28–09–2008

Desabafo numa tarde de domingo


por Pe. Osnildo Klann * – Kisangani está já entrando em minha vida. Não me assustam mais os sacolejos de nosso carro sem amortecedores, caindo nos abundantes buracos de nossas estradas e avenidas. Não me causam mais estupefação os inúmeros pequenos negócios ao longo dos caminhos, onde os produtos são expostos em cima de toalhas ou plásticos, no chão, sujeitos ao sol e à poeira; ou em cima de mesas improvisadas de bambu.

Não me perturbam mais as oficinas de bicicletas debaixo de árvores; cabeleiros em minúsculas cabanas; produtos alimentícios misturados com poças d’água ; bambus oferecidos como material de construção; bicicletas servindo de táxi e de transporte de mercadoria; casas caindo aos pedaços, mas ainda usadas por famílias; capim crescendo em cima de telhado; hospitais sem nenhum asseio, abandonados pelo poder publico.

Não me causam mais impacto crianças mal nutridas, vestidas de andrajos, correndo atrás da gente e pedindo dinheiro ou comida. Acostumei-me aos inúmeros pedintes que batem à nossa porta, mendigando alguns trocados. Não me espanto mais com o numero incalculável de homens e jovens sentados, no período da tarde, em frente a suas casas, esperando, sem esperanças, o tempo passar. São apenas alguns dos quase 90 % de desempregados dessa cidade.

A cidade está entrando em mim. Mas não arranca do meu coração essa santa indignação de ver irmãos e irmãs sofrendo tanto. A presença constante desses fatos aumenta na gente o sentimento de revolta contra as injustiças gritantes que dominam o mundo. Quando virá, Senhor, o dia em que todas as famílias terão um lar decente , comida suficiente, saúde garantida, educação elevada?!

Vem, Senhor Jesus, renova esse mundo, com nossa ajuda e colaboração !

 
* Padre Osnildo Carlos Klann é catarinense, membro da Congregaçâo dos Padres do Sagrado Coraçâo de Jesus, à qual serviu no Brasil e na Itália. Hoje, desenvolve projetos junto à população de Kisangani, na República Democrática do Congo.

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  1. Suelen de Andrade Viana (28–09–2008 10:21 pm)

    Compartilho de sua indignação.
    Sue

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  2. Jessica Gisele (27–04–2009 9:24 pm)

    Esses dias eu vi o filme Hotel Ruanda, então eu resolvi procurar mais sobre o assunto, e ai encontrei essa declaração.
    É de minha natureza querer ajudar o proximo, mas o que realmente fez despertar o me enteresse foi uma frase que ouvi no filme, que foi o seguinte:Nesse momento as pessoas devem estar jantado e quando verem na telesivão sobre o que esta acontecendo aqui em Ruanda vão falar, “Oh, que Horror”, porém irão continuar á jantar e não vão fazer NADA!!!
    Essa é a janela na qual estou encontrado para descarregar todo minha tristeza e indiginação!!!!
    Eu realmente gostaria poder ajudar de alguma forma.
    Uma vez por semana eu dedico 1hora para orar pela paz no planeta, e sei que já é uma grande ajuda. Pois sei que uma oração com Fé muda muita coisa!!!
    Força a todos, e que amor de Deus nos unida!!!!
    Eu sou Seicho-No-Ie!!!!! Muito Obrigado!!!!

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