Ratzinger e o ateísmo

por Daniel Lopes – Olá, irmãos. Vocês sabem, demonstrações de amor e compreensão muito me comovem, desde sempre. Ainda mais às vésperas do Natal. Então, não posso deixar de recomendar a íntegra da encíclica “Spe Salvi”, de autoria do papa Ratzinger. São mais de dez páginas no Word, mas vale a pena imprimir e ler. Peguei a minha no site católico Canção Nova Notícias – A melhor forma de se informar! (Assim com exclamação e tudo!)

A “dura crítica ao ateísmo” contida no escrito já repercute em todos os meios de comunicação, e eu não sei como vou conseguir pegar no sono hoje. Acho até que, ao invés de pandegar, vou me recolher logo bem cedo ao claustro.

É que, segundo o papa, o pensamento ateísta é culpado por várias calamidades da história moderna. Ah, isso é mesmo – Primeira Guerra, Segunda Guerra, todas disputas imperialistas entre Estados ateus. Os ateus também fizeram vista grossa quando do genocídio de judeus, mais que vista grossa, deram uma mãozinha nessa “limpeza”, mãozona no caso da Itália, esse berço do movimento ateísta. Tá certo que Stalin podia ser um crente, mas Hitler e Mussolini, esses dois nunca pisaram numa igreja. E se não fosse o combativo Pio XII, os judeus teriam sofrido ainda mais. As últimas ditaduras militares da América Latina foram postas em marcha com ideário cosmopolita e ateu, para livrar o continente da ameaça católica. Se Israel, Irã e Estados Unidos, dentre outros, não estivessem cheios de ateus radicais nas altas esferas do governo, quem sabe o mundo teria uma chance de paz. Ateus de uma estirpe querem riscar Israel do mapa. Ateus de outra laia querem “salvar” os povos do Oriente Médio. Ateus misóginos, que apedrejam mulheres. Ateus arrogantes, inimigos do conhecimento, medievais, bairristas. Sem falar no prato preferido do ateu: homem ao fogo (opa!, mas essa calamidade é anterior à “história moderna”). Esse pessoal é ruim.

A solução para nossos males é a seguinte, de acordo com a encíclica: devemos abandonar de vez a pretensão de “fazer aquilo que nenhum Deus faz e nem é capaz de fazer”, pois é muita “presunção” dos meros mortais achar que isso vai servir pra alguma coisa. “Um mundo que deve criar a justiça por sua conta, é um mundo sem esperança”. Ninguém vai discordar disso, vai?

Karl Marx levou o dele, também: “O seu verdadeiro erro é o materialismo: de fato, o homem não é o produto de condições econômicas nem se pode curá-lo apenas do exterior criando condições econômicas favoráveis.” Aqueles países nórdicos protestantes de meia-tigela!, aqueles franceses pagãos!, não é à toa que estão todos atolados em miséria. Ao contrário da América católica, que salvou primeiro as almas de seus habitantes, e qualquer dia desses se ocupará da vida material.

Ratzinger também se pronunciou a favor do meio ambiente.

[publicado 30/11/07 no blog do autor]


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5 comentários | Dê sua opinião

  1. Philippe Rodrigues 18/07/2008 em 4:18 pm

    Boa tarde!
    Daniel Lopes, fiquei conhecendo o seu blog através o de um outro blog´, que é o biscoito fino e a massa, do Idelber Avelar. Estou gostando muito do que leio aqui.
    Só gostaria de lhe pedir se tem como você me enviar essa encíclica ”spe salvi”? Como o link que você recomendou, não mais disponibiliza tal artigo.
    Abraços.
    e que continue assim.

    Responder
  2. Daniel Lopes 18/07/2008 em 4:37 pm

    Philipe, obrigado pelo contato. Que bom que você gostou do blog. Agradar a alguém que chegou até nós através de um blog de primeiríssima categoria como o de Idelber Avelar indica que estamos no caminho certo.

    A encíclica do Ratzinger pode ser lida aqui: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html

    Não é exatamente um texto indicado para as férias, mas de qualquer forma, boa leitura!

    Às ordens,

    D. L.

    Responder
  3. Fernando Miranda 27/08/2008 em 12:18 am

    Adorei a acidez do texto. Ele demostra bem como certos líderes religiosos precisam se ocupar de afazeres idiotas como reescrever milhares e milhares de vezes essas cartas que os hebreus e tantos outros povos crentes usaram para justificar sua fé separatista, quando as leituras sagradas já lhes encheram o saco. A religião divide as pessoas. Quando o homem entender que a razão e a investigação em prol da sociedade faz mais efeito do que rezar para pedaços de madeira, ai sim, alcançará a salvação coletiva – e não a individual.

    Parabéns pelo site, ganharam mais um leitor.

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  4. Cairbar Garcia Rodrigues 20/10/2008 em 3:39 pm

    Daniel.
    Simplesmente fantástico esse seu texto sobre o ateísmo e a culpabilidade a ele imputada pelo Papa.
    Sua ironia é tão gostosa e contagiante que dá vontade de fazer com que o mundo todo leia o texto.

    Responder
  5. Emerson 14/04/2010 em 12:17 am

    É uma pena pensamentos como estes aqui expostos. Penso que antes de criticar qualquer coisa é preciso refletir sobre seus próprios atos, não acham? Um fumante pode aconselhar outro a parar de fumar? Acham que a igreja católica está isenta de falhas antes falar mal de outras formas de pensamento?

    Outra coisa é: vocês católicos de hoje gostam de ser comparados com os católicos da idade média? Onde cometia-se uma série de atrocidades tidas como “normais para época” como forma de julgamento. Acho que não. Ou ainda… Vocês acham que católicos e protestantes pensam da mesma maneira? Compartilham todos as mesmas idéias? Também acho que não. Da mesma forma entre os ateus há muita diferença na forma de ver o mundo. Aliás, não há dogmas nenhum, fazendo com que cada um haja da sua maneira. É claro que, pelo fato de serem humanos cometem erros achando que é o correto. Mas espera aí… A igreja também não já cometeu erros achando que era correto?

    Então percebem que não há tanta diferença quanto as falhas? Isto pois somos humanos, demasiado, humanos.

    A história mostra que enquanto há preconceito e discriminação entre ideais, há conflitos. Para vocês não basta os conflitos que já se tem? Não já basta a violência urbana? Por que alimentar mais um conflito? Não já seria hora de começar a respeitar um ao outro e amar do jeito que ele é, amar os inimigos. Isso não é bíblico?

    Apesar de ser ateu vejo que tem muita coisa na bíblia que se realmente fosse praticada pelos religiosos o mundo talvez seria um pouco melhor.

    Sei que muitos aqui não irão gostar deste meu comentário. É natural. Mais sou um simples humano que quer apenas ser respeitado, assim como vocês.

    Responder

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