10 livros
por Luiz Biajoni – A culpa por essa reflexão é de Alex Castro, que provocou. A idéia é relacionar os 10 romances preferidos e dizer porquê.
Sinto que passei um pouco ao largo dos grandes clássicos. Sempre gostei de mitologia, livros históricos, (auto)biografias, contos, livros estranhos, teatro. Cheguei à conclusão que romances MESMO não li muitos, talvez não os essenciais.
O Borges diz em seu Ensaio Autobiográfico que nunca teve disposição para grandes narrativas, preferia a síntese. Acho que tenho essa tendência. É difícil fazer uma relação como essa e não citar o próprio Borges no rol – ou Bukowski ou Edgar Allan Poe. De qualquer maneira, certamente essa minha relação revela muito sobre mim. São meus “romances de formação”, que li na adolescência e releio ainda hoje – e que ecoam em minha cabeça.
Vamos a eles:
1) Trópico de Câncer – Henry Miller. O chute na bunda da literatura, o cara que sai dos EUA num navio com 10 dólares no bolso para ganhar a Europa e fazer o que deve ser feito. O “sonho” de todo pretenso escritor.
2) O Apanhador no Campo de Centeio – J.D. Salinger. Gente como a gente, Holden Caufield, o personagem principal, “não encontra par nisto tudo neste mundo” – para citar Fernando Pessoa.
3) Laranja Mecânica – Anthony Burguess. Delinquência, inovação narrativa, subtexto de investigação social, reflexão. Um livro que foi meio obscurecido pelo maravilhoso filme de Kubrick – mas GRANDE literatura.
4) Moby Dick – Melville. De todos os clássicos, o mais perturbador, cheio de referências psicológicas e mitológicas, do tipo que, definitivamente, EU GOSTO. Não é só uma “caça à baleia”, como muitos pensam.
5) O Processo – Kafka. O absurdo como parte de um cotidiano tão mais absurdo que chega a ficar engraçado e aterrador ao mesmo tempo.
6) O Estrangeiro – Camus. Um crime. De quem é a culpa real? Até que ponto se pode julgar um ato, um homem? Bom, o Camus tem outros livros maravilhosos, mas a concisão desse pesou na escolha.
7) Malone Morre – Beckett. Um homem (?) deitado em uma cama de hospital (?) na impossibilidade de ver (?) cria, recria, inventa memórias povoadas de situações absurdas (?). Pois é, Beckett é uma série de interrogações: nunca se sabe exatamente o que se está lendo – mas tem MUITA COISA ali. (Parte da trilogia composta pelos ótimos “Molloy” e “O Inominável”)
8) Retrato do Artista quando Jovem – James Joyce. O fluxo narrativo é o fluxo de consciência do narrador, suas lembranças cíclicas, redundantes, os pequenos detalhes que vão sendo alterados pelo discurso… Joyce aparece sempre nas listas com o Ulisses ou o Finnegans Wake – não li nenhum deles, acho muito difíceis. Esse é muito legal e curto.
9) Tanto Faz – Reinaldo Moraes. Brasileiro, um livro pouco conhecido, é o meu livro “personalista” da lista. Um estudante brasileiro em Paris, nos anos 60. Cheio de referências pop, Tanto Faz é precursor de Nick Hornby e de toda “nova literatura pop”.
10) Frankenstein – Mary Shelley. Esse livro é maravilhoso, conta uma história única, talvez tão cheia de referências quanto Moby Dick. A escolha foi difícil, pois tive uma fase de terror com o Drácula do Stoker, o Médico e o Monstro do Stevenson e O Exorcista, do William Peter Blatty. Mas devo registrar que um dos melhores livros de terror de todos os tempos, pra mim (e só preterido pelo Frankenstein pelo “peso histórico”) é O Inquilino, de Roland Topor. Ele virou ótimo filme de Polanski e era um livro do qual Borges gostava bastante.
Ah, devo dizer que sou fã super do Thomas Harris. E que só não inclui o A Sangue Frio, do Capote, por ser mais uma ampla reportagem que um ROMANCE.
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![- No domingo, manifestantes tomaram a Paulista em protesto contra a ação da PM em Pinheirinho [foto: Pádua Fernandes] -](http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/protesto-pinheirinho.jpg)

Desses que você citou só li “O Processo”, mas tenho interesse em outros como “O Apanhador no Campo de Centeio”, “Laranja Mecânica” (amooo o filme) e “Retrato do Artista Quando Jovem”.
Por hora, segue a minha lista dos 10 livros que eu pude escolher nesta noite:
1 – A Hora da Estrela – Clarice Lispector
2 – Ciranda de Pedra – Lygia Fagundes Telles
3 – As Horas – Michael Cunningham
4 – Ensaio Sobre a Cegueira – José Saramago
5 – Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres – Clarice Lispector
6 – As Meninas – Lygia Fagundes Telles
7 – O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë
8 – A Metamorfose – Franz Kafka
9 – Morte em Veneza – Thomas Mann
10 – 1984 – George Orwell
mas claro que essa lista muda a cada dia. Inclusive a ordem hehe