Meu tributo a Leo Gilson

por Daniel Lopes – Consegui uma raridade de um sebo de São Paulo: Cronistas do absurdo, de Leo Gilson Ribeiro, em sua segunda edição (1965, José Álvaro Editor). Tão rara é a raridade que nem consegui link para pô-la “Na cabeceira” aí ao lado. Trata-se de um livro sobre Kafka, Büchner, Brecht e Ionesco. Prefaciado por Otto Maria Carpeaux, somente.

Leo Gilson, para quem não sabe, foi um dos maiores críticos brasileiros. Até não faz muito tempo ele assinava uma coluna de livros na revista Caros Amigos, seu último emprego. Foi por essas páginas que eu o conheci. Falecido no início do ano passado, era um profundo conhecedor da língua alemã, e carregava um doutorado em literatura pela universidade de Heidelberg.

Pensador de esquerda liberal, inimigo das tiranias políticas e do policiamento ideológico, não compactuava nem com os arrogantes e medíocres “liberais” do ahistoriaacabou, nem com a esquerda mais cega. Mesmo nas páginas da CA, certa vez entrou em desacordo com Emir Sader a respeito da ditadura cubana, atitude natural para quem no passado não via razões para defender a violência soviética.

Devia ser interessante pegar uma Veja para ler, lá no final da década de 1960, quando Mino Carta era diretor de redação e Leo Gilson assinava reportagens e críticas literárias. Agora, a Veja é o que é, mas pelo menos eu, eu!, tenho Cronistas do absurdo para ler. E em breve terei O continente submerso, dedicado a escritores latino-americanos; outra pérola que nossas editoras de olho em Cabul ainda não viram por que reeditar.

[Uma coluna de LGR na Caros Amigos]
[Texto de Ana Lúcia Vasconcelos no Cronópios, por ocasião da morte do crítico]


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2 comentários | Dê sua opinião

  1. JLM 31/07/2008 em 10:40 pm

    Se olhar a quantidade de livros disponíveis e os seus preços aqui, verá que não é tão raridade assim encontrá-lo nos sebos, basta saber em quais.

    1 abraço.

    Responder
  2. Daniel Lopes 01/08/2008 em 12:05 am

    Exato, Jefferson. Os meus eu comprei em sebos. Mas estava falando de novas edições mesmo. Você sabe, sempre que um livro é relançado, suscita novas discussões e tudo mais. E o Leo merece. Abs.

    Responder

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