5 livros bons de dizer que se leu

por Pedro Jansen – Eu tenho um sério problema com livrarias. Perco (ou ganho) um tempo absurdo lendo títulos, sinopses, cheirando os livros (sim, o cheiro dos livros é MUITO importante). Invariavelmente eu compro algum.

Também tenho um problema com livros. Gosto deles, das formas, dos tamanhos, dos cheiros… E gosto de lê-los, claro. Mas, principalmente, gosto de tê-los. Acumular livros nas prateleiras é algo que me fascina. Fico pensando naquelas bibliotecas particulares das grandes mansões, com livros ocupando paredes e mais paredes, uma boa poltrona para leitura e um original qualquer dentro de uma redoma…

Mas, contrariando minha sede por livros não-lidos, tive um surto e quase dupliquei a quantidade de livros lidos este ano. Devorei, inclusive, alguns clássicos, já que é sempre bom fazer aquela média de que lê livros legais.

Vamos então aos “5 livros bons de dizer que se leu (e que você leu mesmo)”.

1- O maníaco do olho verde, de Dalton Trevisan
Temos aqui um Dalton Trevisan, lançado agora em 2008. Contista ágil e doentio, o curitibano me fez ler 128 páginas em coisa de 4h, contando a volta pra casa, a ida e a volta do trabalho no dia seguinte. Ouvindo Radiohead. Não preciso dizer que a combinação foi corrosiva o suficiente para influenciar no meu sono. E como meu sono é uma espécie de entidade que pobres mortais não alcançam, este foi o máximo sinal de que algo (ou melhor, tudo) naquele livro mexeu comigo.

2- O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald
O meu primeiro Fitzgerald, mesmo que eu tenha Suave é a noite desde a época da faculdade. Com a dica de uma ex-love affair, aceitei o desafio de encarar a narração do autor americano novamente. Foi uma decisão acertada, sem dúvida. Principalmente pela narração, que é fantástica, e pelos “aforismos” que Fitzgerald constrói como poucos. Lido num espaço de cinco dias, as últimas linhas das 252 páginas do O grande Gatsby são de perder o fôlego e de ficar com a dolorosa sensação de que uma história se esvaiu.

3- O jogador, de Fiódor Dostoiévski
Um dos pilares da moderna literatura russa (junto com Gogol e Tolstoi), Dostoiévski tinha no realismo a sua casa, o seu lar. Retratar a sociedade em suas minúcias, em suas pequenas e grandes qualidades e defeitos era seu esporte predileto. As digressões do autor sempre enveredavam por caminhos que levavam ao conhecimento das idéias e convicções dos personagens.

Em O jogador, essas digressões são fascinantes, pois abordam a mente corrompida de um viciado em jogos de azar e eterno apaixonado por uma mulher que o despreza. Desespero e angústia se misturam em cada uma das 174 páginas, consumindo o leitor até o gozo das últimas linhas.

4- Pergunte ao pó, de John Fante
Arturo Bandini é um loser de marca maior, mais loser que eu ou você, tenha certeza disso. Ainda assim, Bandini é um sujeito encantador, daqueles que você fica com pena por ele ser tão estúpido. Consegue-se até rir do quão quixotesco Arturo é.

Escritor, Bandini tem uma relação patética e muito forte com seu editor, a quem vê como uma entidade. Publicou uma única história, o conto “O cachorrinho riu”, e se orgulha dela como se fosse a melhor coisa já escrita no Ocidente. Clássico dos clássicos, Pergunte ao pó consegue esfregar na cara do leitor como é ruim viver com o olhar perdido do real. Desnecessária, no entanto, a sua adaptação para o cinema. No filme, temos o irlandês Colin Farrell retratando o ítalo-americano Arturo Bandini.

5- Homem comum, de Philip Roth
Uma narrativa tão fantástica que li o livro em pouco menos de um dia. Tão fantástica que, nas últimas linhas, senti meu coração pulando algumas batidas. Tão fantástica que foi suficiente para mudar meu humor completamente. Philip Roth aborda a vida, as lembranças e os pequenos/grandes medos de um homem consciente de sua fragilidade.

Essa consciência, no entanto, não torna o livro óbvio ou cheio de clichês. A narrativa de Roth mantém o olhar do leitor apontado sempre para a próxima palavra, embora seja impossível não dar pausas dramáticas para respirar fundo, olhar para o tempo e pensar na vida. Aliás, ao fim do livro, pensar sobre a vida é o menor dos problemas.


