Corrida sem fim: 40 anos de Apollo 11 na Lua

por Otávio Dias – A humanidade deu grandes saltos em pouco mais de um século. Em 1906, um brasileiro, Santos Dumont, concebeu e montou a primeira máquina mais pesada que o ar a voar – sob determinadas condições –, o 14 Bis: 220 metros foi a distância máxima atingida pelo pioneiro aviador neste dia, a uma altura média de 2 metros e meio. Outros vôos já haviam acontecido antes, mas este foi o primeiro vôo a) realizado perante uma organização oficial (com testemunhas capazes de ratificar o feito), b) em terreno plano (escolhido pela comissão), com bom clima e documentado apropriadamente, c) em que a aeronave decolou por meios próprios com um homem a bordo d) carregando a própria fonte de energia e e) cujo trajeto aconteceu em linha reta.

Pouco mais de 20 anos depois, Lindbergh decolou no Spirit of St. Louis pra realizar com sucesso o primeiro vôo de Nova York a Paris, sem paradas no caminho: foram 33 horas e 30 minutos de vôo, sozinho, percorrendo mais de 5000 quilômetros em altitudes que variavam muito porque as condições climáticas exigiam alterações constantes na trajetória. Um grande e comemorado salto, porque a confiança nestas já fantásticas engenhocas cresceu rapidamente.

(Em 1996, dois recordes do – já aposentado – Concorde foram registrados: um vôo transatlântico aconteceu em pouco menos de 3 horas e, o de volta ao mundo, em pouco menos de 32 horas.)

Os pesquisadores da década de 60 conheciam bem as dificuldades que precisávamos superar pra chegarmos à Lua. Esforços de guerra, desenvolvimentos voltados à destruição, viriam a contribuir para a incrível jornada. O programa Apollo nasceu em 1960 e é apenas a ponta de um iceberg. Desde sua criação até que conseguíssemos chegar à Lua foram investidos quase 10 anos, muito dinheiro e um bocado de curiosidade e trabalho pra que todas as técnicas necessárias à realização da viagem permitissem que fossêmos à nossso satélite natural e voltássemos sãos e salvo à Terra.

A primeira grande dificuldade de uma viagem desse tipo é a massa total, composta basicamente pelas massas da nave Apollo – ou seja, os módulos de Comando e Serviço e o módulo Lunar – e a massa do combustível total necessário pra viagem. Só os módulos de comando e serviço pesavam aproximadamente 30 toneladas; a viagem, a mais longa que já realizáramos: a Lua orbita a Terra a uma distância média de 300 mil quilômetros de distância. Uma enormidade de longe.

Entretanto o mais pesado disso tudo é o combustível, porque ele precisa ser suficiente pra colocar a nave Apollo em órbita da Terra, lançá-la em direção à Lua, permitir o pouso e decolagem no satélite e, finalmente, lançar a nave de volta à casa; um problema extra é que combustível é necessário pra colocar combustível em órbita. Parece bobagem, mas imagine uma viagem em que quanto maior a massa que você precisar carregar, maior será a massa que você será obrigado a levar: pra irmos à Lua essa situação teve que ser enfrentada.

Foi desenvolvido e montado pela equipe ligada ao projeto Apollo o maior veículo criado pelo homem, o Saturn V, pra que as naves Apollo alcançassem a órbita terrestre baixa. Os foguetes do tipo Saturn V eram compostos por três estágios e somavam, ao todo, com a nave Apollo, 111 metros de comprimento; apesar de todo o tamanho, os 3 astronautas viajaram confinados num espaço de aproximadamente 12 metros cúbicos (e tem quem ainda reclame por viajar em ônibus normal, olha só), durante as diversas missões do programa Apollo. Espaço muito menor que o disponível aos astronautas da Discovery One, mas hei, 1969 estava ainda a muitos anos de distância de 2001.

O foguete Saturno V com a nave Apollo no topo

A Apollo 11, com tripulação formada pelo comandante Neil Armstrong e os pilotos Michael Collins e Buzz (Edwin) Aldrin, foi lançada em 16 de julho de 1969, às 10:32 (horário de Brasília). Com velocidades que chegaram a 25 mil quilômetros por hora – mais de 10 vezes maior que a velocidade máxima do avião Concorde –, alcançou a baixa órbita terrestre 12 minutos depois da ignição dos motores, já tendo deixado dois dos estágios do foguete para o oceano Atlântico; o terceiro estágio só foi liberado depois de dar o último impulso aos exploradores, aumentando ainda mais a velocidade da nave Apollo, rumo à Lua. Às 23:56 de 20 de julho de 1969 o comandante Neil Armstrong tocava o solo lunar e declamava: “Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade.”

Centenas de anos de evoluções cientificas e técnicas culminaram neste feito, esta missão que durou 8 dias e levou 2 homens onde homem algum jamais estivera. Desde então, estivemos 5 outras vezes na Lua, fizemos experimentos e crescemos um bocadinho, um tanto por dia. A corrida espacial chegou ao fim. Hoje transportes, cômodos e laboratórios são divididos entre muitas nações diferentes, incluindo a nossa. Os avanços científicos diretamente causados pelo programa Apollo são inúmeros e não se restringem às jornadas do passado (o presidente Obama citou alguns destes avanços em discurso para a Academia Nacional de Ciências dos E.U.A.): sistemas que melhoraram os processos de diálise e purificação de água, materiais que ajudam a preservar a vida de bombeiros, entre outros. Os efeitos do programa foram duradouros, estimularam muito crescimento e não podem ser contabilizados como produtos diretos da corrida espacial.

