As cotas raciais vistas por um universitário negro

O sistema de cotas beneficia parte dos negros, os que possuem arcabouço educacional para alcançar uma universidade, mas não os reais necessitados, os pobres de diversas etnias.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF), por decisão unânime, julgou constitucional o uso de cotas raciais nas universidades brasileiras. Antiga demanda do movimento negro e de outros setores da sociedade, as cotas são tidas como uma reparação contra a condição histórica do negro, que chegou nesta terra como escravo e em tal condição permaneceu até 13 de maio de 1888, com a abolição da escravidão consagrada na assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. Mas a abolição não significou a libertação dos negros de todos os preconceitos. O negro continuou marginalizado, sendo negado a ele acesso aos melhores postos de trabalho, sendo vítima do preconceito velado que a sociedade reserva aos afrodescendentes – que, até hoje, possuem indicadores sociais inferiores aos brancos.

O raciocínio pró-cotas é o seguinte. Dada essa injustiça histórica, nada mais válido e justo do que haver uma reparação de tal situação, pois existe uma dívida com o negro desde a escravidão, e uma necessidade urgente de que ela seja paga. O Estado deve ser o responsável para que se solucione estas distorções, e por isso a aplicação do sistema de cotas não é só justa, mas inevitável. Só pessoas racistas, preconceituosas e torpes não veriam justiça nas cotas. Como não dar razão ao ministro do STF, Joaquim Barbosa, quando ele diz que “basta ver o caráter marginal daqueles que se opõem ferozmente a essas políticas”?

Os movimentos pelas ações afirmativas, de maneira incisiva, repetem esses argumentos constantemente e em diversos fóruns, nas universidades, na mídia, etc., e quem discorda é tido como “racista”, contra a inclusão e a favor da opressão, como deixa transparecer uma reportagem da revista Carta Capital chamada “Reações às cotas subestimam o racismo”.

Esse tipo de pensamento unidirecional e simplista nos faz pensar sobre o perigo de uma única história, alertado pela escritora Chimamanda Adichie, que, em um discurso que postarei ao final do artigo, demonstra que quando contamos uma história criamos estereótipos e lugares comuns, o que faz com que um grupo social perca a sua heterogeneidade para se tornar um bloco único, o que abre espaço para a construção de uma “história oficial” contada de acordo com os interesses de certos grupos e para a perseguição aos divergentes.

Como explicado por Adichie, de onde se começa a contar uma história é fundamental para termos uma determinada percepção sobre os fatos. Os favoráveis às cotas argumentam que os negros são 51% da população, contra 49% de brancos, e que a desproporcionalidade da presença das duas etnias nas universidades é gritante. Esse argumento já traz uma falácia e adulteração tremenda. Primeiro, dados do IBGE mostram que a população se declara como sendo branca em sua maioria, 49%; em segundo lugar, pardos, 43%; seguidos dos negros, 7%. Outra questão ignorada pelos apologistas das cotas é que a ciência praticamente eliminou o conceito de raça, pois os genes de alguém de pele branca podem conter mais raízes africanas que os de um negro, e vice versa. Isso posto, o uso do critério “raça” para definir cotas perde a validade e é um retrocesso científico.

Alguns defendem que se deve ter em mente a dimensão social, pois as raças ainda têm aplicabilidade social. Porém, no Brasil, um país miscigenado, esse argumento deve ser relativizado. Obviamente, o preconceito e a discriminação existem por aqui; sabemos que, em certas ocasiões, postos de trabalho e lugares dentro da sociedade são negados a um sujeito devido à cor de sua pele. Mas esse fato não torna o Brasil um país racista em sua essência, pois aqui as etnias convivem de maneira razoavelmente próxima, com poucos conflitos de cunho racial, graças à miscigenação que constituiu o povo brasileiro desde a época colonial, o que não ocorre nos EUA (aliás, de onde a ideia das cotas foi copiada), onde cada etnia tem seu lugar, um branco é branco, um negro é negro, sem apelação, e cada um deve se adequar à cultura particular de seus grupos étnicos, formando guetos. As cotas instituem esse tipo de situação no Brasil, fazendo com que um país que não possui marcado em sua cultura esse racialismo radical, passe a desenvolvê-lo, na contramão do que a ciência tem desvendado, estimulando conflitos étnicos em vez de dirimi-los. E nos resta uma pergunta: quem define quem é negro e quem é branco? Quem arbitra? O Estado? Em breve voltarei a essa questão do arbítrio do Estado.

Outro argumento usado é que as cotas servem para a reparação histórica de um passado de escravidão e opressão vivido pelos negros. Só que há uma questão importante a ser lembrada: a escravidão acabou há 124 anos, e os atuais brancos dificilmente eram senhores de engenho, e muito provavelmente jamais tiveram escravos na vida. Por que teriam que pagar por uma situação ocorrida há mais de um século antes de nascerem? E os descendentes dos italianos que vieram para cá imigrados para trabalhar na lavoura, e dificilmente tiveram escravos? Terão que pagar também? E os descendentes dos alemães que vieram para o Sul e também não tiveram escravos em sua esmagadora maioria, terão que pagar? E os descendentes dos japoneses que chegaram aqui no começo do século XX e foram vítimas de um preconceito quase tão intenso quanto os negros, e, sem incentivo de ninguém, apenas com a própria força, através de educação e disciplina, conseguiram ascender socialmente, terão que pagar? Não faz sentido algum esse senso de justiça retroativa, punindo os homens do presente por atitudes dos homens do passado. Embora se possa argumentar com razão que os atos das gerações anteriores influíram diretamente nos destinos humanos, não é a política de cotas que consertará os reflexos negativos do passado no presente. Não se conserta discriminação com mais discriminação — o que são as cotas em ultima instância –, não se combate privilégio concedendo mais privilégios a determinados grupos, mesmo com argumentos suspeitos de “reparação histórica”.

O que os defensores das ações afirmativas nunca lembram em seus argumentos é que em nenhum local onde as cotas foram implementadas houve alcance dos resultados desejados, e em vez de diminuir os conflitos e as distorções étnicas, elas as ampliaram. Thomas Sowell, renomado economista norte-americano e insuspeito de ser racista (ele é negro), estudou a questão das cotas nos EUA, na Índia e na África. Sua obra Ação afirmativa pelo mundo: Um estudo empírico (2004) revela que as discrepâncias que as cotas queriam diminuir foram não só mantidas, mas ampliadas. Em todos os lugares em que implementou-se a política, houve um aumento significativo dos conflitos entre os grupos beneficiados e os não beneficiados, porque ela era percebida como doadora de privilégios a uma parcela da população em detrimento de outras, não como uma medida justa. Em vista de seu fracasso, na maioria dos lugares onde existiam, as cotas foram revogadas. Caso exemplar é dos EUA, onde a maior parte dos estados já eliminou as ações afirmativas, pois concluiu-se que eram ineficientes e catalisadoras de ódio entre grupos e classes.

Esses conflitos, para os ativistas pró-cotas, devem ser mediados pelo Estado, mas este tem se mostrado incompetente no papel de mediador de conflitos e árbitro para definir quem é negro ou não, quem é “digno” ou não de receber os benefícios. Prova clássica disso foi uma comissão da UnB, responsável por classificar quem é negro ou não, ter agido com critérios diferenciados no caso de irmãos gêmeos — um foi classificado como negro, portanto, contemplado com a cota, o outro como branco, portanto, não contemplado. Outro caso absurdo em que o governo desejava a igualdade racial e interveio para diminuir o preconceito foi o da feirante que vendia bonecas na orla da praia e cobrava mais caro pela boneca branca do que pela negra, sendo obrigada pelo Estado a igualar os preços, ou seria processada por racismo. A questão é: como deixar na mão do Estado critérios tão subjetivos quanto esses, que não têm como ser regulados por lei justa alguma, visto que, como vimos anteriormente, o conceito “raça” é ultrapassado e o Brasil é um país multiétnico? Dar tal poder ao Estado é ceder espaço a ainda mais injustiças, imprecisões e distorções do que as já causadas pelo sistema de cotas.

A real solução para o problema é uma só: melhoria do ensino de base (ensino fundamental e médio). Somente fornecendo educação básica de qualidade para a população como um todo será possível resolver a questão da exclusão social em que vivem não só os negros pobres, mas os brancos pobres também. O sistema de cotas raciais beneficia parte dos negros, os que possuem arcabouço educacional para alcançar uma universidade, mas não alcança os reais necessitados, os pobres, que são de diversas etnias. Fornecendo-se ensino de base de alto nível, os pobres ascendem, independente de sua origem, como aconteceu em diversos países que saíram da miséria para estar entre os mais ricos do mundo, caso da Coreia do Sul. O Brasil fica cada vez mais atrás no ensino básico, e de acordo com o ranking da UNESCO de 2011, estamos em 88º lugar, atrás até mesmo da Bolívia . A melhoria da educação nacional de base é o melhor caminho porque é impessoal, não beneficiará apenas negros ou brancos, ricos ou pobres, mas a todos indistintamente, sendo o método mais isonômico e mais condizente com uma sociedade democrática.

No entanto, a muitos grupos não interessam tais políticas, visto que são de longo prazo e não imediatistas, como as cotas, nem tão midiática e eleitoralmente interessantes para certas pessoas que pretendem se promover apoiando tais medidas.

Na universidade em que estudo, a USP, o mesmo pensamento linear que expus no início do texto vem sendo reproduzido pelo movimento afirmativo, que tem à frente o Núcleo de Consciência Negra e partidos de ultra-esquerda como PSTU, PSOL e, em menor grau, PCO, respaldados por um discurso de esquerda vulgar e binário, onde só há oprimidos e opressores, dominadores e dominados, os do topo e os da base. Se esquecem de que a realidade é muito mais complexa do que transparece em seus discursos apaixonados, porém sem consistência.

O mais interessante é que esses grupos, que dizem lutar pela democracia na universidade e pela livre circulação de ideias, são os primeiros a impedir que o livre fluxo de ideias surja na universidade, não querem que o pensamento divergente floresça, não querem que os contrários se manifestem, com o risco de serem perseguidos com rótulos de “racista”, “reacionário”, entre outros. Nem mesmo eu, que obviamente sou negro, escapo desta pecha. Por argumentar contra as cotas, alguns até me qualificaram como pertencente à “elite branca”(!), e frases do tipo “como pode ser negro e contra cotas?” são sempre repetidas, como se fosse obrigatório ao negro aderir ao pensamento racialista do movimento negro. Para esses grupos, a condição de negro é uma prisão intelectual, onde pode-se olhar o sol apenas pelo quadrado da cela fornecida pela ideologia, não podendo-se contemplá-lo de ângulos diversos. Por certo, para eles, isso deve ser privilégio da “elite branca”. Ou seja, um dos maiores cerceadores da liberdade do negro atualmente é exatamente quem quer nos defender da opressão e nos diz ter as chaves para a libertação: o movimento afirmativo. Afinal, como poderemos ousar contrariar quem tem a luz da verdade e da razão e a solução para os problemas da humanidade? Desconfie de quem possui um discurso messiânico salvacionista; geralmente são os mais autoritários e não aceitam ser contrariados. Chimamanda Adichie tem muito a ensinar a esses grupos sobre o perigo de se adotar apenas um panorama de visão da história.

Por outro lado, não se pode adotar a postura extrema oposta, a conservadora, que deseja manter as coisas como estão, e para realizar seus intentos nega o óbvio: a existência de preconceitos que limitam as possibilidades de ascensão social dos negros, algo que não deve existir em uma sociedade baseada na meritocracia. A questão é que nem o comportamento dos esquerdistas radicais nem o dos conservadores são desejáveis, pois ambos no fim contribuem para a manutenção e a ampliação dos preconceitos existentes na sociedade. A melhor solução possível é libertar o negro de suas amarras, não com ações afirmativas, mas deixando-o livre para exercer suas capacidades e liberdades como qualquer outro. Como disse Frederick Douglass no seu discurso What a black man wants: “O que precisamos fazer com o Negro? Não faça nada com o Negro. (…) Tudo que peço é que lhe dê a chance de se sustentar com suas próprias pernas (…). Se você somente desamarrar suas mãos e dá-lo uma chance, eu penso que ele sobreviverá.”

Se você, assim com eu, é contra as cotas raciais na Universidade de São Paulo, assine um abaixo-assinado contra essa medida absurda. E que possamos ter uma universidade meritocrática, que contemple a todos os cidadãos, independente de sua origem.

——
O discurso de Chimamanda Adichie:

  • http://carlosorsi.blogspot.com Carlos

    Em que pese a esqualidez intelectual do tipo de defesa das cotas a que o Éder parece ter sido exposto na universidade, há argumentos melhores a favor do sistema. O Roberto Takata tem alguns escritos a respeito, por exemplo, no link abaixo:

    http://neveraskedquestions.blogspot.com.br/2012/04/space-quota-exceeded-8.html

    • Dawran Numida

      Nenhum sistema de cotas vai corrigir a ausência de investimento massivo em Educação da creche ao segundo grau, universalizado.

      A cota é uma discriminação do “não branco” e não para colocá-lo numa escola boa.

      Mas, só facilitar sua entrada numa escola com grandes carências.

  • http://neveraskedquestions.blogspot.com Roberto Takata

    Há ttos erros neste texto que é difícil comentar todos.

    “Esse argumento já traz uma falácia e adulteração tremenda. Primeiro, dados do IBGE mostram que a população se declara como sendo branca em sua maioria, 49%; em segundo lugar, pardos, 43%; seguidos dos negros, 7%.”

    O autor erra. O IBGE subdivide os negros em pretos (que são os 7%) e pardos – negros são, portanto, a maioria entre 50 e 51%.

    Consideremos que raça, como realidade científica, não exista. Isso não impede o mercado e a sociedade de fazerem a distinção. O olhômetro é bastante eficiente em fazer a distinção e o resultado é uma clara discriminação dos negros. Ou um negro tem as mesmas chances que um branco, nas mesmas condições socioeconômicas, em uma entrevista de emprego?

    De resto, não sei em que dados o autor se baseia para afirmar que os sistemas de cotas não beneficiam “os reais necessitados, os pobres de diversas etnias.”

    http://neveraskedquestions.blogspot.com.br/search?q=space+quota
    ——–

    []s,

    Roberto Takata

    • http://transfeminismo.com/ Hailey

      Takata Falou exatamente o que eu queria falar; se apoiar em um determinismo biológico para explicar discriminações sociais é bastante ineficaz, não sei se o autor evocou esse argumento por ignorância ou por falácia…Também não sei de que “ciência” o autor se refere, certamente não são as sociais. Interessante também seria saber a que negr@s o autor se refere, parece esquecer a intersecções como negr@s LGBTs, mulheres cis negras que ganham menos do que homens cis brancos e homens cis negros etc. O autor argumenta que não podemos culpar as pessoas brancas por uma situação ocorrida no século passado. De fato, mas podemos culpá-las hoje por se ausentarem das políticas públicas de empoderamento negro, negarem a existência de racismo e também de permitirem discursos whitewashing. O buraco é MUITO mais embaixo, porque temos socialmente racismo institucionalizado.

