Psssiu… PSOL! – Aqui vou eu…

Vou tornar-me eleitor de um desses partidos “nanicos” de esquerda, portadores de uma mensagem tão generosa quanto sonhadora.

Semanas atrás, num pequeno texto indignado, citei a famosa frase de Saramago – “Até aqui cheguei!” – para informar aos meus cinco leitores que tinha desistido de apoiar Lula como político e o “lulismo” como política depois da vergonhosa cerimônia de beija-mão na mansão de Paulo Maluf, protagonizada por “Lula nine-fingers”, como diz um amigo meu que abandonou o barco há um bocado de tempo, assim que os primeiros roedores começaram a surgir no porão…

Em seguida à publicação do texto, fui merecedor de algumas reações. Houve quem justificasse a “malufada”, como houve quem perguntasse se eu “tucanei” ou sugerisse que eu “tucanasse”. A um deles respondi, meio de brincadeira, que iria ler A privataria tucana, de Amaury Ribeiro Jr., antes de tomar uma posição. Terminei lendo o livro, que achei bem ruinzinho, por sinal, mas no qual o leitor que tenha a paciência de atravessar o pântano interminável de certidões de cartório ali reproduzidas encontra razões suficientes para lembrar aquela velha anedota do sujeito que tem os bigodes untados de gosma de ovo podre e que quanto mais infla as narinas em busca de ar fresco, mais sente podridão. E, atarantado, exclama: “mas é o mundo todo!”

Que fazer? Nessas ocasiões, uma reação primeira que costuma ocorrer ao cidadão bem intencionado enojado de tudo isso é afirmar peremptório que não vota mais em f.d.p. nenhum. Normalmente a ameaça não é cumprida. Também não a cumprirei. Vou continuar votando. Afinal, passado o primeiro impulso, uma reflexão mais detida e responsável é capaz de lembrar a velha observação de Churchill de que a democracia é o pior dos regimes, com exceção de todos os demais… Na verdade não existe o “bom regime”, como não existe a “boa sociedade”, como lembrava insistentemente um filósofo francês contemporâneo hoje meio esquecido, Claude Lefort, um autor que foi fundamental para minha própria visão da política. O único remédio para as mazelas da democracia é mais democracia! E, no fim das contas, um parlamento ruim aberto é preferível ao melhor parlamento fechado!

Mas em quem votar? De minha parte, informo aos meus cinco leitores (talvez agora nem isso…) que vou voltar à postura purista de trinta anos atrás, quando eu e muitos de nós vimos com grande esperança o surgimento do PT, algo realmente inédito na vida política brasileira. No atual contexto, vou tornar-me eleitor de um desses partidos “nanicos” de esquerda, portadores de uma mensagem tão generosa quanto sonhadora. Escolhi o PSOL. Além de ter nascido de uma dissidência do PT – quando o partido-mãe tornou-se um partido-ônibus aceitando qualquer tipo de passageiro –, abriga alguns políticos que ainda admiro e tem um nome bonito!

Pode ser que um dia o PSOL cresça tanto a ponto de aceitar se degradar para chegar ao poder a qualquer custo. Terá se tornado um PMDBezão, um PTezão, um PSDBezão… Mas isso ainda vai levar muito tempo e, como felizmente não somos imortais, não estarei mais aqui para escrever outro artigo como este.

  • Marcio Costa

    Srs,

    os resultados dos governos Lula e Dilma falam por si, se não teria acontecido igual ao governo Lugo. 

    Cairíamos no primeiro escândalo real ou inventado. Simples assim! 

    Vamos nos associando com os menos piores, os fisiológicos, para destruir o adversário perigoso e ideológico: a direita representada pelo PSDB/DEM. 

    Estes sim são perigosos pois sua visão de Estado e sociedade é a inversa da nossa. Cada um por si e Deus pelo ricos é o lema deles! 

