Meu encontro com Carlão Reichenbach
por Luiz Biajoni – Tenho vergonha de dizer que não vi a maioria dos chamados “filmes brasileiros importantes”. Vi alguns do Walter Hugo Khouri no cinema, por causa das mulheres peladas, mas não me impressionaram exatamente. Os filmes, não as mulheres. Digo, algumas mulheres impressionaram – ah!, vocês entenderam.
Vi o Bandido da Luz Vermelha, que é o melhor filme brasileiro de todos os tempos. Mas não vi quase nada da década de 70, da Boca do Lixo – tirando os que passavam no “Sala Especial”.
O fato é que foi certo dia para Limeira Carlos Reichenbach. Não somente um dos mais importantes cineastas brasileiros como também um teórico, mestre, crítico. Uma lenda do cinema.
Foi apresentar seu recém-lançado filme, Alma Corsária, e discutiria-o depois. Era uma tarde de sábado na Oficina Cultural Carlos Gomes, Palacete Levy. Eu tava lá.
Adorei o filme. Reichenbach chegou na metade da projeção. Ficou lá no fundo coçando o nariz e alisando a barba longa e amarela de cigarro. Quando subiu o letreiro ele veio à frente e começou a conversar.
A figura do Carlão – como é conhecido – é forte. E mete um certo medo. Mas é um doce, um cara simples e direto, daqueles que sabem muito sobre algo (no caso, cinema) mas não dão pinta.
Falei com ele sobre o clima do filme, que me remeteu a Stanley Kubrick, e ele se espantou. Disse que tinha Kubrick no pensamento enquanto rodava. Notei algo na trilha que era de Laranja Mecânica, e ele confirmou. E trocamos ideia sobre outras influências. Ficou meio mal, pois a conversa concentrou um pouco e odeio monopolizar.
O fato é que fiquei empolgado para conhecer um pouco mais de sua obra – o que não foi possível, pois não se acha nada nas locadoras. Um tempo até vi um filme dele em uma prateleira, Dois Córregos. Notei que a trilha sonora era do Ivan Lins.
Me desculpe, posso adorar o Carlão, mas eu não suporto o Ivan Lins.
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