    • João Paulo Rodrigues

      Não há erro nenhum no texto. Para afirmar que o Brasil tem uma maioria de afro-descendentes, o cálculo incorpora 43% de pessoas que teriam ascendentes ameríndios e brancos, além de africanos. A cor da pele que não seria nem “preta” nem branca” não indica necessariamente ascendência africana, a não ser no cálculo que fala em 51% de negros, que então passa a ser uma categoria racial que torna, na realidade, todos “pretos”.

    • http://vilarnovo.wordpress.com Pablo Vilarnovo

      Prezado Takata,

      “O autor erra. O IBGE subdivide os negros em pretos (que são os 7%) e pardos – negros são, portanto, a maioria entre 50 e 51%. ”

      O IGBE não divide a população da maneira que você colocou. O IBGE divide a população entre branca, preta, amarela, parda, indígena e sem declaração. Se fosse do jeito que você falou seria uma aberração estatística. Pode acessar o resultado do universo da última pesquisa acessando o link abaixo:

      ftp://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2010/Resultados_do_Universo/tabelas_pdf/tab3.pdf

      O fato que permanece é que ao juntar negros e pardos há uma maioria fabricada que, francamente, não faz a menor diferença no debate mas é utilizada para fins políticos e argumentativos. Porém é um argumento mentiroso tal qual o autor do texto afirmou.

      Outro problema é que a população parda (que é utilizada para “engordar o caldo”) não tem acesso aos benefícios das cotas.

  • Hugo Silva

    Apenas dois comentários pontuais sobre o texto:
    1- Quando alguém diz que “raça não é um conceito cientíico”, me parece óbvio que a pessoa está a dizer que BIOLOGICAMENTE não temos como separar raças. Entretanto, como o Takata falou, nada impede a sociedade de efetivamente realizar tal distinção e da ciência (no caso a antropologia ou a sociologia, por exemplo) levá-la em consideração.

    2- A citação do livro do Thomas Sowell perde muito de sua força pela afirmação feita acima (a qual eu acho correta, mas não acredito que leve, necessariamente, às conclusões que vc tira) de que a distinção entre brancos e negros no Brasil difere muito da de outros países (como os EUA). Assim, podemos dizer que é exatamente pelas nossas diferenças que as conclusões do estudo não se aplicariam.

    Abraço,
    Hugo Silva

    • Dawran Numida

      Pela Ciência, só existe a raça humana.
      Raça é mais um conceito ideológico e é a ideologia que molda raças e suas categorizações sem sentido.
      O que diferencia a cor, características etc. é a geografia e não a raça.
      Em Rwanda, colocaram em confronto Hutus e Tutsis.

      As duas categorias, foram criadas, através de medições de narizes, altura, tonalidade de peles e outras características físicas. Ou seja, criaram duas raças.

      Assim, dividiram a população e colocaram “tutsi” ou “hutu” em carteiras de identificação, gerando apenas ódio, que acabou explodindo no genocídio entre 6 de abril e 4 de julho de 1994.
      Mais de 800 mil pessoas foram massacradas a golpes de machetes e outras armas, em cerca de 4 meses.
      Se isso for o sentido de raça, é um atraso.
      Será que isso está na base das cotas raciais?

      • Hugo Silva

        “Pela Ciência, só existe a raça humana.
        Raça é mais um conceito ideológico e é a ideologia que molda raças e suas categorizações sem sentido.”

        É lógico q a base do que é raça é ideológica. É uma ideologia que é propagada na sociedade brasileira e produz efeitos discriminatórios em parcela de sua população. Vou tentar ser mais claro.

        A sociedade realiza divisões baseada em uma noção que ela tem de que as pessoas são diferentes uma das outras baseada em características aparentes dessas pessoas (cor da pele, tipo de cabelo, tamanho de nariz, etc.). Chamam isso de raças. Raças existem na sociedade, assim como castas existem na sociedade indiana (independentemente de razão biológica para isso).

        Poderíamos dar uma definição bem simples de sociologia dizendo que ela é o estudo da sociedade, isto é, o estudo da sociedade como ela é, como ela se apresenta. Assim, a sociologia pode constatar que, na sociedade brasileira, existe divisão por raças (a própria pesquisa do censo do IBGE não faria sentido se o contrário fosse verdade) e que essa divisão é acompanhada de preconceito, vivendo os negros e pardos em condições socioeconomicas e de oportunidades piores que os brancos (é só pegar qualquer censo e ver que as diferenças médias de condições de vida se dão de acordo com a “raça” das pessoas).

        Por outro lado, isso se manifesta também no acesso ao ensino superior: os brancos possuem acesso melhor e maior a escolas melhores e, portanto, são imensa maioria no ensino superior. É isso que as cotas visam remediar.

        • Dawran Numida

          As cotas não vão “remediar” a questão colocada do acesso ao ensino superior.
          O que resolverá a questão do ensino superior é quando a Educação básica, realmente, for universalizada e de qualidade. Hoje, não o é.

          E há um mito de que estudo superior facilita a empregabilidade. Pode até ser.

          Só que poderemos ter, em não tão longo tempo à frente, pessoas de curso superior executando atividades de segundo grau ou básico no mercado de trabalho.

          E com salários nominais em queda, dado a oferta de mão-de-obra com tais características.

          As cotas, reivindicam acesso e não qualidade de ensino. Se o ensino for ruim, nada realiza em termos de eliminar desigualdades.

          Os demais aspectos de sua resposta, são confirmações da ideologização de raças, cores e características físicas.

          E por falar em características físicas, os macacos, orangotangos e gorilas, possuem capacidade de andar eretos e possuem mãos com polegares opostos, como os da raça humana.

          Então, não há motivos para ficar discriminando pessoas, por certas caraterísticas, como mais parecidas ou não com macacos, gorilas e orangotangos.

          Todos os humanos o são.

          Assim, só vale repetir: a única raça existente é a raça humana.

          • Hugo Silva

            É díficil entender quando não se quer entender.

            1- Remediar não é sinônimo de resolver, logo o q disse não se aplica e não refuta o q eu disse pq eu nunca disse que resolveria a questão.

            2- O q tem a ver o aumento do número de vagas no ensino superior com as cotas? As vagas podiam continuar sendo em mesmo número, apenas reservando as vagas destinadas as cotas. Logo, o q vc escreveu sobre facilitar empregabilidade não tem relação com a questão.

            3- Pela última vez, é lógico que raças não existem e somos todos humanos, nunca neguei isso. A sociedade é quem faz divisões em raças. Fechar os olhos a essas divisões e fingir que a sociedade não as faz nunca resolveu nada (é só ver a situação de negros e pardos em comparação com os brancos). As cotas servem para remediar a questão de acesso ao ensino superior (isto é, fazer com que os números de pardos e negros no ensino superior seja proporcional ao seu número em nossa sociedade).

            • Dawran Numida

              Entender é fácil quando se entende.
              Que as cotas não servem, está claro.
              Não deve-se colocar aspectos que apenas remendem uma questão mais profunda. Ou se faz direito ou não se remenda.
              Cotas não resolvem e se não resolvem não deveriam ser implementadas.
              É esse o fulcro.

              • Hugo Silva

                É vc que quer jogar fora a geração atual (e umas futuras) para reformas que surtam efeito em apenas 20, 30, 50 ou 100 anos. Uma coisa não impede a outra. Não são alternativas. Cotas e investimento em educação básica.

                • Dawran Numida

                  Investimentos em Educação básica, sempre será melhor do que fazer qualquer tipo de discriminação.
                  Educação não apresenta seus resultados no curtíssimo prazo. O longo prazo conta mais. Em termos históricos, uma evolução da Educação no longo prazo, é rápida. Desde que se comece a fazer as coisas do jeito certo e não cortando caminhos com cotas e outras invenções.

  • Márcio

    Roberto Takata,

    Questiono sua afirmação: “O autor erra. O IBGE subdivide os negros em pretos (que são os 7%) e pardos – negros são, portanto, a maioria entre 50 e 51%.”

    Não é o que encontrei nas notas técnicas do IBGE:

    http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/notas_tecnicas.pdf

    Pardo é uma categoria independente, que de início substituiu mestiço.

    Gostaria de saber a fonte usada para afirmar que pardo nada mais é do que uma subdivisão de negros.

    Aliás, sua afirmação parece ignorar a existência do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, que foi contra as cotas.

    • Dawran Numida

      As respostas aos censos do IBGE são declarações dos entrevistados.
      Se o entrevistados declara-se pardo, qual a razão de alocá-lo como negro, ou branco.
      Se um negro declarar-se branco, como será? Será realocado para negro?
      Na realidade estão criando ou melhor, recriando o que já havia recuado no tempo e desaparecido, como o quesito cor nos documentos.
      Também havia o quesito cabelo e para pretos e negros, o tipo do cabelo era carapinha.

      No quesito cor, haviam preto, pardo, pardo escuro, pardo claro, branco.

      Se isso for para base das cotas, é um retrocesso.

  • Daniel Duarte

    Concordo com o Roberto Takata. Além disso gosaria de discutir outros argumentos utilizados. Queria deixar claro que não sou a favor nem contra as cotas, pois não tenho dados suficientes para decidir isso.
    Em primeiro lugar acho que o autor simplificou o argumento de quem é a favor das cotas. Existem outros pontos a favor.
    Discordo também da opinião de que ser negro torna o indivíduo “insuspeito de ser racista”.
    Não achei suficiente a explicação do motivo pelo qual o estado é ineficiente no dever de classificar quem é ou não negro, pois casos isolados importam pouco. Podemos buscar exemplos isolados de beneficios das cotas ou de sucessos nessa tarefa de definir quem pode usufruir das cotas. O que é importante é o coletivo.
    Uma discussão que acho fundamental é o da função de uma universidade. Antes de questionarmos quem deve ter acesso a ela, seria muito importante definir qual é o papel dela na sociedade.
    “…Mas esse fato não torna o Brasil um país racista em sua essência, pois aqui as etnias convivem de maneira razoavelmente próxima, com poucos conflitos de cunho racial, graças à miscigenação que constituiu o povo brasileiro desde a época colonial…” – concordo que não haja conflitos, mas há sim prejuízo. Não há conflito pela cultura do brasileiro de se mostrar “amigo” sempre, mas no fim das contas o negro tem menos acesso. Aí pergunto se isso não é racismo.
    Outro ponto é a opinião de que o acesso à universidade deve ser pela meritocracia. Fazer a mesma prova e concorrer às mesmas vagas não mede o mérito, já que as condições são diferentes.
    Além disso, a própria meritocracia pode ser questionada. Por quê deve entrar quem tiver mais mérito? Não estou defendendo que o certo seja o contrário, mas estou pontuando que isso não é muito discutido, apesar de ser é fundamental. Como cristão, devo, pelo menos, perguntar-me.
    Reafirmo que não sou contra nem a favor das cotas. Apenas não sei e acho que falta uma discussão mais bem fundamentada, que é realmente difícil. Ela deveria ser repartida em muitas discussões menores, para definir muitas coisas e alinhar os pensamentos de quem estiver debatendo.

    • Dawran Numida

      O melhor seria acabar com cotas, de qualquer espécie e investir, de verdade, em Educação, da creche até o segundo grau técnico ou não.
      Faculdades e universidades seriam por mérito e não por categoria.
      Isso porque raça é a humana.

    • Dawran Numida

      A meritocracia tem de ser prevalecente, porque todo representante da raça humana tem condições evoluir de foram contínua e criar coisas que beneficiem toda a humanidade.

      E também, porque, universidade, é para pesquisa científica e para aplicações tecnológicas.

      Universidade não é lugar para divisões, exceto a de átomos.
      Universidade é para gerar conhecimento.
      Simples.

  • Maria Ivonilda

    Os pontos são vários, alguns já foram colocados nos comentários anteriores, então vou tentar ser breve.

    Éder Souza, gostaria de entender melhor como você pensa que é possível relacionar o fenômeno do preconceito contra negros à idéia de que o Estado não deve interferir nesse fenômeno, que, segundo você mesmo diz, existe, mas não torna o Brasil um país essencialmente racista. Dito de outra forma, gostaria de entender como você, um estudante de História na USP, sustenta o argumento de que a aplicação do sistema de cotas é uma medida justa, mas apenas na medida em que não incorre em uma “reparação histórica”, como você mesmo coloca.

    Falo isso porque o cerne da discussão, ao meu ver, está entre os parágrafos sexto e sétimo, mas o que é colocado ali, ainda segundo a minha opinião, não é suficiente para delimitar e esgotar a questão nem do ponto de vista teórico, tampouco do ponto de vista prático. Você cobra consistência de quem defende as cotas, mas peca quando aponta exemplos pouco satisfatórios acerca da discussão (não entendi porque no sexto parágrafo você sugere que devemos descartar os EUA como parâmetro e no oitavo você o aponta como exemplo maior daquilo que pretende mostrar).

    Não sei de onde você tirou a idéia de que quem defende as contas julga a si mesmo como portador da libertação dos negros. Quando você diz que “um dos maiores cerceadores da liberdade do negro atualmente é exatamente quem quer nos defender da opressão e nos diz ter as chaves para a libertação: o movimento afirmativo”, você comete um equívoco, pois esses grupos não respondem sozinhos pelo sucesso das cotas, até onde pude acompanhar, a adoção das cotas não é uma medida de caráter definitivo, tampouco pretende ser identificada como a chave para a libertação dos negros. Aproveitando essa linha de raciocínio, passo, então, a questionar o seguinte: queria entender porque você pensa que a implementação de projetos que visem a melhoria do ensino de base pode estar desconectada (em termos de funcionamento) da adoção de sistemas de cotas. Você tem dados sobre países que estão em condição semelhante ao Brasil que tiveram algum problema neste sentido? Sei que você está sugerindo que a reforma no sistema básico de ensino deveria vir antes, mas acho que você deveria ser mais firme nesse ponto, usando mais exemplos para ilustrar a idéia de que o sistema de cotas não funciona em países como o Brasil — onde os problemas referentes ao preconceito contra negros e ao sistema básico de ensino coexistem.

    • Dawran Numida

      O racismo e o preconceito deveria ser punido,fortemente, com base em leis claras.
      Atualmente, existe o crime de injúria e injúria racial.
      Então, se alguém chamar um negro de negro sujo e não falar que todo negro é sujo, é injúria.
      Seria injúria racial se a ofensa fosse contra todos os negros e não ao indivíduo negro.
      Dessa forma, na prática, jamais haverá algum enquadramento ou punição.
      Como é lei, vale para brancos, pardos e outras categorias.
      Aliás, por curiosidade, como um branco reagiria se fosse chamado de branco sujo? Se fosse impedido de entrar num clube, num restaurante?
      Isso é hilário, não é?

      • Nicole

        Não, não é.

  • Maria Ivonilda

    Esqueci de comentar, mas concordo com aquilo que o Daniel Duarte ressaltou quando disse que não é o fato de o indivíduo ser negro que o torna “insuspeito de ser racista”. Logo, penso que essa parte do texto onde você diz “Thomas Sowell, renomado economista norte-americano e insuspeito de ser racista (ele é negro)” poderia ser reformulada.

