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	<title>Comentários sobre: O que você entende por “cultura popular”?</title>
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	<link>http://www.amalgama.blog.br/09/2008/cultura-popular/</link>
	<description>Revista digital de atualidade e cultura</description>
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		<title>Por: gerusa</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/09/2008/cultura-popular/comment-page-1/#comment-720</link>
		<dc:creator>gerusa</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Sep 2008 15:04:38 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.amalgama.blog.br/?p=74#comment-720</guid>
		<description>Gostei do texto. E concordo quando falas que não podemos preservar algo quando não existe identificação com este, e isso não acontese só com a cultura, mais com a história da nossa sociedade(da qual a cultura não deixa de pertencer).
Talvez seja por isso que os monumentos erguidos nas cidades aos nossos &quot;herois&quot; colonizadores sejam deliberadamente depredados e pinchados. Assim como a história, a cultura foi por muito tempo colocada como algo que não pertence a todos, e o sentido de cultura erudita foi essencial para isto. Na escola &quot;aprendemos&quot; esta cultura, mas como não está na nossa vida diariamente não criamos uma relação de apropiação dela (neste caso falo das camadas pobres, já que a cultura erudita , de acordo com Bourdieu, já faz parte da vida da classe dominante, tendo a escola apenas como um auxilio para a perpetuação do seu modo de vida).
A cultura é um dos traços fortes da identidade de um povo, e do seu sentimento de estar no mundo, de contribuição para as relações sociais tecidas com os diferentes povos. se conseguimos anular esta identidade, anulamos também este povo.
Paulo Freire defende que a cultura é toda manifestação que ajude a compreender as relações do homem com o mundo e os outros. Este sentido ajuda a defender que toda cultura é importante, tanto a classificada como erudita, quanto a popular, e estas sem distinção deveriam ser ensinadas na escola. Mas mesmo assim o termo popular seria utilizado de maneira perjorativa, assim como dertupam o conhecimento empirico e enaltecem o cientifico. As classificações em nossa sociedade só agem, infelizmente, com o sentido de ranqueamento e qualificação. E já que a cultura popular não é &quot;necessaria&quot; para ascendermos socielmente neste mundo piramidal, logo não será valorizada.
A cultura popular - material e imaterial - só vem agregar um movimento de valorização e preservação, após o periodo da ditadura militar, no momento da redemocratização do país. Aliás a ditadura militar foi no Brasil o momento de resgate da cultura, mas apenas da cultura da classe dominante, onde se iniciou o movimento de tombamento de predios antigos, a costrução de monumentos, a retomada da romantização bandeirante, do colonizador como heroi nacional. Em vista disso os movimentos de resistencia ao regime, após o seu fim, sentiram a necessidade do resgate de cultura que estava realmente proxima ao povo, e com isso a tentativa de reconstruir sua identidade.
Moro em São Luís-MA, e em lugar nenhum no mundo existe uma manifestação igual ao bumba-meu-boi (com todas as suas variações e sotaques), e só agora há um movimento para tornar a manifestação Patrimonio Imaterial da humanidade. Já conseguimos com o tambor de crioula(que possui menos investimento, porém resistiu bravamente ao tempo).
Por essas e outras que a cultura popular sempra vai estar atrelada a um movimento de resistencia das camadas oprimidas.

