Perdendo a cabeça com as irmãs Bolena
5–09–2008 --- Envie para um amigo
por Juliana Dacoregio – Sempre tive um certo fascínio por personagens históricos que foram guilhotinados por conta de revoluções, traições ou pelo capricho de grandes monarcas. Só isso já bastaria para eu gostar de A outra (Inglaterra-EUA, 2008), filme que conta a saga de Ana Bolena, a mulher que provocou a ruptura de Henrique VIII com a Igreja Católica.
Vou ser tolerante com aqueles que não sabem quem perde a cabeça nessa história e não vou contar, apesar de achar que ignorar esse “pequeno” detalhe é como ir assistir Titanic sem saber que o navio afunda no final. Mas mesmo aqueles que prestaram bastante atenção às aulas de História no colégio provavelmente não sabem que Ana não foi a única Bolena que esteve nos braços de Henrique VIII. Maria, sua irmã mais nova foi a primeira a cair nas graças do rei, inclusive dando a ele o filho varão que ele tanto desejava. Acontece que o que Maria tinha de beleza, sua irmã Ana possuía de astúcia e, utilizando técnicas de conquista mais velhas que andar para frente (“só vamos para a cama se você casar comigo”), ela acaba levando o Rei da Inglaterra a fundar uma nova religião só para poder divorciar-se de sua antiga esposa, a rainha Catarina de Aragão (Ana Torrent).
O filme conta essa história de uma forma ágil. A princípio me pareceu que os fatos estavam se dando rápido demais. Mas no decorrer do filme percebi que era preciso que fosse assim (de outra forma, ele teria que ser transformado num seriado e o seriado já existe: The Tudors, no People and Arts). A escolha das atrizes para viverem as irmãs Bolenas não poderia ser melhor: Natalie Portman, como Ana Bolena, é cheia de nuances, e Scarlett Johansson (Maria Bolena) sabe como fazer o papel de uma garota sem muitas pretensões na vida. Claro que Natalie se sobressai, tanto por ser uma atriz mais completa, quanto por seu personagem também ser mais multifacetado. Ela não representa apenas uma mulher calculista, mas alguém que nasceu com uma liderança natural, o que a levou a ser a primeira opção quando seu pai resolve oferecer uma das filhas ao rei, para atingir maior status e posição social.
Por ser naturalmente mais desenvolta, digamos assim, ela acaba enredada em acontecimentos que fazem com que em certo momento tenha mesmo que assumir o papel de mulher manipuladora e calculista. Mas não acredito que tudo em Ana era calculado e frio, ao menos não é isso que a interpretação de Natalie transmite. Quando Ana se dirige a Maria, depois que as duas fazem as pazes (por um ato de bondade de Maria), e Ana pede que a irmã fique com ela na corte, Natalie passa a impressão de que a personagem estava sendo sincera em seu pedido: desejava mesmo a companhia da irmã, talvez um pouco por medo da grandiosidade do que estava por vir (ela estava prestes a se tornar rainha), talvez por um sentimento de culpa de já ter sacaneado tanto a irmã.
O rei Henrique VIII (Eric Bana) parece um fantoche jogado de um lado para outro pelos acontecimentos. Não era a imagem que eu tinha do famoso rei que criou uma nova religião apenas para destronar sua rainha e poder substituí-la. Aprendemos na escola que ele fez tudo isso apenas porque Catarina de Aragão não lhe dava filhos homens, mas não é o que faz parecer o filme. O Henrique VIII de A outra estava mesmo era interessado em levar Ana Bolena para a cama a qualquer preço. Mesmo que o preço fosse ser excomungado pelo Papa e ter que banir a Rainha.
Ana não queria “liberar a festa” enquanto não tivesse garantida sua coroa, mas isso acabou resultando na cena mais frustrante do filme, tanto para o público quanto para os personagens: Henrique VIII a estupra, mais extravasando a raiva do que satisfazendo seu desejo por ela. Já com Maria, foi tudo muito diferente: apesar de ela ter se entregado logo que o rei desejou, foi tratada com carinho e romantismo, isso até Ana surgir novamente em cena e roubar todas as atenções do rei.
Se fosse para tirar alguma lição do filme, seria aquela que muitas mulheres já conhecem: ficar fazendo doce e não se entregar logo de cara pode fazer com que o cara cometa loucuras para conquistá-la, mas não é garantia nenhuma de amor eterno e cuidados depois que a ato se consumar! Ana Bolena e sua cabecinha coroada que o digam.
A outra (The other boleyn girl – 2008)
Direção: Justin Chadwick
Roteiro: Peter Morgan (O último rei da Escócia)
Elenco: Kristin Scott Thomas (Lady Elizabeth), Natalie Portman (Anne Boleyn), Scarlett Johansson (Mary Boleyn), Eric Bana (Rei Henrique VIII), Jim Sturgess (George Boleyn), Eddie Redmayne (Willian Stafford)
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8 comentários:




Olá Ju. Realmente a Outra é um belo filme que nao recebeu a devida atenção nas bilheterias brasileiras. Muito bem produzida e com a interpretação de duas boas atrizes para dar vida a historia que, apesar de nao ytrazer surpresas é muito interessante. Essa sua sensação sobre o rei parecer um fantoche está certa Ju. Henrique VIII não promoveu o cisma com a Igreja católica somente por causa dos encantos da natalie portman, isto foi uma pequena licença poética do filme. Mas no meio de tanto blockbuster fraco esse ano é sempre bom ver alguém dando chamando atenção para um filme que relamente merece ser visto.
ate a proxima crítica Ju.
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Oi, Jú!
Fiquei com vontade de ver esse filme, parece interessante!
está ótimo o texto!
beijão pra vc!
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Achei o Henrique VIII de Os Tudors mais verossímel. Vai ver é pq eu já gostava da série qdo o filme saiu.
1 abraço.
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Me chamaou atenção o fato das seis esposas de Henrique VIII não conseguirem lavar adiante uma gravidez. Li q a primeira mulher dele morreu de cangro, q é uma doença venérea, e se ela estava doente pode-se supor q ele tbém estava e todas as outras mulheres com as quais se casou posteriormente tbém “herdaram” a doença. Portanto, o maior responsável por ele não ter tido seu tão desejado herdeiro é ele mesmo e sua provável promiscuídade.
Gostei do filme, embora, ache que o “compactaram” demais. Eu ficaria de bom grado umas boas 3 horas vendo ” a outra”.
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O melhor filme que já assisti
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Adorei o filme, e gostaria de sugestões de literatura a respeito.
Bettty
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Gostei muito da matéria, do filme então, muito mais!!!
A atuação foi maravilhosa de todos os atores, tanto que foi possível sentir raiva e compaixão das personagens.
Gostei muito e vale a pena ficar algumas horas diante da TV assistindo esse filme. É um modo de aprender história mais interessante que ficar lendo livros e decorando textos para fazer provas, como na escola, rs.
Atenciosamente.
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Gostei muito do filme, o mesmo trouxe uma curiosidade para o entendimento melhor da história do Rei Henrique VII. Onde é retratado os acontecimentos de forma real, e traz em si uma reflexão para nosso alto connhecimento adquirido na formação escolar.
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