    • Dawran Numida

      Racismo não é questão de cor.
      Qualquer um pode ser racista, bastando ser ignorante e acreditar em raça superior.
      Simples.

      Agora, se quem pensar assim, agir assim, ser pego e punido na forma da lei, acaba o problema ou coloca um forte óbice contra o problema e seus praticantes.
      Simples.

  • http://neveraskedquestions.blogspot.com Roberto Takata

    Márcio,

    Vide, por exemplos:
    “As categorias relativas à cor das pessoas, contempladas nesta análise, são branca, negra (formada pelos pretos e pardos) e outras (que inclui os indígenas e os orientais).”
    http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/populacao_jovem_brasil/populacaojovem.pdf
    ———-
    “Conforme convenção do IBGE, no Brasil, negro é quem se autodeclara preto ou pardo, pois população negra é o somatório de pretos e pardos. ”
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142004000100006
    ———-

    De fato ignorava o Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro (uma iniciativa do movimento neointegralista – é feio falar fascista?). Mas não sei em que isso pesa contra a minha argumentação. Não sei qual a representatividade deles. Além disso, pesquisas sociológicas mostram que preto e pardos – embora haja diferenças quantitativas – estão expostos a preconceitos raciais.

    ————-
    De resto, o site deles é uma mistura interessante (concedo que há um certo grau de eufemismo aqui) que vai do negacionismo do aquecimento global a um sentimento antijudaico mal disfarçado, passando pelo antifeminismo (misoginia?) e anti-indigenismo.

    []s,

    Roberto Takata

    • Márcio

      Roberto Takata,

      Li suas referências. Na primeira, pode-se notar que somente para o artigo em questão, juntou-se duas categorias diferentes do censo. Ainda há ressalva no próprio artigo sobre a salada metodológica de que em um dos censos a denominação pardo inclui os indígenas.

      Além disso, para o artigo citado, há ainda uma categoria denominada outras, que inclui os orientais e de novo os indígenas. Ou seja, uma referência específica que não se aplica ao geral. A não ser que você diga que para o censo tanto faz negro, pardo, índio ou oriental. Se fosse o caso do censo ter abordagem semelhante, seria obrigatório algum comentário nas notas técnicas do censo, que não encontrei.

      Na segunda, a informação consta de um resumo de um artigo, mas não cita as fontes do IBGE. Aliás, nem bibliografia pude encontrar. Ou seja, informações cuja procedência é duvidosa.

      Sobre o Movimento Pardo-Brasileiro: as opiniões do movimento para além das cotas não vem ao caso. A própria existência dele demonstra que há uma identificação parda diferente de branco ou negro.

    • Dawran Numida

      Bem, aquecimento global não existe.
      Mesmo.
      Já foram pedidos até desculpas por erros na interpretação do que estaria ocorrendo com o planeta.

      De outra forma, “o planeta sempre arrumará uma maneira de sobreviver sem nós”. “Então a luta é pelo salvamento da raça humana e não do planeta”.

      Assim, os maias não acertarão o vaticínio.
      E o Atlântico não inundará Santos, chegando até o Jabaquara.

  • http://neveraskedquestions.blogspot.com Roberto Takata

    Uma crítica ao trabalho de Thomas Sowell sobre ações afirmativas pode ser lida em:
    James P. Sterba. 2004. Completing Thomas Sowell’s Study of Affirmative Action and Then Drawing Different Conclusions. Stanford Law Review, 57(2): 657-93
    http://www.jstor.org/stable/40040213
    —————-

    []s,

    Roberto Takata

  • João

    “O autor erra. O IBGE subdivide os negros em pretos (que são os 7%) e pardos – negros são, portanto, a maioria entre 50 e 51%.”

    Ok, amigão. Agora me explica porque 100% dos mestiços são colocados no grupo dos pretos, e 0% são colocados no grupo dos brancos, e depois me faz um malabarismo bem criativo pra me fazer acreditar que a idéia sobre a distorção da proporção de brancos/pretos propagada pelos pró-cotas que citou Éder está errada.

    “O olhômetro é bastante eficiente em fazer a distinção e o resultado é uma clara discriminação dos negros.”

    Isso depois que você já separou todos os seres humanos que compõe o Brasil em brancos e negros, criando estereótipos, entrando no que o Éder citou dos perigos da criação da “única história”. Mas essas coisas não incomodam os politicamente corretos.

    “Ou um negro tem as mesmas chances que um branco, nas mesmas condições socioeconômicas, em uma entrevista de emprego?”

    A entrevista de emprego, todos nós sabemos, não seleciona com base apenas no mérito. Então é de se esperar distorções mesmo, até mesmo racistas. Mas isso é outro assunto. Muito mais complexo. Já o vestibular mede, em tese, o mérito, tanto que não se pede pra colocar a cor da pele pra fazer um… Quer dizer, não se pedia até pouco tempo atrás.

    “De resto, não sei em que dados o autor se baseia para afirmar que os sistemas de cotas não beneficiam “os reais necessitados, os pobres de diversas etnias.”

    Como assim, dados, Takata? Mas que jogo sujo. Se é pra responder assim, não responda nada, porque para o Éder ter dados sobre o assunto, ele teria que esperar uns 20 anos e fazer uma pesquisa impossível prar determinar se a melhoria da vida dos brancos pobres se deveu às cotas racias para pretos (ricos ou pobres). O argumento dele tá lá bem claro. Os reais necessitados são os pobres, brancos ou pretos. Os defensores das cotas acham que os reais necessitados são os pretos, pobres ou ricos. Vários pobres de diversas etnias são excluídos logo de cara, pela própria definição da cota racial, e você vem pedir “dados”.

    Abraços e muita paz e amor.

    • Hugo Silva

      A entrevista de emprego, todos nós sabemos, não seleciona com base apenas no mérito. Então é de se esperar distorções mesmo, até mesmo racistas. Mas isso é outro assunto.

      Outro assunto? Estamos falando q existe preconceito de cor na sociedade. Q esse preconceito efetivamente divide as pessoas segundo a maior ou menor predominância de características do fenótipo negróide. Q as pessoas identificadas como negras sofrem preconceito.

      Não é ele q está criando estereótipos, mas sim a sociedade ao dividir as pessoas desse modo. Ele apenas está defendendo que isto acontece na sociedade e, portanto, a divisão entre negros e brancos ainda q não científica, q sujeita a imprecisões muitas e q não seja uniforme em nossa sociedade, é suficiente para motivar preconceito (ainda q velado).

      E vc não parece discordar disso pq reconhece q a entrevista de emprego pode se guiar pelos preconceitos existentes na sociedade. O único problema é q vc parece achar q as cotas serviriam para impedir o preconceito durante a seleção (a prova do vestibular).

      Muito pelo contrário, trata-se de dar oportunidades para aqueles que as tiveram negadas para desenvolver suas capacidades. A não ser q vc acredite q estudam nas melhores escolas (particulares), os estudantes com maiores capacidades…

      Como assim, dados?

      Dados para mostrar q as cotas beneficiam apenas ou majoritariamente pessoas de cor negra q estudaram em escolas particulares, ou com renda familiar alta. Não precisa esperar 20 anos para isso não, é só comparar a renda dos cotistas com a dos não-cotistas.

      Não se trata de determinar se as cotas “serviram para diminuir a miséria na sociedade” e o quanto. Mas se as cotas beneficiam aqueles que são mais pobres e tem menos condições, agora, no presente.

      • Dawran Numida

        Discordo.
        As cotas não resolverão o problema do melhor ou menor preparo para o vestibular ou emprego.
        Não foi pensada para isso e nem o será.

        Outra coisa que, ao menos parece, está confusa.
        Sempre que se fala em pretos ou negros, ou pardos, dá a impressão de que quanto mais pobre a pessoa, mais negra, mais preta, mais parda ela seria.

        Oras, se assim o fosse, quanto mais pobre mais negro, só haveriam negros no Brasil.

        Outra coisa é sobre os indígenas.
        Como podem querer colocar indígenas como negros ou pardos? Ou como brancos?
        Por acaso, há indígenas negros? Pardos? Pretos?
        Se ficarem querendo achar uma categoria para incluir os indígenas, não encontrarão.

        Então, o critério de cores e raças não é o melhor para tratar do assunto.

        O problema é o empobrecimento geral das pessoas que têm de sustentar uma burocracia estatal inchada e ineficaz, de forma compulsória.
        Sejam elas negras, pretas, pardas, indígenas, brancas, ou qualquer outra categoria.

        Por isso, também, é que os recursos para Educação são escassos.

      • Gabriel

        Alguns comentários gerais

        Vi muitos dos defensores das costas partirem do pressuposto que uma discriminação na entrevista de emprego seria solucionada pelas costas na Universidade.

        Esse raciocínio é falacioso e muito ingenuo. se alguém é racista o critério de decisão dele para contratar se resume a não contratar um “negro”. Se o negro entrou por cotas e agora é mais qualificado que o “branco” que compete um empregador racista muito provavelmente preferirá não contratar ninguém a contratar o negro. O racista é um idiota que comete o mesmo erro que aqueles que defendem cotas, que existem raças e que não somos todos iguais, como é biologicamente provado. O fato de haver um “negro” educado não vai mudar sua opinião, mas punições exemplares para racistas e uma educação melhor vão resolver o problema.

        As cotas não mudaram esse problema. Só afetarão a meritocracia de entrada na universidade e penalizarão os ” brancos ” pobres que não tem culpa nenhuma da situação atual ou do racismo histórico sofridos “negros”

        Vale lembrar que um dos grandes interessados em provas a diferença de raças no campo da sociologia eram os sul africanos defensores do apartheid. Esses queriam provar que se existiam diferenças entre os povos e que se fossem misturadas com os brancos as raças, ou as etnias como passaram a chamar não seriam preservadas.

        Nos E.U.A. país que inspiraram e exportaram as cotas a situação de negros e brancos era bem diferente, não existindo o conceito de mulato. Segundo eles um antepassado negro te tornava negro (lei da gota de sangue), os negros e brancos deveriam ser proibidos de procriar e se misturar e as sociedades deveriam ser separadas.

        Essas situações não ocorreram no brasil, vide mulatos, e mesmo com toda essa situação nos E.U.A as cotas fracassaram vergonhosamente em corrigir os problemas americanos. Tanto que agora foram abolidas pois a discriminação reversa que elas se baseiam foi considerada uma discriminação, contraria ao espirito da constituição americana. Vale dizer que discriminação reversa com base em caráter sócio econômico , que na minha opinião faz sentido, ainda vale.

        Não somente isso mas o primeiro presidente negro não teve nada a ver as cotas ou esses grupos de pressão.

        As cotas são baseadas em pensamentos antigos e já refutados, por premissas usadas pelos nazistas na segunda guerra e pelos sul africanos do apartheid. Elas não resolvem os problemas e muito menos ajudam a corrigir racismo.

        admiro ao Éder se colocar contra um beneficio que lhe foi concedido por ser contrario ao espirito desse beneficio. Isso mostra caráter.

  • Fabio

    Há alguns fatores inegáveis:

    – Quando eu procurar um médico para me operar, buscarei um da USP. Se o sistema de cotas for aprovado, não aceitarei um médico negro, afinal, não sei se ele obteve privilégios em busca de seu diploma, enquanto que o medico branco, com certeza nao obteve. Ou seja, acredito que o sistema de cotas é a institucionalização do racismo, e ela dá argumentos que me permitam ter esse tipo de preconceito.

    – É quase irrelevante a importancia que deveria ser dada para a definicao da raca, de quem é negro ou de quem é branco. Isso é resolvível. O problema maior é que os negros beneficiados serão os que moram no meu condomínio, e estudaram a vida inteira em escola particular. Ilusão acreditar que não.

    – Quando há a sugestão de cota por classe social, o parâmetro não é a renda da pessoa. Infelizmente o cara que defende as cotas acha que o parametro de cota social é renda. Talvez por ser um ponto mais fácil de atacar. NÃO É RENDA!!! Diz respeito a onde foram realizados os estudos do candidato. No caso, a cota é para quem realiza o ensino médio em escola pública. Nada mais justo, afinal, mesmo um candidato com dificuldade financeira pode através de extremo esforço conseguir pagar uma escola particular. Nesse caso, ele deveria concorrer com seus iguais. E o oposto também é verdade. Um candidato um pouco mais abastado pode ter enfrentado um série de problemas e não ter tido condições de bancar uma escola particular.

    – Cota racial é um insulto ao negro de boa fé. Você está simplesmente falando que ele não tem a mesma capacidade do branco para realizar uma prova (vestibular). Se a mensagem a ser passada é de que não teve as mesmas condições, nesse caso, a cota indiscutivelmente tem que ser social.

    • Dawran Numida

      Cota social, na realidade, é Educação básica de qualidade e universalizada.

  • Vitor S

    Acredito que o argumento do Éder de que os reais necessitados não serão favorecidos pelo sistema de cotas faz sentido. Alunos de diversas etnias que vem de escolas públicas muito fracas não terão mínimas condições de passar , mesmo com o sistema de cotas. E como o ensino público não esta bom e parece não dar sinais de mudar tão cedo , estes alunos , vindo das mesmas péssimas escolas públicas nunca terão chances de passar em uma universidade. A cota favorece quem já tinha alguma chance de passar no vestibular , estudou em instituições um pouco melhores e pode alcançar certa pontuação em exames de vestibular. A solução seria mesmo melhorar o ensino público mas como já dito pelo Éder , seria a solução a longo prazo.

  • Flávio

    Para os negros realmente sem oportunidades de educação ascenderem socialmente, as cotas deveriam ser não apenas raciais mas sociais, mas se a cota social existe ela dispensaria a cota racial, afinal se os negros são maioria entre os pobres logo a cota social beneficiaria os negros.

    Se o negro é capaz de estudar em uma escola pública tanto quanto o branco, e os vestibulares não pedirem foto e nem perguntarem raça, porque um negro seria prejudicado em um sistema de cotas sociais?

    • Dawran Numida

      E os brancos sem oportunidades de Educação de qualidade?

  • João Philippe

    O grande fator de restrição à entrada na universidade é econômico, e não social. Se você tiver condições de estudar em bons colégios, suas chances de passar no vestibular são muito maiores do que a de quem estudou a vinda inteira na escola pública mais próxima e ainda tinha que ajudar no negócio familiar e/ou tomar conta do(s) irmão(s) mais novo(s). Isso independente de cor de pele.

    As cotas raciais tendem a beneficiar exatamente aqueles que delas não precisam: pessoas de pelo escura de classe média pra cima, que estudam em boas escolas e que já teriam boas chances de ingressar no ensino superior. Depois destes morderem suas vagas (que tendem a ser as mais cobiçadas, nos cursos mais prestigiados), restará aos negros menos afortunados disputar as migalhas que sobrarem. Não creio que seja essa a ideia dos proponentes das cotas raciais, mas tal resultado é facílimo de se prever.

