Caos absoluto no DF
por Alan Souza * – No dia 30de junho os ministros do STF decidiram negar o pedido de intervenção federal no Distrito Federal, feito pelo Procurador-Geral da República. A principal razão da negativa, apresentada pelos ministros, foi a de que o pior momento da crise já havia passado e “a ordem já havia sido restabelecida”. Apenas o ministro Carlos Ayres Britto foi favorável à intervenção.
Não sei o que enxergam os ministros do Supremo, a partir das janelas de seus gabinetes ou onde residem. Não ouso dizer que não têm acesso à mídia. Mas certamente o que se observa aqui no DF não é algo que se possa chamar de ordem. Brasília continua atolada na mais profunda desordem, na inércia e no caos. Existem coisas acontecendo por aqui, fruto da péssima gestão no Governo do DF, que a gente não costuma ver nem mesmo em cidadezinha do interior, onde o prefeito é chamado de “coroné”.
Exemplo mais absurdo dessa situação aconteceu no último dia 20: o Tribunal de Justiça do DF considerou irregulares várias licenças de ocupação provisórias, concedidas a estabelecimentos comerciais. A Agefis – Agência de Fiscalização do DF, começou a cumprir a ordem judicial, interditando os estabelecimentos irregulares. Alguns dependiam apenas de alguma documentação para se regularizarem, mas havia casos extremos. Um deles é de uma empresa localizada no Lago Sul, que havia ocupado uma área pública para construir um estacionamento.
Quando os fiscais da Agefis chegaram ao local para iniciar a derrubada do estacionamento e liberar a área pública, foram impedidos por uma figura ilustre: a primeira-dama do DF, Karina Rosso, esposa do atual governador Rogério Rosso (PMDB). Ela postou-se em frente ao prédio da empresa e declarou que os fiscais só passariam se fosse por cima dela. Falando ao telefone com alguém, ela foi bem clara: “Eles não vão derrubar nada porque, se eles tiverem que fazer isso, vão ter que começar com a casa dos bacanas”.
E efetivamente a ordem judicial não foi cumprida: o Administrador Regional do Lago Sul (que é nomeado pelo Governador…) correu para o local e concedeu uma licença de 120 dias para a empresa – prazo providencial que só acaba depois das eleições…
Esse episódio típico de Odorico Paraguaçu não aconteceu na fictícia Sucupira, e nem numa cidadezinha de 10 mil habitantes do interior, caro leitor: aconteceu na Capital Federal. Oportuno esclarecer que o Ministério Público do DF instaurou inquérito civil pra apurar o caso. Mas enquanto não houver punição efetiva pra essa bizarrice, mantenho a minha opinião de aqui mais vale ser amigo do rei do que cumprir a lei.
Mas se esse fato fosse isolado, nossa situação não estaria das piores. O caso é que coisas absurdas assim repetem-se diariamente no DF. Os moradores de áreas mais distantes, como Ceilândia e Planaltina, vêm enfrentando paralisações diárias das empresas de ônibus – há cerca de um mês uma greve de ônibus que durou cinco dias deixou a cidade totalmente bagunçada. Naquela ocasião patrões e empregados chegaram a um acordo, anunciado com estardalhaço pelo próprio governador Rogério Rosso como o fim dos problemas. Mas o acordo foi solenemente descumprido pelos empresários, e o resultado é que o Governador ficou com cara de tacho, os empregados sem o que foi acordado e a população com o caos. E ninguém no governo parece estar preocupado, nenhuma autoridade se manifesta ou toma uma providência, além do Ministério Público do Trabalho, que cobra a responsabilidade dos patrões. No meio disso tudo danou-se o povo – como sempre.
O trânsito só faz piorar a cada dia. O Detran só funciona para fazer blitzes e aplicar multas nos locais de maior movimento, e mesmo assim apenas nos carros estacionados em local proibido. Quem cuida de ordenar o trânsito é a PM – e aí os soldados que deveriam estar policiando a cidade (infestada de assaltantes e traficantes) ficam desviados de suas funções, pois são obrigados a atuar como agentes de trânsito.
Falando em Detran: o órgão já gastou 26 milhões de reais em contratos sem licitação, somente neste ano. A justificativa do governo é que os contratos emergenciais são necessários, para evitar paralisação de serviços. Curiosamente, um dos serviços licitados é o de tele-atendimento. Mas o nº 154 está fora do ar desde o dia 22 de julho.
O problema dos cartões de meia-passagem e vale-transporte está virando um verdadeiro buraco negro. A Fácil (www.facildf.com.br), empresa que administra esse serviço, há muito tempo perdeu o controle da situação. Descobriram-se várias fraudes na administração da verba repassada pelo GDF. Os técnicos do governo previram um gasto de 4 milhões de reais por mês, mas somente de fevereiro a abril foram torrados 23 milhões de reais, quase o dobro do previsto – sem que o governo saiba exatamente como todo esse dinheiro sumiu.
No último dia 30 foram aprovados repasses de 20 milhões de reais para a Fácil, mas o problema está longe de acabar. Todo o dinheiro que é destinado para lá acaba rapidamente sem que o problema se resolva. Os estudantes vivem penalizados, enfrentando horas em filas que começam no frio da madrugada e avançam debaixo de sol dia adentro (por sorte nessa época não chove por aqui), muitas vezes sem conseguir a recarga dos seus cartões, pois os créditos são sempre insuficientes. A Fácil é um poço sem fundo, por onde escorre o dinheiro público rumo às empresas de ônibus, aparentemente sem um controle aprimorado. E como em todas as outras situações, o governo não se mostra capaz (ou interessado) em resolver a bagunça, os empresários de ônibus faturam os tubos e o povo fica com o problema.