(E eu sempre falando demais...Aff! Prometo que vou me conter...)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei do texto. E concordo quando falas que não podemos preservar algo quando não existe identificação com este, e isso não acontese só com a cultura, mais com a história da nossa sociedade(da qual a cultura não deixa de pertencer).<br />
Talvez seja por isso que os monumentos erguidos nas cidades aos nossos &#8220;herois&#8221; colonizadores sejam deliberadamente depredados e pinchados. Assim como a história, a cultura foi por muito tempo colocada como algo que não pertence a todos, e o sentido de cultura erudita foi essencial para isto. Na escola &#8220;aprendemos&#8221; esta cultura, mas como não está na nossa vida diariamente não criamos uma relação de apropiação dela (neste caso falo das camadas pobres, já que a cultura erudita , de acordo com Bourdieu, já faz parte da vida da classe dominante, tendo a escola apenas como um auxilio para a perpetuação do seu modo de vida).<br />
A cultura é um dos traços fortes da identidade de um povo, e do seu sentimento de estar no mundo, de contribuição para as relações sociais tecidas com os diferentes povos. se conseguimos anular esta identidade, anulamos também este povo.<br />
Paulo Freire defende que a cultura é toda manifestação que ajude a compreender as relações do homem com o mundo e os outros. Este sentido ajuda a defender que toda cultura é importante, tanto a classificada como erudita, quanto a popular, e estas sem distinção deveriam ser ensinadas na escola. Mas mesmo assim o termo popular seria utilizado de maneira perjorativa, assim como dertupam o conhecimento empirico e enaltecem o cientifico. As classificações em nossa sociedade só agem, infelizmente, com o sentido de ranqueamento e qualificação. E já que a cultura popular não é &#8220;necessaria&#8221; para ascendermos socielmente neste mundo piramidal, logo não será valorizada.<br />
A cultura popular &#8211; material e imaterial &#8211; só vem agregar um movimento de valorização e preservação, após o periodo da ditadura militar, no momento da redemocratização do país. Aliás a ditadura militar foi no Brasil o momento de resgate da cultura, mas apenas da cultura da classe dominante, onde se iniciou o movimento de tombamento de predios antigos, a costrução de monumentos, a retomada da romantização bandeirante, do colonizador como heroi nacional. Em vista disso os movimentos de resistencia ao regime, após o seu fim, sentiram a necessidade do resgate de cultura que estava realmente proxima ao povo, e com isso a tentativa de reconstruir sua identidade.<br />
Moro em São Luís-MA, e em lugar nenhum no mundo existe uma manifestação igual ao bumba-meu-boi (com todas as suas variações e sotaques), e só agora há um movimento para tornar a manifestação Patrimonio Imaterial da humanidade. Já conseguimos com o tambor de crioula(que possui menos investimento, porém resistiu bravamente ao tempo).<br />
Por essas e outras que a cultura popular sempra vai estar atrelada a um movimento de resistencia das camadas oprimidas.</p>
<p>(E eu sempre falando demais&#8230;Aff! Prometo que vou me conter&#8230;)</p>
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		<title>Por: João Grando</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/09/2008/cultura-popular/comment-page-1/#comment-718</link>
		<dc:creator>João Grando</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Sep 2008 12:31:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.amalgama.blog.br/?p=74#comment-718</guid>
		<description>Foi um trecho de outro texto que estava escrevendo na hora de copiar/colar, então esqueçam o primeiro parágrafo do comentário anterior, ou o substituam pelo que segue, este sim certo:

A cultura popular não tem um método de referência teórica, de se reportar (conscientemente) à história anterior a ela. Isso já a difere da cultura erudita. Cultura como um todo sim é multifacetada e engloba a isso tudo, mas nesse sentido podemos sim dividi-la em popular e erudita. 

O problema que há é com os nomes das coisas. Certamente há uma tendência à homogeneização, mas é algo que há tempos vem sendo relativizado. Mas de qualquer maneira, ainda que os nomes desprezem por vezes a singularidade das coisas, precisamos deles para organizar o estudo. 

E talvez a cultura no sentido de o que ainda é preservado esteja até hoje nas ruas, o que veio (e vem) sendo passado de um a outro. Aos museus (nesse sentido de “cultura popular”) me parece cabe justamente a função de resgatar, de mostrar (mesmo que seja o cotidiano) o que já não está mais por aí.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Foi um trecho de outro texto que estava escrevendo na hora de copiar/colar, então esqueçam o primeiro parágrafo do comentário anterior, ou o substituam pelo que segue, este sim certo:</p>
<p>A cultura popular não tem um método de referência teórica, de se reportar (conscientemente) à história anterior a ela. Isso já a difere da cultura erudita. Cultura como um todo sim é multifacetada e engloba a isso tudo, mas nesse sentido podemos sim dividi-la em popular e erudita. </p>
<p>O problema que há é com os nomes das coisas. Certamente há uma tendência à homogeneização, mas é algo que há tempos vem sendo relativizado. Mas de qualquer maneira, ainda que os nomes desprezem por vezes a singularidade das coisas, precisamos deles para organizar o estudo. </p>
<p>E talvez a cultura no sentido de o que ainda é preservado esteja até hoje nas ruas, o que veio (e vem) sendo passado de um a outro. Aos museus (nesse sentido de “cultura popular”) me parece cabe justamente a função de resgatar, de mostrar (mesmo que seja o cotidiano) o que já não está mais por aí.</p>
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