    A questão é facilitar o acesso ao ensino superior a quem tem menos chance de nele ingressar, e quem tem menos chance é o pobre, independente de qual cor seja. Uma cota que siga critérios econômicos é muito mais adequada à nossa realidade do que a racial, que acho que faz sentido em lugares onde a discriminação era oficial, onde por mais abastado que fosse, um negro sempre seria inferior a um branco aos olhos do Estado. Não é o nosso caso. Nosso racismo é diferente do deles, e portanto deve ser enfrentado com armas e métodos diferentes.

  • Thiago

    Gostaria de lembrar as pessoas que estão a criticar o texto que diversas pessoas da dita “raça negra” são tão poderosos, ricos e influentes quanto os ditos “brancos”.

    Por exemplo, usando o “olhômetro”, o casal o Barak e Michelle Obama (eleitos em um país dito elitista e, porque não, racista – na ideia dos guetos), Tiger Woods (melhor jogador de golf dos últimos tempos), Lewis Hamilton (campeão da fórmula 1), Nelson Mandela, Martin Luther King, Will Smith, Michael Jackson, Beyoncé, e por aí vai.

    Para não ficarmos somente no exterior, no Brasil podemos citar Gilberto Gil, Joaquim Barbosa, Marina Silva e Netinho de Paula.

    Qual o ponto central de todas essas pessoas? Justamente o defendido pelo Éder, o estudo, a dedicação e, claro, a oportunidade.

    Para mim, somente de saber o estudo de que as cotas falharam em outros países seria argumento mais do que suficiente para tomar um outro caminho. Está mais que claro, que num país multiétnico como o Brasil, não há como “classificar” as pessoas pela cor da pele. Até porque é um absurdo fazê-lo.

    O olhômetro se chama preconceito e é o câncer desse país, junto com a classe política. Quando esses dois problemas forem atacados de frente, talvez realmente o Brasil se torne “um país de todos”.

    • Hugo Silva

      1- O estudo citado no artigo foi feito em países com realidade racial diferente da brasileira, razão pela qual esse estudo, obviamente, deve ser levado em consideração com reservas. Além do mais, é um estudo e não uma sentença cabal.

      2- O olhômetro é o preconceito com certeza e é pelo fato dele existir que a divisão em raças (ainda que seja feita de modo muito arbitrário e confuso pela sociedade) existe e pode ser levada em consideração.

      Abraço

  • Carlos Santos

    Concordo com a maior parte das coisas citadas no texto. Trabalho na Universidade Estadual de Campinas já há 25 anos e observo que a presença de pessoas da raça negra/preta é realmente irrisória e além disso, na faculdade onde trabalho os pouquíssimos negros que estudam são da classe B ou superior e realmente tiveram acesso a boas instituições de ensino de base.

  • http://srtabia.com Bia Cardoso

    Achei o texto publicado ruim, porque não cita e não leva em consideração nenhum resultado que já foi alcançado até agora no Brasil com a implementação de cotas nas universidades federais.

    Só na UnB, o Sistema de Cotas para Negros, que completou oito anos de existência em 2012, possibilitou o ingresso de 5.737 estudantes negros nos cursos da Instituição. E dessas 5.737, dificilmente a maioria possui situação econômica alta. Depois que o STF declarou as cotas constitucionais, é preciso analisar dados em relação aos estudantes e sua atuação nas universidades para avaliar o sucesso ou não do projeto, ao invés de negar as dificuldades de ingresso da população negra na universidade. Meritocracia só premia quem está no topo da pirâmide e não elimina as desigualdades sociais. As cotas são uma resposta provisória e emergencial ao abismo racial que vemos nas universidades federais brasileiras. E deixo o depoimento de uma universitária negra: http://ativismodesofa.blogspot.com.br/2012/05/guestpost-arma-mais-poderosa-na-mao-do.html

  • http://srtabia.com Bia Cardoso

    Fora que a interpretação que tenho da Chimamanda Adichie é que ela critica justamente o discurso hegemônico da História construída e escrita a partir das ideias e dos feitos do homem branco destemido e salvador. Como as negras e negros poderão contar sua própria história sem acesso pleno a universidade?

    É claro que as cotas são uma medida provisória em resposta ao sucateamento do ensino fundamental e médio. Porém, não se pode esperar a reorganização do ensino básico e esperar que só daqui a 15 anos as negras e negros tenham as mesmas condições num vestibular (que tbm tem seus problemas como ferramenta de educação).

    Então, vale sempre lembrar que não somos um país com raças sem conflito http://www.ler-qi.org/spip.php?article1168

    • Dawran Numida

      Os conflitos advém da ignorância.
      A ignorância advém da baixa Educação.
      A baixa Educação advém do desleixo no trato da Educação.
      Se a baixa Educação atinge mais negros, pardos e pretos, como categorias inventadas, mesmo se ela, a Educação, melhorar, na base, também não os atingirá.
      As cotas, idem. Pegarão uma pequena camada, que, dentro da universidade, sequer será notada.
      O problema é de base econômica e educacional básica e não de cores e raças no ensino superior.

    • Dawran Numida

      A história do povo brasileiro deverá ser estudada e contada pelo povo brasileiro.
      Pouco importa ter ele qualquer característica física.
      Senão, seriam criadas tantas castas, quantas forem as razões de interesse.
      Ou seja, brancos reivindicando ser mais brancos que outros.
      Negros mais negros.
      Pardos mais pardos.
      Pretos mais pretos.
      Índios mais índios.
      E cada um contando a história a seu modo?
      Não dará certo.
      História não é conto de fadas, onde sempre há quem seja bom e sempre quem seja mau.
      A simples inversão disso, não significará uma história diferente, mas, sim, uma história pouco verdadeira.
      E mentirosa, seja lá quem for que a escreva com tais objetivos.

  • Michelle

    Nuossaaaaaa, por isso que este país não vai prá frente. Não sei porque os esquerdistas tupiniquins acreditam que só no Brasil vai ser diferente, que aqui- como tudo (kkkkk)- vai dar certo o sistema de cotas.

    ACORDEEEEEMMMMMMMMMMMM!

  • Anônimo

    O que realmente me espante é como se dá de barato que pardos são negros. A mestiçagem pressupõem brancos e negros (ou duas outras cores de pele, sejam quais forem). Logo, por que ignorar que na herança genética dos pardos há também brancos?

    Não sou negro, nem pardo, nem especialista em nada – mas isso me parece um grosso preconceito: é como se, por haver uma pessoa de pele negra na carga genética, a pessoa já se tornasse totalmente negra; como se os de cor branca tivessem que ser sempre “puros” e os de cor negra pudessem ser qualquer coisa, tudo misturado aí, que se dane.

    Para mim, um mestiço – como o Pres. Obama, por exemplo – é tão branco quanto negro. Quem acha diferente, ou quer tirar vantagem, ou quer sustentar um argumento tolo – ou é, pura e simplesmente, racista.

    • Hugo Silva

      Vc confunde o conceito mais ou menos biológico ou natural de mestiçagem com o conceito social de mestiçagem. Lógico que mestiços são resultado da mistura de brancos e negros (ou outras etnias). Ninguém nega isso. O que está em questão é o modo como eles são tratados. E não precisa ser muito perspicaz para perceber que a sociedade não trata todos os mestiços (ou pardos) de modo igual. Nossa sociedade trata de modo mais discriminatório e preconceituoso conforme a pessoa tenha mais características do fenótipo negróide.

      Isso porque a nossa sociedade não liga (via de regra) pras origens nessa questão, mas sim pra aparência dessas pessoas. Por isso não interessa que a pessoa tenha descendentes brancos e negros: quanto mais negra a pessoa aparentar (não interessa que seus antepassados sejam majoritariamente de origem caucasiana), mais preconceitos tenderá a experimentar; quanto mais branca, menos.

      Por isso, pardos e negros podem ser colocados como uma única categoria (é só ver as várias pesquisas socioeconomicas do IBGE e constatar que pardos e negros se equivalem em acesso precário a direitos básicos, em renda e etc.). Enfim, não estamos falando que “achamos” que pardos são negros e desconsideramos sua parcial herança genética caucasiana, mas sim que o nível de preconceito ao qual a pessoa estará tendencialmente sujeita durante a sua vida na sociedade brasileira aumenta conforme mais a pessoa possua as características negróides (cabelo crespo, nariz achatado e largo, cor da pele escura, etc.).

      • Dawran Numida

        Mais uma vez: as cotas não resolverão nada disso.
        E se não resolverão, para que adotá-las?

        A forma de resolver é investir em Educação, ou melhor, passar a entender Educação como algo sério e não como forma de dar sucesso eventual a um processo ruim que pode aproveitar-se desse parco número de cotistas no ensino superior.

        Qual o tempo necessário para que os investimentos em Educação comecem a dar seus frutos? 50 anos? 60, 70 100 anos? Pois, que se comece agora, a sério.

        O racismo e o preconceito são resolvidos, uma parte pela universalização da Educação de qualidade, outra através de normas claras de impedimento de tais atos.

        E aqui fala-se de racismo e preconceito, em geral e não só contra pretos , negros, mulatos, indígenas, pobres, brancos etc.

        • Hugo Silva

          Uma coisa não impede a outra. As cotas são um remédio enquanto os frutos do investimento em educação básica não vierem. Não é uma alternativa entre investir em cotas ou em educação básica. Investe-se em educação básica e fazem-se cotas como paliativo, simples assim.

      • João Paulo Rodrigues

        O erro é tomar pardos por pessoas de aparência negróide (seja lá o que isso for). Entre pardos há, certamente, um enorme contingente de pessoas que não possuem essa aparência, pois os índios foram totalmente excluídos dessa equação. Mas eles servem para engordar a estatística e comprovar, assim, o raciocínio. A realidade é menos linear, como comprova o devastador preconceito contra indígenas e contra nordestinos, por exemplo, muitos (maioria?) dos quais possuem um fenótipo (de novo, seja lá o que isso for) dificilmente classificável dentro do que imagino (já que ele nunca é realmente explicitado, como mostra o caso da UnB) seja o perfil estabelecido pelo raciocínio cotístico (homogeinizo, paesar de saber que lá deve haver também muita variedade de opiniões).

        O que remete justamente para isso: no fundo a questão é de aparência e, portanto, a afirmação de que não importa a categoria de raça biológica é uma quimera, pois no frigir dos ovos, as cotas precisam que as pessoas tenham na cabeça uma determinada noção de quais são os “tipos” negróides, a despeito da impossibilidade de sua definição, que uma sociedade como a brasileira deixa ainda mais patente. Esse é um dos grandes problemas, para mim, das cotas raciais: elas nos colocam de volta lá no início dos debates do racismo sobre a definição biológica das raças. Em vez de possibilitar que as pessoas percam toda e qualquer referência à cor ou outro atributo físico como forma de classificação e hierarquização dos indivíduos, as cotas fortificam essa forma de ve-los.

  • http://leorossatto.wordpress.com/ Leonardo

    Os argumentos são válidos, apesar de bem rebatíveis. Mas o texto soa (no nome, inclusive) como uma resposta a um texto meu de abril. Simples, sem tantos dados empíricos, mas que enxerga a discussão por um outro viés:

    http://leorossatto.wordpress.com/2012/04/27/cotas-raciais-na-visao-de-um-branco/

    Pode até ser que o sistema de cotas não dê certo. Mas me incomoda essa panacéia da “educação básica de qualidade” como solução para tudo. Parece um simplificador barato, uma massa de reboque usada pra resolver qualquer problema. Sou um defensor ferrenho da educação básica de qualidade, mas isso não vai resolver a situação no país do dia para a noite. Para isso existem programas assistenciais, existe a discussão acerca das cotas e outras atitudes que, mesmo paliativas, ajudam a melhorar imediatamente o problema. Mesmo que parte disso seja revelar o preconceito que estava latente na sociedade.

    Gosto quando uma pessoa que passou a vida toda fazendo o papel de politicamente correta é obrigada a revelar um preconceito. Mostra apenas que ela sempre teve esse preconceito, mas antes estava confortável o suficiente para não precisar expô-lo à sociedade. Expondo o preconceito, ela pode ser atacada. E atacando-se o preconceito, você ajuda a dissuadí-lo.

    Então, acho que à luz fria dos números, não dá pra dizer que “as cotas aumentaram as diferenças sociais e o preconceitos”. Só expuseram preconceitos que sempre existiram. E isso é bom,por incrível que pareça

  • Hugo Silva

    Mais dois comentários sobre intervenções aqui.

    1- Alguns parecem não perceber que as cotas (tanto raciais quanto sociais) não são obrigatórias. Para as cotas beneficiarem apenas pessoas negras ricas, é necessário, em primeiro lugar, que essas pessoas se candidatem a essas cotas. Acredito q não temos como saber se isso de fato acontecem ainda (eu, pelo menos, não vi estatísticas). O q torna isso mera especulação. Não é, portanto, ilusão acreditar que isso não ocorra (quer dizer, não mais do que é ilusão acreditar q ocorra).

    Ignorando-se essa questão, é uma falácia dizer que o preconceito no Brasil é apenas economico. Várias são as estatísticas publicadas nesse país que mostram que o negro vive pior q o branco dentro de qualquer classe economica (assim como a mulher tem renda menor q o homem em qualquer classe, o q cria a perspectiva do mais excluído como sendo pobre, mulher e negra). As cotas sociais podem atacar o problema economico, mas não fazem nada contra o problema racial. Se o negro vive pior (tem menos renda e acesso a serviços básicos) em qualquer faixa de renda, cotas sociais continuariam excluindo mais negros que brancos, isto é, dentro dos candidatos beneficiados pelas cotas sociais a imensa maioria seria de brancos (maior do que sua representatividade no corpo social).

    2- Acreditar que o vestibular (ou qualquer prova aplicada) mede mérito, capacidade e etc. é que é uma ilusão. As cotas não pressupõem que o negro é menos capaz, mas que teve menos oportunidades de desenvolver suas capacidades do que um branco em igual situação economica.

    Abraços

  • Marcelo

    Excelente texto. Parabéns. E muito bom o comentário do João.
    Agora uma pérola de um comentário acima:

    “Só na UnB, o Sistema de Cotas para Negros, que completou oito anos de existência em 2012, possibilitou o ingresso de 5.737 estudantes negros nos cursos da Instituição.”
    Poxa e eu esperando que a cota para negros aumentasse o número de japoneses na instituição…

  • http://neveraskedquestions.blogspot.com Roberto Takata

    Mais exemplo:
    “Quanto ao quesito raça, ainda que os dados da PNAD e da NHIS considerem uma gama variada de cores/raças (no Brasil) e grupos étnicos (nos EUA), vamos nos ater, por razões de comparabilidade, aos grupos ‘Brancos’ e ‘Negros’, incluindo neste último os indivíduos que se declaram ‘Pretos’ e ‘Pardos’. Esta classe, ‘Negros’, criada a partir da junção de ‘Pretos’ e ‘Pardos’ tem mais afinidade com o conceito ‘Black’ utilizado nos EUA e na linha dos afrodescendentes, como reivindicam os movimentos negros.”
    http://www.ence.ibge.gov.br/c/document_library/get_file?uuid=b1c86207-4eee-4d48-9dd1-24a3d12d31d6&groupId=37690208
    —————

    Se prestar atenção nos estudos do IBGE, os pardos e pretos em geral acabam agrupados e contrastados com as situações socioeconômicas dos brancos.