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8 comentários | Dê sua opinião

  1. paulovilmar 24/09/2008 em 9:44 am

    Pedro!
    Apesar de concordar com o Daniel, sobre a circulação dos livros e achar que, menos egoistas, deveríamos ter junto a nós, somente os que estamos a ler, devolvendo os outros à circulação e leitura, não consigo me desvincular da imagem da grande biblioteca caseira, tipo um santuário, sei lá! Vejo-os como amigos e na verdade não consigo me separar deles, mesmo dos que não gostei…
    Não são muitos, acumulados, pois em épocas mais duras, já me desfiz de uma boa biblioteca, vendida inteirinha a um ávido dono de sebo! Mas, refeita, tenho hoje, em minhas prateleiras, sobre cadeiras, estantes e escrivanias, algo em torno de 900 amigos!
    Cheirar livros é fundamental, é a digital de cada um.
    De tuas indicações não li dois, vou procurá-los! Leio muito pouco Dalton Trevisan e Philip Roth não conhecia.
    Valeu !
    Abraços

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  2. Renato Medeiros 24/09/2008 em 11:03 am

    Ahhh, compartilho desse seu amor pelos livros. Adoro ver minha estante com cada vez mais e mais livros.

    E sim, sou um defensor do cheiro dos livros e também das revistas. Adoro! Até lviro velho, tem seu cheiro particular e não é incomum eu me pegar lembrando de algum título lido e do cheiro que ele tinha.

    Bem, já quanto a esses livros citados por ti, não posso dizer que li hehe, embora eu tenha na estante o O Jorgador, espernado para ser lido a qualquer momento.

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  3. gerusa 24/09/2008 em 11:23 am

    Eu também sou acometida deste mal maravilhoso de cheirar livros e vasculhar livrarias. Tanto é que na livraria que mais frequento, o dono de quem já virei velha conhecida, já me consede um banquinho para que eu possa ficar mais confortavel na minha apreciação.
    Ainda não tenho uma biblioteca, e nem chego perto de ter, pois vida de bolsista de universidade é triste, mas um dia ainda quero me refestelar em uma poltrona, em meio a uma sala de minha casa, abarrotada dos meus grandes amigos, os livros.

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  4. Guilherme Nascimento Valadares 07/10/2008 em 11:36 am

    Bom, eu li O Jogador. Mas nunca sequer encontrei outra alma que tivesse lido.

    Responder
  5. Luiz Gustavo 31/05/2009 em 11:05 am

    Olá a todos.
    Gostaria de pedir ajuda a vocês no sentido de dicas de livros! Livros que trazem grande bagagem para o conhecimento, que não poder deixar de serem lidos, interessantes.
    Comecei a gostar de livros não faz muito tempo, porém só conheço e li os que são lançamentos e o mais vendidos!
    Por favor se alguem puder me ajudar eu ficarei imensamente agradecido!
    Se assim não for possível, indiquem sites onde posso encontrar.
    guga2004@brturbo.com.br

    Desde já agradeço a atenção de todos.

    abraço

    Responder
  6. Daniel 31/05/2009 em 12:50 pm

    Luiz, aqui mesmo no Amálgama tem sempre boas dicas :-)

    Praticamente toda semana tem pelo menos uma resenha nova. Acessa a seção de literatura: amalgama.blog.br/secao/cultura/literatura/. Também aparecem resenhas na seção de atualidade.

    Se preferir, cadastra teu e-mail aí na barra lateral pra receber os posts.

    Abs.

