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	<title>Comentários sobre: O grande romance de J. M. Coetzee</title>
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	<description>Revista digital de atualidade e cultura</description>
	<lastBuildDate>Sun, 12 Feb 2012 20:20:37 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Por: J Rodolfo</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/08/2009/o-grande-romance-de-j-m-coetzee/comment-page-1/#comment-9988</link>
		<dc:creator>J Rodolfo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 12:40:22 +0000</pubDate>
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		<description>Me parece insensato dar aos cães do romance apenas o papel retórico de signos de decadência, animalização e bestialização. Com certeza, visto o histórico de engajamento de Coetzee com uma reconfiguração entre as relações de humanidade e animalidade, os cães e viver &quot;like a dog&quot; significam algo muito mais profundo do que apenas &quot;disgrace&quot;. Diria até mesmo que o processo de repensar os cães, de entender a morte deles, da insistência de Lucy de ficar na terra e a sacrifício do cão por David no final do romance estão todos interligados e apontam para um novo paradigma de grace/disgrace, honra/desonra, negro/branco, homem/animal, que talvez Coetzee acredite ser capaz de reconfigurar a situação pós-apartheid.

Também acho outro motivo crucial do romance a crítica à linguagem e à língua inglesa como formas de descrever a situação da África do Sul (ou qualquer outra situação de injustiça, violência ou de dicotomias).</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Me parece insensato dar aos cães do romance apenas o papel retórico de signos de decadência, animalização e bestialização. Com certeza, visto o histórico de engajamento de Coetzee com uma reconfiguração entre as relações de humanidade e animalidade, os cães e viver &#8220;like a dog&#8221; significam algo muito mais profundo do que apenas &#8220;disgrace&#8221;. Diria até mesmo que o processo de repensar os cães, de entender a morte deles, da insistência de Lucy de ficar na terra e a sacrifício do cão por David no final do romance estão todos interligados e apontam para um novo paradigma de grace/disgrace, honra/desonra, negro/branco, homem/animal, que talvez Coetzee acredite ser capaz de reconfigurar a situação pós-apartheid.</p>
<p>Também acho outro motivo crucial do romance a crítica à linguagem e à língua inglesa como formas de descrever a situação da África do Sul (ou qualquer outra situação de injustiça, violência ou de dicotomias).</p>
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		<title>Por: Fernando</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/08/2009/o-grande-romance-de-j-m-coetzee/comment-page-1/#comment-8170</link>
		<dc:creator>Fernando</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 12:52:21 +0000</pubDate>
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		<description>Cláudio,

Karl Marx em seu &quot;Dezoito do Brumário&quot; já diz que &quot;a consciência de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. Sei que é difícil, para nós brasileiro, entender o processo da culpa histórica. Somos uma cultura que sublima a culpa, que a varre para debaixo do tapete. Não sentimos culpa por causa da escravidão, por exemplo, não porque ela tenha sido resolvido, mas pelo simples fato de sermos uma sociedade covarde. Bem, quando se critica uma espécie de &quot;teologia primitiva&quot; em &quot;Desonra&quot; esquece-se que o registro religioso é ao que se recorre, muitas vezes, quando a linguagem começa a claudicar em suas representações do horror da realidade. Falar, por exemplo. de expiação, de graça, de amor num mundo em que esses termos se acham esvaziados é realmente o &quot;tour de force&quot; desse livro de Coetzee.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Cláudio,</p>
<p>Karl Marx em seu &#8220;Dezoito do Brumário&#8221; já diz que &#8220;a consciência de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. Sei que é difícil, para nós brasileiro, entender o processo da culpa histórica. Somos uma cultura que sublima a culpa, que a varre para debaixo do tapete. Não sentimos culpa por causa da escravidão, por exemplo, não porque ela tenha sido resolvido, mas pelo simples fato de sermos uma sociedade covarde. Bem, quando se critica uma espécie de &#8220;teologia primitiva&#8221; em &#8220;Desonra&#8221; esquece-se que o registro religioso é ao que se recorre, muitas vezes, quando a linguagem começa a claudicar em suas representações do horror da realidade. Falar, por exemplo. de expiação, de graça, de amor num mundo em que esses termos se acham esvaziados é realmente o &#8220;tour de force&#8221; desse livro de Coetzee.</p>
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		<title>Por: Marilia Bandeira</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/08/2009/o-grande-romance-de-j-m-coetzee/comment-page-1/#comment-7170</link>
		<dc:creator>Marilia Bandeira</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 18:35:23 +0000</pubDate>
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		<description>Olá Claudio,