    E.g.:
    http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=737
    http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/marco2009.pdf
    http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1078&i
    http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1116&id_pagina=1

    etc. etc.

    Márcio: “Sobre o Movimento Pardo-Brasileiro: as opiniões do movimento para além das cotas não vem ao caso. A própria existência dele demonstra que há uma identificação parda diferente de branco ou negro.”

    Até vem porque está tudo misturado lá – tudo sob raiz fascista.

    A existência dele mostra apenas que há um grupo que se identifica distintamente. Não que não se possa agrupar o que o IBGE subdivide (para fins de levantamento censitário) em pretos e pardos em um conjunto, para fins de denominação, chamado de negros.

    O agrupamento tem justificativa em termos de estudos sociológicos, que mostram a exposição de membros de ambos os grupos a formas similares de exclusão social e exposição à discriminação – ainda que haja variação quantitativa (quanto mais clara a pele e mais branco o fenótipo, menor a exposição à discriminação).

    []s,

    Roberto Takata

    • Márcio

      O seu primeiro parágrafo esclareceu tudo: os termos são agrupados na análise para comparar com o termo “Black” dos EUA e para se conformar com o que os movimentos negros reivindicam. Até que ponto isso “enquadra” os estudos é outra análise.

      Porém, mais uma vez, os exemplos mostrados continuam sendo para análises específicas, diferente dos dados do Censo. Você pode dizer que para alguns dados os negros e pardos são parecidos e faz sentido agrupá-los. Mas isso não dizer que o Censo considera as categoriais preto e pardo subdivisões de negro, nem que os negros são a maioria da população. Os que não se consideram negros são claramente a maioria (49%+43%).

      Aliás a sua conta dos 51% não faz sentido. No limite, você pode dizer que, da população, há pelo menos 51% afrodescendentes, do mesmo modo que há pelo menos 92% “brancodescendentes” (juntando pardos e brancos), mas nunca diria que os negros são “a” maioria da população.

      Sua afirmação continua incorreta, para o Censo, que o autor do artigo citou, os negros não são maioria. Lembrando a sua afirmação: “O autor erra. O IBGE subdivide os negros em pretos (que são os 7%) e pardos – negros são, portanto, a maioria entre 50 e 51%.”

      Aliás imagine se preto fosse uma subdivisão de negro. Olha que lambança metodológica, já que as duas palavras são sinônimas.

      • http://neveraskedquestions.blogspot.com Roberto Takata

        Márcio: “Os que não se consideram negros são claramente a maioria”<=Nope. Os que não se consideram *pretos* são a maioria.

        Já os que se consideram pretos e pardos são a maioria. E eles são agrupados em negros nos estudos. Negros são a maioria censitária.

        []s,

        Roberto Takata

    • Leão

      Senhor Takata,

      O senhor deveria informar-se. O Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro (Nação Mestiça) é estatutariamente anti-fascista. Por defender estatutariamente e efetivamente a democracia pluralista e a cidadania parece que causa incômodo em grupos totalitários, inclusive os de esquerda.

      Antes de haver negros no Brasil, já havia pardos caboclos. Este agrupamento de “pretos” e “pardos”, entre estes os mulatos e caboclos, numa mesma categoria prejudica o estudo da realidade dos pardos http://www.youtube.com/watch?v=ttir0epBiqU e colabora para o apagamento étnico dos mestiços. Seria este o objetivo do agrupamento?

      http://www.youtube.com/watch?v=Nv_0cHU_NHk

      O primeiro objetivo do racismo é evitar a mestiçagem. Os mestiços organizaram-se para, entre outros, defenderem sua etnia – não têm este direito?

      • http://neveraskedquestions.blogspot.com Roberto Takata

        Leão,

        No site deles/seus não tem o estatuto. Não tem nem texto no “Quem somos”. Mas, se está no estatuto que são antifascistas, estão violando o estatuto.

        []s,

        Roberto Takata

        • Leão

          Sr. Takata,

          Poderia citar um exemplo que mostre que o Nação Mestiça esteja agindo de forma fascista?

          O Nação Mestiça é uma associação étnica, da mesma forma que há associações de etnias indígenas, de descendentes de imigrantes, etc. Defende nossa etnia e a mestiçagem que deu origem a ela. Assim, há mestiços de diversas ideologias, da direita à esquerda, mas no Nação Mestiça não há lugar para fascistas, nem nazistas nem para totalitarista algum, seja ele de direita ou de esquerda. Isto é cláusula pétrea do seu Estatuto.

          Pelo contrário, está cumprindo a sua finalidade estatutária de combater o fascismo e manifestações, sendo uma dessas a imposição pelo Estado da identidade negra aos pardos e a outros mestiços. O Nação Mestiça não está defendendo a imposição fascista da identidade mestiça aos negros, embora a maioria dos afrodescendentes sejam mestiços o que tornaria mais lógico agrupar “pretos e pardos” dentro da categoria mestiço. Se um mulato quer se identificar como negro, direito dele.

          Como, presumo, o senhor usa a palavra ‘fascista’ sabendo do significado desta palavra, sabe que o fascismo coloca o Estado acima da Nação e do povo, ou seja, usa o Estado para moldar a Nação e o povo e não para servir ao povo segundo os valores, cultura e interesses deste como ocorre em democracias pluralistas.

          Não encontrará no site ninguém do Nação Mestiça elogiando a eficácia do sistema de ensino do regime fascista e racista do apartheid sul-africano, algo assemelhado a isto http://www.youtube.com/watch?v=fD-VstNHd2U.

          Pelo contrário, tem mostrado e denunciado similaridades entre as manifestações da ideologia mestiçofóbica e fascista do apartheid sul-africano e a ideologia que orienta a política racial também mestiçofóbica e segregacionista do petismo.

          Tem denunciado também práticas fascistas que visam excluir a etnia mestiça de conferências e outras instâncias públicas de discussão, como nestes exemplos:

          http://www.youtube.com/watch?v=o1FVbjjiVFM
          http://www.youtube.com/watch?v=njniNhIBVr8

          E práticas fascistas do governo petista que exige que o caboclo, em sua maioria de baixa renda, identifique-se como negro para ser atendido por política racial do governo:

          http://www.youtube.com/watch?v=JrJ8GGA-btI

          Quem tem ódio à mestiçagem e segue ideologias fascistas assemelhadas às de Mussolini e Verwoerd não é o Nação Mestiça.

          • http://neveraskedquestions.blogspot.com Roberto Takata

            Leão,

            Um ato que salta aos olhos é a combinação do discurso da extrema direita com o horror às minoriais (sociais e censitárias).

            O discurso de autoafirmação da condição mestiça não se casa com o horror aos pretos. Esse medo de ser associado aos pretos é bem sugestivo.

            A associação de origem com o Integralismo é mais do que sugestivo.

            Há ainda a tendência a culpar os judeus por tudo: desde o tráfico iberoamericano de escravos africanos até sugestões de apropriação indébita do Holocausto para causas próprias. (Curiosamente, no entanto, há vertentes derivadas modernamente do fascismo que são simpáticas a Israel – substituindo muito da judeofobia pela islamofobia e arabiofobia.)

            []s,

            Roberto Takata

  • Gerson B

    Bia Cardoso
    18/07/2012 em 11:14 am
    “Achei o texto publicado ruim, porque não cita e não leva em consideração nenhum resultado que já foi alcançado até agora no Brasil com a implementação de cotas nas universidades federais.

    Só na UnB, o Sistema de Cotas para Negros, que completou oito anos de existência em 2012, possibilitou o ingresso de 5.737 estudantes negros nos cursos da Instituição. ”

    E isso é sucesso? As cotas que só permitem negros permitiram o acesso de negros. Pra mim é o óbvio.
    Que tal o seguinte (e tambem óbvio) raciocínio?

    “Só na UnB, o Sistema de Cotas para Negros, que completou oito anos de existência em 2012, impossibilitou o ingresso de 5.737 estudantes brancos nos cursos da Instituição. ”

    Pra cada discriminação positiva há uma negativa.

  • http://gatoprecambriano.wordpress.com Eneraldo Carneiro

    Aparentemente a única coisa a se destacar no texto é o fato do seu autor ser um negro (que já é estudante universitário (sem cotas), diga-se) contra as cotas raciais.
    Quanto ao conteúdo, infelizmente não há nada novo. É uma mera repetição de argumentos falaciosos já clássicos contra, não só as cotas raciais, mas a qualquer política de ação afirmativa.
    Chega a ser cansativo.
    ‘Fulano é negro, logo insuspeito de racismo’. Por favor, alguém informe ao jovem que 99% da PM do Rio de Janeiro é composta por negros e pardos, e isso não a faz menos racista na sua abordagem aos cidadãos negros e pardos.
    Quando diz que não se pode negar “..o óbvio: existência de preconceitos que limitam as possibilidades de ascensão social dos negros, ….” ele aparentemente está reconhecendo a existência de um problema, mas qual problema? “Preconceitos” parece indicar, não um problema da estrutura da sociedade brasileira, mas um problema individual, de indivíduos (talvez, quem sabe?) preconceituosos. Daí sua sugestão de que a “..melhor solução possível é libertar o negro de suas amarras, não com ações afirmativas, mas deixando-o livre para exercer suas capacidades e liberdades como qualquer outro..” Ou seja, os negros que se virem, que a sociedade, através do Estado, não tem nada a ver com isso, não nenhum papel ativo a desempenhar.
    E completa com um quote mine de Frederick Douglass, de 1865! O que é de doer vindo de um estudante universitário de História.
    Se essa “análise” que ele faz é exemplar do que de melhor o sistema “meritocrático” universitário sem cotas, brasileiro em geral, e uspiano em particular, é capaz de produzir…digamos que não fiquei muito impressionado não. Ou melhor, fiquei, mas isso não é exatamente um elogio.

    • João Paulo Rodrigues

      A grande falácia é a de que cotas raciais acabarão ou diminuirão o racismo e que elas terão algum impacto significativo na diminuição da desigualdade entre “negros” e “brancos” (aspas para me referir ao padrão IBGE de definição).

    • Jonas

      É verdade. Os negros que se virem, os nipônicos também, os italo-brasileiros também, etc. A vida é assim meu camarada. Já fui abordado mais de uma vez pela polícia, sou branco, mas que preconceito contra mim. Claro que não, apenas faziam o trabalho deles.
      A única política afirmativa q ainda não vi mas anseio é a que, um dia, buscará acabar com o massacre diário contra jovens, maioria negra ou parda, nas periferias. Onde está esta política afirmativa? Talvez esta não interesse aos governantes, resta descobrir pq.

    • Jonas

      É verdade. Os negros que se virem, os nipônicos também, os italo-brasileiros também, etc. A vida é assim meu camarada. Já fui abordado mais de uma vez pela polícia, sou branco, mas que preconceito contra mim. Claro que não, apenas faziam o trabalho deles.
      A única política afirmativa q ainda não vi mas anseio é a que, um dia, buscará acabar com o massacre diário contra jovens, maioria negra ou parda, nas periferias. Onde está esta política afirmativa? Talvez esta não interesse aos governantes, resta descobrir pq.

    • Jonas

      É verdade. Os negros que se virem, os nipônicos também, os italo-brasileiros também, etc. A vida é assim meu camarada. Já fui abordado mais de uma vez pela polícia, sou branco, mas que preconceito contra mim. Claro que não, apenas faziam o trabalho deles.
      A única política afirmativa q ainda não vi mas anseio é a que, um dia, buscará acabar com o massacre diário contra jovens, maioria negra ou parda, nas periferias. Onde está esta política afirmativa? Talvez esta não interesse aos governantes, resta descobrir pq.

    • Jonas

      É verdade. Os negros que se virem, os nipônicos também, os italo-brasileiros também, etc. A vida é assim meu camarada. Já fui abordado mais de uma vez pela polícia, sou branco, mas que preconceito contra mim. Claro que não, apenas faziam o trabalho deles.
      A única política afirmativa q ainda não vi mas anseio é a que, um dia, buscará acabar com o massacre diário contra jovens, maioria negra ou parda, nas periferias. Onde está esta política afirmativa? Talvez esta não interesse aos governantes, resta descobrir pq.

  • João Limeira

    Só para vocês refletirem:

    Alguns (mais de um) dos comentários postados podem ser resumidos da seguinte forma:
    – Pouca discussão do que é central ao texto
    – Muita discussão de fatores paralelos à ideia central do texto
    – Tentativas de tomar os fatores paralelos como representativos do texto inteiro, achando que, ao contestá-los, está também contestando a parte central.
    – Muita verborragia.
    – Muitos erros (óbvios) de interpretação do texto original. (E também muitos erros cometidos de propósito, só pra fazer retoriqueta barata. Tsc.)
    – Muita insistência em dizer que os argumentos do texto são “rebatíveis”, “velhos” e “fracos”, mas sem dar explicações lógicas que sustentem o que é afirmado. Alguns dos que se aventuram a argumentar, caem nos erros descritos acima.

  • Helio

    Quando leio algum artigo criticando a política de quotas, que acusa os outros de “simplistas”, mas não faz qualquer referência a John Rawls, o grande referente filosófico da ação afirmativa, percebo que o autor só leu Demétrio Magnoli, cuja “obra” também não faz qualquer referência a ele.
    Portanto qualquer contra-argumentação seria inútil num debate com alguém que tem Demétrio Magnoli como mentor intelectual.

  • Dawran Numida

    Por que os que se autodeclaram pardos, são negros?

    O autor tem razão. O sistema não beneficia os reais necessitados, pois, há negros, pardos e não brancos, com condições de entrar numa faculdade sem necessidade de cotas.

    O contrário seria conceder falência a todo o modelo econômico e distributivista colocado como forma de distribuir renda e propiciar igualdades, no últimos alardeados nove anos e meio.

    As cotas são mostras de desigualdade.
    E não resolvem o problema de quem não consegue adentrar uma universidade.

    • Hugo Silva

      A simples existência de pardos e negros com capacidade para entrar numa universidade sem as cotas não inviabiliza o sistema, haja vista as cotas não serem obrigatórias.

      Concorre as vagas reservadas aqueles que sejam pardos e negros e quiserem concorrer a essas vagas.

      Ademais, o único modo de combater a desigualdade é utilizando uma desigualdade contrária. Se temos dois números (2 e 4, por exemplo), eles só se tornarão iguais se forem tratados desigualmente. Se somarmos ou subtrairmos números iguais deles, permanecerão desiguais.

  • Dawran Numida

    Existem 100% de humanos no Brasil.
    Então, o conhecimento tem de ser propiciado para 100% dos brasileiros.
    Qualquer coisa contrária não vai levar a lugar algum.
    Exceto a discórdias e agressões.
    Mais nada.

  • Rodrigo

    As cotas são uma forma grave de racismo,pois afirmam que o negro é incompetente e além do mais,elas atacam o princípio de igualdade a todos garantido na constituição.