    Responder
  7. Barbara Brosch 31/05/2009 em 11:55 pm

    Oi Pedro, gostei das 5 indicações, mas já li “O jogador” do Dostoiévski, mas gosto mais do Conde de Tolstói, principalmente seus contos como por ex; “As 3 mortes”, sua biografia é fascinante, lembro-me + ou – da passagem… ‘deitado…ao longe um navio muito branco com a bandeira do Brasil etc…’ Recomento muito este autor ao Luiz Gustavo. Assim… autores com conteúdo, com assunto q. deixam vc. pensando no que leu, q. te fazem crescer… Ou se preferir até literatura infanto-juvenil, pq. não! Quem não ía gostar de ler ou reler “Meu pé de laranja Lima” de Lins de Vasconcelos…é excelente, nos faz rir e chorar. Sabe…hj. temos uma infinidade de assuntos, tudo está sendo liberado… e não acho ‘isso’ uma boa idéia. Temos até editoras q. aceitam toda aquela ‘tralha’ q. nenhuma editora quis, e ainda se gabam de se parecerem ‘modernos e sem preconceito’, acho q. não é por este caminho q. se deve caminhar, afinal tem que haver um mínimo de respeito pelos leitores, uma coisa é ‘liberdade de expressão’ e outra muito diferente é ‘libertinagem’, uma ‘coisa’ é o erotismo sutil, refinado e de bom gosto…outra é o ‘ pseudo-erotismo’ q. na verdade é ‘pornografia escancarada’.
    Atualmente não existe assunto q. vc. queira tratar q. já não esteja impresso no papel e isto é realmente uma maravilha. O q. está faltando é se educar a nova geração a ter gosto pela leitura, ter paciência de ler, aprender isto q. o Pedro fala de gostar até do cheiro dos livros, e é assim mesmo q. acontece, mas com a era da informática com tudo tão à mão, já ‘mastigadinho’ poucos são os q. param p/ pesquisar c/ calma numa Biblioteca, ou sobre um livro comprado ou emprestado…prá quê? É só digitar, e pronto! Tudo bem! Isto tb. é maravilhoso, mas o n.º de adeptos ao ról dos ‘ratos de biblioteca, de sebos, de livrarias etc’ estão sumindo. Mas ainda resta uma esperança´…é começar na própria familia, se em nossa casa não houver um único humano q. goste de livros e de lê-los, ai, ai, ai… Vejo na minha própria casa, aqui tem um personagem q. os odiava, eu escondia aqueles q. podia, estudava no quarto de empregada, e me formei na base da ‘cara feia’, levando xingo, q. meus livros eram ‘tralha, lixo’, muitas vezes fui obrigada a doá-los, centenas deles, alguns para bibliotecas e outros na porta de igrejas, até me perguntavam se estava doando mesmo. Morria de dó de fazer isto, me desfiz de exemplares q. amava muito. Mas as ‘coisas’ mudaram, e já tenho minhas estantes com portas p/ não irritar os olhos do personagem, mas, tenho-os, e cada vez tenho mais, é realmente um ‘vício’ mas, como p/ mim não é tão simples e natural possuí-los, qdo. compro…leio, mesmo q. não esteja gostando, como um da Lia Luft, “O silêncio dos amantes” q. achei muito ‘sombrio’ acabou me deixando melancólica. Tb. não gostei do “O Eleito” de Thomas Man, fiquei com uma dó terrivel do cachorro. mas recomendo “Metamorfose” de Kafka, só q. achei triste, fiquei com dó do rapaz, eu jamais deixaria um moço terminar daquele jeito.
    Mas gosto mesmo é de lembrar do meu 1.º livro, q. emoção, foi difícil me alfabetizar, era imatura, me distraía com as figuras, com as letras pedagógicas, elas me divertiam tanto q. não conseguia enxergar o A,B,C… e até o ‘bendito cheiro’ da tinta do papel me distraia…mas lembro que tirei 10 na primeira lição e aprendi a gostar de poesia c/ ele, no fim de cada leitura havia uma estrofe… Passarinho, passarinho.
    Que cantas no meu jardim.
    Não te prendo amiguinho…
    Canta bem perto de mim!

