérsia se desencadeou quando Erdogan dava uma entrevista televisiva em Cairo, na qual ele disse, de acordo com al-Sharq al-Awsat em árabe: “Agora, durante essa fase de transição no Egito, bem como durante o que vier depois, eu acredito que os egípcios estabelecerão democracia de forma satisfatória, e verão que um ‘estado secular’ não significa um ‘estado irreligioso’. Pelo contrário, significa respeito por todas as religiões e dar aos indivíduos a liberdade para que pratiquem a religião como preferirem.”
A fala de Erdogan foi imediatamente refutada por Essam al-Arian, o número dois no partido político patrocinado pela Irmandade Muçulmana egípcia. Ele disse que os egípcios não precisam ter lições de democracia com a Turquia.
Em um contexto árabe, o partido Justiça e Desenvolvimento de Erdogan não é visto como um partido religioso verdadeiramente muçulmano, já que ele não trabalha para implementar a sharia, versão islâmica da lei canônica. A Turquia tem uma constituição secular, e tentar derrubá-la é ilegal. Al-Arian e sua facção de membros da Irmandade com mais idade não querem uma separação entre religião e estado no Egito, de acordo com o modelo turco, e portanto se alarmaram com o fato de Erdogan promovê-lo. Acredita-se que membros mais novos da Irmandade sejam mais receptivos à posição de Erdogan nessa questão.
O partido de Erdogan é cauteloso em desafiar o secularismo na Turquia porque fazê-lo é ilegal, e outros partidos muçulmanos já foram removidos do poder ou repudiados nas urnas por adotarem essa postura. O Egito não tem recentemente tradição similar de secularismo imposto de cima por decreto, embora na prática o antigo regime de Hosni Mubarak às vezes colocou algumas dificuldades para os partidos religiosos.
Em falas passadas, Al-Arian salientou que seu partido não almejaria abolir o pluralismo no Egito. Mas é perturbador que ele tenha reagido tão vigorosamente ao comentário de Erdogan. Se você não está tentando transformar o Egito em uma versão sunita do Irã, é difícil ver por que ficaria tão perturbado com o que Erdogan disse.