    • Hugo Silva
      • Dawran Numida

        O Artigo 5º da Constituição continua em vigor.
        E o Artigo 5º preceitua igualdade e não discriminação por qualquer motivo que seja.

        Constituição Federal
        Capítulo I
        I – DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS (ART. 5º)

        Texto do Capítulo

        “Art. 5º – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,(…)”

        Não há qualquer inciso incoerente com o “caput”.

        • Hugo Silva

          Amigo,

          vc não sabe (não quer) ler ou desconhece o papel do STF na democracia brasileira?

          Ao STF cabe estabelecer o sentido da constituição e no julgamento ficou estabelecido unanimemente que as cotas não violam o princípio da igualdade e a proibição à discriminação de qualquer natureza. Vc confunde o sentido denotativo do texto ao não diferenciar discriminação de diferenciação ou discriminação positiva (as cotas seriam parecidas com contratar-se apenas mulheres para presídios femininos, por exemplo).

    • Dawran Numida

      Correto. O fato principal é a universalização do ensino pré-escolar, primeiro e segundo graus, incluindo o ensino técnico.
      E não trata-se de fixar porcentual do PIB para Educação. Trata-se definir política adequada para melhorar a qualidade do ensino.
      Por esse motivo as cotas são desnecessárias.

  • Pedro

    O que a gente esquece é que a abolição tem pouco menos de um século, que os abolidos foram abandonados ao léu e pior que o Brasil continua extremamente marcado e preso a políticas oligárquicas e famílias, quem era o branco invasor daquela época é o mesmo de hoje.

    O autor também traz pontos interessantes, como que só os negros com arcabouço pra disputar de fato o faria, e isso é verdade. Pra quem estar a par do processo seletivo atualmente é extremamente complexo disputar uma vaga em um pleito de medicina por exemplo… O discurso de investir na educação de base, é bonito e real, porém demanda tempo e isso é visível é complicado.

    Outro erro, se assim podemos dizer, é ter uma visão eternalista das cotas, uma vez que as mesmas são fundamentadas e observadas como paliativos, entre o não fazer e o radical, escolhe-se o meio termo e agrada-se a todos, quando o total também não é desprezado e o que é parcial não é tomado como duradouro.

    E ademais a meritocracia é uma câncer.

    • Dawran Numida

      A Abolição tem ai seus 124 anos.
      Considerando 25 anos como uma geração, ter-se-ia, pouco mais de quatro gerações, para ter absorvido os efeitos da bestial escravidão.
      Não tão pouco assim.
      De 1888 para 2012, o Brasil passou por grandes transformações em sua estrutura política, econômica e social.
      Não é pouco, não.

    • Dawran Numida

      A Abolição tem ai seus 124 anos.
      Considerando 25 anos como uma geração, ter-se-ia, pouco mais de quatro gerações, para ter absorvido os efeitos da bestial escravidão.
      Não tão pouco assim.
      De 1888 para 2012, o Brasil passou por grandes transformações em sua estrutura política, econômica e social.
      Não é pouco, não.

      E a meritocracia é a base do bom desempenho.
      O contrário é a mediocridade.

  • Rafael Tirapelli

    O mérito é o principal indicador de qualidade, se voce ganha sem ter merecido, você nao se empenha para ganhar na proxima vez, o cancer é o salvacionismo, a historia unica, o rancor como ferramenta politica

    separar pessoas por cor e sexo é discriminar e da discriminação nasce o preconceito

    • Dawran Numida

      De acordo. E nisso pode ser acrescentado a ideologização. A ideologia fortalece preconceitos e racismo.

  • Orlando

    No Brasil, não raro, ao se discutir racismo/cotas e coisas afins, vira tudo uma imensa confusão. Pelo vídeo, me parece que a moça em questão, Chimamanda Adichie:, é nigeriana, logo, ela vem de país onde a maioria absoluta é de negros e, não obstante haver diferenças nas várias etnias/tribos, lá, são todos negros. Em razão disso, é difícil entender o que ela diz ou entende como racismo. Talvez seria mais correto falar em luta de classes ou coisa que o valha.

    Ademais, o racismo no Brasil é diferente do racismo americano e, o americano, é diferente do racismo da África do Sul. Isto é, ao se falar de racismo, ou de negros, é fundamental se definir o contexto social e histórico em que ocorre a exclusão. Não fora isso, carecemos no Brasil de um sério problema de identidade étnica. Há, segundo o IBGE, mais de 150 “cores” que as pessoas se atribuem para se afastar da negritude e chegar à branquidade.

    Não existem “raças”. No entanto, no Brasil, o racismo se dá pela cor [Oracy Nogueira]. Isto é, não importa a quantidade de sangue europeu/branco que o Neguinho da Beija Flor tenha, ele, será desde sempre visto como negro. E, como negro, ele será discriminado e sofrerá com o racismo. O mesmo ocorre com o pardo que aos olhos daltônicos do racismo é negro, logo, nada mais natural, e lógico, do que dizer que pardos são negros – como negros são pardos mais negros, pois, negros e pardos, igualmente, sofrem com o racismo.

    Na verdade, o Brasil/brasileiro, grosso modo, é mais racista do que os EUA. O Brasil é racista e excludente com os negros e, sobretudo, via de regra, o brasileiro é racista consigo mesmo, pois, o brasileiro só aceita [e se aceita] o que lhe parece branco/eurocentrista e, em virtude disso, no anseio pela branquitude, o brasileiro tem uma baixíssima autoestima e, sobretudo, uma séria crise de identidade.

    • Dawran Numida

      Racismo diferente? Como assim?
      O racismo é a mesma coisa irracional em todo lugar.
      Ele é violento por si só.

      Nesse sentido, as cotas não combatem o racismo.

      • Orlando

        Boa noite Dawran!

        (…) “Ademais, o racismo no Brasil é diferente do racismo americano e, o americano, é diferente do racismo da África do Sul. Isto é, ao se falar de racismo, ou de negros, é fundamental se definir o contexto social e histórico em que ocorre a exclusão.” (…)

        Prezado, é melhor ler com mais atenção.
        Dentre muitos fatores diversos, no racismo americano é inaceitável a ideia de miscigenação. Lá, vale o “one drop”, isto é, não importa se você é branco, se você tiver uma gota de sangue negro, lá, nos EUA, você é negro. No
        Brasil, não.

        Abs.

        • Dawran Numida

          Orlando, “one drop rule”, de certa forma ocorre também no Brasil e talvez em outros locais. Aqui no Brasil existe forte essa divisão entre brancos, negros, pretos, pardos, mulatos.
          E isso acaba gerando problemas entre todos, menos para o racista e preconceituoso.

          Outro aspecto. No Brasil o que vigora, mesmo é uma regra assim: “por que você não é branco para não termos problemas algum”?
          Correto?
          O filho de branco e negro no Brasil é considerado branco ou negro? Onde entra a parte de um e a parte do outro? E isso, por incrível que possa parecer, é foco de preconceitos.

          Então, se todo mundo fosse branco, não haveria problema algum, concorda? Isso porque ninguém se importa com o branco, mas, sim, importam-se com os negros e as nuances.
          E agora, negros, com cotas. Qual a vantagem?

  • Kleiton

    As três questões que eu levanto acerca da inviabilidade de um sistema de cotas:
    1 – Em alguns casos, é muito fácil dizer que alguém é NEGRO. Em outros, nem tanto. Como o Estado vai resolver um conflito entre dois candidatos PARDOS q disputem uma vaga? Mesmo desempenho no vestibular, mesma situação socio-econômica. O Estado vai ter que definir QUAL DOS DOIS É MAIS NEGRO, e dar a vaga para ele? Isso me parece algo absolutamente impraticável.
    2 – O próprio STF afirma que as cotas têm de ser aplicadas COM PRAZO DEFINIDO, e não uma política permanente. Qual será esse prazo? Como será feita a medição de “ah, agora a dívida histórica foi paga, e poderemos cancelar as cotas”? Não vejo uma forma possível de se determinar isso.
    3 – O preconceito existe – isso é um fato. Minha dúvida sincera é: o preconceito será reduzido se mais negros tiverem acesso ao ensino superior? Se ele é tão evidente e arraigado, não me parece que diminuirá apenas com um aumento de negros na universidade. Mas caso essa política tenha como único objetivo compensar a história, reitero: não vejo como será feito o cálculo do pagamento integral dessa “dívida”.

    • Orlando

      Bom dia Kleiton!

      Sejamos específicos. Defina pardo.

      Ao questionar, por um lado, a negritude, isto é, quem é, ou não, negro você, por outro lado, você está a implodir, igualmente, o conceito de branco. Ou seja, se é difícil definir quem é negro o mesmo problema ocorrerá para se definir brancos.

      Ou seja, o seu argumento se autorrefuta ou nega-se a si mesmo.

      Ademais, saber, no Brasil, quem é negro ou não é uma questão retórica e, sobretudo, um sofisma que, não raro, faz parte da leitura subjacente ao racismo brasileiro . Se os dois são pardos, eles, devem ser mais ou menos como o Neymar. Nesse sentido, pardo é apenas um eufemismo para negro, pois, em nenhum lugar do mundo o Neymar seria considerado branco. Portanto, não há conflito. Os dois candidatos “pardos” devem ter a vaga na universidade.

      É irrelevante se o racismo irá diminuir ou não. Isso não tira a autoridade moral e ética da politica de cotas e, sobretudo, sua justiça. Afinal de contas, foram mais de 300 anos de serviços forçados/escravidão – sem salários ou indenizações. Nesse sentido as cotas são um pobre sucedâneo do que seria ideal como reparação aos negros brasileiros.

      Abs.

      • Dawran Numida

        Orlando, pode ser que em algum lugar do mundo Neymar não fosse sequer observado como negro, pardo, mulato ou negro ou seja lá o que fosse.
        Em outros, poderia ser agredido até pela cor dos olhos ou por ser bom de bola.
        Isso não importa.
        Como não importam cotas, estatutos, que só criam categorias e não resolvem problemas reais de desigualdade.
        E não pune quem discrimine ou seja racista.
        Alguém conhece alguém que foi condenado por atos racistas ou de discriminação?

    • Hugo Silva

      1- Acredito q vc não compreende o sistema de seleção com ou sem cotas. Quando não existiam cotas como eram dirimidos os empates? Todo edital de qualquer concurso (e o vestibular é um tipo de concurso público) traz quesitos para desempates. Certas áreas valem mais pontuação que outras, idade, etc.

      As cotas reservam vagas para candidatos e eles competem entre eles por aquelas vagas, caso não tenham desempenho suficiente para conseguir uma das outras vagas.

      2- O problema de quantificação do prazo existe realmente e ele será, sempre, arbitrário (assim como qualquer prazo baseado em critérios subjetivos). Ele deveria ser estabelecido arbitrariamente, de acordo com critérios de razoabilidade (a lei deveria ter estabelecido 20 ou 30 anos, por exemplo, para acontecer uma avaliação do sistema e para melhoras no sistema educacional).

      3- Eu sei q existem estudos q mostram q a convivência com pessoas diferentes arrefece os preconceitos, mas não acredito que o objetivo deva ser diminuir o preconceito e, sim, dar oportunidades a quem não tem devido a esse preconceito.

      • Orlando

        Bom dia Hugo Silva!

        Ao se discutir o sistema de cotas, a priori, é menos importante determinar o critério de “empate” do que saber por que há necessidade de cotas.

        Para saber por que há necessidade de cotas, em princípio, carece conhecer história [do Brasil] e, sobretudo, a trajetória do negro, no Brasil.

        Posto isso, veremos que o negro foi alijado da equidade econômica e social brasileira. 1. Em função de mais de 300 anos de trabalhos forçados e, depois, por mais de 120 anos de esquecimento, isto é, racismo que, não raro, alojou negros nas periferias e guetos das cidades; 2. Em virtude do racismo, pós escravidão, ao negro foi sonegado o direito ao estudo e, de certo modo, com isso, o negro, ficou alheio a possibilidade mais interessantes de emprego; 3. Com a vinda de imigrantes, europeus e brancos, no final do século XIX e início do século XX, o negro, viu os postos de trabalho na lavoura, e outros, serem dados a esses imigrantes, europeus e brancos, e com isso, o negro viu-se privado da distribuição de riquezas dessa Terra Brasilis. Terras, no sul do país, foram, graciosamente, isto é, sem custo, ou melhor às custas do erário público da época, a colonos, europeus e brancos, ou seja, imigrantes recém chegados.

        Prezado, ao se falar em negros, pardos, morenos, moreno claro claro, moreno escuro, quase branco ou quase negro, mulato, ou até brancos, [na verdade, segundo dados do IBGE, existem mais de 150 formas das pessoas se definirem no quesito cor] estamos, com efeito, face a uma histórica crise de identidade étnica. Enfim, o brasileiro não sabe e não gosta do que é. E, sobretudo, quer ser aquilo que não é – branco.

        Em ralação aos pardos, como eu já disse, pardos são tão discriminados quanto os negros, logo, negros são tão pardos quanto os negros são pardos. O racismo os nivela e iguala. Portanto, pardos ou negros é, na real, uma questão semântica e, não raro, esse debate, ideológico, é subjacente ao racismo.

        Detalhe; sou negro. Não leio sobre o racismo, ou identidade do negro, ao contrário, vivo isso na pele.

        Abs.

        • Hugo Silva

          Ah, sim. Eu concordo com vc. Estava respondendo o Kleiton.

  • Rafael

    Sistema de cotas é um debate inútil, no Brasil até uma minhoca é capaz de entrar em uma universidade, se não tiver dinheiro há bolsas diversas que transferem o dinheiro público para os barões da educação, o vestibular não é mais um bicho de sete cabeças, ou seja, entrar numa universidade seja o sujeito negro, branco ou verde com bolinha vermelha, vai entrar numa universidade se quiser.

  • Orlando

    Bom dia Éder Souza!

    Acho que sua forma de pensar é um exemplo, pronto e engendrado, do sucesso que a politica de branqueamento/ etnocidio, desenvolvida, no Brasil, no final do século XIX e início do século XX por figuras, dentre muitas outras, como Nina Rodrigues e Monteiro Lobato – os dois racistas e eugenistas – teve.

    Um dos objetivos desse branqueamento era acabar com o negro. E um dos meios usados foi a vinda, custeado pelo Estado brasileiro, de imigrantes brancos que ocuparam os postos de trabalho dos escravos negros recém libertos, dessa forma, empurrando-os para os guetos, morros e favelas – de onde, eles negros, ainda, não conseguiram sair. Não conseguiram acabar com os negros. No entanto, acabaram, no Brasil, com a identidade ou negritude do negro. Infelizmente, você é um ótimo exemplo disso.

    Prezado Éder, qual seria a meritocracia de se dar, no Brasil, terras, de graça, a grupos de imigrantes, europeus e brancos, para que eles começassem suas vidas no Brasil?

    Isso ocorreu no sul do Brasil. E muitas cidades são fruto dessa politica de “cotas” a imigrantes alemães e italianos.

    Abs.

