1–07–2009

Veja a Estação Espacial Internacional a olho nu


por Otávio Dias — Durante toda a história humana até pouco depois da Idade Média, observar o céu era importante, pra não dizer fundamental. Hoje, poucos de nós prestamos muita atenção aos eventos celestes: poluição e métodos de marcação eficazes de tempo têm tornado essa prática cada vez mais desnecessária. Naquela época, até o caminho de casa podia ser descoberto depois de olhar pro céu. Hoje, quem olha pro céu costuma ser estudioso, apaixonado ou curioso.

Há pouco mais de um mês, apareceu pela internet essa belíssima foto de ônibus espacial próximo ao Hubble, pra que fossem efetuados importantes reparos que estenderam ainda mais a vida útil do telescópio que revelou imagens estupendas da natureza; essa foto, entretanto, foi tirada da superfície da Terra. Algo pra se guardar.

Descobri, há poucos anos, algo que pouco se divulga: podemos, em boas condições climáticas, ver a ISS (ISS – International Space Station, a Estação Espacial Internacional) cruzando os céus a olho nu – e isso sem precisar ficar de guarda: o site Heavens Above indica quando devem ser as próximas passagens da ISS sobre uma determinada posição (basta escolher o local de onde será feita a observação).

Parece bobagem eu dizer o que segue, mas o fato da ISS viajar a cerca de 400 quilômetros de altitude costuma ser mais que suficiente pra que acreditem que ela não pode ser vista com o olho desarmado. Entretanto, ela é bem visível; aliás, tanto a ISS quanto outros satélites – pra não falar de planetas que podemos identificar também a olho nu, com alguma facilidade –, o que me lembra algo que um professor que tive, que fazia observação do céu com grupos de estudantes, dizia: –“Já vi muita coisa estranha e muita coisa sem identificação, no céu. Mas nunca um objeto voando que fosse estranho e não-identificado”.

Provavelmente a ISS já passou por cima da sua cidade e você não soube. E se avisado de última hora, é bom correr, porque a ISS se move a aproximadamente 28 mil quilômetros por hora (velocidade mais ou menos equivalente a viajar, em uma hora, 7 vezes do Oiapoque ao Chuí); a janela pra observar a ISS atravessando o céu sobre a sua cabeça é de alguns poucos minutos. Por exemplo, em sua próxima passagem por São Paulo, dia 2 de julho, ela poderá ser observada entre 6:46:57 p.m. (quando ela estará a 10 graus de altura com relação ao solo) e 6:49:08 p.m. (quando ela chegará na altura máxima, de 37 graus de altura com relação ao solo) , aparecendo, no horizonte, na região sudoeste e desaparecendo na região sul.

Voltando à trilha que eu originalmente percorria, justifico esse texto: foi lançado há pouco um serviço pra avisar quando a estação espacial passará sobre sua localidade, via Twitter, a rede social do momento. Basta se tornar seguidor do @twisst! O Twisst recebe do Twitter um informe com a localidade informada no perfil de todos que seguem o @twisst. Essa informação é então processada e o Twisst extrai os dados sobre as próximas passagens da ISS pra cada usuário um dos assinantes do @twisst. Ao invés de buscar a informação, ela vem direto até a gente! É uma espécie de RSS das passagens da ISS pra qualquer usuário Twitter, independente de que canto ele esteja no mundo! O serviço ainda não está funcionando perfeitamente, mas já fica aí a dica.

Eis um bom uso de redes sociais pra divulgação científica. Aproveitem!

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  1. Barbara Brosch (7–07–2009 3:12 pm)

    Concordo c/ seu prof. pois tb. já vi muita coisa estranha e muita coisa sem identificação no céu e todo objeto q. vi tinha uma explicação. Por tudo isso e muito mais, acredito ser apaixonada, estudiosa e curiosa, assim um pouco Tales de Mileto e Julieta, só q. sempre tomei cuidado ao observar o céu, prestar atenção na terra onde piso. Achei boa a idéias de poder enxergar a Estação Espacial a olho nú, mas, apesar de dar valor aos avanços da ciência e todo o bem q. ele causa e tb. dos prejuízos, fico mais do lado do céu c/ estrelas, lua, o sol, o azul sem fim, ele tocando o horizonte qdo. está todo colorido, olhar as nuvens cinzas e pesadas, olhá-lo debaixo da chuva, ver as gotas vindo direto daquela escuridão ameaçadora, os raios e relâmpagos, de como a cor do céu reflete no mar, em dia de sol, deitar no chão e ficar olhando as nuvens gordas, luminosas e brancas, fazer gente de nuvem, bichos e monstros…olhar o céu com nuvens esfiapadas… esperar qdo. elas escondem o sol e depois ficar esperando q. ele aparecesse outra vez, esticar os braços e tentar pegar o céu… assim… coo se não tivesse outra coisa p/ fazer na vida… Todas as noites olho o céu antes de dormir, às vezes disfarço…pensam q. estou estendendo roupas no varal, mas, estou olhando o céu….procurando estrelas entre os espaços angulares dos telhados e muros, sempre sobra um pouco de céu p/ observar, às vezes a lua tem um halo luminoso tão lindo…em volta muitas estrelas e gosto de identificar o Cruzeiro do Sul, as Três Marias… Vejo estrelas azuis, brancas e amarelas, sempre com sua luz pulsante, me disseram q. a luz parece pulsar por causa da atmosfera, no fundo o céu azul marinho quase preto, misterioso e lindo. Certa vez li q. as estrelas e astros tem um número definido, por isso não são ‘infinitas (os)’… Li qquer. coisa~sobre todo o Universo estar contido dentro de uma imensa esfera e fiquei encantada, depois, fiquei refletindo no q. tem nos arredores desta nossa esfera…o quê???
    Infinitos bjos.

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  2. Amanda (8–04–2010 9:51 am)

    Artigos maravilhosos!! Descobri o Amálgama através de pesquisa sobre o autor Lewis Carrol, desde então, tenho recebido e-mails com atualizações e FAÇO QUESTÃO de repassar esses e-mails a TODOS os meus contatos. Vale a pena visitar todos os dias um lugar que me mostra que cultura é, sim, acessível a todos.

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