Por isso adoro literatura... nos permite um sem conta de visões e interpretações, sentires e opiniões.
Você não está sozinho em suas críticas  - e embora eu tenha um ponto de vista diferente, só posso respeitar o seu. 
Acredito que o sentimento de culpa (muito palpável entre os africaners) explique essa necessidade de expiação percebida por você ...  no entanto, veja que o próprio Coetzee deixou a Africa do Sul, tomando um caminho diverso daquele que deu a seu protagonista. 
Após estudar por muitos anos as tensas relações entre ingleses, africaners e africanos, Disgrace fez muito sentido, pelo menos para mim. É algo como os alemães e o holocausto. As gerações jovens se envergonham dos atos de seus pais e avós...  imagine como se sentem os africaners que nasceram e se criaram sob o regime do apartheid, não só pelo fato de ter sido imposto por seus iguais, mas porque contou com uma sociedade conivente, alvo maior das críticas de Coetzee em romances como Waitng for the Barbarians e Age fo Iron.
...  mas meu intuito não é convencer, apenas esclarecer...  como eu disse acima, é essa pluralidade que faz da literatura algo tão especial.
abraço</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Claudio,</p>
<p>Por isso adoro literatura&#8230; nos permite um sem conta de visões e interpretações, sentires e opiniões.<br />
Você não está sozinho em suas críticas  &#8211; e embora eu tenha um ponto de vista diferente, só posso respeitar o seu.<br />
Acredito que o sentimento de culpa (muito palpável entre os africaners) explique essa necessidade de expiação percebida por você &#8230;  no entanto, veja que o próprio Coetzee deixou a Africa do Sul, tomando um caminho diverso daquele que deu a seu protagonista.<br />
Após estudar por muitos anos as tensas relações entre ingleses, africaners e africanos, Disgrace fez muito sentido, pelo menos para mim. É algo como os alemães e o holocausto. As gerações jovens se envergonham dos atos de seus pais e avós&#8230;  imagine como se sentem os africaners que nasceram e se criaram sob o regime do apartheid, não só pelo fato de ter sido imposto por seus iguais, mas porque contou com uma sociedade conivente, alvo maior das críticas de Coetzee em romances como Waitng for the Barbarians e Age fo Iron.<br />
&#8230;  mas meu intuito não é convencer, apenas esclarecer&#8230;  como eu disse acima, é essa pluralidade que faz da literatura algo tão especial.<br />
abraço</p>
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		<title>Por: Cláudio</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/08/2009/o-grande-romance-de-j-m-coetzee/comment-page-1/#comment-7145</link>
		<dc:creator>Cláudio</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 00:58:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.amalgama.blog.br/?p=464#comment-7145</guid>
		<description>O argumento do livro é falho e não há exegese que possa me convencer do contrário. Existe nele uma “teologia” primitiva, a de que os pecados dos pais devem ser pagos pelos filhos. Bobagem da grossa. Ninguém pode entender por que a filha de David (Lucy) deve aceitar a situação em que está metida. Ela tem opção de dar no pé e, ao ficar, perde a simpatia dos leitores não-politicamente corretos. O mesmo vale para David. Tem dinheiro para viver outra vida em outro lugar. Então, por que ficou? Pelos pecados dos avós? Por solidariedade com uma filha que até a demissão, ele ignorava? Tudo bem que ninguém é racional o tempo todo, mas todos que são irracionais nas principais decisões de suas vidas estão no hospício. Coetzee exagera no pedido de “suspensão da incredulidade”. Ficou muito convencido de que maneja tão bem a linguagem que não precisa ser coerente.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O argumento do livro é falho e não há exegese que possa me convencer do contrário. Existe nele uma “teologia” primitiva, a de que os pecados dos pais devem ser pagos pelos filhos. Bobagem da grossa. Ninguém pode entender por que a filha de David (Lucy) deve aceitar a situação em que está metida. Ela tem opção de dar no pé e, ao ficar, perde a simpatia dos leitores não-politicamente corretos. O mesmo vale para David. Tem dinheiro para viver outra vida em outro lugar. Então, por que ficou? Pelos pecados dos avós? Por solidariedade com uma filha que até a demissão, ele ignorava? Tudo bem que ninguém é racional o tempo todo, mas todos que são irracionais nas principais decisões de suas vidas estão no hospício. Coetzee exagera no pedido de “suspensão da incredulidade”. Ficou muito convencido de que maneja tão bem a linguagem que não precisa ser coerente.</p>
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