    • Dawran Numida

      Se o embranquecimento não deu certo, por que o enegrecimento daria?
      Ambos são excrescências e vêm mais para gerar conflitos do que qualquer outra coisa.
      E por que dividir negros em mulatos, pardos etc.?
      Enquanto prevalecer isso, com base em preconceitos, não dará certo.

      • Orlando

        Bom dia Dawran!

        Eu jamais falei em enegrecimento. O que eu disse é que a separação, virtual, entre negros, mulatos, pardos e afins, não é algo que beneficie os negros, pois, com efeito, negros, pardos e mulatos, já, são negros. O que você, equivocadamente, entendeu como enegrecimento é apenas, a minha constatação como negro, de que pardos, negros e mulatos – em função do racismo ser daltônico e não fazer diferenciação entre mulatos, pardos e negros -, afinal, já, são todos negros.

        Em outras palavras, esse seu “enegrecimento”, seria apenas um aumento de auto estima de todos os negros: os negros que são pardos, os negros que são mulatos e, sobretudo, todos os pardos e mulatos que são negros. Isto é, ter orgulho de ser negro e deixar de usar eufemismos para sua cor. Ao invés de mulato ou pardo os negros, e o último censo do IBGE já mostra isso, estão se auto declarando negros e, em virtude disso, já, negros no Brasil, somos cerca de 51 % da população.

        Abs.

    • Dawran Numida

      Orlando, se o embranquecimento não deu certo, por que o enegrecimento daria?
      Ambos são excrescências e vêm mais para gerar conflitos do que qualquer outra coisa.
      E por que dividir negros em mulatos, pardos etc.?
      Enquanto prevalecer isso, com base em preconceitos, não dará certo.

  • Sergio B T Mendes

    Nada soluciona apenas retirar as cotas agora.
    O certo é a curto e médio prazo manter as cotas e quando surgir um governo que priorize a educação, a longo prazo, quando o acesso começar a ficar assimétrico (em relação a população brasileira/municipio/estado da universidade) por causa da lei de cotas, abolir as cotas.
    Por enquanto as cotas fazem justiças social sim. Isso é bastante claro para mim.

    • Dawran Numida

      Essa não é forma de criar justiça social.
      As cotas deveriam ser extintas, sim.
      Aliás, não deveriam sequer ter sido criadas.
      A luta deveria ser, desde o início, pela melhoria da Educação da creche ao segundo grau, incluindo o ensino técnico.
      Toda a energia deveria ser canalizada para isso. e não para a criação de cotas, estatutos, meias entradas etc.

    • Dawran Numida

      Olhando a situação das Universidades Federais, criadas nos últimos dez anos, dá para sentir que não criaram justiça social alguma.
      Professores e funcionários em greve.
      Sem aulas.
      O que fazem os alunos enquanto isso não resolve-se?
      Isso mostra que a questão é mais profunda do que criar cotas.

  • http://www.aluanua.blogspot.com.br/ Lua Nua

    Um dia pedi para uma amigo, professor de faculdade e afro, me explicar a visão dele sobre essas cotas. Ele foi tão didático e longo que me perdi na explicação. Hoje te lendo eu entendi que eu não estou errada e isso não me torna uma preconceituosa. Eu nunca gostei, mesmo sem entender direito como rola essas cotas. Não sou negra, mas sou mulher e odeio esse tal de Dia das Mulheres.

    Entendi tudo qdo vc escreveu 2 coisas:
    – Não se combate privilégio concedendo mais privilégios a determinados grupos;
    – E nos resta uma pergunta: quem define quem é negro e quem é branco? Quem arbitra?

    Que grupos?!? Que grupos, já que somos um povo que nasceu missigenado?!? E as leis brasileiras que nunca funcionam porque ninguém vai arbitrar o que o povo faz de certo e de errado?!?

    Odeio o tal Dia da Mulher. Ele me faz estar participando desses tais “grupos”. Quero, como você, ser apenas uma brasileira! Não importa se negra, alemã, hispânica ou índia nativa. Quero só poder exercer minha cidadania plena, respeitando e sendo respeitada como cidadã!

  • Vera B

    Éder,
    Achei excelente seu texto!
    Como você bem disse, em todos os lugares onde implantaram o sistema de cotas, aumentou o racismo. Houve mais segregação.
    Óbvio que o racismo deve ser enfrentado. E concordo com você que isso se faz na educação de base, na melhoria das condições das pessoas mais pobres, como um todo. E também impedindo que as pessoas manifestem atitides racistas, é claro.
    Mas esse “racismo afirmativo”, não deixa de ser um racismo.
    Estão colocando na nossa cabeça que somos diferentes, que existem negros e brancos. E depois? Daqui a um tempo, o Estado vai chegar e dizer: “Sabe de uma coisa, esse negócio de raça não existe.”
    Por exemplo, eu, que nunca prestava atenção na cor das pessoas, agora, o Estado fica toda hora me lembrando que eu tenho que prestar atenção nisso, que a cor tem relevância, que as pessoas são divididas de acordo com a cor, etc. Absurdo, não?
    Além disso, é certo que quem está pagando a dívida social que existe contra os negros é o branco pobre. E alguém acha que isso vai ser esquecido? Certamente que isso só não vai aumentar o racismo.
    Eu sei que o negro (me considero parda), ainda sofre racismo e que a herança da escravidão ainda é forte. Porém, a escravidão acabou não faz muito tempo e já tivemos um enorme avanço para o caminho da igualdade. Mais e mais negros estão ocupando tudo quanto é tipo de cargo e posição social. Mas, agora, com a institucionalização do racialismo (que é um racismo), estamos regredindo no caminho para a igualdade.
    Mas é muito difícil discutir isso com as pessoas, pois, como você disse, logo nos chamam de racistas ,reacionários, etc.
    Um grande abraço!

  • Leonardo

    Parabéns, Éder. Excelente texto.

  • Mariana

    Parabéns pelo texto e obrigada pelo vídeo!

  • Luan de Menezes

    PQP! Que puta texto, Eder. Todos os argumentos que sempre tive e tenho, sintetizados de maneira primordial. Parabéns de verdade.

    Reitero ainda mais: SOU negro e TENHO renda que me bota em uma classe privilegiada. Estudei sempre em escola privada. Sou uma prova VIVA da injustiça das cotas. Além de me sentir ofendido se passasse por causa desse sistema numa universidade pública (atestado da minha incompetência), eu ainda teria a possibilidade de roubar a vaga de um branco pobre que nunca teve acesso de educação de qualidade.

    Queria entrar em contato com você, Eder. Se tiver possibilidade, claro. Aqui fica meu email: Luandemenezes@gmail.com.

    Abs

  • Carlos Alberto Medeiros

    Não há novidades nesse texto, que consiste numa compilação dos argumentos que vêm sendo apresentados há anos pelos autointitulados “antirracialistas”, e devidamente refutados. Mas não deixa de ser interessante que o autor, que intitula negro, cite o economista negro Thomas Sowell, um direitista feroz, defensor do Tea Party, para quem, entre outras aberrações, a polícia americana não é racista (no texto “Are cops racist?”), o Exército americano tem o direito de torturar acusados de terrorismo, já que “eles” fazem pior (“The hyena press”), e o aquecimento global é fruto da histeria da mídia… Qual a credibilidade de um gorila desses?

    • Luan de Menezes

      Rapaz, pq só pelo fato dele ser direita, caracteriza algo ruim? Que maniqueísmo… Já leu quantas obras do economista? Não acha que chamar ele de GORILA seja um pouco… deixa eu ver… racista?

  • Marcelo

    Todo e qualquer tipo de cota é algo que infringe o artigo 5º da constituição Brasileira.

    “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

  • http://www.facebook.com/theozinho Theo Carvalho

    oi, Éder,

    tudo bem? Eu vejo você volta e meia por aí e comia com você no bandejão. Li o seu texto, mas não todos os comentários, apesar de pensar a impressão de que foram, em sua maioria, muito bem embasados.
    Discordo um bocado de você e acredito que sua argumentação é bastante conhecida por parte de quem é contra as quotas. Havendo sido eu criado numa família branca de classe média, muito influenciada por veículos conservadores como a revista VEJA e, portanto, fortemente oposta a esta política, afirmaria que o seu texto me parece mais como a “única história” da Chimamanda Adichie, do que a defesa de ações afirmativas do gênero, indo ao encontro do que propõe.
    Agora mesmo constato que o argumento do Marcelo (19/08/2012), o qual cita a Constituição Federal, parece-me muito com “a única história”, pois descontextualiza historicamente o documento. Ora, o Artigo 5o. existe justamente como um meio jurídico de correção de mazelas decorrentes da formação social brutalmente desigual deste país e ele começa — e termina — a história justamente desta forma, como se as quotas fossem a raiz do problema.
    É necessário ressaltar, contudo, que não poderia concordar mais com você no que concerne a ineficácia das ações afirmativas na ausência de investimentos em educação primária.

    Forte abraço

  • edno

    Texto completamente equivocado. Traz tanta inutilidade que perece-me que o autor não quer falar sobre cotas, ou o que é ser negro (preto) no Brasil. Negro é raça, preto é cor….

  • Anderson

    Trago aqui um relato pessoal, enquanto negro, de classe média baixa, ex-aluno de escola pública, e ex-estudante cotista de Ciências Biológicas da UnB.

    Com base na vivência que tive durante os quatros anos da graduação, posso afirmar com conhecimento de causa que de fato o sistema de cotas raciais beneficia majoritariamente a parcela dos negros de classe alta, como salientado pelo João Philippe. A imensa maioria dos negros que estudou comigo advinha de ótimas escolas particulares de Brasília.

    Sempre vi o sistema de cotas da UnB mais como um sistema de limitação do número de negros, uma vez que ano após ano, apenas 3 “negros” compunham cada nova turma de Biologia que ingressava. Como biólogo atesto categoricamente que o conceito de raça para seres humanos não faz, nunca fez, nem nunca fará sentido. Sou reconhecidamente “negro”, porém sou de uma família miscigenada (como qualquer família brasileira), e tenho pais e irmã socialmente reconhecidos como brancos.

    Minha irmã participou do “exame racial” da UnB, e qual não foi a minha supresa ao saber que ela também foi categorizada como negra? Curiosamente, um dos questionamentos do “avaliador racial” foi: “Você possui irmão/irmã cotista?”. A resposta foi sim, e para evitar a repetição do escândalo dos gêmeos, ela também foi incluída como cotista. São por estas distorções conceituais e práticas que me posiciono completamente contra o sistema de cotas “racias/étnicas”. Entretanto, sou sim a favor das cotas sociais.

    Quando me deparo com um defensor das cotas raciais, sempre questiono sobre o porquê que estes refutam tanto as cotas socias. Porém sempre recebo respostas evasivas que citam “a dívida histórica”, e se utilizam de todo aquele discurso racialista que só reforça os estereótipos de “raças humanas”, e tornam ainda mais acentuadas as desigualdades, divergências e tensões que alimentam os preconceitos.

  • Mirtille

    Otimo texto. As cotas raciais so vao trazer mais preconceito. Raças não existem! As cotas sociais incluiriam todos que realmente necessitam sem criar desnecessarias polêmicas.

    • Hávila

      O primeiro critério é social. Leia a lei.

  • samuel

    Aposto que o negro que escreveu este texto pertence a uma minoria de negros que tem uma condição social privilegiada. E esse lLuan Menezes que tanto o apoia também. Por isso que eles se opõem as cotas. Tem dinheiro pra pagar universidade né? S fosem negros moradores de periferia talves a opnião seria bem diferente.

  • Edilson Alvarenga

    Sou Negro e concordo plenamente com o sistema de Cotas. Caso contrário, sempre teremos as oportunidades negadas pela sociedade. O sr.Edér cita que os Brancos não possuem nenhuma responsabilidade sobre a nossa situação atual!!!! Mas é um tremendo absurdo. Pois este grupos tem conseguido inúmeros benefícios para as suas gerações.
    Muitos citam que as melhorias no ensino seriam a Solução !!!!!! Mas em nenhum momento,temos visto ações por parte dos Governos para que esta mudança transformasse em realidade. Ficaria muito contente , se o sr.Edér mostrasse-nos algo concreto em que o Negro é reconhecido pelo seu talento ou esforço. Por favor, sr.Edér não venha mostrar-nos ou comentar situações como esporte,música ou trabalhos braçais. Porquê há anos que este quadro não se altera.

  • Marco

    Se negros, pardos e indígenas perfazem uma camada em situação de desvantagem social em relação a brancos e amarelos, que se façam políticas públicas e sistemas de discriminação positiva a fim de contemplá-los. Só não entendo a necessidade de agrupar pardos e ‘pretos” numa única categoria ( negros ). Ou melhor, entendo. Trata-se de uma estratégia de criar um programa voltado para uma minoria disfarçado de política para a maioria. Obviamente que a grande maioria dos pardos não serão incluídos nas cotas pois a estratégia da leitura bi-racialista ( trata-se de uma leitura bipolar em cima de uma classificação que é multipolar e não uma tentativa de importar o modelo americano ) consiste em passar a ideía de que pardos são uma espécie de “mulatos escuros quase negros”, quando na verdade o IBGE utiliza tal categoria como genérico heterogênio de todos os tipos reconhecidos da miscigenação brasileira entre as três linhagens continentais ( ameríndia, européia e africana ) que formaram a nação, incluindo segmentos populacionais majoritários em determinadas regiões como a amazônica, parte do centro-oeste e semi-árido nordestino q1ue sequer são afrodescendentes ou não possuem esta ancestralidade como predominante, seja no sangue ou no fenótipo, e que, portanto, não são identificados socialmente como negros e nem o serão pelos avaliadores raciais das cotas.

  • Thaís

    Excelente artigo, penso semelhante a você. Sou branca e pobre e enfrento tantas barreiras quanto um negro, pois não tive acesso as melhores escolas, nem a cursinhos, muito menos as melhores bibliografias. Me formei com auxílio de bolsa para baixa renda, Proesc, em que era necessário ser baixa renda e passar entre os primeiros no vestibular, se não fosse por esta ajuda nunca teria me formado, junto comigo mais três colegas negras, sendo uma delas está muito bem empregada em uma multinacional. Eu optei por ser servidora pública, ainda estou na luta, e na verdade é muito difícil para alguém como eu que não tenho acesso cursinhos, nem consigo comprar os livros recomendados, já passei no primeiro concurso que fiz, mas sou CR e acredito que vou passar e me classificar entre os primeiros nos próximos que fazer. Resumindo, falta no Brasil sim uma política que de acesso igual a todos na educação, independente ser pobre ou rico, o que não pode haver é um retrocesso constitucional e social, como o que acontece com as cotas raciais.

    • Hávila

      Então você deveria ir ler direitinho a lei das cotas pra aprender que para ter direito a vagas pelas cotas, em primeiro lugar o estudante tem que ser oriundo de escola pública. E esta é a primeira exigência: brancos, negros, azuis, roxos com bolotas verdes, caso venha do ensino público, tem direito a cotas. Se fez o ensino médio em escola particular, baby, não tem etnia que justifique cotas. Pode ir lá ler, brancos pobres, vindos de ensino público, têm direito a cotas.