    Depois nos livramos, aos poucos, dos fisiológicos e com ajuda da PF, mas precisamos de votos para isto também, claro!

    obs: quando Heloísa Helena criou o PSOL(partido radical que acha que muda tudo em uma canetada, e composto de gente que não saiu da adolescência ainda), eu lembro de ver a mesma comemorando derrotas do governo ao lado de ACM, DEM E PSDB. Pode? 

    Depois te mando a foto! Uma beleza de alternativa! Deu no que deu: acabou vereadora em Maceió e daí não sai!

    Ganhar a cidade de SP e o governo do Estado é prioridade total para a esquerda, porque tem a ver com matar a direita ideológica no seu reduto tradicional, e acabar com as ultimas fontes de financiamento que tem a mídia aliada da mesma: as propagandas e assinaturas da prefeitura  e do governo do Estado. Só isto aí vale todo o sacrifício de Lula, ao apertar a mão de Maluf, após colocá-lo na cadeia em 2004, junto com o filho,  e por 45 dias! Antes de Lula ninguém prendia político no Brasil, nem Juiz, em governador, nem prefeito, nem dona da Daslu, etc….

     E como ele é excelente estrategista político, o mesmo sabe disto melhor que a gente!

    E aqui vou também para longe de radicais de esquerda, que no fundo são iguais à direita. Uns querem dinheiro e poder, outros querem somente ficar sendo contra tudo e sonhando com a utopia e com vinda eterna do Messias. Então todos estes dois lados tem a mesma função e resultados: continuar tudo com está! Estão pouco se lixando para o povo. Querem mesmo ou dinheiro ou satisfazer seus sonhos juvenis e irreais!

    Ajude a nos por 300 deputados de esquerda lá, ou a esquerda radical tire votos da direita fisiológica e quem sabe possamos não e obrigados mais a nos aliar com PMDB, PP., etc

    O PSOL já está se alindo com o PPS(a nova direita) em Macapá. Vc está no caminho certo. Mas o importante é que fique sempre sonhando em alcançar o paraíso e a perfeição, né mesmo? Se não  a sua vida perde sentido, ou não? Nem que demore mais 30 anos e se repetir a mesma  estratégia política. 

    Ah, e o povo? O povo? Que se lixe! O importante é eu sonhar com o paraíso, mesmo que seja uma miragem!

    E portanto eu também tenho todo o direito, de desistir de vcs. e por favor não envie mais mensagens para mim! Me tirem da lista!

    Abc e adeus!

    Márcio Costa

    • carlos-fort-ce

      bem falado, márcio costa!!!
      taí mais um cabra, luciano oliveira, desiludido pela realidade da política feita por homens imperfeitos… preferem viver de miragens.
      boa viagem, então, e abçs.

    • Gabriel Gabbardo

      Esqueceste de um importante serviço prestado à nação pelo PSOL. Graças à candidatura quixotesca de Heloísa Helena para presidente em 2006, o sr. Fernando Collor de Mello foi eleito Senador da República. Valeu a pena, para receber 6,85% dos votos válidos – praticamente um por cento por ano do Collor no Senado. Legal, né?

  • Thiago

    Muito bom esse texto ! Parabéns !

  • http://carlosorsi.blogspot.com Carlos

    Ou o comentário do Márcio Costa é uma paródia, ou é uma recapitulação exata do raciocínio que o PSDB usou para abraçar o PFL lá nos tempos da primeira eleição do FHC. É só depois ir trocando “PSOL” por “PT”, “Heloísa Helena” por “Lula”, “Lula” por “FHC” que fica praticamente igualzinho.