O maior avanço que tais viagens nos trouxeram, entretanto, chegou muito depois de encerrado o programa Apollo, quando colocamos em prática a aventura do conhecimento humano como uma contribuição sem fronteiras nacionais. E por que não haveríamos de fazê-lo? A corrida pelo conhecimento continua e todos nós seremos vencedores.


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8 comentários | Dê sua opinião

  1. Bosco Ferreira 20/07/2009 em 6:33 pm

    Daniel assistí hoje a tarde na tv Meio Norte um festival de tolices. Debate entre as apresentadoras do programa “agora”, telespectadores e dois pseudos professores sobre a viajem do homem a lua. Os dois “professores” tentavam provar “cientificamente” que o vôo da apolo 11 foi uma fraude montada pelos americanos para impressionar os russos e a humanidade. Saiu de tudo, até explicações do tipo “só Deus poderá pisar na lua” dita por um telespectador. Um dos “professores” disse ter certeza que posteriormente a fraude, o homem já deve ter ido a lua mas não naquele momento. Tudo não passou de uma montagem! Um professor! Pode isso?

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  2. Daniel 20/07/2009 em 6:39 pm

    Bosco, esse é o tipo de “especialista” pra quem a tevê abre espaço. Pra criar pseudopolêmica. Lamentável, nem sintonizo mais.

    Abs.

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  3. Bueno 21/07/2009 em 11:26 am

    Infelizmente so saberemos se foi fraude ou nao se formos la e acharmos as evidencias de nossa presença na lua. Mas calculos confirmam que se o homem realmente desceu ele nao subiu. E se subiu nao voltou. Hoje ainda seria muito arrisco descer na Lua. Essa historia ainda vai longe mas quando realmente for comprovada para o bem ou para o mal as pessoas interessadas nao estarao mais aqui pra responder.

    Grato

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  4. McFly 21/07/2009 em 3:33 pm

    Bueno,
    de que cálculos está falando? Tem fontes?
    Rochas trazidas da Lua não são evidências suficientes? Usarmos experimentos que ainda estão lá não é suficiente? Acreditar que mais de 20 mil trabalhadores – envolvidos direta e indiretamente com o projeto -, com idéias, religiões e de diferentes aspirações políticas aceitaram conspirar juntos é mais natural que termos realizado a empreitada?

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  5. carlos anselmo-eng° -fort-ceará 23/07/2009 em 1:35 pm

    salve, otávio,

    excelente história, meu camarada. de santos dumont, discípulo de ícaro, até a apolo 11.

    o fascinante e maravilhoso é a aventura do conhecimento humano. mal sabem aqueles que professam as pseudociências o que estão perdendo. nem imaginam a estranheza do mundo.

    sobre a mediocridade das tvs, nem a discory escapa da geléia geral. sou mais me deliciar com o último livro do richard dawkins: a grande história da evolução, disponível nas boas casas do ramo, né não?

    abraços e parabéns.

    ps: Há três péssimos motivos para se acreditar em alguma coisa: tradição, revelação e autoridade. E há apenas um bom motivo para se acreditar, a evidência – Richard Dawkins.

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  6. dennis 23/07/2009 em 7:52 pm

    Eu trabalho com eletrônica a 26 anos..vi muita evolução na area… hoje trabalho com telecomunicações…
    Mas me pergunto… Que tipo de bateria eles usaram??? pois chumbo pesa e muito … e é o que tinha naquela época… litium acredito que nao usaram porcausa das radiações da época… muito perigoso… niquel-cádmio seria inviavel…
    Sem contar valvulas pois ainda era o começo de tudo em 69 no que diz em evolução eletrônica…

    Qual era a potência dos tr5ansmissores… pois transmissores de microondas ou mesmo ondas maiores.. demandam grandes quantidades de potência e muita tecnologia

    entre esta e outras… dificl acreditar..!!!

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  7. guga 23/07/2009 em 7:57 pm

    Começa a m… pela própria foto que mostra ai.
    Quando da terra olhamos pra lua, éla e grande
    e porque esta foto a terra parece ser menor que a terra????? kkkkkk

    na logica a terra é maior que a lua. UAIIII

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  8. McFly 23/07/2009 em 10:11 pm

    Dennis,
    parece mesmo demais; e é, porque essa viagem é considerada por muitos como nosso maior feito tecnológico. Não à toa: o trabalho de pesquisa e desenvolvimento necessário à sua realização foi fenomenal. Dificuldade não é um bom critério pra determinar se algo pode ou não ter acontecido.

    Guga,
    talvez valhesse a pena você pensar em termos de perspectiva. Se ele for desconsiderado, é fácil dizer que o módulo lunar é maior que a Terra. Você conseguiria dizer a altura de um homem através de uma foto dele em um fundo completamente branco, (ou, melhor dizendo, sem outras coisas que te dêem alguma noção de escala)?

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