  • Daniela

    Tiro meu chapéu para vc. Parabéns!

  • João

    Acho que até uma criança percebe que essas cotas foram feitas pra ganhar votos e não pra favorecer os afros… E depois de formados, o governo vai estabelecer cotas de empregos também? Só se for porque os empregadores não vão querer ex-cotistas…

  • João

    Ponho um comentário aqui e some… Interessante isso…

    • http://www.amalgama.blog.br/ Amálgama

      Moderação.

  • Israel Silva Junior

    Compreender, essa é a razão que busquei para continuar lendo o texto do amigo professor, afrodescendente, pois tantas coisas foram difíceis de avaliar vindo dele, negro e estudante da USP, instituição administrada pelo governo paulista, onde hoje se travam as maiores batalhas para se adotar cotas, aprovadas e reconhecida pelo STF. A autor revelou uma preocupante falta de informação e que não está engajado nos movimentos.

  • Pingback: As cotas raciais vistas por um universitário negro | Direitas Já!

  • Eric Assunção Flutosk

    Acho um absurdo essas cotas. Vamos por região:
    No Sul, não dá certo mesmo, pois o que mais têm é branco pobre.
    No Sudeste e no Centro-Oeste, dá certo, pois é bem definido: Preto é pobre, Pardo classe média e Branco é Rico.
    No Nordeste, não dá certo, pois o que mais tem é: Uma pessoa tem pele escura e é filho de dois branquelos da cor de leite; Uma pessoa é branca e é filha de dois negros da cor de carvão; E o mais comum: Famílias grandes tem a tendência de nascerem metade dos filhos mais moreninhos (nem branco nem negro) e a outra metade branca. Meus tios são todos bem branquinhos, mas minha mãe se declara como parda, e tem 97% de sangue europeu, eu me pergunto: seria justo ela ser incluída nas cotas e seus irmãos não?
    No norte, não dá certo, pois em mais negro rico que branco pobre.

    • Luciana

      Você por um acaso leu sobre cotas ou só atentou a parte que fala sobre raça? Cotas abrange tambe a parte social, pessoas que estudaram em escolas públicas ou foram bolsista em escolas particulares

  • Paulo da Silva

    Concordo com o seu texto Eder, pois também sou negro e participei de alguns debates acalorados sobre cotas e cheguei a conclusão que o fator que mantem as diferenças sociais entre nós e os brancos e econômico e não racial. Se o Estado cumprisse o seu papel salvando a educação pública (tanto o ensino fundamental quanto o ensino médio) nós teríamos o prognóstico muito positivo na diminuição das desigualdades raciais em nosso país. No entanto isso não é interessante para políticos oportunistas, pois a medida eleitoreira, demagógica e paternalista das cotas infelizmente agrada uma parcela significativa da população mais humilde permitindo resultados mais imediatos nas urnas. Todos sabemos que não interessa ao Estado investir no educação pública, pois um povo sem acesso a um ensino de qualidade é facilmente manipulado por políticos populistas e dispostos a se perpetuar no poder. Assim como você, eu também já fui chamado por outros “negros de racista”, “crioulo de direita” e “preto de alma branca”, porém esse adjetivos vieram de uma minoria e foram proferidos após se esgotarem os argumentos a favor das cotas por parte deles, quem sempre insistem na tese da questão racial, sem fundamentá-la em nada de concreto.
    Para mim as cotas são um absurdo! Pois beneficiam uma pequena parcela da sociedade e deixam de fora milhões de jovens carentes, que por sua condição ECONÔMICA e NÃO RACIAL, nunca terão vaga em uma Universidade Pública.

  • Jefferson Travassos

    Bom o amigo Eder é muito feliz em seu texto, só peca em uma coisa a justificativa para as Cotas. É de conhecimento de todos que o preconceito não irá acabar com diploma ou sem diploma mas ele irá diminuir, mas ele irá diminuir se pudermos ver negros em lugares que hoje não são comuns. Aqui não tem o racismo igual ao dos EUA, mas é tão perverso como o tal pois ele faz com que a maioria dos negros fiquem estáticos na base da pirâmide, e que a injustiça da justiça prevaleça a quem tem a cor negra, e que nossas instituições tbm contribua para” Vivemos num Racismo à Brasileira onde preferimos acreditar no mito da democracia racial porque isso torna a injustiça algo tolerável, e a indiferença uma questão de tempo” diz Roberto Damatta.
    Eder eu lhe pergunto quando vc acha que poderemos viver em uma sociedade sem racismo, do jeito que esta será a muito longo prazo com as politicas afirmativas temos um avanço. Quando a Republica criou leis para proibir o negro de fazer concurso publico e aumentou os preços das terras para os negros não poderem comprar e assim nenhum branco questionou tal pois e agora vejo negros questionando as cotas que é simplesmente para que negros e brancos possam se socializar, conviver e assim podermos viver sem estranhesa ao ver o negro em qualquer lugar.

  • Marcelo

    Cara, na boa. sou negro, sou contra as cotas. Mas você deveria procurar se informar mais sobre as questões históricas. O Brasil passou por um processo de branqueamento. E nossos amigos italianos quando aqui chegaram tiveram incentivo. Na minha humilde opinião, o parlamento deveria ter se preocupado em qualificar os ex-escravos com a criação de cursos técnico, como defendia Joaquim Nabuco.

    Novamente comete-se o mesmo erro, em uma canetada cria-se cotas, ao invés de atacar o problema da educação e saúde em nosso país.

    Caro irmão, pensamento simplista é acreditar que o Brasil não é “racista em sua essência”. Você apenas está repetindo o que diz a classe dominante.

    Irmão olhe a tv brasileira e veja quantos negros aparecem em seu televisor. Nós sempre seremos vistos como esteriótipos, basta assistir a escolha da nova globeleza. Um jurado negro escolhendo a nova “morena” do carnaval.
    Abraços

    • Andrea

      òtima observação, Marcelo. Tb sou contra as cotas, não me parece uma boa coisa acreditar que uma pessoa por ser negra (e só) precise das cotas, cmo se fosse menos capaz. Se for mais pobre, e não tiver tido acesso à educação necessária para acessar, defendo cotas sociais para educação. Pela quantidade de melanina na pele, não, devemos parar de julgar as pessoas por isso. De uma vez por todas.

  • Marcelo

    Cara, na boa. sou negro, sou contra as cotas. Mas você deveria procurar se informar mais sobre as questões históricas. O Brasil passou por um processo de branqueamento. E nossos amigos italianos quando aqui chegaram tiveram incentivo. Na minha humilde opinião, o parlamento deveria ter se preocupado em qualificar os ex-escravos com a criação de cursos técnico, como defendia Joaquim Nabuco.

    Novamente comete-se o mesmo erro, em uma canetada cria-se cotas, ao invés de atacar o problema da educação e saúde em nosso país.

    Caro irmão, pensamento simplista é acreditar que o Brasil não é “racista em sua essência”. Você apenas está repetindo o que diz a classe dominante.

    Irmão olhe a tv brasileira e veja quantos negros aparecem em seu televisor. Nós sempre seremos vistos como estereótipos, basta assistir a escolha da nova globeleza. Um jurado negro escolhendo a nova “morena” do carnaval.

    Abraços

  • Marcos paschoal Supaturk

    Na realidade todos tem direito a cotas, pois todos temos uma certa % de sangue negro ou seja: Não existe raça pura e todos terão condições de usar as cotas.Tem que ter cota para os menos favorecidos independente da cor,raça,religião…Ai sim daria certo!

  • Luh Souza

    Parece que se colocar um comentário aqui, contra o autor e ou sobre os comentários… some, né? Então…. O negro pra falar de sí mesmo tem de saber sobre sua própria história. Parece que todas as informações lhe caiu nas mãos, apenas o intelecto não acompanha o alto grau de compreensão que exige saber porque se deve ser à favor. Lamentável!

  • http://www.facebook.com/marina.terra.33 Marina Terra

    CARLOS DE
    ASSUMPÇÃO – O maior poeta negro da historia do Brasil autor do poema o PROTESTO Hino Nacional da
    luta da Consciência Negra Afro-brasileira, em celebração completou 87 anos de
    vida. CARLOS DE ASSUMPÇÃO nasceu 23 de maio de 1927 em Tiete-SP completando 87
    anos de vida com sua família, amigos e nós da ORGANIZAÇÃO NEGRA NACIONAL QUILOMBO O. N. N. Q. FUNDADO 20/11/1970 (E diversas entidades e admiradores parabenizam
    o aniversario de 87 anos do mestre poeta negro Carlos Assumpção) tivemos a
    honra orgulho e satisfação de ligar para a histórica pessoa desejando
    felicidades, saúde e agradecer a Carlos de Assunpção pela sua obra gigante, em
    especial o poema o Protesto que para muitos é o maior e o mais significante
    poema dos afros brasileiros o Hino Nacional dos negros. “O Protesto” é o poema mais emblemático dos Afros
    Brasileiros e uns das América Negra, a escravidão em sua dor e as cicatrizes
    contemporâneas da inconsciência pragmática da alta sociedade permanente
    perversa no Poema “O Protesto” foi lançado 1958, na alegria do Brasil campeão
    de futebol, mas havia impropriedades e povo brasileiro era mal condicionado e hoje
    na Copa Mundial de Futebol no Brasil 2014 o poema “O Protesto” de Carlos de
    Assunpção está mais vivo com o povo na revolução para (Queda da Bas. Brasil.tilha) as manifestações reivindicatórias por justiça social
    econômica do povo brasileiro que desperta na reflexão do vivo protesto.

    O mestre Milton Santos dizia os versos do Protesto e o discurso de Martin
    Luther King, Jr. em Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos da América,
    em 28 de Agosto de 1963, após a Marcha para Washington. «I have a Dream» (Eu
    tenho um sonho) foram os dois maiores clamores pela liberdade, direitos, paz e
    justiça dos afros americanos. São centenas de jornalistas, críticos e
    intelectuais do Brasil e de todo mundo que elogia a (O Protesto) (Manifestação
    que é negra essência poderosa na transformação dos ideais do povo) obra enaltece
    com eloquência o divisor de águas inquestionável do racismo e cordialidade vigente
    do Brasil Mas a ditadura e o monopólio da mídia e manipulação das elites que
    dominam o Brasil censuram o poema Protesto de Carlos de Assunpção que é nosso protesto
    histórico e renasce e manifesta e congregam os negros e todos os oprimidos,
    injustiçados desta nação que faz a Copa do Mundo gastando bilhões para uma
    ilusão de um mês que poderá ser triste ou alegre para o povo brasileiro este
    mesmo que às vezes não tem ou economiza centavos para as necessidades básicas e
    até para sua sobrevivência e dos seus. No Brasil

    .

    Poema. Protesto de CARLOS DE ASSUMPÇÃO

    Mesmo que voltem as
    costas

    Às minhas palavras de
    fogo

    Não pararei de gritar

    Não pararei

    Não pararei de gritar

    Senhores

    Eu fui enviado ao mundo

    Para protestar

    Mentiras ouropéis nada

    Nada me fará calar

    Senhores

    Atrás do muro da noite

    Sem que ninguém o
    perceba

    Muitos dos meus
    ancestrais

    Já mortos há muito
    tempo

    Reúnem-se em minha casa

    E nos pomos a conversar

    Sobre coisas amargas

    Sobre grilhões e correntes

    Que no passado eram
    visíveis

    Sobre grilhões e
    correntes

    Que no presente são
    invisíveis

    Invisíveis mas
    existentes

    Nos braços no
    pensamento

    Nos passos nos sonhos
    na vida

    De cada um dos que
    vivem

    Juntos comigo
    enjeitados da Pátria

    Senhores

    O sangue dos meus avós

    Que corre nas minhas
    veias

    São gritos de rebeldia

    Um dia talvez alguém
    perguntará

    Comovido ante meu
    sofrimento

    Quem é que esta
    gritando

    Quem é que lamenta
    assim

    Quem é

    E eu responderei

    Sou eu irmão

    Irmão tu me desconheces

    Sou eu aquele que se
    tornara

    Vitima dos homens

    Sou eu aquele que sendo
    homem

    Foi vendido pelos
    homens

    Em leilões em praça
    pública

    Que foi vendido ou
    trocado

    Como instrumento
    qualquer

    Sou eu aquele que
    plantara

    Os canaviais e cafezais

    E os regou com suor e
    sangue

    Aquele que sustentou

    Sobre os ombros negros
    e fortes

    O progresso do País

    O que sofrera mil
    torturas

    O que chorara
    inutilmente

    O que dera tudo o que
    tinha

    E hoje em dia não tem
    nada

    Mas hoje grito não é

    Pelo que já se passou

    Que se passou é passado

    Meu coração já perdoou

    Hoje grito meu irmão

    É porque depois de tudo

    A justiça não chegou

    Sou eu quem grita sou
    eu

    O enganado no passado

    Preterido no presente

    Sou eu quem grita sou
    eu

    Sou eu meu irmão aquele

    Que viveu na prisão

    Que trabalhou na prisão

    Que sofreu na prisão

    Para que fosse
    construído

    O alicerce da nação

    O alicerce da nação

    Tem as pedras dos meus
    braços

    Tem a cal das minhas
    lágrima

    Por isso a nação é
    triste

    É muito grande mas
    triste

    É entre tanta gente
    triste

    Irmão sou eu o mais
    triste

    A minha história é contada

    Com tintas de amargura

    Um dia sob ovações e
    rosas de alegria

    Jogaram-me de repente

    Da prisão em que me
    achava

    Para uma prisão mais
    ampla

    Foi um cavalo de Tróia

    A liberdade que me
    deram

    Havia serpentes futuras

    Sob o manto do
    entusiasmo

    Um dia jogaram-me de
    repente

    Como bagaços de cana

    Como palhas de café

    Como coisa imprestável

    Que não servia mais pra
    nada

    Um dia jogaram-me de
    repente

    Nas sarjetas da rua do
    desamparo

    Sob ovações e rosas de alegria

    Sempre sonhara com a
    liberdade

    Mas a liberdade que me
    deram

    Foi mais ilusão que
    liberdade

    Irmão sou eu quem grita

    Eu tenho fortes razões

    Irmão sou eu quem grita

    Tenho mais necessidade

    De gritar que de
    respirar

    Mas irmão fica sabendo

    Piedade não é o que eu
    quero

    Piedade não me
    interessa

    Os fracos pedem piedade

    Eu quero coisa melhor

    Eu não quero mais viver

    No porão da sociedade

    Não quero ser marginal

    Quero entrar em toda
    parte

    Quero ser bem recebido

    Basta de humilhações

    Minh’alma já está
    cansada

    Eu quero o sol que é de
    todos

    Ou alcanço tudo o que
    eu quero

    Ou gritarei a noite
    inteira

    Como gritam os vulcões

    Como gritam os
    vendavais

    Como grita o mar

    E nem a morte terá
    força

    Para me fazer calar.

    Organização Negra
    Nacional Quilombo ONNQ 20/11/1970 –

    quilombonnq@bol.com.br

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