  • http://www.vozdotrovao.wordpress.com Gabriel Cavalcante

    Muito clara e bem justificada a posição! O PSOL ainda tem este senhor da foto a seu favor, que não costuma mudar de posição sobre o que pensa…
    Ainda mantenho-me mais realista, não consigo me render totalmente a posições muito utópicas (ou candidatos sem chances reais). Mas na eleição paulistana, principalmente, há grandes chances de me render ao Giannazi no primeiro turno dada a qualidade dos candidatos a prefeito. Tá complicado…

  • http://relances.wordpress.com Vinícius de Melo Justo

    Por que diabos alguém que se desilude com um dado partido (e fico sempre me perguntando o porquê de Maluf ser a gota d’água quando já tivemos nos últimos dez anos Valdemar Costa Neto, Roberto Jefferson, Collor, Sarney, Calheiros e agora até mesmo Kátia Abreu) “escolhe” outro em poucas semanas? Por que diabos alguém precisa se atrelar diretamente a um partido sendo que não pretende ter vida partidária (ou pretende?)?

    Que bobagem. Com alguma clareza de raciocínio, percebe-se que já deveria estar votando em candidatos do PSOL há mais tempo.

  • http://trator-desgovernado.blogspot.com/ Lila

    Acredito que todas e quaisquer análises e opiniões devam ter seu espaço, o direito de ser publicadas e defendidas. Críticas ao atual governo e ao partido que o direciona, acredito que sejam fundamentais numa democracia. Mas, francamente, quando a “análise” se inicia por características ou deficiências físicas, acaba resvalando para o que há de mais reacionário e rasteiro.

  • Luciano Oliveira

    Lila,

    A princípio não reajo a comentários. Um texto, todo texto, presta-se às mais diversas leituras, muitas vezes distantes da intenção do autor, que por sua vez, ao se explicar, vai merecer novas leituras, que por sua vez etc. etc. Em resumo: um texto vale por si, e ele que se defenda sozinho…
    Mas, acredite, acho o seu puxavão de orelhas pertinente. Nesse caso, talvez deva me explicar porque não quero passar a impressão de que tornei-me um desses “rasteiros” gênero Diogo Mainardi e quejandos.
    Ao usar a expressão “nine-fingers”, tomei-a emprestado de um amigo que, como disse no texto, abandonou o barco petista há muito tempo, quando começaram a aparecer evidências de que a renovação ética com a coisa pública que esperávamos do PT era conversa para boi dormir. Acho que foi quando Lulinha virou da noite para o dia empresário milionário sem que seu pai soubesse… Lógico, a expressão era uma menção ao famoso gesto que fazemos com os quatro dedos quando queremos ilustrar atos de apropriação do alheio. Era uma brincadeira nossa, uma daquelas que pertencem ao terreno dos “privilégios da intimidade”, e não se destinava a ser usada publicamente. Quando a usei, foi pensando no uso original, evidentemente, mas também lembrando de um velho e excelente filme (se não me engano de Carol Reed) de espionagem, onde um excelente James Mason faz um espião habilíssimo no uso dos seus “five-fingers”, nome do filme.
    Foi isso. Minha brincadeira tinha sobretudo a intenção de dar um toque de humor ao texto. Mas percebo que, pertinentemente, ela chocou alguém porque é inegável que faz referência a uma deficiência física de Lula. Por isso reconheço que não deveria tê-la usado e peço desculpas por tê-lo feito.

    Muito cordialmente,

    Luciano Olivieira

    • http://trator-desgovernado.blogspot.com/ Lila

      Prezado Luciano,

      Agradeço pela resposta, e compreendo seus argumentos, certamente, assim como concordo com vários dos outros pontos que você indicou. Realmente não imaginei que o artigo pudesse se igualar a um argumento do Mainardi – se fosse esse o caso, nem deixaria minha opinião registrada, pois os termos não causariam surpresa, estariam de acordo com a figura. O contrário do que ocorreu quando comecei a ler seu texto, pois aí, sim, achei que ‘destoavam’ do restante (que continuarei lendo, certamente).

      Abraço,
      Lila

  • http://catatau.wordpress.com Catatau

    Unindo-me ao coro: também acho que deva haver algum lugar ao PSol, também me tornei eleitor de partidos como esse.

    Ou melhor, a falta de lugares ao sol e o predomínio das sombras obriga recorrer a opções como essa.

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