Falta pouco para a Rodoviária do Plano Piloto virar uma cracolândia. Diversas reportagens já mostraram como o consumo de drogas é desenfreado por lá e nas adjacências. Quando uma reportagem é exibida, o policiamento é reforçado, mas é sempre uma medida paliativa. Logo a polícia vai embora e os traficantes e consumidores retornam, gerando uma permanente sensação de insegurança no local. Nenhuma medida efetiva e permanente é tomada. A Rodoviária, que nunca foi exatamente um primor de administração, vai aos poucos se deteriorando, e a população que a utiliza é obrigada a assistir a tudo sem poder fazer nada, além de reclamar. Valha-nos, quem?
O crack e a merla, subprodutos da cocaína que viciam quase que instantaneamente, avançam de forma desenfreada pelo Distrito Federal. Não se ouve mais falar em cocaína no DF, a maconha é vendida quase que exclusivamente misturada com crack ou merla (o famoso mesclado). Serão gastos quase 700 milhões de reais na reforma do estádio Mané Garrincha para a Copa do Mundo de 2014, mas o DF não possui uma única clínica ou hospital públicos de referência para o tratamento e recuperação de drogados. Aliás, não se tem nem uma política pública na área de saúde voltada para esse problema.
O caos no DF continua, sem qualquer perspectiva de solução a curto ou médio prazo. Como eu já escrevi aqui antes, os políticos da Capital Federal só pensam em seus próprios interesses. Nem pra enrolar o povo eles servem. Não é por acaso que o índice de satisfeitos com a gestão do governador Rogério Rosso é de apenas 16%.
* Alan Souza, Brasília-DF. Blog: prof.alan.blog.uol.com.br.


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Impressionante mesmo, mas isso nos dá uma visão do que representa o tal poder público! Por isso que não acredito mais num processo de “limpeza” em nosso pais – temos as tais instituições públicas e suas respectivas autarquias presas a grilhões de aconchavos e corrupção seculares, infelizmente! Dificil, muito dificil acreditar num processo de saneamento; creio que se houvesse uma “privatização” nos órgãos públicos (que sonho!!!), aí, sim, poderíamos pensar em reconstruir esse todo chamado Brasil… Mas ainda vale a pena sonhar com um processo de reconstrução – as eleições estão ai, o povo ainda continua desestruturado (e isso foi planejado, arquitetado por mentes sórdidas!!!) tal qual uma manada à solta!!! Até quando!? Quem me dera ser o portador dessa resposta…
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Alan Souza:
July 30th, 2010 at 11:32 am
Osmar, concordo com você, à exceção de um ponto: privatizar os órgãos públicos seria o mesmo que decretar o fim do Brasil. Hoje em dia, com Ministério Público e órgãos de controle fiscalizando, já temos situações como essas do DF, imagine como seria se as atividades fosse todas privadas…
Veja também que em nenhuma, absolutamente nenhuma democracia do planeta ocorreu a privatização total da atividade estatal.
O que falta no Brasil mesmo é efetividade. Quem errar, que seja punido. Não adianta esperar muito do povo – Roriz, o pai/avô de toda esta bagunça, está em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais para governador do DF…
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Criar problemas para depois oferecer serviços de intermediação, bem típico do PT. Mergulhar o DF em uma crise política próximo das eleições, beneficiou a todos os GATUNOS, o senhor Joaquim Roriz que o diga!! a PeTralhada nem se fala…
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Alan Souza:
August 1st, 2010 at 9:11 am
Jason, acho que você está um pouco desorientado – não quero crer que esteja de má-fé, ou que seja um troll a serviço da dupla Roriz/Serra (como tantos que fazem questão de nos atacar por aqui…).
Mas vamos lá: esses problemas todos do DF foram criados pelo ex-governador José Roberto Arruda, do DEM, anti-petista até a alma. Estão sendo mantidos na gestão de Rogério Rosso, peemedebista rachado com seu partido justamente por não querer coligar com o PT.
Onde você vê culpa do PT nessa estória?
Ah, já sei! pelo seu “PeTralhada” ao final, percebo que você é seguidor da máxima de que a verdade é o que menos interessa, o importante é falar mal!
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Jason:
August 1st, 2010 at 3:26 pm
Meu caro Alan, não sou seguidor de nenhuma máxima, mas quando vejo candidatos PeTralhas posando de “paladinos da ética” logo me vem a cabeça; o mensalão do sr Luladrão, a senhora Dilma, ex terrorista e assaltante de bancos, fabricante de dossiês. Esses canalhas passaram a mão na cabeça de corruptos. Por favor, se vc achar algum nome digno de ocupar o palácio do buriti e o palácio do planalto, me diga!! Ah e não se esqueça de um detalhe; quando Alckmim disputou a presidência da república, o Braço armado do PT, o PCC provocou uma série de atentados em São Paulo, e depois ficaram quietos. é muita conicidência, não acha?
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Alan Souza:
August 1st, 2010 at 6:40 pm
1) O único réu confesso do Mensalão está apoiando Alckmin e Serra hoje. É Roberto Jefferson;
2) O fato de Dilma ser “terrorista”, pra mim, é credencial para ela, mas se você gosta de ditadura, então fique à vontade pra declarar seu ódio à democracia;
3) Quanto ao “PCC-braço-armado-do-PT”, essa não vou nem responder. É tão insano que só quem se atreve a falar isso é o Índio (quem?) do Serra. Justamente o PCC, nascido e criado nos presídios paulistas, graças à incompetência dos governos Tucanos.
Por fim, cansei de você. Não vou ficar dando papo para ultra-direitistas raivosos, nunca gostei de conversar com gente assim. Vocês querem conseguir na internet o IBOPE que não conseguem na eleições…
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