26–07–2010

Uma estratégia para Mercadante


por Guilherme Scalzilli * – As próximas movimentações da campanha de Aloizio Mercadante esclarecerão se ele está de fato empenhado em vencer a disputa para governador de São Paulo, ou se busca apenas fortalecer pretensões futuras (por exemplo, à prefeitura da capital). Caso planeje satisfazer as expectativas da militância, o senador dispõe de um repertório muito restrito de manobras.

Seu desafio imediato, chegar ao segundo turno, é mais difícil do que parece. Como se sabe, Geraldo Alckmin (PSDB) possui vantagens quase insuperáveis: maior tempo de propaganda no rádio e na TV, apoio dos grandes veículos de comunicação e das maiores empresas do país, imensa estrutura administrativa, ocupada há quase duas décadas por quadros peessedebistas.

Dadas as circunstâncias, a única maneira de minimizar esses trunfos nos poucos meses disponíveis seria unir esforços com a campanha de Dilma Rousseff, para benefício de ambos. Em outras palavras, trata-se de regionalizar o embate presidencial e identificar a candidatura de José Serra com a sucessão paulista.

As pesquisas apontam ampla vantagem do tucano em São Paulo, cuja densidade populacional é suficiente para influir no contexto nacional. O adiamento da definição paulista ajudaria a encerrar as disputas presidenciais já no primeiro turno. Centrando esforços no front estadual, as campanhas petistas atingiriam a máscara de bom administrador que Serra exibe no resto do país. Expondo as fraquezas da hegemonia do PSDB paulista, minariam a vantagem de Alckmin, constrangendo-o a defender (ou, mais provavelmente, atacar) os desafetos de partido.

Desunidos em São Paulo, como já estão em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, os tucanos caminhariam juntos para a derrota presidencial imediata. No segundo pleito, desgastado, Serra teria participação apenas protocolar na campanha de Alckmin. Ao mesmo tempo, Mercadante seria beneficiado pelo prestígio de Lula e Dilma.

Mas, para tanto, petistas e aliados precisam tomar a iniciativa e atacar, impondo a pauta dos debates sucessórios. Tudo que Alckmin quer agora é uma campanha propositiva e enfadonha, que anestesie o eleitor até outubro.

Temas não faltam para constrangê-lo: as atrocidades impunes da PM, a vergonha do sistema carcerário, as violências praticadas contra os menores da Fundação Casa (antiga Febem), as suspeitas no Rodoanel e no Metrô, o sucateamento do ensino público, as enchentes nas marginais paulistanas e, principalmente, os escorchantes pedágios que cercam as principais cidades do Estado. Aliás, é assombroso que alguém precise forçar a inclusão de escândalos dessas proporções na agenda eleitoral.

Impera certa mistificação no meio político em torno da chamada campanha negativa. Basta que os ataques demonstrem respeito às demandas populares para conquistar a empatia do eleitorado. Denunciar adversários e esclarecer o público não exigem necessariamente uma comunicação pesada ou repulsiva. As peças audiovisuais criadas com esse fim podem assumir inúmeros formatos, da comédia à reportagem, passando pelo drama e até pela animação.

Recursos técnicos e humanos não faltam. Mas haverá verdadeiro interesse dos personagens envolvidos?

Guilherme Scalzilli, Campinas-SP. Blog: guilhermescalzilli.blogspot.com.

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| 6 comentários | Dê sua opinião ↓ |
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  1. WAGNER PIRES (27–07–2010 12:31 pm)

    Esse Guilherme e brilhante… fala com propriedade, com conviccao, e conhecimento, so quero dizer lhe que o que o PSDB e o Alckmin em Especial fizeram por Sao Paulo, nao pode cair no esquecimento da populacao, acho que e verdade que politica nao tem memoria, porem tem coisa muito boa, se comparado ao lado de la… poderiamos conversar melhor sobre isso e voce com certeza trazer luz, pois voce tem o talento para isso meu email e wagnerpiressilva@hotmail.com. abs

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  2. Marcus Vinícius (28–07–2010 3:27 pm)

    Realmente…AS MERDAS que Alckmin e o PSDB fizeram não pode cair no esquecimento da população…

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  3. Uma estratégia para Mercadante | ESTADO ANARQUISTA (28–07–2010 6:20 pm)

    [...] Guilherme Scalzilli*  do Amálgama [...]

  4. luciano (28–07–2010 9:05 pm)

    só fala coisa com coisa….é um frustrado mesmo,,,,

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  5. André Egg (3–08–2010 9:11 am)

    Já eu estou achando que o Mercadante começou muito mal, sem vontade de fazer campanha. Queria ver como vai ser quando começar o horário eleitoral na TV. Mas não moro em São Paulo, não vou ter este prazer.

    Só que eu acho que as chances de segundo turno passam mais pelo desempenho do Russomano e do Skaf que pelo Mercadante. Que o Alckmin vai ser primeiro e o Mercadante segundo parece não haver muita dúvida. Faltam outras candidaturas para despolarizar a campanha.

    Acho inclusive que quem vai provocar debates mais inoportunos são esses que não têm nada a perder. Seria interessante descobrir qual o grau de influência que Lula terá na campanha do Skaf, por exemplo.

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  6. João Lacerda (14–08–2010 1:05 pm)

    Guilherme,

    Para usar imagens mais atuais do Mercadante visite o flickr:

    http://www.flickr.com/photos/aloiziomercadante/

    E para vídeos com vídeo reportagens, tem o canal no youtube:
    http://www.youtube.com/user/AloizioMercadante

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