    Olha só como são importantes os primeiros passos p/ se ‘aprender’ a amar os livros, a gostar de ler, precisa ter algo sublime, encantador, doce… assim como é nossa alma na infância e se mantém até o fim… E bons livros só podem contribuir p/ q. este universo seja ampliado e tornado mais encantador ainda.
    Nossa li tantos livros q. precisaria de parar p/ lembrar… lembro q. li “O Guarani’ 2 volumes… sentado no quintal, o sol a pino e eu lá… lembro minha mãe chamando prá almoçar e eu simplesmente estava grudada no livro. Li “O livro da Jangal” fiquei com medo… “Mogli”… “Helena” “Clarissa” “Mar Morto’ de Jorge Amado, não gostei! “A prostituta respeitável” tb. não gostei, “O Monge e o Executivo”, “Como ficar Rico”, “Pai pobre,pai rico” e conclui por estes 3 últimos q. os novos lançamentos, tipo auto-ajuda, não são eficientes. Assim como “O caçador de Pipas” muito divulgado em empresas… Eles são vazios, sei lá… falta algo, por mais q. me digam q. são ótimos… bom aí tem q. se levar em conta o gosto pessoal.
    Mas vou contar uma ‘travessura’, ‘roubei um exemplar…desculpem o termo… não é bem roubei, digamos…tomei emprestado…’ só q. agora não sei como devolver… com que ‘cara’ vou aparecer na bibliotequinha do meu bairro e entregar de volta o meu maravilhoso, inigualável…”Maquiavel, comentado por Napoleão Bonaparte”?! Este livro é o máximo, vc. morre de rir com os comentários q. Napoleão faz e q. estão nas notas de rodapé. Quero e não quero levá-lo lá, ah… ele é meuzinho agora! Depois já doei uns 70 livros p/ eles, até minha coleçao de “Mitologia Grega”.
    Bom… é assim mesmo… é uma delícia gostar de ler, tb. é meu desejo ardente um dia ter uma biblioteca só minha, só q. vou ter q. arranjar outro ‘original’ de algum autor, pq. já tive um de 1920, “El Cristo de Velásques” de Miguel de Unamuno, lindo, lindo… na sua originalidade, 1.ª edição, me custou na época (2008) R$1.220,00 reais e o dei p/ meu nobre e querido ‘orientador’ que ficou simplesmente de ‘boca aberta’ qdo o recebeu de presente.
    Confesso q. me arrependi depois…mas tenho certeza q. meu “El Cristo…” está em mãos q. o amarão talvez…até + do que eu.
    Sabem qual é o livro + vendido no mundo e q. não perde nunca o posto? A Biblia Sagrada, e eu gosto de lê-la quase todos os dias um trecho, principalmente os livros históricos, sabe.. guerras, conquistas as estratégias militares… tb. as façanhas da mulheres… é o máximo!
    Sabem qual é o q. está em 2.º lugar nas vendas…pasmem! Uma mulher… lá vai… Agatha Cristie. Gostaram!
    Outra coisa… é difícil encontrar quem goste demais de livros q. já não tenha sonhado em editar o seu, eu gostaria de criar um livro maravilhoso de verdade, um lindíssimo, deixar algo ótimo p/ a posteridade, assim…’um best-seller’, mesmo q. eu não viesse a usufruir da aprovação da maioria. É… pelo menos se pode sonhar… bjos.

    Responder
  8. Barbara Brosch 01/06/2009 em 1:54 am

    Oi gente! Já ía dormir,mas… percebi um erro… lá vai, é sobre “O meu pé de laranja lima’, o autor é José Mauro de Vasconcelos. Pdem ler q. é lindinho, já virou até filme no cinema.
    O conto “Tres mortes” está no livro que o conde León Tolstói considerava sua melhor obra: “O diabro e outras histórias”.
    “O livro da Jangal” é de Rudyard Kipling e o Mogli é um dos personagens deste livro q. é composto de várias histórias.
    “A Metamorfose” é de Franz Kafka (novela)
    “O Eleito” é de Thomas Mann (romance)
    E se vcs. quiserem saber o que Sigmund Freud indicaria como sendo “Bons’ livros…lá vai o q. ele respondeu ao seu amigo Hugo Heller…
    “Cartas e Obras” de Multatuli.
    “O Livro da Jangal” de Kliping. Nossa! E eu nem sabia!
    “Sobre a pedra branca” de Anatole France.
    “Fecindidade” de Zola.
    “Leonardo da Vinci” de Merej Kovski
    “A gente de Seldwyla” de Gottfried Keller.
    “Os ultimos dias de Hutten” de C.F. Meyer.
    “Ensaios” de Macaulay.
    “Pensadores gregos” de Gomperz.
    “Esboços” de mark Twain.

    Freud os indicou como sendo ‘BONS” livros, como ele disse, estes exemplares são “Bons e edificantes”, não são aqueles q. acho os ‘mais belos e que nos encantariam pela sua estética’, mas com certeza nos farão crescer e nos tornarão pessoas melhores.

    bjos. e boa noite!

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