29–09–2008

Paul Newman (1925-2008)

por Luiz Biajoni – Morreu Paul Newman. Um grande ator, grande figura, um dos caras mais lindos que já pisaram no solo dessa nave Terra, idealista, defensor de boas causas, marido da mesma mulher há 50 anos, tudo de bom, mas… que não trabalhou em grandes filmes. Não foi ator de grandes papéis.

Tanto é verdade que se eu perguntar a você, leitor cinéfilo, para que cite, de cabeça, cinco filmes com Paul Newman (não levando em consideração que você leu ou viu as matérias sobre sua morte), creio que você não vá se lembrar. Eu mesmo fiz esse esforço, e lembrei de 10. Os jornalistas do Estadão (Luiz Zanin Oricchio) e da Folha (Andrea Murta e José Geraldo Couto) deram destaques, em seus textos,  a não mais que 10 filmes. O box com “os principais filmes de Paul Newman”, na Folha,  lista 14. Numa carreira de mais de 50 filmes, 10 grandes filmes é 20% de acerto.

Uma coisa interessante nas matérias dos jornais, falando sobre a carreira do ator, é que nem no box da Folha nem nos textos dos jornalistas foi citado o filme que, para mim, é o melhor da carreira de Newman: Golpe de Mestre (The Sting, 1973, imagem ao lado). Luiz Carlos Merten o citou, en passant, n’O Estado.

Agora vejam: que tristeza você morrer e esquecerem um dos seus melhores filmes! Só pode ser culpa das agências internacionais que ficaram mais preocupadas de exaltar as qualidades humanísticas do ator que seus filmes realmente preciosos. E quais são eles?

Bem, ao lado de Golpe de Mestre, o outro filme que fez com o irmãozinho Redford, Butch Cassidy e Sundance Kid (1969). O presidiário de O Indomado (1963) talvez seja um dos seus melhores papéis, esse é um grande filme, que dá para ver e rever várias vezes – ao contrário do aclamado Gata em Teto de Zinco Quente (1958), em que Newman não parece estar ainda totalmente pronto para o desafio de ser comparado a um Richard Burton.

Depois temos Newman meio deslocado num Hitchcock regular, Cortina Rasgada (1966), mais maduro nos bons Ausência de Malícia (1981) e O Veredito (1982), e em A Cor do Dinheiro (1986), que lhe deu o Oscar um ano depois de ter recebido o Oscar honorário pela carreira e depois de nove indicações infrutíferas.

Só isso. Só isso. Nada além disso no cinema. Embora tenha realizado muito mais além.

O filho de Newman se matou, o ator sempre esteve envolvido em causas filantrópicas, desenvolveu uma linha de produtos alimentícios orgânicos que resultou em milhões de dólares doados para a caridade, era fanático por corridas de carros… Se tivesse morrido em 74 em um racha creio que teria sido mais cultuado que James Dean. Era bonito, jeitoso, os olhos azuis profundos, um espetáculo.

Mas talvez por ser todo certinho escolheu papéis mornos, quase irrelevantes. Não podemos imaginar Newman num papel de Dean ou de Brando ou de Nicholson ou mesmo de DeNiro. Ele não faria um Taxi Driver com Scorsese.

Era bonito demais, certinho demais. Passou.

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| 4 comentários | Dê sua opinião ↓ |

  1. Mônica (29–09–2008 10:33 pm)

    Independente de Paul Newman ser isso ou aquilo e de ter feito isso ou aquilo, fiquei pensando no que a tecnologia faz com a cabeça da gente: a foto que você publicou no Biajoni! dá a impressão de coisa de hoje. Parece que acabaram de fotografar o Newman, um cara jovem e bonito de hoje em dia.

    Aí a gente vem pra cá e vê a foto dele já velho. Dá pra pirar um tantão com a passagem do tempo. O pessoal antigo não tinha que lidar com essas coisas. Não sei se era melhor ou pior isso não existir, mas é meio assustador ver um cara jovem e forte de forma nítida e vê-lo já idoso de forma igualmente nítida.

    O tempo fica parecendo um ser muito mais assustador desse jeito.

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  2. Adriana (9–10–2008 11:10 am)

    Parece que todos costumam gostar mais dos “bad boys”…
    Bjs

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  3. FATIMA (10–10–2008 11:08 pm)

    AO CONTRARIO DO QUE FALAM, PAUL FEZ POUCOS FILMES NOTAVEIS, MAS OAS POUCOS SAO INESQUECIVEIS. MAS O QUE MAIS ME ASSUSTA E A FIGURA DE UM HOMEM TAO BONITO COMO ELE FOI, DIGO ATE MAIS, UMA BELEZA QUASE PERFEITA. E O HOMEM QUE FICOU NA VELHICE NAO LEMBRAVA EM NADA A BELEZA DO PASSADO.APESAR DA DOENCA ELE JA EVELHECEU BEM ANTES DELA. ISSO DA MEDO. NAO DO PONTO DE VISTA ESTETICO MAS NOD FAZ REFLETIR QUE A MORTE E A VELHICE SAO AS DUAS UNICAS COISAS NO MUNDO REALMENTE DEMOCRATICA,NAO ESCOLHE COR,CREDO,SITUACAO FINANCEIRA, NADA.VEM E PRONTO.AO CONTRARIO DO REDFORD QUE APESAR DE ESTAR UM POUCO ENRUGADO, AINDA LEMBRA AQUELE ROSTO PERFEITO DE ANTIGAMENTE. MAS, ATE QUANDO?

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  4. BRENO (4–12–2008 11:14 am)

    MAIS DO QUE A APARÊNCIA FISICA, O QUE FICA DOS HOMENS PRA POSTERIDADE É A GRANDEZA MORAL, A COERÊNCIA DE IDÉIAS, A CORAGEM. É ATÉ RIDÍCULO SE QUESTIONAR PORQUE UM HOMEM DE 83 ANOS PARECE TÃO ALQUEBRADO.NÃO ESTAMOS AQUI PARA SEMENTE, VAMOS COLOCAR ISSO NA CABEÇA. E ENQUANTO ESTAMOS AQUI TERMOS DE SEUS EXEMPLOS COMO O DELE PARA PELO MENOS TENTARMOS SER PESSOAS MELHORES. A VELHICE E A MORTE AINDA ASSUSTAM? SINAL QUE NINGUÉM AINDA APRENDEU NADA.
    DÁ PRA ACREDITAR QUE EU E VOCÊ TEREMOS A MESMA CARA E O MESMO CORPO DAQUI A TRINTA ANOS?

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